Monteiro lobato -_A_chave_do_tamanho

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Ciep 122 Ermezinda D. NeccoTurma 302 - ano 2011Tema: Monteiro Lobato

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  • 1. A CHAVE DO TAMANHOMonteiro Lobatohttp://groups-beta.google.com/group/digitalsource

2. LIVROS INFANTIS DEMONTEIRO LOBATOA CHAVE DO TAMANHO A REFORMA DA NATUREZAARITMTICA DA EMLIACAADAS DE PEDRINHODOM QUIXOTE DAS CRIANAS EMLIA NO PAS DA GRAMTICAFBULAS GEOGRAFIA DE DONA BENTAHANS STADEN HISTRIA DAS INVENESHISTRIAS DE TIA NASTCIA HISTRIAS DIVERSASHISTRIA DO MUNDO PARA AS CRIANAS MEMRIAS DA EMLIA O MINOTAURO O PICAPAU AMARELO O POO DO VISCONDEO SACI PETER PAN REINAES DE NARIZINHO SERES DE DONA BENTA TRABALHOS DE HRCULES VIAGEM AO CU 3. Monteiro LobatoA Chavedo Tamanhoeditora brasiliense 4. A Chave do Tamanho, by Monteiro Lobato ISBN 85-11-19001-5 42." edio, 19954a reimpresso, dezembro de 1997 Lay-out de capa: Jacob LevitinasIlustraes de capa e miolo: Manoel Victor Filho Copyright by herdeiros de Monteiro LobatoNenhuma parte desta publicao pode ser gravada,armazenada em sistemas eletrnicos, fotocopiada,reproduzida por meios mecnicos ou outros quaisquer sem autorizao prvia da editora.Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Lobato, Monteiro, 1882-1948.A chave do tamanho / Monteiro Lobato , llustraes de capa e miolo Manoel Victor Filho. 42. ed. So Paulo : Brasiliense, 1997. ISBN 85-11-19001-51. Literatura infanto-juvenil I. Victor Filho, Manoel. II. Ttulo.97-5432CDD-028.5 ndices para catlogo sistemtico:1. Literatura infantil028.52. Literatura infanto-juvenil028.5 editora brasiliense s.a. 5. NDICEPR-DO-SOL DE TROMBETA............ 7A CHAVE DO TAMANHO ................9POR CAUSA DO PINTO SURA............ 13A VIAGEM PELO JARDIM ...............15AVENTURAS ...........................17A FAMLIA DO MAJOR APOLINARIO..... 22JUQUINHA CONTA A SUA HISTRIA ....26A TRAVESSIA DAS SALAS ............... 28A ESTANTE DOS REMDIOS ............ 31O FORD ESCANGALHADO.............. 32O NINHO DO BEIJA-FLOR ............... 36O GIGANTE DE CARTOLA............... 41REVELAES..........................43A CAMINHO DO PICAPAU AMARELO ...46O CORONEL TEODORICO...............49"O TERROR DO LAGO"................. 54RABIC, O CANIBAL.................... 58O FILSOFO CHINS.................... 62VIAGEM PELO MUNDO ................. 64A CIDADE DO BALDE...................70A ORDEM NOVA........................74NA CASA BRANCA......................78AINDA L .............................. 80O PLEBISCITO..........................83A VOLTA DO TAMANHO ................ 86 6. A CHAVEDO TAMANHOMonteiro LobatoIPr de sol de trombeta O pr do sol de hoje de trombeta disse Emlia, com as mosna cintura, depezinha sobre o batente da porteira onde, naquela tarde,depois do passeio pela floresta, o pessoal de Dona Benta havia parado. Elesnunca perdiam ensejo de aproveitar os espetculos da natureza. Nas chuvasfortes, Narizinho ficava de nariz colado janela, vendo chover. Se ventava,Pedrinho corria varanda com o binculo para espiar a dana das folhassecas "quero ver se tem saci dentro". E o Visconde dava as explicaescientficas de todas as coisas. O pr do sol daquele dia estava realmente lindo. Era um pr de sol detrombeta. Por qu? Porque Emlia tinha inventado que em certos dias o Sol"tocava trombeta a fim de reunir todos os vermelhos e ouros do mundo paraa festa do acaso". Diante dum pr de sol de trombeta ningum tinha nimode falar, porque tudo quanto dissessem saa bobagem. Mas Dona Benta nose conteve. Que maravilhoso fenmeno o pr do sol! disse ela. Emlia deu um pisco para o Visconde por causa daquele "fenmeno",e resolveu encrencar. 