of 47 /47
Caro amigo Sua colaboração nas obras assistenciais é muito importante; adquirindo um livro espírita já estarás ajudando. Por isso sem você tem condições de comprá-lo faça-o. Que Jesus o abençoe. Muita Paz

Sua colaboração nas obras assistenciais é muito …files.comunidades.net/portaldoespirito/310__Assembleia_de_Luz_1988.… · Caro amigo Sua colaboração nas obras assistenciais

  • Author
    vandung

  • View
    212

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Sua colaboração nas obras assistenciais é muito...

  • Caro amigo Sua colaborao nas obras assistenciais muito importante; adquirindo um livro esprita j estars ajudando. Por isso sem voc tem condies de compr-lo faa-o. Que Jesus o abenoe. Muita Paz

  • 2

    ASSEMBLIA DE LUZ................................................................................................................. 3 ESPERANA................................................................................................................................. 4 DESTINO E PENSAMENTO......................................................................................................... 5 ASSUNTOS DIVERSOS................................................................................................................ 7 RESPOSTA DE AMIGO .............................................................................................................. 9 FALANDO AO CORAO....................................................................................................... 10 NORMA DA VIDA .................................................................................................................... 11 ANTEVISO ............................................................................................................................... 12 RESSURREIO......................................................................................................................... 13 A CHAMA DIVINA................................................................................................................... 14 ROGATIVA NO TMULO ....................................................................................................... 15 DOR ............................................................................................................................................. 16 CR.............................................................................................................................................. 17 QUEM?! ... ................................................................................................................................... 18 PROMETEU................................................................................................................................. 19 RENASCENA DE LUZ ........................................................................................................... 20 REPARAO .............................................................................................................................. 21 REMDIO DIFCIL .................................................................................................................... 22 REJEIO ................................................................................................................................... 23 NOTA NTIMA........................................................................................................................... 24 SIMPLIFICA ................................................................................................................................ 25 OURO .......................................................................................................................................... 27 NOTCIAS DA MORTE............................................................................................................. 28 CONFISSO DE CANTADOR.................................................................................................. 31 CANTORIA DE ADOLESCENTE............................................................................................. 33 UM CERTO DEVOTO............................................................................................................... 36 INTELIGNCIA E AMOR......................................................................................................... 39 SENDA DE LUZ ........................................................................................................................ 40 TRANSIO ............................................................................................................................... 41 CARIDADE ESQUECIDA.......................................................................................................... 42 TRIO DA ESPERANA............................................................................................................. 43 CRIANA NOSSO AMOR.......................................................................................................... 45 PACINCIA................................................................................................................................. 46 REENCARNAO...................................................................................................................... 47

  • 3

    ASSEMBLIA DE LUZ "As entidades espirituais realizam reunies especficas, em ocasies determinadas, a fim de adotarem servios ou decises?" Esta pergunta motivo para grande nmero de consultas, formuladas por amigos ainda vinculados vida fsica, e, com ligeira notcia, aqui registrada, esperamos resumir as respostas que devemos aos companheiros em estgio educativo na Terra.

    * * * Deliberando organizar o presente livro, vrios poetas se agruparam em vasto salo de instituto cultural de nosso plano de vivncia comum para troca de idias e consultas recprocas. Os vates reunidos cada um por sua vez liam para os companheiros as produes j elaboradas por eles mesmos, e o silncio do recinto se povoava de luz, que se coloria de tons diversos. Ora predominava o lils, ora o rseo, e de outras vezes sobressaam o verde e o azul a tingirem o ambiente. Ser-nos- permitido dizer que nos achvamos defrontados por verdadeira festa de kirliangrafias.

    * * * Fomos observar o que se passava e notamos tanta uno e tantos valores mentais concentrados durante a leitura que se efetuava, enriquecida pela emoo dos circunstantes, que nos obrigamos a reconhecer que ali estava um grande conjunto de inteligncias, cujas auras se punham nossa mostra, suscitando a mudana das cores que ali predominavam com alternativas que variavam com o tempo da leitura, profundamente sentida, de cada um.

    * * * Temos aqui o livro nascido desse simpsio de coraes devotados ao Belo, por resposta aos companheiros que nos endeream indagaes acerca de reunies na Vida Maior. E, homenageando os poetas que nos deram a conhecer, de modo mais intenso, o valor das mentes unidas com objetivos de elevao, titulamos o presente volume por "Assemblia de Luz".

    - Emmanuel

    Uberaba, 29 de Maro de 1988

  • 4

    ESPERANA Repara a luz da esperana Sempre viva, sempre acesa, Fulgindo sem descansar Na bno da Natureza.

    A terra aguarda a semente E a semente a florao. Para a vitria do fruto Em graa, beleza e po.

    O ninho da tempestade, Ante a fria que o balana, Espera, silencioso, Que o cu retorne bonana,

    Pedras aguardam buril Para brilharem ditosas, E o charco espera socorro Para esmaltar-se de rosas.

    O inverno rgido e triste, Embora a engelhar-se, espera O sol quente e generoso Que vir na primavera.

    Assim, tambm no caminho, Se o p da mgoa te alcana, No te mergulhes na queixa, Nem percas a confiana.

    H vozes da experincia Na dor que te dilacera... Diz a vida: "Ama e confia!" Diz o tempo: Espera, espera.

