Teoria das Mltiplas Inteligncias aliada   Multim­dia na ... FAltiplas_Inteli...  Mundial da

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  • Teoria das Mltiplas Inteligncias aliada Multimdia na Educao: Novos Rumos Para o Conhecimento Profa. Dra. Brasilina Passarelli Coordenadora de Projetos Especiais Escola do Futuro/USP fone/fax: (11) 3815-3083 / lina@futuro.usp.br 1. Tecendo Futuros Alvin TOFFLER popularizou a idia de que o homem tem vivenciado uma sucesso de eras e que, cada uma delas, possui caractersticas que determinam o seu futuro. Mostra como a vida mudou, com a descoberta da agricultura, inaugurando a era da agricultura, que reinou absoluta por aproximadamente 6.000 anos, durante os quais a vida em si mesma e seus valores estavam estruturados em funo da organizao do alimento. Este perodo foi seguido pela era industrial que durou cerca de 300 anos , sendo substitudo pela atual era da informao. Esta mudana de estruturas se exprime, principalmente, na transio da era industrial para a chamada era da informao. Enquanto na era industrial a nfase est no produto , com a educao centrada no ensino do fato , na era da informao a nfase se deslocou para a prestao de servios, com a educao voltada para a formao de alunos capazes de construir sua prpria aprendizagem. O mundo das novas tecnologias de comunicao caracterizado por atributos como interatividade, mobilidade, convertibilidade, interconectividade, globalizao e velocidade . s vsperas do sculo XXI estamos vivendo mudanas significativas de valores. No haver mais , no conceito que nos orienta at agora, produtos nacionais, tecnologias nacionais, empresas nacionais, economias nacionais ou indstrias nacionais. O que de verdadeiramente nacional deve persistir ser o povo, constitudo por seus cidados. As capacitaes e o discernimento de cada cidado sero o recurso principal de cada nao. A importncia de uma nao ser determinada pelo valor potencial daquilo que os cidados podem acrescentar economia global, enriquecendo as capacitaes e habilidades do seu povo. Informaes coletadas pela UNICEF e apresentadas no relatrio "Situao Mundial da Infncia 1992 " espelham as condies especiais de vida que estamos compartilhando neste prembulo do sculo XXI. ...O perodo da histria mais difcil de ser entendido sempre aquele que se est vivendo no momento, mas a rapidez e a amplitude destas mudanas, em um cenrio caracterizado anteriormente pela frieza e lentido das taxas de progresso, sugere que estamos vivendo em meio a uma revoluo. Uma revoluo significativamente diferente das revolues passadas. Em primeiro lugar, porque

  • seu principal agente no a violncia, mas a comunicao. E, uma vez que os fins so sempre inerentes aos meios, tambm diferente por ser uma revoluo que parece estar transferindo poder, no para a minoria, mas para a maioria. Estas so diferenas profundas no processo de mundana histrica, diferenas que do um novo significado idia da revoluo nas comunicaes. Robert B. Reich, professor titular da Harvard University e atual Ministro de Trabalho dos Estados Unidos aponta para trs categorias de trabalho necessrias na sociedade futura: servios rotineiros de produo, servios feitos pessoa-a-pessoa e servios analtico-simblicos. Argumenta que o tipo de educao oferecida pelas escolas, atualmente, atendem s duas primeiras categorias. Mas, da terceira categoria que dependero a competitividade e o bem estar de cada nao. Os profissionais que lidaro com servios analtico-simblicos atuaro com manipulao de smbolos (dados, palavras, representaes orais e visuais) em trs tipos de atividade: (1) identificao de problemas , (2) soluo de problemas e (3) agenciamento estratgico. O autor demonstra, tambm, que a educao formal do incipiente analista-simblico exige quatro capacidades bsicas: abstrao, pensamento sistmico, experimentao e colaborao. Neil Postman , escrevendo sobre os propsitos da educao lembra que os grandes pensadores do passado acreditavam haver uma idia social , poltica ou espiritual transcendente que tinha que ser alcanada atravs da educao, ao passo que o currculo das escolas no mundo atual o ideal do tecnocrata, planejado para preparar a pessoa que tem apenas habilidades, moldando um ser sem compromisso, sem ponto de vista, sem uma postura moral, social ou intelectual, mas com muitas habilidades. Isto, alega o autor, no um programa de estudos, mas meramente uma coletnea de materiais. Uma educao para o futuro, defende Postman, a que enfatiza o modo cientfico do pensamento, o uso disciplinado da linguagem, a histria (a continuidade do empreendimento humano) e um amplo conhecimento das artes e da religio (comparando como povos diferentes, em pocas diferentes, tentaram alcanar um sentido de transcendncia). O conhecimento como uma teia de idias interconectadas que atravessa vrios domnios , ao passo que a escola tradicional mantm sua viso paroquial, localizada. A escola , s vsperas do sculo XXI, no mais pode se dar ao luxo de ignorar as profundas alteraes que os meios/ tecnologias de comunicao introduziram na sociedade contempornea e, principalmente, perceber que os mesmos criam novas maneiras de "apreender" e "aprender" o mundo . Essa multiplicidade de pontos de vista, essa riqueza de leituras precisa ser digerida e incorporada pela escola, se ela tiver a pretenso de sobreviver como instituio geradora, mantenedora e delegadora do saber humano. Os novos paradigmas para a educao consideram que os alunos devem ser preparados para conviver numa sociedade em constantes mudanas, assim como

