TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE ?· a liquidação antecipada do contrato por inadimplemento…

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    TRIBUNAL DE JUSTIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DCIMA SEXTA CMARA CVEL

    Apelao Cvel n 0186728-64.2011.8.19.0001 Apelante 1: BV FINANCEIRA S/A CRDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Apelante 2: ITA UNIBANCO S/A Apelante 3: BANCO FIAT S/A Apelante 4: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S/A Apelante 5: BANCO VOLKSWAGEN S/A Apelante 6: BANCO SOFISA S/A Apelante 7: HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MULTIPLO Apelante 8: SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL Apelante 9: BANCO PANAMERICANO S/A Apelante 10: BANCO GMAC S/A Apelada: COMISSO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO AMICUS CURIAE: ASSOCIAO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE LEASING ABEL Relator: DES. CARLOS JOS MARTINS GOMES

    Ementa: Apelao Cvel. Ao coletiva de defesa do consumidor, objetivando a declarao de nulidade de clusulas constantes de contratos de arrendamento mercantil (leasing) que autorizam a cobrana de parcelas vincendas em caso de resciso contratual antecipada, seja em caso de sinistro, sem culpa do arrendatrio, seja em caso de resciso contratual antecipada amigvel. Sentena que julgou parcialmente procedente o pedido para declarar a nulidade da clusula contratual que autoriza a cobrana das parcelas vincendas na hiptese de perda do bem sem culpa do consumidor, porque considerou que, na relao jurdica em foco, a perda da coisa perece para o dono. Contrato de arrendamento mercantil, tambm denominado de leasing. Operao em que a arrendadora adquire um bem por indicao e escolha do arrendatrio, cede o uso desse bem ao arrendatrio mediante o pagamento de uma quantia mensal, equivalente a um aluguel, bem como o pagamento concomitante de um valor residual garantido (VRG), que se trata do preo do bem estipulado pela arrendadora, para que o arrendatrio exera a opo de compra ao final do contrato, e para que a arrendadora no venha a sofrer com a depreciao ou deteriorao do bem e, no havendo a opo de compra,

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    para que ela no tenha prejuzo com a venda do bem a terceiros. Sustentao da exordial da ao proposta de abusividade da clusula contratual que autoriza a cobrana das parcelas vincendas quando o ocorre a perda do bem sem culpa do arrendatrio (sinistro). Aplicao da legislao consumerista. Ao coletiva que tem por objeto a defesa de interesses e direitos individuais homogneos, divisveis e disponveis, j que os problemas noticiados pelos consumidores decorrem de origem comum, ou seja, a mesma clusula contratual. Rejeio da preliminar de ilegitimidade ativa da autora, Comisso de Defesa do Consumidor da ALERJ, tendo em vista a legitimidade conferida pela Constituio Estadual (art. 109, 2), bem como pelo Regimento Interno da Assemblia Legislativa (artigos 25, pargrafo nico, XXI, e 26, 19, d). Precedentes desta Corte e do STJ. Tambm no se sustentam as preliminares de falta de interesse de agir, ilegitimidade passiva suscitada pela BV FINANCEIRA S/A e pela SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL, de litisconsrcio necessrio para que integrem o polo passivo da demanda todas as instituies financeiras que operam o leasing no Brasil, de incompetncia da Justia Estadual, de nulidade da sentena por julgamento extra ou ultra petita, bem como porque teria sido condicional. Preliminar de prescrio qinqenal que se acolhe. Correta a deciso que indeferiu a produo de provas pericial e testemunhal, impondo-se a rejeio dos agravos retidos contra tal decisrio. Inexiste cerceamento de defesa na medida em que a deciso foi tomada em consonncia com o artigo 130 do Cdigo de Processo Civil, cabendo ressaltar que referido dispositivo se encontra em harmonia com o princpio do livre convencimento motivado ou da persuao racional do juiz. Elucidao da questo que se restringe interpretao de clusulas contratuais constantes do contrato em tela, em consonncia com o Sistema de Proteo ao Consumidor, de modo que, como bem decidiu o Juzo a quo, a questo cinge-se a verificao da validade jurdica ou no dos contratos de arrendamento mercantil celebrados pelas rs. Portanto, se tratando a questo de mrito de matria unicamente de direito e de fato, no h bice ao julgamento antecipado da lide (CPC 330, I), no havendo em que se falar em nulidade da sentena por ofensa ao contraditrio e a ampla defesa. No mrito, a questo ora em apreo diversa daquela que restou apreciada no REsp 1099212/RJ, do Egrgio Superior Tribunal de Justia, j que naquele julgado foi apreciada a questo sobre a