    "Para quem cala Deus fala", Ensina velho rifo. Espera com Deus, que o tempo o mestre do corao.

    Casemiro Cunha

  • 5

    DESTINO E PENSAMENTO Eis o princpio ideal De agir com calma e com zelo: No nos basta ver o mal, preciso compreend-lo.

    lvaro Martins Sem alarme e sem reclamos, O destino, em qualquer crena, tudo quanto formamos De tudo quanto se pensa.

    Loureno Prado Clamando por diretrizes, Vemos, por todos os lados, Os que anseiam ser felizes Mantendo os braos cruzados.

    Sylvio Fontoura Nunca reproves ningum. Idia fala sem voz. A gente v no vizinho Aquilo que vive em ns.

    Pedro Silva Pensamento que se irrite Expressa, em linhas gerais, Uma fora sem limite Buscando foras iguais.

    Mcio Teixeira Nas lutas do dia-a-dia, Na ao, no lar e no afeto, O segredo da alegria o pensamento correto.

    Jovino Guedes

  • 6

    No h quem caminhe a ss, Trabalha, serve e perdoa, Pois estamos todos ns Dentro da mesma canoa.

    Jair Presente Eis que a f nos elucida, Bradando em seus estatutos: Do que semeias na vida Tens na morte os prprios frutos.

    Bris Freire Foi sempre vaga e enfermia A idia de Joo Moleza; Se escapava da preguia, Descambava na tristeza.

    Cornlio Pires Ensinamento sabido: Destino ato e proposta. A idia faz o pedido, O tempo traz a resposta.

    Marcelo Gama

  • 7

    ASSUNTOS DIVERSOS Mentira em vrios extremos, Do homem rico ao mais pobre, No mundo sempre o que vemos Nas juras que a Terra cobre.

    Clovis Amorim No tenhas medo de mim, Porque passei pela morte; Nosso amor puro e sem fim No h lmina que corte.

    Livio Barreto Alma que busque manter Lealdade na afeio, Coloque o prprio dever Por dentro do corao.

    Etris Freire Se a notar mgoas te empenhas, No preciso esconder; Escreve as queixas que tenhas Na praia, perto das ondas,

    Jlio Diniz Ante a dor que me esfarrapa, Oculto o meu desalinho, Fonte que nasce na lapa No se mostra no caminho.

    Natal Machado Digo aos homens e s mulheres Este rifo sem receios: No brinques onde estiveres Com sentimentos alheios.

    Jovino Guedes

  • 8

    Esfora-te por vencer As iras em que te arrasas, Ningum consegue viver Entre paredes de brasas.

    Lul Parola Trata a todos por irmos, Usa o verbo bem composto, O sorriso de bondade um arco-ris no rosto.

    Meimei Nesta noite, tenho flores Feitas de amor imortal, Trazendo o nosso carinho Aos irmos de Portugal.

    Auta de Souza

  • 9

    RESPOSTA DE AMIGO Queres saber no Evangelho Como agir, como acertar... A indicao servir Sem nunca desanimar. Espinhos, pedras, ofensas Com que te busquem marcar.., Perdoa constantemente, Sem nunca desanimar. Procuras novo horizonte Para a harmonia no lar... Cultiva a benevolncia Sem nunca desanimar. Desencantos e amarguras Da senda particular, Espera melhores dias Sem nunca desanimar. Sucumbiste tentao No p da sombra vulgar... Ergue-te, luta e confia Sem nunca desanimar. Suspiras por afeies Viver, produzir, amar... Faze o bem, somente o bem, Sem nunca desanimar. Anseias trazer a vida Repleta de bem-estar... Cumpre o dever que assumiste Sem nunca desanimar. Se sonhas vencer no mundo, Ascender, edificar... Atende s lies do Cristo, Sem nunca desanimar.

    Casemiro Cunha

  • 10

    FALANDO AO CORAO Corao fatigado, enfermo e aflito Na noite espessa que te envolve a estrada, Contempla a imensa abbada estrelada, Cintilando na glria do infinito!... Emudece a amargura de teu grito E, ante as dores da longa caminhada, Busca o fulgor distante da alvorada E sorri para o amor puro e bendito. Segue olvidando pntanos e espinhos, Pedras, nuvens e serros escarninhos, Sem que o fel de teu pranto sobrenade... E, sobranceiro treva que te espia, Chegars soluando de alegria Ao Divino Pas da Eternidade.

    Cruz e Souza

  • 11

    NORMA DA VIDA Sinto-te o corao dorido em prece E perguntas, em pranto, alma querida e boa: - "Como guardar a f, sem que a prova nos doa Nos recessos do ser? Uma norma de paz haver sobre a Terra, Que consiga sanar as chagas da alma triste?" Sem pretenso, respondo que ela existe: -Trabalhar e esquecer. A prpria Natureza um livro aberto. Recorda o tronco antigo e a tempestade; Desam raios do cu, a nuvem brade, Sob a crise da noite a estremecer, Ei-lo, porm, ereto e firme, agentando a tormenta... Quebra-se-lhe quase toda a ramaria, Ele guarda, no entanto, as instrues da vida: -Trabalhar e esquecer. Vejo a terra humilhada na lavoura, Ferida e massacrada Ao peso do trator e entre golpes de enxada Tem nos vulces rugindo o seu bravo gemer... Mas, mesmo assim, produz o po do mundo, Injuriada e revolvida Atende a ordenao que recebe da vida: -Trabalhar e esquecer. O fio d'gua que nasceu na serra, Pouco a pouco se fez amplo regato, Percorrendo quilmetros de mato, A correr e a correr... Dessedentando pombos e serpentes, Sofre a baba do lobo que o domina E segue para o mar, ante a norma divina: -Trabalhar e esquecer!... Assim tambm, alma querida e boa, Se carregas contigo farpas de amargura, Desencanto, tristeza, desventura, Chora, mas faze o bem - nosso alto dever... Quanto s pedras e empeos do caminho, Desengano e aflio, mgoa e mudana, Olvida!... E segue as vozes da esperana: -Trabalhar e esquecer!...

