Monteiro lobato -_Seroes_de_Dona_Benta

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Ciep 122 Ermezinda D. NeccoSo Gonalo RJTurma 302/2011Tema Monteiro Lobato

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  • 1. SERES DE DONA BENTA(FSICA E ASTRONOMIA)
  • 2. 1960 EDITORA BRASILIENSE NDICEI Comiches cientficas.......................... 7II O ar........................................ 14III Ainda o ar................................... 18IV Mais ar ainda................................ 27V A gua...................................... 35VI Mais gua.................................... 44VII Ainda a gua................................ 52VIII A matria.................................... 65IX Mais matria .................................. 78X As mquinas ................................. 91XI A energia do calor ............................ 105XII O fogo....................................... 112XIII Como o calor vai dum ponto para outro....... 120XIV Ventos e tempestades.......................... 132XV Tempo e clima................................ 143XVI Na imensido do espao...................... 152XVII O nosso sistema solar......................... 165XVIII Mais coisas do cu............................ 177XIX Como a terra se formou...................... 190XX O solo........................................ 201XXI Riquezas do subsolo.......................... 208XXII Metade do caminho........................... 219
  • 3. CAPTULO I COMICHES CIENTFICASDONA BENTA havia notado uma mudana nos meninos depoisda abertura do Caramingu n. 1, o primeiro poo de petrleono Brasil. Aprenderam um pingo de geologia e ficaramansiosos por mais cincia. Sinto uma comicho no crebro, disse Pedrinho. Querosaber coisas. Quero saber tudo quanto h no mundo... Muito fcil, meu filho, respondeu Dona, Benta. A cinciaest nos livros. Basta que os leia. No assim, vov, protestou o menino. Em geral os livrosde cincia falam como se o leitor j soubesse a matria de quetratam, de maneira que a gente l e fica na mesma. Tentei leruma biologia que a senhora tem na estante, mas desanimei. Acincia de que gosto a falada, a contada pela senhora,clarinha como gua do pote, com explicaes de tudo quantoa gente no sabe, pensa que sabe, ou sabe mal-e-mal. Outra coisa que no entendo, disse Narizinho, essenegcio de varias cincias. Se a cincia o estudo das coisasdo mundo, ela devia ser uma s, porque o mundo um s.Mas vejo fsica, geologia, qumica, geometria, biologia umbando enorme. Eu queria uma cincia s. Essa diviso da Cincia em vrias cincias, explicou DonaBenta, os sbios a fizeram para comodidade nossa. Masquando voc toma um objeto qualquer, nele encontra matriapara todas as cincias. Este livro aqui, por exemplo. Paraestud-lo sob todos os aspectos temos de recorrer fsica,
  • 4. qumica, geometria, aritmtica, geografia, histria, biologia, a todas as cincias, inclusive a psicologia que acincia do esprito porque o que nele est escrito so coisas doesprito. Mas que cincia, vov? perguntou Narizinho. Eumesma falo muito em cincia, mas no sei, bem, bem, bem, oque . Cincia uma coisa muito simples, minha filha. Cincia tudo quanto sabemos. E como sabemos? Sabemos graas ao uso da nossa inteligncia, que nos fazobservar as coisas, ou os fenmenos, como dizem os sbios. Ento fenmeno o mesmo que coisa? Fenmeno tudo na natureza. Aquela fumacinha l longe,que sobe para o cu, um fenmeno. A chuva que cai umfenmeno. O som da minha voz um fenmeno. Fenmeno tudo que acontece. E foi observando os fenmenos danatureza que o homem criou as cincias.No comeo o homem era um pobre bpede que valia tantocomo os quadrpedes de hoje. Vivia como todos os animais,nu em plo, morando s nos lugares de bom clima, ondehouvesse abundncia de frutas silvestres e caa. Um animalcomo outro qualquer. Mas a inteligncia que foi nascendonele fez que comeasse a observar os fenmenos da natureza ea tirar concluses. O homem teve a idia de plantar, e comisso criou a agricultura, Teve a idia de inventar armas, o arcoe a flecha, o machado de pedra, o tacape, e com issoaumentou a eficincia dos seus msculos. Um dia descobriu ofogo e o meio de conserv-lo sempre aceso e disso nasceu
  • 5. um colosso de coisas, entre elas o preparo dos metais. Com ofogo derretia certas rochas e tirava uma coisa preciosa,diferente da pedra o ferro, o cobre, os metais, em suma. Ecom esses metais obtinha machados muito melhores que osfeitos de pedra.Tambm aprendeu a domesticar certos animais, de que seservia para a alimentao ou para ajud-lo no trabalho. E ainteligncia do homem, de tanto observar os fenmenos, foicriando a cincia, que o modo de compreender osfenmenos, de lidar com eles e produzi-los quando se quer. Eo homem tanto fez que chegou ao estado em que se acha hoje dono da terra, dominador da natureza, rei dos animais. Bom, estou percebendo disse Narizinho. O que umaprendia, passava aos outros, no era assim? Exatamente. Para que haja cincia necessrio que osconhecimentos adquiridos por meio da observao seacumulem, passem de uns para outros e pelo caminho se vjuntando com os novos conhecimentos adquiridos.Entre esses conhecimentos o maior de todos foi tirar partidode certas foras da natureza a fim de aumentar a fora naturaldos msculos. Isso deu ao homem eficincia, isto ,capacidade de fazer coisas. Por fim entrou a inventarinstrumentos e mquinas, meios mecnicos de aumentargrandemente a fora dos msculos e hoje o homem temmquinas poderosssimas, como a locomotiva, o navio, osguindastes, os automveis, os avies, tudo. A cincia foinascendo, e o que chamamos progresso no passa de aplicaoda cincia vida do homem.