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    legalidade da cobrana das parcelas vincendas quando ocorre a liquidao antecipada do contrato por inadimplemento do consumidor. A hiptese aqui trata diversa, ou seja, quando ocorre a perda do bem sem culpa do consumidor. Sustentao das instituies financeiras acerca da legalidade da cobrana das parcelas vincendas, na hiptese ora em apreo, sob o pretexto de que o risco da perda do bem exclusivo do consumidor, mesmo quando ocorre a perda sem culpa do consumidor. Postura que no se coaduna com o Sistema de Proteo ao Consumidor, que considera o consumidor como a parte mais fraca da relao de consumo, determina a facilitao da defesa de seus direitos, impe que as clusulas contratuais sejam interpretadas de maneira mais favorvel a seu favor, preconiza a defesa de seus direitos econmicos, considera abusivas as clusulas que estabeleam vantagem manifestamente excessiva, cabendo ainda ressaltar que se trata de contrato de adeso e no foi dado o referido destaque imposto pela lei nesta hiptese. Aplicao do princpio da equidade para a obteno do justo. Ademais, o Cdigo Civil consagrou o princpio da funo social do contrato e vedou o enriquecimento sem causa. Destarte, abusiva a exigncia para que o consumidor pague o saldo remanescente de um contrato referente a um bem que no mais existe, que no mais poder ser utilizado pelo consumidor. Nada obstante, por outro lado, diante da boa f-contratual, que tambm deve ser observada pelo consumidor, considerando que o mesmo assumiu responsabilidades de guarda e conservao do bem arrendado, no razovel que o arrendador suporte sozinho o nus da perda da coisa, de modo que se impe a reforma da sentena para autorizar a cobrana to somente do capital investido pelas instituies financeiras na aquisio do bem. Alcance da coisa julgada que no est limitada ao territrio de competncia do rgo julgador, a teor do disposto no artigo 16 da LACP, tendo em vista que dispositivo no se encontra em consonncia com o artigo 103 do CDC, que dispe que a sentena far coisa julgada erga omnes. Parcial provimento dos recursos.

    A C R D O

    Vistos, relatados e discutidos estes autos, A C O R D A M os

    Desembargadores da Dcima Sexta Cmara Cvel do Tribunal de Justia do Rio de

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    Janeiro, POR UNANIMIDADE, em rejeitar as preliminares de ilegitimidade ativa, falta

    de interesse de agir, ilegitimidade passiva, de litisconsrcio necessrio, de

    incompetncia da Justia Estadual, de julgamento extra ou ultra petita, acolhendo-se

    a preliminar de prescrio quinquenal e, no mrito, dar parcial provimento aos

    recursos, nos termos do voto do Relator.

    Trata-se de ao coletiva para a defesa de interesses e direitos de

    consumidores que celebraram contratos de arrendamento mercantil ( leasing) com as rs,

    ajuizada pela COMISSO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLIA

    LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO , em face das instituies

    financeiras apelantes (BV FINANCEIRA S/A CRDITO FINANCIAMENTO E

    INVESTIMENTO, ITA UNIBANCO S/A, BANCO FIAT S/A, BANCO BRADESCO

    FINANCIAMENTOS S/A, BANCO VOLKSWAGEN S/A, BANCO SOFISA S/A, HSBC

    BANK BRASIL S/A BANCO MULTIPLO, SANTANDER LEASING S/A

    ARRENDAMENTO MERCANTIL, BANCO PANAMERICANO S/A e BANCO GMAC S/A)

    por considerar abusiva as clusulas que autorizam, nos casos de resciso antecipada do

    contrato em virtude da perda do bem sem culpa do arrendatrio (sinistro), ou em virtude de

    resciso amigvel, a cobrana de todas as parcelas vincendas, sustentando a exordial da

    ao proposta a abusividade de tais clusulas e o enriquecimento sem causa das

    instituies financeiras.

    Assim, requereu a COMISSO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ALERJ,

    dentre outros pleitos, a declarao de nulidade de tais clusulas, e que as rs sejam

    condenadas em caso de liquidao antecipada do contrato por perda do bem sem culpa

    do consumidor, ou nos casos de resciso antecipada com devoluo do bem a devolver

    ao consumidor quaisquer valores excedentes ao valor integral do custo de aquisio do

    veculo arrendado, quando, do somatrio dos valores mensais cobrados a este ttulo (VRG,

    etc), acrescido do valor apurado com o pagamento da verba indenizatria de seguro

    (perda), ou do valor de alienao do veculo a terceiros (devoluo), apurar-se quantia

    superior investida na compra do mesmo.

    A sentena ora guerreada julgou parcialmente procedente o pedido de

    declarao de nulidade da clusula contratual referida do contrato de arrendamento

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    mercantil celebrado entre as partes, que impe a cobrana de parcelas vincendas dos

    contratos de arrendamento mercantil celebrados entre elas, na hiptese de liquidao

    antecipada do contrato por perda do bem sem culpa do consumidor, ainda que este no

    celebre contrato de seguro, condenou os rus a restiturem, em dobro, todos os valores

    cobrados indevidamente, no caso de liquidao do contrato por perda do bem sem culpa

    do arrendatrio, ainda que no tenha celebrado contrato