Introdução à Cultura Védica

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Este livro tem o objetivo de esclarecer a todos os simpatizantes e admiradores da cultura mais antiga e espiritual do planeta, o verdadeiro objetivo da vida humana, o qual amplamente explicado nos Vedas.

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  • 1. Introduo Cultura Vdica (Artigos escritos pelos Gaudiya Vaishnava Acharyas)Yuga Acharya Srila Bhaktivedanta Narayan Goswami Maharaj

2. Om Visnupad Srila Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaj 3. PrefcioEste livro tem o objetivo de esclarecer a todos os simpatizantes eadmiradores da cultura mais antiga e espiritual do planeta, o verdadeiroobjetivo da vida humana, o qual amplamente explicado nos Vedas.Selecionamos aqui alguns artigos escritos pelos GaudiyaVaishnava Acharyas, por serem eles seguidores estritos das instruesdadas nas escrituras sagradas vdicas. A cultura vdica foi desenvolvidavisando o bem estar de todas as entidades vivas. Para os seres racionaisque, por sua boa fortuna, recebem crebros capazes de diferenciar entre ocorpo e a alma, o bom e o ruim, os Vedas so da maior utilidade porquenos conduzem ao caminho que leva felicidade e auto-realizao: aDeus. Esta a real riqueza da cultura da ndia: a espiritualidade em umnvel que s pode ser encontrado l. E por que este lado poucomostrado a ns, aqui? simples: a cultura vdica tem como princpio aausteridade, o autocontrole, o sacrifcio e uma vida bem simples; e, aomesmo tempo, contrria ao desfrute dos sentidos, tais como: sexo,intoxicao, jogos de azar, consumo de carne, peixe e ovos... e isto vai deencontro proposta ocidental de vida, que hoje em dia chamada desociedade consumista ou moderna. "Vamos todos consumir edesfrutar o mximo que pudermos e assim seremos felizes". Este olema que as pessoas hoje em dia aceitam como sua filosofia de vida. Elasaceitam pessoas tolas como sendo seus Gurus. Mesmo assim, vemos queaqui as pessoas no so to felizes como os arianos, ao contrrio, estocompletamente frustradas, mesmo com todo o desenvolvimentoeconmico e tecnolgico. A filosofia vdica nos alerta que atravs docaminho do desfrute e da explorao no podemos ser felizes erealizados; ao passo que uma vida simples, com a mente focada em Deus,pode ser de maior sucesso e felicidade. Ela nos d o caminho daautorrealizao que se deve conexo com o Supremo atravs deprticas espirituais, praticadas sob a guia de um agente divino auto-realizado que realmente viu e realizou a Verdade de forma concreta eprofunda. Este agente nos ajuda a compreender a essncia desta culturaque h milhes de anos vem sendo praticada no oriente por sbios auto-realizados.Baladeva Das Brahmachari 4. O Leitor progressivo e o leitor infrutfero Por Srila Saccinandana Bhaktivinoda Thakur Maharaj Amamos ler um livro que nunca havamos lido antes. Ficamos ansiosos em obter qualquer informao nele contida. E com tal obteno feita, nossa curiosidade cessa. Este esprito de estudo prevalece entre um grande nmero de leitores que so grandes homens em sua prpria apreciao, bem como daqueles que lhes so semelhantes. De fato, a maioria dos leitores so meros repositrios de fatos ou afirmaes feitas por outras pessoas. Mas isto no estudo. O estudante deve ler os fatos visando criar, e no com o objetivo de reteno infrutfera. Os estudantes, como satlites, devem refletir qualquer luz que tenham recebido dos autores, e no aprisionar os fatos e pensamentos assim como os magistrados aprisionam os criminosos na cadeia! O pensamento progressivo. O pensamento do autor deve progredir no leitor, na forma de correo ou desenvolvimento. O melhor crtico aquele que pode mostrar o desenvolvimento subsequente de um velho pensamento, mas o mero denunciador o inimigo do progresso e consequentemente, da natureza. Deve haver correes e desenvolvimento no decorrer do tempo. Mas, o progresso significa ir adiante ou elevar-se cada vez mais. O crtico superficial e o leitor infrutfero so dois grandes inimigos do progresso. Devemos evit-los. O verdadeiro crtico, por outro lado, aconselha-nos a manter aquilo que j obtivemos e ajustar nossa marcha a partir do ponto onde chegamos. Ele nunca nos aconselhar a voltar ao ponto de onde comeamos, uma vez que neste caso haveria uma perda infrutfera do nosso precioso tempo e trabalho. Ele orientar o ajuste do ngulo de nossa marcha a partir do ponto onde estamos. Esta tambm a caracterstica do estudante til. Ele ler um velho autor e encontrar sua posio exata no progresso do pensamento. Ele nunca aconselhar queimar um livro sob alegao que possui pensamentos inteis. Nenhum pensamento intil. Os pensamentos so meios pelos quais alcanamos nossos objetivos. O leitor que denuncia um mal pensamento no sabe que at mesmo uma m 5. estrada capaz de melhorar e desembocar em uma boa. Umpensamento uma estrada que leva a outra. Assim, o leitorobservar que um pensamento que o objeto hoje, ser o meio deum objeto subsequente amanh. Os pensamentos necessariamentecontinuaro a ser uma interminvel srie de meios e objetos noprogresso da humanidade.Os grandes reformadores sempre afirmaro que vieram nopara destruir a antiga lei, mas