  • 6. Sinto uma comicho no crebro disse Pedrinho. Querosaber coisas. Quero saber tudo quanto h no mundo...
  • 7. Nesse ponto um passarinho cantou no pomar. Pedrinho ps-se de ouvido alerta. Que passarinho ser aquele? murmurou, falandoconsigo mesmo. E saiu disparado para ver. Ora a est como se forma a cincia disse a boa senhora.Se o canto fosse de sabi, Pedrinho no se incomodaria,porque j conhece o sabi. Mas como no reconheceu o canto,ficou logo assanhado por saber e foi correndo ao pomar. Acuriosidade diante dum fenmeno que no conhecemos ame da cincia.Logo depois Pedrinho voltou. Era uma sara das raras a segunda que vejo por aqui,disse ele e Dona Benta continuou a desenvolver o seutema: Muito bem; sua curiosidade, Pedrinho, fez que vocadquirisse um conhecimento novo. Ficou sabendo que essecanto duma sara rara por aqui. Para chegar a essaconcluso, voc teve de observar o fenmeno de ir ver,porque s com o ouvido no podia identificar o passarinho.Voc neste caso fez o papel do cientista que observa, descobree fica sabendo. E ns aqui, que no fomos pessoalmenteobservar, aceitamos esse conhecimento que voc adquiriu etambm ficamos sabendo que o tal canto duma sara rarapor aqui. Quando algum me perguntar: "Que passarinho esse que est cantando?" Eu responderei, fiada na observaoque voc fez e nos comunicou: " uma sara rara por aqui." Sea cincia ficasse com o homem que a adquire, de bem poucovalor seria, porque desapareceria com esse homem. Mas acincia se transmite dum homem para outro e assim vai
  • 8. aumentando o patrimnio de conhecimentos da humanidade.Chegamos hoje a um ponto em que, para a menor coisa,recorremos a muitas cincias sem o saber. A pobre tiaNastcia, quando vai assar um frango, recorre a uma porode cincias, embora no o perceba. Para pegar o frango, paramat-lo, para depen-lo, para limp-lo, para reche-lo, paraass-lo, ela emprega inmeros conhecimentos cientficos,adquiridos no passado e transmitidos de gerao em gerao.Pedrinho ficou entusiasmado. Nesse caso, vov, eu sou um verdadeiro sabiozinho,porque sei mil coisas prticas. Sei sem que ningum meensinasse... Engano seu, meu filho. Tudo quanto voc sabe foiensinado sem que voc o percebesse. A maior parte das coisasque sabemos nos vem de ver os outros fazerem. Isso l verdade confessou o menino. Cada coisa que eusei veio de algum l de casa sobretudo da mame e papai.A gente quando criana presta ateno a tudo e imita. Maseu no sabia que isso era cincia... Sim, meu filho, tudo que sabemos constitui cincia, equando voc estudar fsica,, por exemplo, vai verificar que oslivros de fsica apenas explicam teoricamente muita coisa quepraticamente sabemos. Por que motivo na mesa, ontem,quando Emlia derramou aquele copo dgua, voc gritou paratia Nastcia: "Traga um pano?" Porque com pano que se enxuga gua. Perfeitamente. Voc sabe de modo prtico uma coisa quena Fsica se chama capilaridade. O pano feito de algodo,cujas fibras, por causa desse fenmeno da capilaridade,
  • 9. absorvem, chamam para si a gua. Quer dizer que voc, comotoda gente, quando enxuga uma gua com um pano, faz usodum princpio da fsica, embora no o conhea teoricamente.At tia Nastcia, que Emlia chama poo de ignorncia, sabeum monte de coisas cientficas mas s as sabepraticamente, sem conhecer as razes tericas que esto noslivros. Querem ver1?E Do