Revista de Trabajo Social – FCH – UNCPBA ?· A assistência social estando incluída como parte…

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  • RReevviissttaa ddee TTrraabbaajjoo SSoocciiaall FFCCHH UUNNCCPPBBAA

    Tandil, Ao 4 - N 6, Diciembre de 2011 ISSN 1852-2459 145

    PROGRAMA BOLSA FAMLIA E INSERO AO TRABALHO: A EXPERINCIA DOS USURIOS DO CENTRO DE REFERNCIA DA ASSISTNCIA SOCIAL DO GUAM CRAS GUAM EM BELM-PA

    Vera Lcia Batista Gomes1 Nbia Machado Eloi2

    Introduo

    A Poltica Pblica de Assistncia Social apresenta-se materializada nos Art. 203 e 204 da Constituio Federal de 1988, passando a ser includa no mbito da Seguridade Social. A partir de ento, foi atribuda a essa poltica uma nova forma de garantia de direitos e universalizao desses, cabendo ao Estado a responsabilidade de formular programas e projetos, e assegurar a tal poltica, a prestao de servios para promover proteo social s famlias brasileiras que necessitam.

    A assistncia social estando includa como parte do trip da Seguridade Social, a saber: sade, previdncia e assistncia social, se constitui como uma especificidade da Poltica de Proteo Social. Assim, o Art. 1 da Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS) preconiza que dever do Estado garantir os direitos sociais, sendo a poltica no contributiva que prov os mnimos sociais atravs da integrao e articulao de aes para o atendimento s necessidades bsicas.

    Sendo assim, a efetivao dessa poltica - enquanto poltica pblica caracterizada pela complexidade e contraditoriedade que cerca as relaes intra-familiares e as relaes das famlias com a esfera da sociedade, especialmente o Estado - colocam desafios tanto em relao a sua proposio e formulao quanto sua execuo, pois tem em vista a satisfao das necessidades humanas dessa frao da classe trabalhadora que se encontra excluda da esfera econmico, poltica, social e cultural.

    No contexto neoliberal essas Polticas de Assistncia Social vm sendo, primordialmente, direcionadas pelos Programas de Transferncia de Renda que objetivam a minimizao e o combate pobreza no Brasil. A busca de sadas para conter a crise do capital mundial vivenciada, atualmente, tem norteado as economias mundiais conduzindo-as ao estabelecimento de estratgias ditadas, principalmente, pelo Banco mundial, sobretudo ao surgimento de programas sociais dessa origem.

    Atualmente, tem-se em vigor o Programa Bolsa-Famlia (PBF), considerado o maior programa brasileiro de transferncia de renda - situado no contexto da Poltica de Assistncia Social a qual busca atender populao em situao de pobreza e extrema pobreza que comprovem no terem meios para a manuteno de sua famlia. Este segmento da sociedade , em geral, usurios do Centro de Referncia da Assistncia Social (CRAS), por este rgo ser considerado como porta de entrada para os servios 1Profesora de la Faculdade de Servio Social da Universidade Federal do Par (UFPA) veralucia@ufpa.br 2 Alumna de la Faculdade de Servio Social Universidade Federal do Par (UFPA) nubiaeloi@gmail.com

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    scio-assistenciais, assim como, espao de acolhimento e de atendimento das famlias beneficirias.

    Assim, para manter a integridade das famlias garantia de direitos, como prevista a Constituio Federal de 1988, o Estado juntamente com as agncias multilaterais alm de financiarem programas sociais no Brasil, tem proposto aes complementares aos Programas de Transferncia de Renda, principalmente, ao PBF com o intuito de inserir a populao no mercado de trabalho atravs da elaborao de polticas de incluso produtiva. Essas polticas visam o desenvolvimento de cursos de qualificao da fora de trabalho e o, posterior, ingresso de seus beneficirios ao trabalho.

    Compreender, em sua gnese, as mltiplas determinaes que direcionam o Estado e as agncias multilaterais a desenvolverem essas aes de insero dos beneficirios aos postos de trabalho e sua efetividade, parece um desafio importante, a qual este trabalho pretende responder por meio de uma pesquisa de campo realizada no CRAS do bairro do Guam/Belm-Pa com os beneficirios da Poltica de Incluso Produtiva que realizaram os cursos de qualificao para o trabalho entre os perodos de 2009-2010.

    O mundo do trabalho frente s transformaes poltico-econmica: da acumulao flexvel aos dias atuais

    A partir dos anos 60 e 70, nos pases centrais do capitalismo, comeou a ser visvel o esgotamento do padro de acumulao baseado no modelo taylorista-fordista de produo. Segundo Antunes (2005: 36), houve

    uma mutao no interior do padro de acumulao (e no no modo de produo), visando alternativas que conferissem maior dinamismo ao processo produtivo, que ento dava claros sinais de esgotamento.Gestou-se a transio do padro taylorista e fordista anterior para as novas formas de acumulao flexibilizada.

