HCA Módulo 3 Apontamentos

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  • 1. A Culturado Mosteiro - Apontamentos -

2. Aps a queda do Imprio Romano do Ocidente o continente europeu iniciou uma viagem que durou cinco sculos. A Histria designou por Alta Idade Mdia o perodo que teve o seu incio no sculo V d.C. e que terminou cerca do ano mil, um ano temido pela premonio do fim dos tempos. Este incio de uma nova idade do Homem sobre a Terra, que a Histria classificou de Mdia, revelar-se-ia de grandes conquistas sociais e humanas. No processo criativo do Homem, no foi uma poca de definio de estilos ou de produtividade artstica, uma vez que a instabilidade poltica e social nesse tempo de enorme desorientao, aps o desaparecimento das referncias culturais do mundo romano dificultaram o exerccio de contemplao e de criatividade, num mundo em que o importante era sobreviver. 3. As invases Brbaras do sculo V 4. 5. Os Reinosda Europa no sculo V 6. As cidades adormeceram com o desaparecimento progressivo da vida urbana. O deslocamento da populao para os campos era uma opo ditada naturalmente pela fora das circunstncias. As cidades, como antigos centros de Poder, eram agora alvos preferenciais das incurses blicas que conduziam destruio e degradao social. No sculo V, os Ostrogodos, Visigodos, Burgndios, Francos, Saxes, Vndalos e Vikings, chamados brbaros pelo mundo romano em decadncia, introduziram-se em territrios do Ocidente europeu, umas vezes violentamente, outras como colonos, trazendo para locais outrora romanizados um heterogneo mosaico de culturas. 7. Os Guerreiros Brbaros 8. Guerreiro Visigodo 9. Igreja, dispersa pelo mundo ocidental e ainda em organizao, coube a gigantesca tarefa de exercer uma autoridade cultural. Atravs de uma intensa actividade pedaggica, criou normas de comportamento scio-religioso e moral e foi mediadora junto de populaes desavindas, compostas por brbaros dominadores e gente que recentemente aderira F Crist. A Igreja centralizou a sua liderana no Sumo Pontfice e rapidamente surgiu poderosa entre populaes aculturadas, servida por cardeais, bispos e sacerdotes, uma hierarquia de homens competentes, naturalmente seleccionados, que aceitaram professar e trabalhar numa sociedade de muitos perigos, enquanto outros se isolavam na vida monstica, predispondo-se reflexo em refgios contemplativos. 10. Destes ltimos nasceu a autocrtica no seio da Igreja, bem como as primeiras aces reformistas e a ideia clara do seu papel formativo e informativo que tanta importncia veio a ter no desenvolvimento da Idade Mdia, e na preparao da mudana de um mundo ignorante, pleno de crenas e medos, para um novo mundo de saber emprico e cientfico. A arte, muito dispersa entre manifestaes culturais divergentes, apenas conheceu no sculo VIII alguma coerncia na definio de um estilo de representao designado por Carolngio, excepo possvel na unidade do imprio centralizador de Carlos Magno, rei dos Francos, imprio que depois se desmembrou nos reinados dos seus sucessores por aco das invases dos povos normandos e hngaros. S no sculo X uma outra tentativa unificadora dos reis da Alemanha, Oto I, Oto II e Oto III, criaria um outro estilo artstico a que a Histria chamou de Otoniano. 11. As primeiras monarquias e condados surgiam por toda a Europa e s normas de unificao poltica correspondiam normas de generalizao das formas plsticas. A guerra forou as populaes ao abandono das cidades, mas nem o campo lhes ofereceu de imediato a segurana desejada: o roubo, o crime e o envolvimento involuntrio em confrontaes blicas levou-as a procurar proteco continuamente. A terra era objecto de disputa e dividida algumas vezes. Os feitos de guerra levavam os reis a fazer doaes e a atribuir ttulos nobilirquicos, que recompensavam os seus guerreiros mais valorosos. Foi para junto destes homens que constituam uma nova nobreza, que hordas errantes de homens, mulheres e crianas se deslocaram; conseguiram o direito a habitar a terra, cumprindo, como contrapartida, a obrigao de a cultivarem para o senhor, constituindo, em caso de guerra, o seu exrcito protector. 12. Comeou, assim, uma relao de direitos e obrigaes a que a Histria chamou feudalismo. Para protegerem conforme o prometido, e para se defenderem, comearam a construir espaos fortificados ltimos redutos de resistncia aos agressores, a princpio constitudos por rudimentares paliadas de madeira rodeadas por um fosso. Em torno desses castelos aglomeravam-se os casebres humildes de construo precria, sempre sacrificados em situao de guerra. Com o tempo, esses castelos adquiriram robustez e a paliada deu lugar a uma slida muralha coroada de ameias (um dentado que constitua a proteco dos defensores do castelo, que assim se podiam refugiar numa galeria ao longo de toda a periferia da muralha, chamada caminho de ronda. 