7. Por que que se diz "pr do sol", Dona Benta? perguntou com oseu clebre ar de anjo de inocncia. Que que o Sol pe? Algum ovo? Dona Benta percebeu que aquilo era uma pergunta-armadilha, dasque foravam certa resposta e preparavam o terreno para o famoso "ento"da Emlia. O Sol no pe nada, bobinha. O sol pe-se a si mesmo. Ento ele o ovo de si mesmo. Que graa! Dona Benta teve a pachorra de explicar. Pr do sol" um modo de dizer. Voc bem sabe que o Sol no sepe nunca; a Terra e os outros planetas que se movem em redor dele. Masa impresso nossa de que o Sol se move em redor da Terra e portantonasce pela manh e pe-se tarde. Estou cansada de saber disso declarou Emlia. A minhaimplicncia com o tal de pr. "Pr" sempre foi botar uma coisa em certolugar. A galinha pe o ovo no ninho. O Visconde pe a cartola na cabea.Pedrinho pe o dedo no nariz. Mentira! gritou Pedrinho desapontado, tirando depressa odedo do nariz. Mas o Sol continuou Emlia no pe cartola na cabea, nemtem o pssimo costume de tirar ouro do nariz. um modo de dizer, j expliquei repetiu Dona Benta. Estou vendo que tudo que a gente grande diz so modos de dizer,continuou a pestinha.Isto , so pequenas mentiras e depois vivemdizendo s crianas que no mintam! Ah! Ah! Ah!... Os tais poetas, porexemplo. Que que fazem seno mentir? Ontem noite a senhora nos leuaquela poesia de Castro Alves que termina assim: Andrada! Arranca esse pendo dos ares1 Colombo! Fecha a porta dos teus mares! Tudo mentira. Como que esse poeta manda o Andrada, que jmorreu, arrancar uma bandeira dos ares, quando no h nenhuma bandeiranos ares, e ainda que houvesse, bandeira no dente que se arranque?Bandeira desce-se do pau pela cordinha. E como que esse poeta, um 8. soldado raso, se atreve a dar ordens a Colombo, um almirante? E como que manda Colombo fechar a "porta" dos "teus" mares, se o mar no temporta e Colombo nunca teve mares quem tem mares a Terra? Dona Benta suspirou. Modos de dizer, Emlia. Sem esses modos dedizer, aos quaischamamos "imagens poticas", Castro Alves no podia fazer versos. Mas ou no mentira? Dona Benta ia abrindo a boca para a resposta, quando um homem acavalo apontou na curva da estrada. Era o estafeta que, um dia sim, um diano, portava ali para entregar a correspondncia. Todos tiraram os olhos dopr do sol para p-los no estafeta. O homem chegou. Deu boa tarde. Apeou com ar de eternodescadeirado e abriu o encardido saco delona para tirar os jornais deDona Benta. H tambm uma carta para o Sr. Visconde de Sabugosa disseele entregando o pacote. Emlia atirou-se para cima da carta como um gato se atira a umacabea de sardinha, e arrancou-a das mos de Dona Benta, como o poetaqueria que o Andrada arrancasse a bandeira dos ares. Deve ser resposta a uma consulta que fiz sobre as vitaminas do pde pirlimpimpim explicou modestamente o Visconde, enquanto Emlia sepreparava para rasgar o envelope e Pedrinho suspirava pelo bodoque, No abra, Emlia! gritou Narizinho. Vov j disse que o sigiloda correspondnciainviolvel.Carta uma coisa sagrada. S odestinatrio pode abri-la. Emlia fez um muxoxo