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  • 121Linguagem Acadmica, Batatais, v. 2, n. 1, p. 121-145, jan./jun. 2012

    Corpos e expresso em movimento. A dana e a educao. Por que ensinar dana na escola?1

    Sidinei Barbosa Varanda 2

    Resumo: sabido que a Educao Fsica aborda conhecimentos especficos a serem trata-dos pedagogicamente no contexto escolar e dentre esses conhecimentos, destaca-se a dan-a, sendo esta, elemento da cultura corporal e como rea de conhecimento, de expresso e movimento, mediadora na educao e cunhada pelos Parmetros Curriculares Nacionais, faz parte da Educao Fsica escolar, com suas possveis formas de fomentar as expresses, movimentos, educao e vivncias no contexto escolar.Assim, o presente artigo, tem como objetivo observar e despertar o interesse dos alunos e at mesmo de professores para a pos-sibilidade de aulas de dana na escola, lembrando que desde sempre o homem danou e que essa prtica considerada a mais antiga das artes, entendendo-a como expresso corporal e movimento, onde, pode-se afirmar que o corpo e movimento constituem uma unidade que opera por energia; que corpo, energia e movimento formam um todo e que no haver mo-vimento sem corpo e ainda, promover a linguagem corporal do movimento, desenvolver a dana como forma de educao que procura desenvolver potencialidades integradas do ser que concorre para a educao integral e, sobretudo, refletir que a dana na escola deve valorizar as possibilidades expressivas de cada aluno, permitir a expresso espontnea e fa-vorecer o surgimento dela, abandonando a formao tcnica formal, que pode vir a esvaziar o aspecto verdadeiramente educacional da dana. Este artigo foi desenvolvido tendo como base referncias bibliogrficas de vrias literaturas, para ressaltar a importncia de trabalhar a dana no ambiente escolar e, levando, assim, ao entendimento de que no preciso for-mar bailarinos na escola, mas libertar os movimentos e trabalhar as expresses corporais.

    Palavras-chave: Corpo. Movimento. Dana. Educao. Escola.

    1 Orientador: Lus Fernando Correia. Graduao em Licenciatura em Educao Fisica pelo Centro Uni-versitrio Claretiano e especializao em Educao Fsica Escolar pelo Centro Universitrio Claretiano de Batatais. Professor Assistente do Centro Universitrio Claretiano, Batatais, SP, Brasil. E-mail: .2 Graduada em Licenciatura Plena em Letras (2009) e Licenciatura em Educao Fsica (2011) pelo Centro Universitrio Claretiano de Batatais (SP) e onde atualmente, cursa especializao em Educao Fsica Esco-lar. E-mail: .

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    Eu s acreditaria num deus que soubesse danar. Apenas na dana eu sei como contar a parbola das coisas mais elevadas. Aqueles que eram vistos danando eram tidos como insanos por aqueles que no con-seguiam ouvir a msica. Dou como desperdiado todo dia em que no se danou. Danar, em todas as suas formas, no pode ser excludo do currculo da educao nobre. Danar com os ps, com ideias, com pa-lavras e, preciso acrescentar, que tambm se deve danar com a caneta. Friedrich Nietzsche

    1. INTRODUO

    Danar definido como uma manifestao instintiva do ser humano, [...] executar movimentos corporais de maneira ritmada, em geral ao som de msica, bailar, balanar, oscilar; sacudir-se, agitar-se, mexer-se, movimentar-se (HOLLANDA, 1999).

    Desde sempre o homem danou. Antes de polir a pedra e construir abrigos, os homens j se movimentavam ritmicamente para se aquecer e comunicar. A dana, considerada a mais antiga das artes, tambm a nica que dispensa materiais e ferramentas, pois ela s depende do corpo e da vitalidade humana para cumprir sua funo, enquanto instrumento de afirmao dos sentimentos e experincias individuais do homem.

    As danas coletivas aparecem na origem da civilizao e sua funo associava-se adorao das foras superiores ou dos espritos, para obter xito em expedies guerreiras ou de caa ou ainda para solicitar bom tempo e chuva. Mesmo com a simplicidade dos movimentos e repeties, os povos traduziam nessas danas, manifestaes repletas de significado e eram fatos celebrados, que diante das comunidades, refletiam o verdadeiro sentido da comunho entre os seres. Dessa forma [...] pode-se perceber o valor da comunicao via dana nestas manifestaes (VOLP; GASPARI, 2010, p. 20).

    Tudo no universo est em constante mutao e assim como o ar, a terra e todas as coisas da natureza esto em pleno movimento; nosso

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    corpo tambm se encontra repleto de movimentos, energia e linguagens corporais, que segundo Brikman (1989, p. 13-14), Podemos afirmar que o corpo e movimento constituem uma unidade que opera por energia; que corpo, energia e movimento formam um todo; que no haver movimento sem corpo [...]. J Baiak (2007, p. 06) considera que [...] atravs do movimento das coisas que a histria se faz; e foi atravs do movimento corporal que o homem primitivo comeou a construir uma nova linguagem, a linguagem da dana.

