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  • Estado de Minas Gerais

    Advocacia-Geral do Estado

    ADVOCACIA-GERAL DA UNIO

    Estado do Esprito Santo Procuradoria Geral do Estado

    SAS Setor de Autarquias Sul, Quadra 03, Lote 5/6, Edifcio Multi Brasil Corporate, 3 andar,

    CEP 70070-030 Braslia - DF - Telefone (61) 2026-9339

    EXCELENTSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA VARA DA SEO

    JUDICIRIA DO DISTRITO FEDERAL

    A UNIO, pessoa jurdica de direito pblico, representada pela

    Procuradoria-Geral da Unio; o INSTITUTO BRASILEIRO DE MEIO AMBIENTE

    E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVVEIS - IBAMA, autarquia pblica

    federal, representada pela Procuradoria-Geral Federal; o INSTITUTO CHICO

    MENDES DE CONSERVAO DA BIODIVERSIDADE, autarquia pblica

    federal, representada pela Procuradoria-Geral Federal; a AGNCIA NACIONAL DE

    GUAS ANA; autarquia pblica federal, representada pela Procuradoria-Geral

    Federal; o DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUO MINERAL - DNPM,

    autarquia pblica federal, representada pela Procuradoria-Geral Federal; o ESTADO

    DE MINAS GERAIS, pessoa jurdica de direito pblico, representado pela Advocacia-

    Geral do Estado de Minas Gerais, inscrito no CNPJ sob o n 05.475.103/0001-21; o

    INSTITUTO ESTADUAL DE FLORESTAS - IEF, autarquia vinculada Secretaria

    de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentvel, criado pela Lei

    2.606/1962, com regulamento aprovado pelo, com regulamento aprovado pelo Decreto

    n 45.834, de 22 de dezembro de 2011, CNPJ 18.746.164/0001-28; o INSTITUTO

    MINEIRO DE GESTO DE GUAS - IGAM, autarquia vinculada Secretaria de

    Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentvel, criada pela Lei n 12.584, de

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    Estado do Esprito Santo Advocacia-Geral do Estado Procuradoria Geral do Estado

    17 de julho de 1997, com regulamento aprovado pelo Decreto n 46.636, de 28 de

    outubro de 2014, CNPJ 17.387.481/0001-32; a FUNDAO ESTADUAL DE MEIO

    AMBIENTE - FEAM, instituda pelo Decreto n 28.163, de 6 de junho de 1988, nos

    termos da Lei n 9.525, de 29 de dezembro de 1987, CNPJ n 25.455.858/0001-7, todos

    representados pela Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais, com sede na Rua.

    Esprito Santo, n 495, 8 andar, Belo Horizonte, CEP 30.160-030; o ESTADO DO

    ESPRITO SANTO, pessoa jurdica de direito pblico; o INSTITUTO ESTADUAL

    DE MEIO AMBIENTE E RECURSOS HDRICOS IEMA, autarquia estadual; e a

    AGNCIA ESTADUAL DE RECURSOS HDRICOS AGERH, autarquia

    estadual, todos representados pela Procuradoria-Geral do Estado do Esprito Santo, com

    sede na Av. Nossa Senhora da Penha, n 1590, Ed. Petrovix, Barro Vermelho,

    Vitria/ES, CEP 29.057-550, vm, presena de Vossa Excelncia, por seus

    Procuradores habilitados ex lege, com fundamento nos artigos 225, 2 e 3, da

    Constituio Federal, 1, I, 5, III e IV e 12, da Lei 7.347/85, propor a presente

    AO CIVIL PBLICA

    COM PEDIDO DE ANTECIPAO DE TUTELA

    em face de SAMARCO MINERACO S.A., pessoa jurdica de direito privado,

    sociedade annima fechada, inscrita no CNPJ 16.628.281/0001-61, com matriz

    localizada rua Paraba, n 1122, 9, 10, 13 e 19 andares, Bairro Funcionrios, Belo

    Horizonte, MG, CEP 30.130-918, VALE S.A., pessoa jurdica de direito privado,

    sociedade annima aberta, inscrita no CNPJ 33.592.510/0001-54, com matriz localizada

    Av. Graa Aranha, n 26, Centro, Rio de Janeiro, RJ, e BHP BILLITON BRASIL

    LTDA., pessoa jurdica de direito privado, sociedade limitada, inscrita no

    CNPJ 42.156.596/0001-63, com matriz localizada Av. das Amricas, n 3.434, bloco

    07, sala 501, Bairro Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, CEP 22.640-102, pelos fatos e

    fundamentos a seguir expostos.

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    I DOS FATOS

    No dia 05/11/2015, conforme amplamente noticiado na mdia nacional

    e internacional, ocorreu o rompimento da barragem de Fundo, pertencente ao

    complexo minerrio de Germano, em Mariana-MG. A barragem, de propriedade da

    Empresa Samarco, controlada pelas corrs Vale e BHP Billiton, continha

    aproximadamente 50 milhes de m de rejeitos de minerao de ferro, sendo que 34

    milhes de m desses rejeitos foram lanados ao meio ambiente com o rompimento e os

    16 milhes de m restantes esto sendo carreados, aos poucos, em direo ao mar, no

    Estado do Esprito Santo, razo pela qual o desastre ambiental continua em curso.

