Revista de Trabajo Social – FCH – UNCPBA ?· 2014-06-07 · conseqüências para a vida do trabalhador…

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Tandil, Julio de 2012. Ao 5 - N7 volumen 3 ISSN 1852-2459

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SERVIO SOCIAL E MUNDO DO TRABALHO: A INSERO PROFISSIONAL NOS ESPAOS DOS CONSELHOS DE DIREITOS

Guimares, Simone de Jesus

1. INTRODUO Este trabalho tem o objetivo de analisar a insero profissional do Assistente Social

nos espaos scio-ocupacionais dos Conselhos de Direitos, tendo como referncia a realidade brasileira e piauiense. Suas anlises tomam como base a pesquisa Mercado de Trabalho e prtica profissional do Assistente Social no Piau, que est sendo desenvolvida desde 2009 e que tem a preocupao central de compreender e refletir sobre o mercado de trabalho e as prticas sociais deste profissional nas esferas de setores que esto para alm da esfera estatal. uma abordagem quanto-qualitativa e crtico-dialtica, cujos eixos centrais discutem a profisso de Servio Social e o mundo do trabalho no contexto das transformaes que passam a sociedade capitalista na contemporaneidade. Nesse patamar de anlise, o trabalho busca mostrar que o capitalismo assume novas feies ditadas pela globalizao, pela reestruturao produtiva e pelas propostas neoliberais, com repercusses no mundo do trabalho e em consequncia nos processos de insero do profissional nos diferentes campos e reas de trabalho do Assistente Social. Para tanto, o trabalho est dividido em dois momentos: o primeiro momento traz os fundamentos gerais a respeito do capitalismo, o mundo do trabalho e o Servio Social na contemporaneidade; o segundo momento faz uma anlise dos processos de insero do Assistente Social nos espaos dos Conselhos de Direitos, procurando compreender essa insero e esses espaos inseridos no contexto das exigncias fundamentais postas pela sociedade capitalista contempornea. Nesse sentido, as concluses revelam que as singularidades e particularidades do trabalhador dessa rea, conformam-se s exigncias da reestruturao capitalista e das relaes que se estabelecem na esfera pblica. Por fim, pretende-se com este trabalho contribuir com as discusses sobre a esfera pblica dos Conselhos de Direitos como importantes espaos de atuao do profissional de Servio Social.

2. MUNDO DO TRABALHO, SERVIO SOCIAL E CONSELHOS DE DIREITOS

Universidade Federal do Piau Brasil E-mail: simone.guimaraes@uol.com.br

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O capitalismo, em toda a sua trajetria histrica, como modo de produo e organizao social, tem sido acometido por diversas crises, umas mais conjunturais outras mais estruturais. O sculo XX no foi diferente. Hobsbawwm (1995) ao analisar este sculo - no perodo que vai de 1914 a 1991 - mostra que esse um perodo de extremos em que o capitalismo viveu momentos gloriosos, ps-Segunda Guerra mundial, e anos de muitas catstrofes e crises com repercusses na vida dos indivduos, grupos e classes sociais. Nesse percurso os anos de 1970, marcaro o fim de uma Dcada de Ouro no dizer deste autor, ou os Trinta Gloriosos Anos que se iniciam nos anos de 1940, em que h na esfera da economia uma longa onda expansiva (Netto, 2006) cujos perodos cclicos de prosperidade [so] mais longos e intensos, e mais curtas e mais superficiais as crises cclicas (Mandel, apud Netto, 2006:213)

Nos anos gloriosos o crescimento econmico gera maiores riquezas e lucros para os detentores do capital e para o trabalho ampliam-se direitos e garantias sociais, conquistados com mobilizaes e lutas sociais. Nesse percurso o Estado de Bem-Estar Social ganha evidncia, garantindo trabalho e proteo social aos trabalhadores em resposta s necessidades produzidas pela questo social.

A partir de 1970 o capitalismo entra numa nova e grave crise, que s vem se estendendo e se aprofundando at o presente momento. Essa crise pe em xeque os pilares dos anos gloriosos, pois o crescimento econmico declina e as taxas de lucro caem alm do que entre 1973 e 1977, dois detonadores [...] anunciaram que a iluso do capitalismo democrtico chegava ao fim: o colapso do ordenamento financeiro mundial [...] e o choque do petrleo (Netto, 2006: 213). Diante de suas crises histricas, as sadas buscadas pelos detentores do capital, tm sido mais capitalismo, mais lucros, mais mais-valia e menos trabalho. Nesses termos as sadas para a crise de 1970 so buscadas no trip: globalizao, neoliberalismo e reestruturao produtiva que iro afetar, sobremaneira, as conquistas relacionadas garantia de emprego e proteo social aos trabalhadores. As crises dos anos 90 do sculo XX e das primeiras dcadas do sculo XX, portanto, so crises constitutivas da crise dos anos de 1970 com outras feies e gravidades das singularidades desses perodos.