de pouco caso e enfiou a carta no nariz doVisconde, dizendo: Coma, beba o seu sigilo. Enquanto isso, Pedrinho desdobrava ojornal e lia os enormes ttulos e subttulos da guerra. Novo bombardeio de Londres, vov. Centenas de avies voaramsobre a cidade. Um colosso de bombas. Quarteires inteiros destrudos.Inmeros incndios. Mortos beca. O rosto de Dona Benta sombreou. Sempre que punha o pensamento 9. na guerra ficava to triste que Narizinho corria a sentar-se em seu colo paraanim-la. No fique assim, vov. A coisa foi em Londres, muito longe daqui. No h tal, minha filha. A humanidade forma um corpo s. Cadapas um membrodesse corpo, comocada dedo, cada unha, cadamo, cada brao ou perna faz parte do nosso corpo. Uma bomba que cainuma casa de Londres e mata uma vov de l, como eu, e fere uma netinhacomo voc ou deixa aleijado um Pedrinho de l, me di tanto como secasse aqui. uma perversidade to monstruosa, isso de bombardearinocentes, que tenho medo de no suportar por muito tempo o horror destaguerra. Vem-me vontade de morrer. Desde que a imensa desgraa comeouno fao outra coisa seno pensar no sofrimento de tantos milhes deinocentes. Meu corao anda cheio da dor de todas as avs e mes distantes,que choram a matana de seus pobres filhos e netinhos. Aquela tristeza de Dona Benta andava a anoitecer o Stio do Picapau,outrora to alegre e feliz. E foi justamente essa tristeza que levou Emlia aplanejar e realizar a mais tremenda aventura que ainda houve no mundo.Emlia jurara consigo mesma que daria cabo da guerra e cumpriu ojuramento mas por um triz no acabou tambm com a humanidadeinteira. Na noite daquele dia, em sua caminha de paina, ela perdeu o sono.Quem entrasse em sua cabea leria um pensamento assim: "Esta guerra jest durando demais, e se eu no fizer qualquer coisa os famososbombardeios areos continuam, e vo passando de cidade em cidade, eacabam chegando at aqui. Algum abriu a chave da guerra. preciso queoutro algum a feche. Mas onde fica a chave da guerra? Pessoa nenhumasabe. Mas se eu tornar uma pitada do superp que o Visconde estfabricando, poderei voar at o fim do mundo e descobrir a Casa das Chaves.Porque h de haver uma Casa das Chaves, com chaves que regulem todas ascoisas deste mundo, como as chaves da eletricidade no corredor regulamtodas as lmpadas duma casa." O Visconde, de fato, andava estudando um misterioso superp, capazde maravilhas ainda maiores que o velho p de pirlimpimpim; por isso 10. passava as noites em claro e at recebia cartas cientficas do estrangeiro.Mas naquela noite Emlia ouviu uns ronquinhos. "Ser o Visconde?" disseela e foi ver. Era o Visconde, sim, que, depois de noites e noites passadasem claro, dormia um sono de Rabic. "Se ele est ferrado no sono a pontode roncar" pensou Emlia, " que j resolveu o problema do superp.Ronco de sbio quer dizer cabea fresca, inveno j inventada." Pensando assim, Emlia foi p ante p ao laboratorinho do Visconde eremexeu tudo at encontrar numa pequena caixa de fsforos umasubstncia parecida com cinza. Cheirou-a. Lembrava o cheiro do p depirlimpimpim. "Deve ser isto mesmo" disse ela e corajosamente tomouuma pitada.II A Chave do Tamanho Fiunnn!!! Quando Emlia abriu os olhos e foi lentamente voltando da tonteira,deu consigo num lugar nebuloso, assim com ar de madrugada. Noenxergou rvores, nem montanhas nem coisa nenhuma s havia l longeum misterioso casaro. Isto