Henri Bergson ensaio sobre os dados imediatos da consciência

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Text of Henri Bergson ensaio sobre os dados imediatos da consciência

  • Pr o leitor directamente cm contactocom textos marcantes da histria da filosofia

    atravs de tradues feitasa partir dos respectivos originais,

    por tradutores responsveis,acompanhadas de introdues

    e notas explicativas foi o ponto de partida

    para esta coleco.O seu mbito estender-se-

    a todas as pocas e a todos os tipose estilos de filosofia,

    procurando incluir os textosmais significativos do pensamento filosfico

    na sua multiplicidade e riqueza.Ser assim um reflexo da vibratilidade

    do esprito filosfico perante o seu tempo,perante a cincia

    e o problema do homeme do mundo

  • Textos FilosficosDirector da Coleco:

    ARTUR MOROLicenciado cm Filosofia;

    professor da Seco de Lisboa da Faculdade de Filosofiada Universidade Catlica Portuguesa

    1. Crtica da Razo PrticaImmanuel Kant

    2. Investigao sobre o Entendimento HumanoDavid Hume

    3. Crepsculo dos dolosFriedrich Nietzsche

    4. Discurso de MetafsicaGottfried Wilhelm Leibniz

    5. Os Progressos da MetafsicaImmanuel Kant

    6. Regras para a Direco do EspritoRen Descartes

    7. Fundamentao da Metafsica dos CostumesImmanuel Kant

    8. A Ideia de FenomenologiaEdmund Husserl

    9. Discurso do MtodoRen Descartes

    10. Ponto de Vista Explicativo da Minha Obra como EscritorSren Kierkegaard

    11. A Filosofia na Idade Trgica dos GregosFriedrich Nietzsche

    12. Cario sobre TolernciaJohn Locke

    13. Prolegmenos a Toda a Metafsica FuturaImmanuel Kant

    14. Tratado da Reforma do EntendimentoBento de Espinosa

    15. Simbolismo Seu Significado e EfeitoAlfred North Witehead

    16. Ensaio sobre os Dados Imediatos da ConscinciaHenri Bergson

    17. Enciclopdia das Cincias Filosficas em EptomeGeovg Wilhelm Friedrich Hegel

    ENSAIO SOBREOSDADOSMEDIATOS

    DA CONSCINCIA

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  • AJULESLACHELIER

    Membro do InstitutoInspector-geral da Instruo Pblica

    Respeitosa homenagem

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    PREFCIO

    Exprimimo-nos necessariamente por palavras e pensa-mos quase sempre no espao. Isto , a linguagem exige queestabeleamos entre as nossas ideias as mesmas distinesntidas e precisas, a mesma descontinuidade que entre os ob-jectos materiais. Esta assimilao til na vida prtica e ne-cessria na maioria das cincias. Mas poder-se-ia perguntarse as dificuldades insuperveis que certos problemas filosfi-cos levantam no advm por teimarmos em justapor no espa-o fenmenos que no ocupam espao, e se, abstraindo dasgrosseiras imagens em torno das quais se polemiza, no lhesporamos termo. Quando uma traduo ilegtima do inexten-so em extenso, da qualidade em quantidade, instalou a con-tradio no prprio seio da questo levantada, ser de espan-tar que a contradio se encontre nas solues dadas?

    De entre os problemas escolhemos aquele que comum metafsica e psicologia, o problema da liberdade. Tentamosestabelecer que toda a discusso entre os deterministas eseus adversrios implica uma confuso prvia entre a dura-o e a extenso, a sucesso e a simultaneidade, a qualidadee a quantidade: dissipada esta confuso, talvez desapareces-sem as objeces levantadas contra a liberdade, as definiesque dela se do e, em certo sentido, o prprio problema da li-berdade. Esta demonstrao o tema da terceira parte donosso trabalho: os dois primeiros captulos, onde se estudamas noes de intensidade e de durao, foram escritos paraservir de introduo ao terceiro.

    Fevereiro 1888.H. B.

  • l)

    No acreditamos, por muito que se tenha dito, que o mto-do das graduaes mdias tenha feito entrar a psicofsica nu-ma nova via. A originalidade de Delboeuf esteve em escolherum caso particular em que a conscincia parecia dar razo aFechner, e onde o prprio senso comum foi psicofsico. Inter-rogou-se se certas sensaes no nos apareciam imediata-mente como iguais, embora diferentes, e se no se poderiaestabelecer, por seu intermdio, um quadro de sensaes du-plas, triplas, qudruplas umas das outras. O erro de Fech-ner, dizamos ns, era ter acreditado num intervalo entreduas sensaes sucessivas S e S', quando de uma para outraapenas h uma passagem, e no uma diferena no sentidoaritmtico da palavra. Mas se os dois termos entre os quaisse efectua a passagem pudessem ser dados simultaneamente,ento haveria um contraste, alm da passagem; e ainda queo contraste no seja ainda uma diferena aritmtica, asseme-lha-se em determinado aspecto; os dois termos que se com-param esto um perante o outro como numa subtraco dedois nmeros. Suponhamos agora que estas sensaes so damesma natureza e que constantemente, na nossa experinciapassada, assistimos sua desfilada, por assim dizer, enquan-to a excitao fsica crescia de uma maneira contnua: mui-tssimo provvel que poremos a causa no efeito e que a ideiade contraste vir a fundir-se na de diferena aritmtica. Poroutro lado, porque j observmos que a sensao mudavabruscamente enquanto o progresso da excitao era contnuo,avaliaremos sem dvida a distncia entre duas determina-das sensaes pelo nmero, grosseiramente reconstitudo,destes saltos bruscos, ou pelo menos das sensaes interm-dias que normalmente nos servem de escales. Em sntese, ocontraste aparecer-nos- como uma diferena, a excitaocomo uma quantidade, o salto brusco como um elemento de

    (2S) Revue scientifiijue, 3 de Maro e de 24 de Abril de 1875.