para cumpri-la. Valmiki, Vyasa,Plato, Jesus Cristo, Maom, Confcio e Chaitanya Mahaprabhuafirmam este fato expressamente ou por suas prprias condutas.Nosso crtico, entretanto, pode nobremente dizer-nos que umreformador como Vyasa, a menos que puramente explicado, podeem pouco tempo, levar milhares de homens a uma situaoproblemtica. Mas, querido crtico, estude as histrias das eras epases! Onde voc encontrou um filsofo ou reformador que foiplenamente compreendido pela populao? A religio popular medo de Deus, e no o puro amor espiritual que Plato, Vyasa,Jesus e Mahaprabhu ensinaram aos seus respectivos povos! Quervoc d a religio absoluta atravs de expresses figurativas ousimples, ou ensine-as por meio de livros ou palestras orais, ohomem ignorante e o homem no pensativo certamente adegradaro.Na verdade, muito fcil dizer, e agradvel ouvir, que aVerdade Absoluta tem tal afinidade com a alma humana que serevela de modo como que intuitivo, e que nenhum esforo necessrio para nos ensinar os preceitos da verdadeira religio, masesta uma idia enganosa. Isso pode ser verdade no que diz respeito tica e ao alfabeto da religio, mas no no que se refere formamais elevada de f, que requer uma alma exaltada para compreend-la. Todas as verdades superiores, embora intuitivas, requerem prviaeducao nas verdades mais simples. A religio mais pura aquelaque d a idea mais pura de Deus. Como ento possvel que oignorante obtenha a religio absoluta, enquanto permaneceignorante?Assim, no devemos escandalizar o salvador de Jerusalm ouo salvador de Nadiya por estes males subsequentes. Luteros, ao 6. invs de crticos, o que queremos para a correo daqueles malesatravs da verdadeira interpretao dos preceitos originais. Deus d-nos a verdade, como deu a Vyasa, quandoansiosamente buscamos por ela. A verdade eterna inexaurvel. Aalma recebe revelao quando est ansiosa por ela. As almas dosgrandes pensadores de eras passadas, que agora vivemespiritualmente, frequentemente se aproximam do nosso espritoindagador e o assistem em seu desenvolvimento. Assim, Vyasa foiassistido por Narada e Brahma. Nossas escrituras, ou livros depensamento, no contm tudo que poderamos obter do Pai Infinito.Nenhum livro est desprovido de erro. A revelao de Deus Verdade Absoluta, mas escassamente recebida e preservada emsua pureza natural. No Srimad Bhagavatam, somos aconselhados aacreditar que a verdade, quando revelada, absoluta; no entantoobtm a mcula da natureza do receptor no decorrer do tempo, e seconverte em erro pela contnua troca de mos. Novas revelaes,portanto, so necesrias para manter a verdade em sua purezaoriginal. Assim, somos advertidos a ser cuidadosos em nossosestudos de velhos autores, por mais sbios que eles sejam no que dizrespeito sua reputao. Aqui, temos plena liberdade de rejeitar aidia errnea, que no sancionada pela paz da conscincia. Vyasa no estava satisfeito com aquilo que coletou nos Vedas,disps nos Puranas, e comps no Mahabharata. A paz da suaconscincia no sancionava seu trabalho. Ela lhe dizia internamente:No, Vyasa! No deve descansar contente com o quadro errneoda verdade que lhe foi necessariamente apresentado pelos sbios detempos passados! Deves, tu prprio, bater porta do reservatrioinexaurvel da verdade, do qual os sbios antigos retiraram suariqueza. V! V fonte da verdade, onde nenhum peregrinoencontra qualquer tipo de desapontamento. Vyasa o fez e obteve oque desejava. Todos ns somos aconselhados a fazer o mesmo. A liberdade, ento, o princpio que devemos considerarcomo a mais valiosa ddiva de Deus. No devemos permitir quesejamos liderados por aqueles que viveram e pensaram antes de ns.Devemos pensar por ns mesmos, e tentar obter verdadessubsequentes que ainda no esto descobertas. No SrimadBhagavatam (11.21.23) somos aconselhados a absorver o esprito 7. dos sastras, e no as palavras. O Bhagavata a religio da liberdade,verdade descontaminada, e amor absoluto.A outra caracterstica o progresso. A liberdade certamente a me de todo progresso. A santa liberdade a causa do progressocada vez mais elevado na eterna e interminvel atividade de amor.Liberdade mal usada causa degradao, mas o Vaishnava devesempre usar cuidadosamente esta bela ddiva de Deus.O esprito deste texto apresenta-se para honrar todos osgrandes reformadores e mestres que viveram e vivero em outrospases. O vaishnava est pronto a honrar todos os homens, semdistino de casta, porque eles esto repletos de energia de Deus.Vedes quo universal a religio do Bhagavata. Ela no se destina auma certa classe de Hindus apenas, mas uma ddiva para oshomens em geral, estejam eles em qualquer pas ou sociedade. Emsuma, o Viashnavismo o Amor Absoluto unindo todos os homensao infinito, no-condicionado e absoluto Deus. Que a paz reine parasempre em todo universo no contnuo desenvolvimento de suapureza, atravs do esforo dos futuros heris, que sero abenoados,de acordo com a promessa do Bhagavata, com poderes do Pai Todo-Poderoso, O Criador, Preservador e Aniquilador de todas as coisasno cu e na terra.De uma palestra em ingls dada em Dinajpur, Bengala Ocidenatl, ndia, em 1869Introduo ao Jaiva DharmaPor Srila Bhakti Prajnana Keshav Goswami Mahar