    Maria Dolores

  • 12

    ANTEVISO Um dia chegar, de segundo a segundo, A vitria imortal!...Tiranias ultrizes Dobraro para sempre as trgicas cervizes, Ante o reino do amor a espraiar-se, fecundo! A impiedade revel, o dio a rir-se iracundo, A usura de Harpago e o gldio de Cambises Sero rostos crestais de velhas cicatrizes, Temerrias lies no semblante do mundo! No mais fome ou nudez, o arado, a escola e o malho Entoaro sobre a Terra as canes do trabalho Em trompas e clarins de concerto bendito! E os homens, cus alm, ao tato incontroverso, Descobriro, por fim, nos portais do Universo, A bssola de Deus nos portais do infinito!

    Alceu Wamosy

  • 13

    RESSURREIO Triste viajante da floresta escura, Tateando na estrada erma e sombria, Alcancei a aflio do ltimo dia, Esmagado na sombra da amargura.,. Mas, alm do favor da sepultura, Eis que a paz novamente me sorria... E, ave exalando a graa da alegria, Embriaga-me a luz vibrante e pura! Glria s dores da vida transitria!... No traduzo o meu grito de vitria, Por mais que a minha f se estenda e brade; Cego que torna a ver, alm do mundo, Canto somente a luz de que me inundo, Nos caminhos de sol da eternidade.

    Lencio Correia

  • 14

    A CHAMA DIVINA Na escurido hostil da primeira caverna, Enquanto o homem larval grita, sonha e tateia, Deus acende na furna humlima candeia Sobre simples sinais da natureza externa. A princpio claro de plida lanterna, Frgil, treme, vacila, ondula e bruxuleia; Depois, tocha imensa a crepitar sem peia, Descortinando ao mundo a Majestade Eterna! Facho excelso e imortal, desde ento se fez guia Da civilizao que fulge e se irradia Em sublime esplendor flamfero e disperso... E essa Chama Divina o livro soberano, Hfen de sol, ligando o entendimento Humano grandeza da Vida e Glria do Universo.

    Olavo Bilac

  • 15

    ROGATIVA NO TMULO Amados, rogo a Deus vos compense a ternura Que me ofertais na campa em marmreo jardim, A capela de adorno, as cruzes de marfim, O abrigo de milhes que os restos me enclausura... Entretanto, atendei!... Levai de sobre mim A riqueza de pedra e as jias de escultura, Transformai-as em po na vereda insegura Da penria que vejo agora de onde vim!... Peo a cova sem luxo, um recanto sem palmas. Em memria do amor que funde as nossas almas, No me faais lembrar o orgulho triste e vo. Mas aceito, feliz, as flores que me destes E as preces de saudade, sombra dos ciprestes, Que me trazem consolo e vida ao corao,

    R. de Carvalho

  • 16

    DOR Vi a dor caminhando em negra estrada, Qual megera da sombra, em noite escura, E perguntei, rolado de amargura: "Por que nasceste, bruxa desvairada?" "Por que ostentas a espada estranha e dura, Sobre o seio da vida atormentada, Reduzindo misria, cinza e nada Todo o sonho da paz e da ventura?" Mas a Dor respondeu: "Cala-te, amigo! Na torturada senda em que prossigo, O veneno do mal morre infecundo. Sem meu gldio que salva, pouco a pouco O homem padeceria cego e louco Em tenebrosos crceres do mundo!"

    Anthero de Quental

  • 17

    CR H na crena uma luz radiosa e pura, Que transfigura os prantos em prazeres, Que transforma os amargos padeceres Em momentos de mstica ventura. Confia, espera e cr. Quando sofreres, Sob os guantes da rspida amargura, Nas tormentas acerbas dos deveres Esquecers a dor e a desventura. que, em meio das mgoas mais atrozes, Sentirs dentro em ti estranhas vozes Repletas de doura indefinida: So os seres ditosos, superiores, Que nos impelem a ns, os sofredores, Aos luminosos planos da outra vida.

    Anthero de Quental

  • 18

    QUEM?! ... Estrelas, quem vos fez por deslumbrante frota De excelsos bergantins em chamas de ouro e prata? Cus, quem nos desdobrou, por milnios sem data, Nos distritos sem fim da vastido remota?!... Luzes da imensido, quem vos alenta e dota De celeste esplendor e fora intimorata? Mares, quem vos mantm?... Fontes, quem vos desata? Aves, quem vos comps a cantiga devota? Flores, quem vos desvela a doce maravilha? Troncos, quem vos criou?... Pedras, quem vos empilha Dando ao mundo, no espao, apoio incontroverso?! ...E eis que serena voz, sem que se saiba de onde, Do sol ao verme canta, estremece e responde, - Deus!... Tudo vem de Deus, na pompa do Universo!...