    O corpo se expressa por meio da linguagem corporal e dos movimentos e de acordo com Laban (1978, p. 19), O homem se movimenta a fim de satisfazer uma necessidade. Com sua movimentao, tem por objetivo atingir algo que lhe valioso [...], dessa forma podemos perceber que o ser humano se comunica por intermdio de movimentos expressivos e linguagem corporal, para atingir sua verbalizao.

    Consta nos PCNs (2000) que os contedos da Educao Fsica devem alcanar uma grande relevncia de conhecimento no que concerne cultura corporal, assim como reas pertinentes que permitam aos alunos compreender o corpo como um todo sem fracion-lo em parte fsica e cognitiva; assim neste bloco de contedos, podemos entender que incluir manifestaes da cultura corporal devem ser baseadas nas caractersticas de inteno expresso e comunicao, por meios de gestos e com presena de estmulos sonoros como primordiais para o movimento corporal, e neste caso, dando destaque s atividades rtmicas como a dana ou brincadeiras cantadas.

    Embora tenhamos conhecimento que o pas seja to rico em sua diversidade cultural e que a dana seja uma de suas manifestaes mais expressivas entre os adolescentes e jovens, peca-se por no oferecer o ensino dessas manifestaes no contexto escolar, como fator de relevante importncia nas escolas e oportunizando ao professor, ser o mediador das manifestaes expressivas e culturais to ricas em nossa sociedade.

    Dessa forma, o presente artigo tem por objetivo refletir sobre a linguagem corporal do movimento, dana-educao e o ensino da dana no contexto escolar, tendo como base referncias bibliogrficas.

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    Apresentar-se- a dana como rea de conhecimento, de expresso e movimento, mediadora na educao e cunhada pelos Parmetros Curriculares Nacionais, onde a dana faa parte das disciplinas escolares Artes e Educao Fsica, com suas possveis formas de mediar as expresses, movimentos, educao e vivncias no contexto escolar e salientar a afirmao de Nanni (2002, p. 130), que diz: A Dana/Educao procurando desenvolver potencialidades integradas do ser, concorre para a educao integral. Ela a expresso natural e verdadeira do ser humano.

    2. A DANA

    Antes mesmo de o homem falar, ele danou. Danou para se manifestar, para se comunicar e para se expressar. Danou para a beleza fsica, para a guerra, para a educao, para a fertilidade da terra e da sua prpria espcie. Danou em falecimentos, casamentos, nascimentos e danou para os deuses para pedir sol ou chuva. O homem sempre danou e como mostra Baiak (2007, p. 20), O homem primitivo danava porque no sabia falar, hoje os homens falam, mas continuam danando, no como antes, mas danam, mesmo depois de anos de evoluo e transformao.

    A histria da dana poderia ser to longa quanto a histria da humanidade. No possvel dizer quando a dana tornou-se parte da cultura humana. A dana tem sido, certamente uma parte importante de cerimnias, rituais, celebraes e entretenimento desde antes do nascimento das primeiras civilizaes humanas. Nanni (2003, p. 01) corrobora com este pensamento quando diz que: A Dana - em sua essncia - como manifestao primitiva, era um mergulho no mundo mgico, onde os movimentos espontneos surgiram da imaginao, liberao em forma de splica e agradecimento aos deuses. [...] mtica, ldica e religiosa - e ainda acrescenta que A evoluo e progresso da Dana atravs da histria no aleatria. Obedece a padres [...] ou nascem da necessidade latente do homem de expressar seus sentimentos e emoes, desejos e interesses, sonhos ou realidade atravs [...] de Dana.

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    Dessa forma, pode-se compreender que a dana sempre existiu atravs dos tempos e em todas as pocas da histria, ela teve sua relevncia, seja atravs da representao de manifestaes de seus povos, para aplacar seus deuses e espritos, seja para expressar emoes, sentimentos e comunicar-se com os seus e traduzir suas caractersticas culturais. A dana a manifestao natural do ser humano e segundo S Earp (apud NANNI, 2003, p. 1) Dana a expresso da harmonia universal em movimento e tendo Baiak que concorda e acrescenta, quando ela diz que A dana uma linguagem universal, atravs da qual o corpo se expressa, e os humanos se entendem. Assim como todas as artes, a dana tem um papel importante na sociedade, a de unir homens, natureza e de ser muito maior do que ns (BAIAK, 2007, p. 20).

    Para denominar os tipos de dana que conhecemos hoje, Bland (1976) (apud VOLP; GASPARI, 2010, p. 49), [...] denomina-as de as trs faces da dana, sendo elas: Natural - simples prazer do movimento fsico; Social - elemento coesivo no grupo e Esttica - fuso perfeita do abstrato com o humano, da mente com a emoo, da disciplina com a espontaneidade.

    Os homens primitiv