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  • igualdade; combinando estes trs factores, chegaremos ideia de diferenas quantitativas iguais. Ora, nunca estascondies esto to bem realizadas como em superfcies damesma cor, mais ou menos iluminadas, que se nos apresen-tam simultaneamente. No s aqui h contraste entre sensa-es anlogas, mas estas sensaes correspondem a uma cau-sa cuja influncia sempre nos pareceu estreitamente ligada distncia; e como esta distncia pode variar de uma maneiracontnua, devemos ter notado, na nossa experincia passada,uma enorme quantidade de matizes de sensaes a suce-deremse ao longo de um acrscimo contnuo da causa. Por-tanto, poderemos dizer que o contraste de uma primeiratonalidade cinzenta com uma segunda, por exemplo, nos pa-rece quase igual ao contraste da segunda com a terceira; e sese definissem duas sensaes iguais dizendo que so sen-saes que um raciocnio, mais ou menos confuso, interpretacomo tais, obterse, de facto, uma lei como a proposta porDelboeuf. Mas no se dever esquecer que a conscincia pas-sou pelos mesmos intermedirios que o psicofsico, e que asua apreciao vale tanto aqui como a psicofsica: uma in-terpretao simblica da qualidade em quantidade, umaapreciao mais ou menos grosseira do nmero de sensaesque se poderiam intercalar entre duas determinadas sensa-es. Portanto, a diferena no assim to considervel comose pensa eatre o mtodo das modificaes mnimas e o dasgraduaes mdias, entre a psicofsica de Fechner e a de Del-boeuf. A primeira desemboca numa medida convencional dasensao; a segunda apela para o senso comum nos casosparticulares em que se adopta uma conveno anloga. Emsntese, toda a psicofsica est condenada pela sua prpriaorigem a girar num crculo vicioso, porque o postulado tericoem que assenta condena-a a uma verificao experimental, eela no pode verificarse experimentalmente a no ser quese admita previamente o seu postulado. que no h ne-nhum contacto entre o intenso e o extenso, entre a qualidadee a quantidade. Interpretarse uma pela outra, transformaruma noutra equivalente; mas, mais tarde ou mais cedo, noprincpio ou no fim, h que reconhecer o carcter convencio-nal desta assimilao.

    Em boa verdade, a psicofsica nada mais fez do que formu-lar com preciso e levar at s suas ltimas consequnciasuma concepo familiar ao sentido comum. Como falamosmais do que pensamos, visto que tambm os objectos exterio-res, que so do domnio comum, tm mais importncia parans do que os estados subjectivos por gue passamos, temostodo o interesse em oJbjectij^rJ^.^st5jfisjntrodizindo ne-les, na maior escala possvel, a representao da sua causaexterior. E quanto mais os nossos cpnhecmentos menlam,mais nos apercebemos d^extensiyo por detrs^do Jjitensivo,da quantidade por jetrs da quj]idade>jnais_tendemos tam-bm a pr pnrn]eirgjbermgjno Jugar do sggundpea lidar

    "~cujo papel precisamente submeter ao clculo a causa ex-terior dos nossos estados internos, preocupa-se o menospossvel com estes estados: contnua e propositadamente, ,confundeos com a sua causa. Encoraja, pois, e at exagera,neste ponto a iluso do senso comum. Fatalmente devia che-gar a altura em que, familiarizada com a confuso entre aqualidade e a quantidade, entre a sensao e a excitao, acincia procuraria medir uma como mede a outra: tal foi o ob-jectivo da psicofsica. Fechner foi encorajado a esta ousadatentativa pelos seus prprios adversrios, pelos filsofos quefalam de grandezas intensivas, ao mesmo tempo que decla-ram os estados psquicos refractrios medida. De facto, sese admite que uma sensao pode ser mais forte que outra eque esta desigualdade reside nas prprias sensaes, inde-pendentemente de toda a associao de ideias, de toda a con-siderao mais ou menos consciente de nmero e de espao, natural investigar como a primeira sensao ultrapassa a se-gunda, e estabelecer uma relao quantitativa entre as res-pectivas intensidades. E de nada vale responder, como fre-quentemente fazem os adversrios da psicofsica, que toda amedida implica sobreposio, e que despropositado pro-curar uma relao numrica entre intensidades, que no socoisas que se possam sobrepor. que ento ser necessrioexplicar por que que uma sensao se considera mais inten-sa do que outra, e como se podem chamar maiores ou meno-res coisas que como acabmos de ver no admitemqualquer relao entre continente e contedo. Quase daria-

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  • C(c

    cec

    ms razo a Fechner e aos psicofsicos se, para cortar pelaraiz toda a questo desta espcie, distingussemos duas esp-cies de quantidade,