    Tobias Barreto

  • 19

    PROMETEU "Sou mdium" - explicou Juquinha Prado Ao guia da sesso em Passadio. Que fazer, meu irmo? Que h com isso? Se o meu caminho sempre atribulado?" O guia respondeu incorporado: "Filho, mediunidade mais servio E mais estudo para o compromisso De viver em maior aprendizado!... Venha servir!... Quem serve avana e esquece..." O moo agradeceu, pondo-se em prece, E prometeu voltar de modo urgente... Voltaria do stio em Serra Brava, Mas, do grupo fraterno que buscava, Ningum mais viu Juquinha, frente a frente!...

    Cornlio Pires

  • 20

    RENASCENA DE LUZ Alm da grande noite, fria e densa, Da negao que ruge, desvairada, Aparece risonha madrugada, Em que ressurge a Terra, ao sol da crena. O Espiritismo a Nova Renascena Da f crist, sublime e deslumbrada, a vitria da vida sobre o nada E a glria universal, fulgindo imensa... Trabalhemos, irmos!... novo dia. Espalhemos na Terra erma e sombria Nosso ideal de luz, santo e fecundo; E brilharo, depois da treva humana, Uma s f augusta e soberana, Um s rebanho e um s Pastor no mundo.

    Joo de Deus

  • 21

    REPARAO "No me apareas mais!..." - disse ao moo tristonho A jovem recoberta em jias de rainha. E, ao v-lo cambalear na tosse que os detinha, Gritou: "Achei agora o rapaz do meu sonho!,.." Clamou o servidor: "Disseste que eras minha!... Meu amor aos teus ps novamente deponho, E por ti morrerei no abismo que transponho..." E largou-se a gemer do portal que o sustinha!... Ela casa-se e brilha... Acredita que esquece... Mas, embora a fortuna, apaga-se, envelhece, Doente, sofre, chora e morre pouco a pouco!... No Alm quer amparar o antigo amor suicida, Renasce... E fez-se me, entre as pedras da vida, E hoje carrega ao colo um filho cego e louco!...

    Valentim Magalhes

  • 22

    REMDIO DIFCIL "Socorro, irmo!... Cansei de andar errado.. Tudo meu desacerta... - assim pedia O Ado Bicalho a irmo Jos Maria, Numa sesso do Centro de Aterrado. E prosseguiu: "Estou desesperado, Preciso apoio contra a bruxaria, Vou ao doutor e nada me alivia, A coruja do azar vive a meu lado..." O guia respondeu: "Irmo Bicalho, O remdio trabalho e mais trabalho Para sanar as aflies que levas!..." Mas Bicalho gritou, rude e vermelho: "Estou pedindo auxlio e no conselho. Sai j daqui, esprito das trevas!..."

    Cornlio Pires

  • 23

    REJEIO Veio sesso Nh Bela da Queimada, Viva de NhChico do Pilo. Rosava dele a comunicao, E chorava abatida, inconformada... A petio sempre renovada, Noite a noite, Nh Bela s paixo, Quer palavras do esposo...Tudo em vo, A viva mais triste, est cansada.,. Certa noite, eis que o morto se revela... vem ao leito da esposa e diz:"Nh Bela, Minha santa, mais f! No te esqueci!,." Mas Nh Bela, aterrada, cai no escuro E grita: "Vai, Nh Chico! Eu te esconjuro, Vai baixar l no Centro! Sai daqui!.,."

    Cornlio Pires

  • 24

    NOTA NTIMA Procuras por segurana Na luta de cada dia... Se queres refgio certo, Trabalha, serve, confia. Encontras dificuldades, Anseias por melhoria; Em qualquer parte onde estejas, Trabalha, serve, confia. Carregas fardo pesado De angstia e melancolia... Se buscas libertao, Trabalha, serve, confia. Padeces em solido Por falta de companhia? Socorre as dores alheias, Trabalha, serve, confia. Ressentimento, azedume, Tristeza, desarmonia... Esquece o mal, faze o bem, Trabalha, serve, confia. O prprio Deus, por leis justas, Na Eterna Sabedoria, Agora e sempre, com todos, Trabalha, serve, confia.

    Casimiro Cunha

  • 25

    SIMPLIFICA Clamas que o tempo est curto; Contudo, o tempo replica: "No me gastes sem proveito, Simplifica, simplifica." muita conta a buscar-te.. Armazm, loja, botica... Aprende a viver com pouco, Simplifica, simplifica. Incompreenses, chicotadas? Calnia, misria, trica? No carregues fardo intil, Simplifica, simplifica Encontras no prprio lar Parente que fere e implica? Desculpa sem reclamar, Simplifica, simplifica. Se algum te injuria em rosto, Se te espanca ou sacrifica, Olvida a loucura e segue, Simplifica, simplifica. Recebes dos mais amados Ofensa que no se explica? Esquece a lama da estrada, Simplifica, simplifica.