  • devem ser os construtores do seu conhecimento e, portanto, serem sujeitos ativos deste processo onde a "intuio" e a "descoberta" so elementos privilegiados desta construo . Neste novo modelo educacional os professores deixam de ser os entregadores principais da informao passando a atuar como facilitadores do processo de aprendizagem, onde o aprender a aprender privilegiado em detrimento da memorizao de fatos. O aluno deve ser visto como um ser "total" e, como tal, possuidor de inteligncias outras que no somente a lingustica e a lgico-matemtica. Outras inteligncias devem ser desenvolvidas como a espacial, a corporal, a musical, a interpessoal e a intra-pessoal, como argumenta Howard Gardner em seu livro Frames of Mind .

  • 2. A Aprendizagem Humana Como o homem aprende e o que pode ser considerado como inteligncia? Como a escola trabalha a aprendizagem humana? Quais as caractersticas dos meios de comunicao de massa e seus efeitos na aprendizagem humana? Qualquer pessoa envolvida com o desenvolvimento de projetos educacionais em algum momento vai se deparar com a necessidade de "dar conta" destas indagaes e vai, como maneira de sobrevivncia, traar seu caminho em busca do "aprender sobre o aprender". Com o objetivo de reconstruir o caminho que percorri buscando conhecimentos acerca da inteligncia e do processo da aprendizagem humana , algumas teorias psicolgicas da aprendizagem sero revisitadas, criando um pano de fundo para a introduo da Teoria das Mltiplas Inteligncias . Esta teoria constitui um dos arcabouos tericos possveis para justificar a utilizao da hipermdia/multimdia como uma tecnologia capaz de falar ao "homem total" , ao homem possuidor de vrias inteligncias. 2.1 Revisitando Algumas Teorias sobre a Aprendizagem Humana Para os filsofos gregos a aprendizagem estava vinculada associao de idias. Plato e Aristteles distinguiam vrios tipos de associao: por similaridade, por contiguidade, por contraste. Entre os romanos, Ccero ressalta a importncia das aptides naturais e critica uma educao precocemente especializada, que promove a retrica como um fim e no um meio. Quintiliano, primeiro catedrtico de retrica grega e latina , em Roma, destaca a disposio natural do aluno, o ensino e o exerccio. Nove sculos separam as contribuies medievais de Santo Agostinho e Santo Toms de Aquino. A Patrstica de Santo Agostinho concebia a aprendizagem atravs da iluminao interior do cristo. Para Santo Toms de Aquino a aprendizagem vem do conhecimento interior (na relao mestre-aluno) e tambm da descoberta, que ele considerava superior. Os humanistas, no auge do renascimento, pretendiam o desenvolvimento integral da personalidade, a formao do corpo e da alma atravs da educao intelectual. No sculo XVII surge a didtica, fundada por Comnio, misturando os meios realistas com os fins espirituais da educao. Comnio concebeu um sistema escolar para crianas de 06 a 12 anos, para o desenvolvimento da inteligncia, da imaginao e da memria em conjunto com os rgos sensoriais e a fala. Uma escola secundria , dos 12 aos 18 anos e a academia dos 18 aos 25, para os estudantes mais dotados. A partir da segunda metade do sculo XVIII a cincia se separa da religio em busca da negao do subjetivo . Franz Joseph Gall , mdico e cientista criador de uma disciplina chamada frenologia, apregoava que atravs da observao de diferentes formatos de crnios poderiam ser determinadas as foras, fraquezas e idiossincrasias humanas. Gall props tambm que no existem poderes mentais

  • gerais como percepo, memria e ateno, mas sim diferentes formas de percepo, de memria e similares para cada uma das vrias faculdades como linguagem, msica ou viso. O sculo XIX vive a patologia da dissociao objetivo/subjetivo e nele nasceram a psicologia (voltada para o indivduo) e a sociologia ( voltada para o social). Os esforos para considerar a psicologia como cincia comearam na segunda metade do sculo XIX , com pesquisadores como Wilhelm Wundt na Alemanha e William James na Amrica do Norte. Em funo da histria da psicologia pr-cientfica estar ligada mais filosofia do que medicina e porque os primeiros psiclogos eram ansiosos em definir sua disciplina como separada da fisiologia e neurologia, houve pouco contato entre os novos psiclogos e os mdicos. Dessa forma os psiclogos buscavam, ao contrrio de Gall, por leis das faculdades mentais horizontais - habilidades como memria, percepo, ateno, associao e aprendizagem. Duas correntes aglutinaram os cientistas da psicologia. Uns buscavam as leis gerais do conhecimento humano, o q