A globalizao representar uma nova fase do capitalismo. Na viso de Ianni, (1996:11) expressa um novo ciclo de expanso do capitalismo, como modo de produo e processo civilizatrio de alcance mundial. Essa nova fase do capitalismo, com propores amplas, envolve territrios, naes, regimes polticos, classes sociais, economias, sociedades e culturas, enfim, gente, coisas, ideias, culturas e civilizaes, que sero atravessadas por um mundo global sem fronteiras. Nesse mundo global do capitalismo todas as esferas da vida, da natureza e das relaes entre o homem e a natureza so permeadas, cada vez mais, pelos interesses e projetos de um capitalismo global que no tem ptria e nem fronteiras. Como diz Ianni (1996: 30):

O capitalismo expande-se mais ou menos avassalador em muitos lugares, recobrindo, integrando, destruindo, recriando ou subsumindo. So poucas as formas de vida e trabalho, de ser e imaginar, que permanecem inclumes diante da atividade civilizatria do mercado, empresa, foras produtivas, capital.

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O neoliberalismo, por seu turno, ser a fora poltica necessria ao capital nessa nova fase, Congregar um conjunto de princpios e prticas voltadas a dar o suporte necessrio globalizao e reestruturao do capital. Segundo Netto (2006: 227): Essa ideologia legitima precisamente o projeto do capital monopolista de romper com as restries sciopolticas que limitam a sua liberdade de movimento. Seus alvos principais so: o mercado que renasce com fora de um Deus que tudo pode comprar e por onde tudo poder se constituir em objeto de poder e desejo, ao atravessar coisas, ideias, pessoas, mares, oceanos, terras e vidas; a organizao livre dos trabalhadores que ser enfraquecida em seu poder de resistncia e luta por mudanas substanciais nas condies de vida e trabalho dos trabalhadores; o Estado que passa a ser demonizado pelos neoliberais, restrito em suas competncias e finalidades e reformado no sentido de ser mximo para o capital e mnimo para o social, ou, nas palavras de Netto (2006: 227): o Estado passar por um gigantesco processo de contra-reforma(s) destinado supresso ou reduo de direitos e garantias sociais. Em resumo: um Estado sem amarras para o capital e mnimo no tocante a responder questo social e s mudanas no processo de organizao e (re)produo das relaes sociais.

na esfera do processo de organizao da produo e das relaes sociais de

produo que ocorrer alteraes profundas e amplas para os interesses do capital. At a dcada de 70 do sculo XX o modelo hegemnico de organizao da produo e das relaes sociais de produo, baseado nas relaes tayloristas e fordistas: rgido, produo em srie e em massa, com controle exacerbado do processo de organizao da produo e do trabalho. A partir da crise dos anos de 1970, introduz-e um novo modelo, associado ou no ao modelo taylorista/fordista, cujas caractersticas so sintetizadas, principalmente, no chamado toyotismo: produo e organizao do trabalho flexveis e conforme as necessidades do mercado; direitos trabalhista e sociais flexveis, comprometimento ful time do trabalhador, que agora associado e companheiro do capital. nesse contexto que ocorre a reestruturao produtiva que introduzir a acumulao flexvel, que rene as seguintes idias: flexibilizao, tercerizao e precarizao da produo, do trabalho e dos direitos.

O mundo do trabalho na viso de Antunes (2002) sofrer metamorfoses, com conseqncias para a vida do trabalhador de vrias ordens e natureza. Nessa perspectiva, os processos de organizao do trabalho iro condensar um conjunto de exigncias, que daro um novo perfil classe trabalhadora, cujos objetivos, para o capital, visam: o aumento dos lucros capitalistas; um crescimento econmico sem fronteiras; um trabalhador produtivo, flexvel, envolvido e integrado. Com esses propsitos, a partir de agora os capitalistas buscaro a alma, o corpo e a mente do trabalhador dentro e fora do ambiente e da rotina cotidiana de um dado espao de trabalho. No por acaso, que hoje, mais do que nunca, a gesto da fora de trabalho buscar o consentimento ativo, participativo e pleno do trabalhador,. As relaes objetivas e subjetivas do mundo do trabalho buscaro a adeso e o compromisso total aos princpios dessa nova ordem do trabalho, reforadas e potencializadas por uma realidade que se impe no cotidiano do trabalhador atravs: do desemprego estrutural;

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dos contratos temporrios e parciais; do aumento da informalidade; dos salrios nfimos; dos direitos flexveis; das condies de vida precrias; do stress e das n doenas; da maior banalizao e naturalizao da questo social; da maior individualizao das respostas questo social pelo Estado; pelo combate s formas de organizao sindical, classista e

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