Monteiro lobato -_história_das_invenções

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Ciep 122 Ermezinda D. NeccoTurma 302 - 2011Tema: Monteiro Lobato

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2. M o n te ir o L o b a toHistriadas InvenesCRCULO DO LIVRO 3. CRCULO DO LIVRO S.A.Caixa postal 7413 01051 So Paulo, Brasil Edio integralCopyright by herdeiros de Monteiro LobatoLayout da capa: Tide HellmeisterIlustraes: Jorge Kato (coordenao), Izomar Camargo Guilherme (capas), Adilson Fernandes, Carlos Avalone Rocha, Eli Marcos Martins Leon, Luiz Padovin, Michio Yamashita,Miriam Regina da Costa Arajo, Paulo Edson, Roberto Massaru Higa, Roberto Souto MonteiroLicena editorial para o Crculo do Livro por cortesia dos herdeiros de Monteiro Lobato e da Editora Brasiliense S.A. Venda permitida apenas aos scios do Crculo Composto pela Linoart Ltda.Impresso e encadernado pelo Crculo do Livro S.A. 2468 10 97531 85 87 89 88 86 4. Como tem ocorrido com outros volumes da coleoMONTEIRO LOBATO, mantivemos nesta obra os dados originaisem que se baseou Lobato para escrev-la.Por essa razo, o leitor poder encontrar refernciasdesatualizadas. Os editores 5. H is t r ia dasin v e n e s 6. Dona Benta costumava receber livros novos, de cincias, de arte,de literatura. Era o tipo da velhinha novidadeira. Bem dizia o compadreTeodorico: "Dona Benta parece velha mas no , tem o esprito maismoo que o de jovens de vinte anos". Assim foi que naquele bolorento ms de fevereiro, em que eraimpossvel botar o nariz fora de casa, de tanto que chovia, resolveucontar aos meninos um dos ltimos livros chegados. Tenho aqui um livro de Hendrik van Loon disse ela , umsbio americano, autor de coisas muito interessantes. Ele sai doscaminhos por onde todo mundo anda e fala das cincias dum modo quetudo vira romance, de to atrativo. J li para vocs a geografia que eleescreveu e agora vou ler este ltimo livro Histria das invenes dohomem, o fazedor de milagres. Era um livro grosso, de capa preta, cheio de desenhos feitos peloprprio autor. Desenhos no muito bons, mas que serviam paraacentuar suas idias. E quando comea? quis saber Narizinho. Hoje mesmo, no sero. Podemos comear logo depois dordio. 7. J havia l no stio um rdio de ondas curtas, que pegava asirradiaes de numerosas estaes estrangeiras, Estados Unidos,Inglaterra, Alemanha, Rssia, e "depois do rdio" queria dizer depoisdas sete horas, porque das seis s sete nunca deixavam de apanhar airradiao de Pittsburgh, que uma das estaes estrangeiras de maiorfora. Terminada naquele dia a hora de Pittsburgh, todos se reuniramem redor de Dona Benta, ainda com os ouvidos cheios das msicas efalaes americanas. Comece, vov! disse Pedrinho. E Dona Benta comeou. Este livro no para crianas disse ela; mas se eu lerdo meu modo, vocs entendero tudo. No tenham receio de meinterromperem com perguntas, sempre que houver qualquer coisaobscura. Aqui est o prefcio. . . Que prefcio? perguntou Emlia. So palavras explicativas que certos autores pem no comeodo livro para esclarecer os leitores sobre as suas intenes. O prefciopode ser escrito pelo prprio autor ou por outra pessoa qualquer. Nesteprefcio o Senhor van Loon diz que antigamente tudo era muitosimples. . . Tudo o qu? interrompeu Pedrinho. A explicao das coisas do mundo. A Terra formava o centrodo universo. O cu era uma abbada de cristal azul onde noite osanjos abriam buraquinhos para espiar. Esses buraquinhos formavamas estrelas. Tudo muito simples. Mas depois as coisas se complicaram. Um sbio da Polnia, denome Nicolau Coprnico, publicou um livro no qual provava que a Terrano era fixa, pois girava em redor do Sol, e as estrelas no erambrinquedinhos dos anjos, sim sis imensos, em redor dos quais giravammilhes de terras como a nossa. Isso veio causar uma grande trapalhada nas idias assentes, isto, nas idias que estavam na cabea de todo mundo e por um trizno queimaram vivo a esse homem. Afinal a sua idia venceu e hoje 8. ningum pensa de outra maneira. A astronomia, que a cincia que estuda os astros, tomou umgrande desenvolvimento. Os astrnomos foram descobrindo coisas emais coisas, chegando perfeio de medir a distncia dum astro aoutro, e pesar a massa desses astros. As distncias entre os astroseram to grandes que as nossas medidas comuns se tornaraminsuficientes. Foi preciso criar medidas novas medidas astronmicas. Por qu? perguntou Narizinho. Com o quilmetro agente pode medir qualquer distncia. s ir botando zeros e maiszeros. Parece, minha filha. As distncias entre os astros sotamanhas que para medi-las com quilmetros seria necessrio usarcarroadas de zeros, de maneira que no haveria papel que chegasse. Eento os astrnomos inventaram o "metro astronmico", ou a "unidadeastronmica", que como eles dizem. Essa unidade, esse metro, tinha92 900 000 milhas. Que colosso, vov! Eu acho que fizeram um metro grandedemais. . . Pois est muito enganada, minha filha. As distncias entre aTerra e as novas estrelas, que com os modernos telescpios foram sendodescobertas, acabaram deixando essa medida pequena. E ento oastrnomo Michelson props outra medida: o ano-luz. Que histria essa? Michelson verificou que a luz caminha com a velocidade de299 820 quilmetros por segundo. Multiplicou esse nmero por 60 paraobter a velocidade da luz num minuto, ou um minuto-luz. Depoismultiplicou isso por 60 para obter a velocidade da luz numa hora, ouuma hora-luz. Depois multiplicou isso por 24 para obter um dia-luz, efinalmente multiplicou o dia-luz por 365 para obter o tal ano-luz. E que obteve? Obteve 9 455123 520 000 quilmetros. Quer dizer que numano um raio de luz caminha a distncia de 9 trilhes, 455 bilhes, 123milhes, 520 mil quilmetros. 