  • 26

    Alegas duro cansao, Queres casa imensa e rica; Foge disso enquanto tempo, Simplifica, simplifica. Crs amparar a famlia Pelo vintm que se estica... Excesso cria ambio. Simplifica, simplifica. Dizes que o mundo de pedra, Que as provas chegam em bica; No deites limo nos olhos, Simplifica, simplifica. Recorres ao Mestre em pranto Na luta que te complica E Jesus pede em silncio: Simplifica, simplifica.

    Casimiro Cunha

  • 27

    OURO Todo o ouro dos bancos Pode nutrir, um dia, a bno do trabalho. Todo o ouro guardado Nos altares dos templos riqueza da f Que o tempo transfigura. Todo o ouro das jias Que esplende nos sales lurea passageira Em louvor iluso. O ouro dos museus, A derramar-se, estanque, ornato da morte Para a festa da cinza. Todo o ouro das minas promessa de po, E o ouro da moeda Que auxilia e circula sangue do progresso. Mas apenas o ouro Que Gastas apagando As aflies dos outros, Acendendo sorrisos Em mascaras de pranto, o ouro da alegria Nos tesouros de amor Que acumulas no Cu.

    Rodrigues de Abreu

  • 28

    NOTCIAS DA MORTE Peo aqui a cada um Que, por favor, me suporte, Mas vrios amigos mandam Que eu escreva sobre a morte. No sei o porqu da escolha, J que no sou literato, Verso que eu possa compor Recorda uma flor do mato. Antigamente julguei Que a morte fosse a viso De uma bruxa escaveirada Com grande foice na mo. Agora que atravessei A terra-de-toda-gente, Posso falar de cadeira Que ela muito diferente Ningum escapa na Terra s influncias da dita, Ela chega para todos, Mas pouca gente acredita. Quando no surge de estalo, Vem vindo de passo em passo, Comea por uma dor, Uma tristeza, um cansao... Quando desponta, de incio, Pouco a pouco, ela reclama Remdio, exame, cuidado, Silncio, repouso e cama. Se o Cu envia uma ordem De suspender a sentena, Ela deixa a Medicina Afugentar a doena.

  • 29

    Mas quando tem carta branca Para trabalho, a preceito, Ela carrega a pessoa Agindo de qualquer jeito. um quadro triste de luta... Muita sente, nessa hora, Pede apoio e proteo A Deus e Nossa Senhora. Uns gritam: "Quero ficar, Tenho meus filhos pequenos... Socorro, meu Deus, preciso De mais tempo, mais ou menos.," Outros suplicam: "Doutor, Eu pago o que possa ter, Tome qualquer providncia, Mas no me deixe morrer.," Contudo, se o Cu ordena, De nada a Morte se espanta, Cincia fica no estudo, Remdio no adianta. Ento se estira a pessoa Num sono esquisito e enorme, lembrando nesse descanso Uma lagarta que dorme. Depois, recorda um casulo Na caixa, em forma de cocho, E o corpo sem movimento Tome vela e pano roxo. Logo em seguida, a pessoa Acorda e entra em ao, Copiando a borboleta Que deixa a casca no cho.

  • 30

    A, que o carro pega: Se a conscincia est boa, muito encontro feliz E muita luz na pessoa. . Mas, se apenas sombra e culpa o que a mente em si carrega, Parece um doente aos gritos, Brincando de cabra cega, Aqui termino a conversa. Nada mais a comentar. Da morte j disse tudo O que eu podia falar. Toda criatura na Terra, Cada qual por sua vez, Recebe, depois da morte, Somente a vida que fez.

    Leandro Gomes de Barros

  • 31

    CONFISSO DE CANTADOR Sou convidado a dizer Com toda a satisfao Da paz que o povo encontrava Na alegria do serto. Olhando a Terra de hoje Com tanto aviso de lei, No sei se o mundo mudou Ou se foi eu que mudei. Conversa da noite antiga Era encharcada de lua, Mas hoje o tempo da noite a buzinana de rua. A gente via na estrada Cu bonito e flor de cheiro. Agora, gente apressada Na procura do dinheiro. Menino quando nascia Vinha em bacia enfeitada. Agora, barriga aberta E a criana numerada. Uma cabocla passante, Se algum atrevia a olhar, Via a morena vestida Da cabea ao calcanhar. Hoje em dia, moa fina, Sem diferena de hora, Anda sem medo na rua, Mostrando as pernas de fora. H dias, olhando o mar De um monte de samambaia, Perguntei qual era a tribo Que estava em banho na praia. Quis ver o quadro das ondas Na dana de "traz e leva", Mas fiquei de pensamento No tempo de Ado e Eva.

  • 32

    Vi tanto gajo nadando E tanta moa faceira Que ali se a serpente andasse Era simples brincadeira. Quando vi a tentao Na cabea como eu pus, Rezei o "credo" trs vezes E fiz o sinal da cruz. Renovei o pensamento, Levei meus olhos ao cu, Depois, voltei para o campo, Rezando no mataru. Mesa de vida moderna papo de gente rica, Pouca gente sabe o gosto Da pamonha e da canjica. Das frutas de minha terra, Quantas delas conhecia!... Ata, acari, genipapo, Axix e melancia. Manga doce vinha aos montes Descendo de muro e rampa; Hoje fruta embalsamada Em muita lata de tampa. O santo quando saa Em procisso benfazeja, Todo o povo ajoelhava Dizendo: "bendito seja"!. Quem fala hoje na f A fim de salvar ateus J sabe que em qualquer praa pouca gente com Deus. Negocio de hoje em dia, Mostrando riqueza aberta, conversa clandestina, Com ladroagem na certa. Catador tem seu limite, Falar muito no me cabe, Se a terra ainda tem conserto S Deus, no Cu que sabe.

