Click here to load reader

Senhores Date Rra

  • View
    47

  • Download
    0

Embed Size (px)

DESCRIPTION

dsdsdsxxcrfr

Text of Senhores Date Rra

  • os senhores da terra - Justia Ambiental e Unio Nacional de Camponeses

    OS SENHORES DA TERRAAnlise PreliminAr do

    Fenmeno de UsUrPAode terrAs em moAmbiqUe

    CAsos de estUdo

    JUstiA AmbientAl e Unio nACionAl de CAmPoneses

    mAPUto, moAmbiqUe

  • os senhores da terra - Justia Ambiental e Unio Nacional de Camponeses

    fiCHA TCNiCA 01

    fiCHA TCNiCA

    ttulo:

    Publicao: Por:

    Coordenao:Parceiro:Com o apoio:Foto da capa:reviso:layout e Produo grfica:

    os senhores da terra - Anlise Preliminar do Fenmenode Usurpao de Terra em MoambiqueJustia Ambiental e UNAC Nilza Matavel, Slvia Dolores e Vanessa CabanelasAnlise Jurdica: Nadja Gomes equipe de trabalho de campo: Boaventura Monjane, Eugnlio Buquine, Isabelle dos Reis, Jeremias Vunjanhe, Rose de Jong , Sandra Janela e Tina ValjanenAnabela LemosAjuda Popular da NoruegaCentro Cooperativo Sueco Jeremias VunjanheJanice Lemos

    Jano Paixo

    distribuio Gratuita Maputo, Maro de 2011

  • SUmRiO ExECUTivO

    os senhores da terra - Justia Ambiental e Unio Nacional de Camponeses

    02

    SUmRiO ExECUTivO

    O termo usurpao refere-se aco de apoderar-se astuciosa ou violentamente de uma coisa de que algum legitimamente usufruiu ou que lhe pertence; alcanar sem direito; adquirir por fraude; estar a possuir ilegitimamente. Da a utilizao do termo para retratar o actual fenmeno global de landgrabbing ou de usurpao de terra, como o aluguer ou compra de vastas exten-ses de terra por parte de naes mais ricas com insegurana alimentar, e de investidores privados destes mesmos pases a pases mais pobres e em desenvolvimento, como o caso de Moambique, de modo a produzir ou a explorar diversos bens para exportao.

    O presente estudo veio a reiterar o facto de a agricultura constituir o meio de subsistncia predominante das comunidades rurais seguida da agropecuria, ambas actividades extremamente dependentes da disponibilidade de terra frtil e de gua. Adicionalmente estas comunidades de-pendem dos rios como principal fonte de gua e grande parte dos projectos analisados localiza-se prximo deste recurso. O aumento das reas ocupadas por grandes projectos ter com certeza um maior impacto, em termos de disponibilidade e acesso terra e gua, exacerbando a sua j to precria condio de pobreza.

    A maioria dos grandes projectos analisados so recentes, pertencem a investidores estrangeiros e actuam nos sectores de agro-negcios, turismo e minerao. Os investimentos analisados tm vindo a criar cada vez mais conflitos e a agravar a situao de pobreza, carncia e vulnerabilidade das comunidades rurais. Os investidores dos pases nrdicos apesar de nos seus pases de origem cumprirem com os mais elevados padres de respeito pelos direitos humanos e por todos os pro-cessos de participao pblica em qualquer empreendimento que apresente potenciais impactos sociais e ambientais, em Moambique o seu comportamento e padres a seguir so completamente distintos. As suas prticas alimentam um sistema corrupto, beneficiando-se das falhas existentes na implementao das leis em vigor no Pas e agravando deste modo as condies de vida j precrias da maioria das comunidades rurais. Um dos requisitos para a atribuio do direito de uso e aproveitamento de terra a realizao de consulta pblica, verificando-se que ocorre com falhas e de forma imprpria, atentando grave-mente contra o direito informao e participao pblica, pela manipulao das comunidades por parte dos investidores, muitas vezes atravs das estruturas de poder locais, com falsas promes-sas. Muitos dos conflitos actualmente existentes entre as comunidades e as empresas so resultado do incumprimento das promessas feitas no processo de consulta pblica, da invaso de terras comunitrias e do reassentamento em condies e locais imprprios.

    O fenmeno de usurpao de terra ocorre em Moambique e facilitado pelas inmeras falhas em todo o processo de atribuio do Direito de Uso e Aproveitamento de terra, beneficiando os investidores em detrimento das comunidades rurais. Constituem factores que contribuem para o fenmeno de usurpao de terra, o fraco conhecimento das comunidades sobre os seus direitos e lei de terras, a fraqueza institucional dos governos locais, a corrupo de autoridades e lderes co-munitrios e a falta de conscincia sobre os benefcios dos processos formais de posse de terra. A maior agravante neste fenmeno a vulnerabilidade resultante das inmeras carncias caractersti-cas da pobreza a que estas comunidades esto sujeitas leva a que estas sejam facilmente ludibriadas com promessas de melhoria de condies bsicas de vida.

  • os senhores da terra - Justia Ambiental e Unio Nacional de Camponeses

    AgRADECimENTOS 03

    AgRADECimENTOS

    No decurso do presente trabalho foi possvel conhecer e trabalhar com diversas pessoas e instituies que para alm do apoio logstico prestado contriburam para o enriquecimento das experincias e recolha de informao necessria no presente estudo.