9. Puxa! exclamou Pedrinho. At d tontura na gente.. . Pois isso. Os astrnomos tiveram de criar esse monstruosometro para medir a distncia entre os astros; e, por imenso que seja talmetro, mesmo assim eles tm que recorrer aos zeros para a medio decertas distncias. J se conhecem astros distncia de 30 000 anos-luzde nossa Terra, imaginem! - Cspite! Pois bem, isto que os astrnomos fizeram para os astros,outros homens de cincia fizeram para o contrrio dos astros, isto ,para as molculas e tomos, que so coisinhas infinitamente pequenas.Chegaram a medir tomos que tm o tamanhinho de uma trilionsimaparte de milmetro. Ser possvel? Um milmetro j uma isca que a gente malpercebe. . . Imagine agora o que um milmetro dividido em um trilhode partes iguais! Isto serve para mostrar at onde vai o homem com asua cincia. Mede a distncia entre a Terra e um astro que est a 30000 anos-luz daqui; e mede uma partcula de matria que tem l/l 000000 000 000 de milmetro. Ora, neste livro o Senhor van Loon trata demostrar como esse bichinho homem, que j foi peludo e andava dequatro, chegou a desenvolver seu crebro a ponto de medir a distnciaentre os astros e a calcular o tamanho dos tomos. Como foi isso? Inventando coisas. O homem um grande inventor de coisas,e a histria do homem na Terra no passa da histria das suasinvenes com todas as conseqncias que elas trouxeram para a vidahumana. mais ou menos isto o que Van Loon diz neste prefcio.Vamos agora ver o captulo nmero 1. Depois da pipoca, vov! gritou Narizinho farejando o ar. De fato: da cozinha vinha para a sala o cheiro das pipocas queTia Nastcia estava rebentando. Pipocas noite foi coisa que nuncafaltou no stio de Dona Benta. 10. I O bicho inventor Depois que na peneira de pipocas s ficaram os pirus, isto , osgros de milho que no rebentam, Dona Benta continuou: Van Loon comea este captulo assim: "Um belo dia umgrozinho de p pesando apenas 6 000 000 000 000 000 000 000 000000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 de toneladasdestacou-se do Sol para comear sua vida prpria pelo espao". Nossa Senhora! exclamou a menina. Nem Quindim capaz de ler esse nmero. E esse fato continuou Dona Benta no causounenhuma perturbao no cu. Era to pequenininho o tal gro de pdestacado do Sol, que nenhuma das outras estrelas deu pela coisa. nesse microscpico gro de poeira que vivemos, meus filhos. Somosuma poeirinha viva sobre esse grozinho de poeira astronmica. . . E osoutros astros so tambm gros de poeira, com certeza habitados porseres absolutamente incompreensveis para ns. Pois bem, no nosso 11. grozinho de poeira formou-se a vida, surgiram os animais, que soseres com vida, e pelo espao de milhes e milhes de anos os animaisse foram revezando no domnio da Terra, ora vencendo uma espcie, oravencendo outra, at que apareceu o homem, o atual vencedor. Atualmente s, vov? No poder ficar o vencedor sempre? Impossvel responder, minha filha. Assim como no animalhomem surgiu essa inteligncia que lhe deu o domnio da Terra, podesurgir outra forma de inteligncia, mais apurada, em outro qualquerser, numa planta, num peixe, numa formiga, num micrbio e ohomem ter de entregar o cetro de rei dos animais, desaparecendo dasuperfcie da Terra como tantos outros reis j desapareceram. Mas como o homem tomou conta da Terra? o que Van Loon procura explicar nesse captulo. Logo que acrosta se resfriou a ponto de permitir a vida, a Terra se foi povoandorapidamente duma infinidade de plantas, de animais cascudos e deseres que viviam no seio das guas. Se eu fosse Van Loon contava acoisa de outra maneira, porque estou convencida de que a planta tudo, e que todos os animais no passam de parasitas, ou pragas daplanta. senhora j disse isso na Geografia lembrou Pedrinho. Pois . Veio a planta, numa infinidade de espcies vegetais detodos os tamanhos e tipos; e a abundncia de vegetais trouxe consigo aabundncia de animais, isto , de parasitas da planta.Desses animais, muitos nunca deixaram as guas e foram osantepassados dos peixes que existem hoje esses que o homem pesca,salga e enlata, para empreg-los na alimentao.Outros, os antepassados dos lagartos e das cobras que existemhoje, ocuparam tais extenses da Terra (como sabemos pelos fsseisencontrados) que com certeza foram os reis da criao em seu tempo.Algum lagarto de tamanho descomunal havia de rir-se dos outrosseres, como ns hoje nos rimos de todos, e havia de chamar-se a simesmo rei dos animais