    Leandro Gomes de Barros

  • 33

    CANTORIA DE ADOLESCENTE Muito difcil expor Este assunto diferente; Mas os mentores insistem, No posso ser renitente. Na Terra de hoje grande A luta do adolescente. H muitas acusaes Em torno da petizada, Muitos lhe notam abusos No lar, na rua, na estrada, E eis que um nome se lhe atira: "Juventude transviada". De fato, a muitos excessos A gente verde se lana, Mas no se pode arredar De nossa prpria lembrana Que a puberdade revela O que colheu em criana. Antigamente se viam Meninas e rapazolas Depois do trabalho em casa, Entre petecas e bolas, Livros, cadernos e lousas, Lies, deveres, escolas. Aos sbados e domingos, Sempre na trilha dos pais, Tinham passeios no campo, Alguns folguedos a mais, Visitas s goiabeiras, Distraes nos laranjais. Entretanto, atualmente, Pelo "sim" ou pelo "no" Em qualquer parte da Terra, grande a transformao; Desde cedo, a crianada Est na televiso.

  • 34

    Os pequeninos atentos, Seja na rua ou no lar, Registram quadros tremendos, Assuntos de arrepiar, Assaltos, crimes e furtos, E tocam a perguntar.,, Querem saber sobre sexo, Em todo e qualquer artigo; Muitos adultos se ausentam, Temendo entrar em perigo... Papai diz: "No tenho tempo" Diz mame: "Depois eu digo". Os pais, coitados, nem contam As horas que o dia tem, Necessitam trabalhar No ritmo de vaivm, Precisam pagar colgio, Farmcia, gs, armazm... Os meninos vo rua Para o que der e vier; Procuram experincia, Interpelando a qualquer; Cegonhas e carochinhas So coisas que ningum quer. Nos fatos mais escabrosos, A meninada se agenta, A turma toda se gasta Na atividade violenta; Aos doze anos, j sabe O que aprendi nos quarenta. Eu sei que h milhes de jovens Honrando o prprio dever, Falo aqui, unicamente, Dos que s querem prazer E chegam aos vinte anos Pedindo para morrer. Esses verdes companheiros Sem controles e sem contas

  • 35

    Parecem fazer da vida Uma vela acesa, s tontas, A consumir-se apressada No fogo de duas pontas. Qual a Terra de amanh? Pergunto comigo a ss. Responda quem tenha vez E muito peito na voz; S peo a Deus que nos guarde Com pena de todos ns.

    Leandro Gomes de Barros

  • 36

    UM CERTO DEVOTO Um homem que se entregara devoo Havia muito tempo andava em ansiosa espera, Queria ver Jesus. Por isso, quase sempre, em profunda orao, Vivia em splica sincera... At que, certa noite, Viu, reverente, o Mestre Que o abraava e prometia, Com palavras de aviso terno e exato, Visit-lo no dia imediato. O devoto acordou... Amanhecia... Antes que o Sol surgisse, inteiramente, Apresentando a Terra em novas cores, O amigo de Jesus, agindo como em festa, Varre a casa modesta, Depois, ei-lo a enfeit-la, Desde a pequena sala Ao fogo da cozinha limpa e estreita, Com dezenas de flores, Estampando na face a alegria perfeita. Logo pela manh, Bateu-lhe porta um pobre em roupa esfarrapada, Mostrando ps e mos em estranhas feridas, A rogar-lhe uns minutos de pousada, Atravs de expresses enternecidas, Alegando sofrer tribulaes De comprida jornada. Mas o devoto respondeu: -Amigo, segue adiante, O seu caso comum, Espero por algum muito importante No tenho tempo algum. O mendigo saiu, cambaleante, Depois de agradecer.

  • 37

    Em seguida apareceu Triste rapaz errante, Demonstrando, no todo, trao a trao, Febre, penria e dor, indigncia e cansao, Suplicando socorro ao devoto feliz... Ele, porm, lhe diz; - Pe-te frente, rapaz, no tenho neste mundo, A obrigao de abrir a porta de meu lar A qualquer vagabundo... Logo aps, um menino pobre e triste Surgiu descalo e s, Corpo todo a encobrir-se sob o p Das veredas difceis que trilhara.,. Pedia po e abrigo, Mas falou o devoto em voz segura e clara: - Hoje, espero um amigo, No posso recolh-lo, Pea po ao vizinho E segue o teu caminho... Alis, para mim, simples desmazelo Dos lares sem amor Que deixam a criana, um garoto qualquer, Pedir, pedir, pedir e andar como quiser Para depois fazer-se malfeitor... Mais tarde, ao fim do dia, Um velhinho doente, arrimado a um bordo, Respeitoso, rogava compaixo, Receava dormir exposto noite fria E sair, ao relento, Aumentando a fadiga e o sofrimento. O devoto, no entanto, informou da janela: -No posso dar-te asilo, No bata minha porta nem te escores nela... Aguardo algum; contudo, segue em frente, Neste mesmo lugar encontrars mais gente Que possa agasalh-lo, Desculpa-me a recusa, um amigo importante esse algum de quem falo... Espero que ters leito e pousada Na primeira penso, direita da estrada.