    Sendo assim, o modelo de acumulao flexvel apresentou-se como forma de enfrentamento a crise estrutural do capital da dcada de 70, a qual preconizou tambm o controle das lutas sociais que se retomavam, principalmente, nos pases de capitalismo avanado, devido ao desemprego que se proliferava em decorrncia da queda das taxas de lucros pelos capitalistas. Assim, este modelo

    (...) se apia na flexibilizao dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padres de consumo. [... Caracterizando-se] pelo surgimento de setores de produo inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de servios financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente

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    intensificadas de inovao comercial, tecnolgica e organizacional (HARVEY, 1996:140).

    Segundo este autor (Ibidem), a acumulao flexvel provocou profundas modificaes que repercutiram na dinmica de emprego, transferindo-o para o setor de servios e, assim, provocando a desconcentrao industrial para reas subdesenvolvidas onde h iseno fiscal e a desregulamentao das leis trabalhistas. Com efeito, este dar-se, principalmente, com a expanso das industriais pelos pases.

    Este fato deu-se com a financeirizao dos mercados e a mundializao do capital1, a partir da dcada de 80 com o advento do neoliberalismo, onde o aumento das taxas de lucros, ou seja, a acumulao de capital se processa, agora, sob hegemonia do capital financeiro, causando repercusses que segundo Kelly, apresentam caractersticas como:

    desregulamentao enorme dos direitos do trabalho, que so eliminados cotidianamente em quase todas as partes do mundo onde h produo industrial e de servios; aumento da fragmentao no interior da classe trabalhadora; precarizao e terceirizao da fora humana que trabalha (...) (1996:95-8 apud ANTUNES, 2005:53).

    Em decorrncia da expanso dos mercados financeiros entre os grupos industriais, o desemprego torna-se a ser crescente e o mercado de trabalho passou por um processo de reestruturao, onde os capitalistas aproveitaram o enfraquecimento dos sindicatos1 para se beneficiar da fora de trabalho excedente (desempregados e subempregados), atravs do rebaixamento dos salrios e a explorao do trabalho, um novo perfil do trabalhador foi exigido, isto : mais qualificado e polivalente, para se adequar as novas demandas do mercado de trabalho que vinha se processando no neoliberalismo.

    De acordo com Behring & Boschetti (2009), a introduo do modelo neoliberal que preconiza a interveno mnima do Estado na economia, provocou a reduo dos gastos sociais. Com efeito,

    as desigualdades sociais resultantes do aumento do desemprego foram agudizadas tambm por mudanas na composio do financiamento e dos gastos pblicos, visto que a maioria dos pases passou a ampliar a arrecadao pela via de impostos indiretos, o que acaba onerando toda a sociedade e penalizando os trabalhadores com rendimentos mais baixos (Idem: 129-130 e 132). [... Esta situao vem] produzindo uma sobrecarga de aumento de impostos regressivos para a classe trabalhadora e a reduo de gastos com polticas sociais, sem ter conseguido retomar o crescimento econmico. Tais medidas agravam as desigualdades sociais e a concentrao de riqueza socialmente produzida: os 20% mais ricos do mundo ficam com mais de 80% do PIB mundial, enquanto o nmero de pobres cresce ao

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    ritmo do crescimento da populao 2% ao ano; atualmente 1 bilho e meio de seres humanos vivem com rendimentos suficientes apenas para a sobrevivncia (MONGIN, 1996:158 apud BEHRING & BOSCHETTI, 2009:132).

    Este cenrio no sofreu mudanas na dcada de 1990, no mbito das polticas sociais. O que se seguem em vrios pases, primeiramente, na Europa e, atualmente, se expandindo para outros pases do mundo, a presena de Programas de Transferncia de Renda a qual conta com a direo e financiamento de grandes empresas e bancos mundiais, em alguns pases da Amrica Latina, principalmente no Brasil - como polticas neoliberais adotadas para o combate pobreza, voltados para atuar no enfrentamento do desemprego de longa durao, a precarizao das relaes de trabalho, a ampliao de oferta de empregos intermitentes, em tempo parcial, temporrios, instveis e no associados a direitos (Idem: 133), que expressou transformaes no mundo do trabalho presentes no cotidiano dos trabalhadores condio de beneficirios dos Programas de Renda Mnima.

    Programas de renda mnima no contexto brasileiro

    Segundo Silva e Silva (1996) os debates em torno dos Programas de Garantia de Renda Mnima, no Brasil, tiveram seu contexto marcado pelas mudanas no sistema de proteo social em perodos de 1930 a 1943 onde o pas passa a se industrializar. A intensificao dessas discusses passou a se consolidar a partir da adoo do m

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