    Agradecemos s empresas que nos receberam e se prestaram a responder aos nossos question-rios, prontos a esclarecer as dvidas e questes que iam surgindo no decorrer das entrevistas, pelo tempo e ateno dispensada.

    A todas as comunidades visitadas e que se prontificaram a responder s nossas inmeras questes sempre com a caracterstica boa disposio apesar de estar a tratar de questes to srias, o nosso muito obrigado!!!

    Importa ainda agradecer a colaborao e apoio da Unio de Camponeses de Manica, Ncleo Provincial de Camponeses de Sofala, Unio Provincial de Camponeses de Tete, Ncleo Provin-cial de Camponeses da Zambzia, Unio Geral de Camponeses de Nampula, Unio Provincial de Camponeses de Cabo Delgado, Unio Provincial de Camponeses de Niassa, Direces Provinciais da Agricultura e Direces Provinciais de Geografia e Cadastro.

    Por fim aos parceiros, Ajuda Popular da Noruega e Centro Cooperativo Sueco, que possibili-taram a elaborao do presente estudo um especial obrigado!

  • ACRNimOS

    os senhores da terra - Justia Ambiental e Unio Nacional de Camponeses

    04

    AAJC ABP ASDi CC CPi CRm DUAT gSff iDHiNE iPAJLT mDm NPK PiB RLT SEDAE SETSAN

    Associao de Assistncia Jurdica s Comunidades Fundo Holands de Penso Agncia Sueca para o Desenvolvimento e Cooperao Internacional Cdigo Civil Centro de Promoo de Investimentos Constituio da Repblica de Moambique Direito de Uso e Aproveitamento de Terra Global Solidarity Forest Fund (Fundo Global de Solidariedade Florestal) Indice de Desenvolvimento Humano Instituto Nacional de Estatstica Instituto Para Assistncia Jurdica Lei de Terra Metas de Desenvolvimento Do Milnio Fertilizante base de Nitrognio, Fsforo e Potssio Produto Interno Bruto Regulamento Lei de Terra Servios Distritais de Actividades Econmicas Secretariado Tcnico para a Segurana Alimentar e Nutricional de Moambique

    LiSTA DE ACRNimOS

  • os senhores da terra - Justia Ambiental e Unio Nacional de Camponeses

    NDiCE 05

    SUmRiO ExECUTivO

    AgRADECimENTOS

    LiSTA DE ACRNimOS

    I. iNTRODUO Contextualizao

    II. OBJECTivOS DO ESTUDO

    III. mETODOLOgiA 1. Localizao e descrio das reas de estudo 2. Mtodos

    IV. RESULTADOS 1. Investimentos e Grandes Projectos 2. Quadro legal da Posse de Terra / Aquisio do Duat 3. Meios de Subsistncia 4. Acesso gua 5. Processo de titulao do direito de uso e aproveitamento de terra 6. Benefcios directos e indirectos 7. Conflitos / Resoluo de conflitos 8. Casos de estudo - Zona Sul - Zona Centro - Zona Norte

    V. CONCLUSES

    VI. RECOmENDAES

    VII. CONSTRANgimENTOS E LimiTAES

    VIII. BiBLiOgRAfiA

    XIX. ANExOS

    020304

    07

    13

    14

    19

    58

    61

    63

    64

    65

    08

    17

    19

    30

    25

    35

    21

    34

    26

    41

    14

    NDiCE

  • PREfCiO

    os senhores da terra - Justia Ambiental e Unio Nacional de Camponeses

    06

    PREfCiO

    Quem arranca a terra arranca tudo: a nossa vida, o nosso futuro e dos nossos filhos. J no iremos ter acesso as nossas mangas, bananas, capim para cobrir as nossas casas. Para andarmos preciso autorizao da empresa e por isso que nos temos medo da Chikwetii e no o queremos. Temos medo e muitas vezes nos questionamos como a nossa vida ser? Esto a derrubar as rvores e de tudo o que h nas nossas terras. Quando as nossas mulheres e filhos vo apanhar a lenha so proibidas, afinal a terra no nossa? Ser que neste pas apenas Cahora Bassa que nossa? Mas ns estamos dispostos a tudo para salvaguardar os nossos direitos. As pessoas no esto livres, esto a sofrer por causa do Chikwetii. Ns lutamos pela independncia e durante a guerra de 16 anos, somos antigos combatentes, no recebemos dinheiro e agora estamos a ser arrancados a terra, afinal porque que lutamos ao longo de todo esses anos?Ns queremos e exigimos que o projecto da Chikwetii seja cancelado, abandone as nossas machambas e terras.

    Comunidade de micoco, niassa

    Foto por Tina Valjanen, Sofala

  • os senhores da terra - Justia Ambiental e Unio Nacional de Camponeses

    iNTRODUO 07

    i. iNTRODUO

    O interesse e a procura por terra arvel tem vindo a aumentar, dada a instabilidade do preo de comodidades, as crescentes presses sobre o Homem e meio ambiente e a crescente preocupa-o com questes de segurana alimentar. Este interesse e procura ir com certeza aumentar ainda mais, em particular no mundo em desenvolvimento (Deininger, et al, 2010). A subida do preo dos al