13. No centro do terreiro do castelo, uma torre de menagem elevava-se mais alto do que a restante muralha (por vezes rodeada por um fosso) era inicialmente a residncia do senhor, o local privilegiado de vigilncia e algumas vezes o ltimo reduto defensivo. Se alguma presena ameaadora era vislumbrada no horizonte, ao sinal da sentinela toda a populao procurava abrigar-se no interior da muralha, trazendo consigo todos os bens mveis que conseguiam reunir (animais, alfaias, gneros, etc.) e ocupando posies para defender o castelo; uma ponte elevatria era iada e o fosso exterior cheio de gua dificultava a subida da muralha aos assaltantes. Eram confrontos feitos de tentativas insistentes e de longos cercos, onde a fome deveria dissuadir de qualquer resistncia.O grande castelo sitiado, rodeado de casebres em chamas, era bem o smbolo visual dessa sociedade feudal no princpio da Idade Mdia. 14. 15. Um mundo com trs nicos estratos sociais: os servos, procurando sobreviver e dificilmente produzindo riqueza, enfileirando com as alfaias como armas nas tropas do seu senhor; o senhor feudal, guerreiro e nobre, detentor de terras e de poder; e uma Igreja de grande capacidade administrativa e intelectual, com prestgio crescente e inicialmente alheia ao feudalismo, mas que disputaria mais tarde a posse da terra. A Igreja exerceu o seu domnio na primeira metade da Idade Mdia, atravs do seu prprio poder cultural e de algumas concesses cultura brbara. Quando, cerca do sculo XI, se concluiu a aglutinao entre as duas culturas, iniciou-se uma nova idade para o Homem medieval, a Idade Mdia Romnica em que, plena de conscincia, a Igreja fomentou os trs acontecimentos que constituram o motor da nova cultura e das expresses da sua arte: as Cruzadas, as Peregrinaes e a formao das Ordens Religiosas. 16. O Romnico No sculo XI, a Igreja dividira a Europa em provncias eclesisticas. Como uma mestra, era ouvida por uma populao que a ela aderia com entusiasmo. Nascia, assim, uma conscincia colectiva unificadora feita de algum medo e muita submisso. Aps vrios conclios, o primeiro passo para a unificao ocidental foi a organizao de Cruzadas, proclamadas e defendidas pela Igreja, desde o anncio papal s homilias dos sacerdotes nas mais longnquas igrejas dos bispados e arcebispados. As oito cruzadas tornaram-se, assim, uma espcie de peregrinaes armadas destinadas a libertar a Terra Santa e a cidade sagrada de Jerusalm do domnio islmico. 17. 18. A troco de diversas benesses espirituais e da certeza da Salvao, os senhores feudais deixaram as suas terras com alguns homens armados (servos e prisioneiros) e confluram para antigos caminhos, onde se lhes juntavam outros exrcitos, redescobrindo ento as estradas outrora abertas pelos romanos. Conseguia, deste modo, a Igreja estabelecer uma relativa paz na Europa e irmanar pela primeira vez aqueles que, por ambio ou despotismo, estavam desavindos. Da Terra Santa estes cruzados trouxeram as primeiras relquias de tanto valor na vida religiosa medieval, testemunhos visveis de figuras e acontecimentos do princpio do Cristianismo: um pedao das vestes da Virgem, de um Apstolo ou de um Santo, um pedao da cruz onde Cristo sofreu a Paixo, o Santo Sudrio ou os restos mortais de um mrtir, prncipes e nobres doaram-nas a igrejas que rapidamente se tornaram centros de devoo. 19. Cruzados 20. Bastava acontecer um milagre junto a uma dessas relquias para que a acorressem multides em peregrinao, na esperana de milagre igual. Nessas ocasies, muitas ddivas eram entregues pelos peregrinos como pedido ou agradecimento. Peregrinaes peridicas sulcaram esquecidas estradas romanas de Lubeck, Colnia, Ratisbona, Tournai, Autum, Leon ou Porto at Santiago de Compostela, de igreja em igreja: a peregrinao era, muitas vezes, a experincias espiritual de uma vida. Graas a estas romagens, de pequenas igrejas nasceram catedrais. Ddivas e doaes enriqueceram a Igreja e a arte romnica, por isso, foi-se definindo como essencialmente sacra. 21. A arquitectura romnica A arquitectura militar e civil sada da sociedade feudal continuou a tradio da Alta Idade Mdia com as suas slidas fortificaes e habitaes precrias. Apenas a arquitectura religiosa evoluiu como a razo de ser e o suporte de quase toda a expresso plstica, pensada e executada no sentido de valorizar os templos onde Cristo era o centro de devoo e os Apstolos e Santos patronos. A arquitectura, com expresses estticas muito diferentes conforme as origens e influncias culturais das populaes, desenvolveu-se com expresses de sobriedade e peso quase asfixiante no norte e nordeste europeu por influncia Viking, Visigtica e Normanda, e com o uso de uma policromia de materiais, prenncio da leveza arquitectnica do Gtico, no centro e Sul da Europa, por influncia rabe e bizantina. 22. A Igreja Romnica De planta rectangular, estas igrejas tinham herdado o carcter espacial das baslicas romanas e paleocrists: trs naves, a maior das quais era a central. Aps a transposio do portal ilustrado pela mais solene representao escultrica da igreja, as naves encaminhavam o visitante por entre colunas toscamente esculpidas em direco ao altar, algumas vezes parcialmente envolto por uma abside curva que assim o sacralizava. A perda