  • 38

    O dia terminou, e a noite veio escura, O devoto chorou, tomado de amargura, Mas dormiu e sonhou que reencontrava o Cristo. Assombrado, gritou: - Por que, por que, Senhor, No me queres a f, nem me aceitas o amor? Preparei minha casa com cuidado A fim de demonstrar-te todo o meu carinho, E no quiseste vir ao meu recanto... - Como no? - disse o Mestre em doce explicao - Hoje, por quatro vezes fui A tua casa, em vo. Por muito que te achasse, eu me via sozinho.. Finda uma pausa, o Mestre esclareceu: - Recorda, amigo meu, O mendigo, o rapaz, o menino e o velhinho... Sei que teu corao no percebeu, Mas nos quatro viajores do caminho Estava eu A estender-te claro renovador E te buscar em meu imenso amor. Nisso, o devoto em pranto Voltou ao corpo e veio a despertar... E, relembrando o ensino, trmulo de espanto, Comeou a pensar...

    Maria Dolores

  • 39

    INTELIGNCIA E AMOR Agradeo, alma irm, a induo bondade Com que a tua palavra nos alcana, Porque falas de amor, sem que se nos degrade A fora da esperana. Quem se exprime, exaltando o desalento, Quem somente amargura se reporta Vive de raciocnio desatento, Na sombra que perturba ou desconforta. Muitos irmos conhecem lminas atrozes, Projteis e instrumentos de tortura E a tirania das sinistras vozes Com que o delito se emoldura. Mas no sabem que h gestos escarninhos E discusses lembrando vendavais, Afirmaes que ferem qual espinhos E frases semelhantes a punhais. Quanta desolao por fala sem respeito Esconde-se no mundo, onde a treva desabe!... Quantas acusaes sem base e sem direito? Quantas chagas ocultas? Ningum sabe. Verbo que eleva, ampara, ama e elucida Em quaisquer circunstncias a transpor um dom de Deus nos caminhos da vida E a palavra do bem msica de amor.

    Maria Dolores

  • 40

    SENDA DE LUZ Carrega sem revolta a cruz que te aguilhoa s pedras e espinheiros da subida!... Se aceitaste Jesus transfiguraste a vida, E o suor no madeiro a luz que te abenoa. Olha ao redor da senda em que transitas As criaturas vestidas de embaraos, Largaram-se da cruz com os prprios braos E te acenam, de longe, annimas e aflitas. Algumas, em te vendo os passos vacilantes, Zombam de ti com improprios e insultos, Conservando, no entanto, os tormentos ocultos Dos remorsos no fel de lgrimas constantes. Ouves na retaguarda injrias, desatinos... E elevas-te agentando a cruz pesada, Demonstrando a humildade aos amigos adultos E falando de amor aos pequeninos, Mostras a f robusta aos homens desatentos... A viagem longa, em longos trechos brutos. Chegas, porm, ao topo, em passos diminutos, A esquecer-te dos ps doridos e sangrentos... Do topo para a frente tudo primavera, A natureza brilha. a fora de outra luz, E buscas, Mais Alm, o abrao de Jesus, O Servidor Divino que te espera!...

    Maria Dolores

  • 41

    TRANSIO O mundo, em mltiplas crises Por muito apoio arrecade, um barco na tempestade Sob vasta escurido... A bordo, somente a f No se alarma e nada teme, Sabendo Jesus no leme, Conduzindo a embarcao. Entre os viajores ansiosos Surgem cruis desavenas. Discutem pessoas tensas Quanto as rotas por buscar... Amigos ferem amigos, Ignoram-se parentes, Todos parecem doentes Sem coragem de esperar. Coriscos - sinistras luzes Rasgam a hora sombria, Ruge, em torno, a ventania, Fazem-se os homens pigmeus. No h quem pense nos outros, A multido se atropela, Clamando por bagatela. Ningum pergunta por Deus. Assim a Terra de hoje, Em transio desmedida. a vida mudando a vida, Buscando equilbrio e paz... Sofres as farpas da sombra Em tua prpria vivncia; Usa a luz da pacincia; Com essa luz, vencers.

    Maria Dolores

  • 42

    CARIDADE ESQUECIDA Compreender!... Atitude Que se fosse observada Seria uma luz na estrada Clareando em derredor... Infelizmente, no entanto, H muita gente esquecida Dessa luz que ampara a vida, Fazendo o Mundo Melhor. O homem que administra Negou-te certa vantagem; No que perdesse a imagem Do amigo e do benfeitor; que carrega nos ombros Uma cruz de compromissos, Deveres, contas, servios Que no consegue transpor. O companheiro que passa E fugiu cortesia Do costumeiro "bom dia" De modo algum te esqueceu.., Ele segue ao hospital; Quer ver, na marcha apressada, A esposa cirurgiada Que no sabe se morreu. A dama que vai de carro, De olhar triste e contrafeito, Que no te viu, a preceito, A fraterna saudao, Vai buscar antigo chefe, Embora em desassossego... O esposo precisa emprego, A fim de ganhar o po. Entender!... Silenciar!... Ante os apuros da vida caridade esquecida, Em muitas reas do Bem... Em louvor dos semelhantes, No te queixes, alma boa; Sorri, ampara, perdoa!... No busques julgar ningum.