    Os rejeitos contidos na barragem do Fundo eram lanados no local

    no apenas pela Samarco Minerao S/A, mas, tambm, pela Vale S/A, especificamente

    em relao ao Processo DNPM n. 930.193/1982, conforme Relatrio de Vistoria anexo

    elaborado pelo Departamento Nacional de Produo Mineral (DNPM).

    Inicialmente, esse rejeito atingiu a barragem de Santarm, logo a

    jusante, causando seu galgamento e forando a passagem de uma onda lama por 55 km

    no Rio Gualaxo do Norte at desaguar no Rio do Carmo. Em seguida, a onda de gua e

    lama atingiu a localidade de Bento Rodrigues, causando mortes e destruio do

    povoado.

    A gigantesca onda de gua e lama percorreu os rios Gualaxo e Carmo,

    entrando no curso do Rio Doce, onde percorreu cerca de 680 km at sua foz em

    Linhares-ES. No caminho percorrido, a onda de lama destruiu comunidades, estruturas

    urbanas, reas de preservao permanente, alterou de forma drstica a qualidade da

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    gua, levando ao extermnio da biodiversidade aqutica, incluindo a ictiofauna, e

    tambm de indivduos da fauna silvestre.

    Para melhor ilustrar, seguem algumas fotografias do cenrio anterior e

    posterior ao rompimento da barragem:

    Fotografia 01: disposio das barragens no complexo minerrio antes do rompimento:

    Fotografia 02: barragem de Fundo aps o rompimento:

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    Os nveis de turbidez da gua levaram interrupo das atividades

    econmicas e do abastecimento de gua dos municpios com captaes nos rios

    atingidos. Alm das vtimas fatais e dos feridos, ao longo do trecho afetado, foram

    constatados danos ambientais e sociais diretos, tais como a destruio de moradias e

    estruturas urbanas, destruio de reas de preservao permanente, isolamento de

    comunidades, mortandade de animais de produo, impacto em plantaes nas reas

    rurais, restries pesca, danos sade, mortandade da fauna silvestre e domstica,

    dificuldade de gerao de energia eltrica pelas hidreltricas atingidas, suspenso do

    abastecimento de gua e danos s reas ambientalmente sensveis.

    O relatrio preliminar de avaliao dos danos ambientais elaborado

    pela Coordenao Geral de Emergncias Ambientais CGEMA da Diretoria de

    Proteo Ambiental DIPRO do Ibama (ANEXO) avalia, qualifica e detalha os

    inmeros danos ambientais causados pelo evento catasfrfico. A NOTA TCNICA n

    24/2015/CEPTA/DIBIO/ICMBIO (ANEXO), por sua vez, detalha as consequncias

    parciais na biodiversidade aqutica da bacia do Rio Doce, provocadas pelo rompimento

    da barragem do Fundo.

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    Os anexos referidos demonstram, cabal e indistutivelmente, que o

    rompimento da barragem de Fundo trouxe consequncias ambientais e sociais graves,

    em um desastre que atingiu mais de 680 km de corpos dgua nos estados de Minas

    Gerais e Esprito Santo, alm de impactos regio estuarina do Rio Doce e regio

    costeira.

    Entre as reas especialmente protegidas atingidas pelo desastre,

    merece destaque o Parque Estadual do Rio Doce, Stio Ramsar1 desde fevereiro de

    2010. Com rea total de 35.976 hectares, e a 300 m de altitude, a maior rea contnua

    de Mata Atlntica preservada em Minas Gerais, formando, com o Pantanal

    Matogrossense e o sistema Amaznico, os trs maiores sistemas de lagos do pas, com o

    sistema mineiro recebendo a denominao de depresso interplanltica do Rio Doce,

    constituda por cerca de 42 lagoas. A lama de rejeitos oriunda do acidente e em

    suspenso na calha principal do rio afeta esse sistema de lagoas e as florestas ciliares.

    Entre os danos socioambientais decorrentes do rompimento da

    barragem do Fundo esto, conforme detalhado nos documentos que instruem esta

    petio inicial:

    a) Destruio de habitat e extermnio da ictiofauna em toda a extenso dos rios

    Gualaxo, Carmo e Doce, perfazendo 680 km de rios;

    b) Contaminao da gua dos rios atingidos com lama de rejeitos de minrio;

    c) Suspenso do abastecimento pblico nas principais cidades banhadas pelo Rio

    Doce;

    d) Suspenso das captaes de gua para atividades econmicas, propriedades rurais e

    pequenas comunidades;

    e) Assoreamento do leito dos rios e dos reservatrios das barragens de gerao de

    energia;

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    f) Soterramento das lagoas e nascentes adjacentes ao leito dos rios;

    g) Destruio