    Maria Dolores

  • 43

    TRIO DA ESPERANA Ah! corao fatigado, Na aflio que te vigia, Nunca te percas da f; Trabalha, espera, confia. Por mais lutes, mais avanas Em triste, espinhosa via... No esmoreas, contudo; Trabalha, espera, confia. Cada hora te parece Nova dor que se anuncia... No te afundes em revolta; Trabalha, espera, confia. J no sabes o tamanho Da prova que te assedia; Mesmo assim, prossegue frente; Trabalha, espera, confia. Encontras, a cada passo, Desprezo, descortesia... Desculpa, servindo mais; Trabalha, espera, confia. Entre os seres mais amados, Padeces desarmonia; No faltes pacincia; Trabalha, espera, confia. Sonhaste calma ventura E sofres em demasia... No entanto, aguarda o futuro; Trabalha, espera, confia.

  • 44

    No temas, nem desesperes, Toda sombra fugidia. O sol brilha, a nuvem passa... Trabalha, espera, confia. Para a cura de ansiedade, Angstia, melancolia, Usa a receita de sempre: Trabalha, espera, confia. Cada manh, Deus te fala, Na bno de novo dia: - Se queres felicidade, Trabalha, espera, confia.

    Maria Dolores

  • 45

    CRIANA NOSSO AMOR

    (Lembrana aos Tios da Creche do Centro Esprita Perseverana, em So Paulo, Capital)

    Ei-la Alvorada nascente Em meio do cu escuro, Anunciando o futuro, Entre nuvens, ao surgir!... a criana que aparece Por lrio na tempestade -Deus buscando a humanidade, Na construo do porvir. Aspirao torturada Nas urzes do sofrimento, Flor lanada noite e ao vento, Ternura em tempo de dor... Uma criana que chora, Sozinha e desprotegida, Com toda a fora da vida o mundo pedindo amor. Corao ao desamparo, Na mgoa em que se consome, Ave sem ninho e sem nome um anjo em penria atroz; Um anjo que roga apenas Proteo em que se guarde, Para que possa, mais tarde, Amar e servir por ns. Companheiros da Bondade, Ante essa flor que mendiga Carinho de voz amiga, Entendei e auxiliai! Tendes em cada criana Que em vosso apoio se arrime Uma esperana sublime Nascida de nosso Pai. Bendita a mo que levanta O socorro, o lar, a escola; Que afaga, serve e consola Os filhos da provao; Quem abraa os pequeninos, No amparo que lhes descerra, Est lavando na Terra O campo da redeno.

    Irene de Souza Pinto

  • 46

    PACINCIA Pacincia - o olhar de me Velando o filho doente Que piora, de repente, Gemendo sem proteo; Nem ela, porm, nem ele Mostram qualquer rebeldia, Eis que a dor os associa Em fervorosa orao. Pacincia - o lar singelo, A mesa que se descobre... Ante a sopa humilde e pobre, A famlia se bendiz... Depois, conversa e proveito Ao claro da vela acesa, Demonstrando que a pobreza Tambm pode ser feliz. Pacincia - o dom da calma, Perante o verbo agressivo, Mantendo o trabalho ativo, Sempre a esquecer-se no bem; o silncio generoso Do corao que se faz O mensageiro da paz Que no perturba a ningum. Pacincia - o entendimento Da pessoa que irradia Tranqilidade e alegria, Tolerncia, amor e luz... Pacincia a f que age, Servindo, embora a sofrer, Agradecendo o dever De cooperar com Jesus.

    Iveta Ribeiro

  • 47

    REENCARNAO Recordo-te o perfil e a nobreza do porte: Empinando o corcel por esquecidas landas, Incendeias, invades, feres e comandas, Onde passas o crime, a dor, o sangue e a morte... A vocao do horror ningum h que te corte, Queres terras mais terras, a fim de que te expandas, No intuito de arrasar palcios e locandas, Mas tombas ao punhal de um prncipe mais forte. Vi-te a gemer no Alm, sob o aguilho das trevas, E hoje te achei a chorar nas cruzes que ainda levas, Vivo-morto sofrendo incessante agonia. No entanto, louva o fel das tuas grandes provas, Ps sangrando em caminho; nelas te renovas Para alcanar de novo a luz de Novo Dia!...

    Epiphanio Leite

    ASSEMBLIA DE LUZESPERANADESTINO E PENSAMENTOASSUNTOS DIVERSOSRESPOSTA DE AMIGOFALANDO AO CORAONORMA DA VIDAANTEVISORESSURREIOA CHAMA DIVINAROGATIVA NO TMULODORCRQUEM?! ...PROMETEURENASCENA DE LUZREPARAOREMDIO DIFCILREJEIONOTA NTIMASIMPLIFICAOURONOTCIAS DA MORTECONFISSO DE CANTADORCANTORIA DE ADOLESCENTEUM CERTO DEVOTOINTELIGNCIA E AMORSENDA DE LUZTRANSIOCARIDADE ESQUECIDATRIO DA ESPERANACRIANA NOSSO AMORPACINCIAREENCARNAO