O co-relato Mallarmé-Haroldo

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Análise Tradução de Un coup de dés por Haroldo de Campos

Text of O co-relato Mallarmé-Haroldo

  • PONTIFCIA UNIVERSIDADE CATLICA DE SO PAULO PUC-SP

    Srgio Guilherme Cabral Bento

    O co-relato Mallarm / Haroldo de Campos: O mito moderno em Um lance de dados

    PROGRAMA DE ESTUDOS PS-GRADUADOS EM LITERATURA E CRTICA LITERRIA

    SO PAULO 2008

  • SRGIO GUILHERME CABRAL BENTO

    O co-relato Mallarm / Haroldo de Campos: O mito moderno em Um lance de dados

    Dissertao apresentada Banca Examinadora da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo, como exigncia parcial para obteno do ttulo de Mestre em Literatura e Crtica Literria sob a orientao do Profa. Dra. Olga de S.

    SO PAULO

    2008

  • Autorizo, exclusivamente para fins acadmicos e cientficos, a reproduo total ou parcial desta dissertao por processos de fotocopiadoras ou eletrnicos. Assinatura:______________________ Local e data: _____________________

    BENTO, Srgio Guilherme Cabral O co-relato Mallarm / Haroldo de Campos: o mito moderno em Um lance de dados. So Paulo: [s.n.], 2008. 120 f. Dissertao (Mestrado em Literatura e Crtica Literria) Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo, 2008. Orientadora: Profa. Dra. Olga de S

    1. Teoria Literria. 2. Poesia moderna. CDD 811

  • FOLHA DE APROVAO

    Srgio Guilherme Cabral Bento

    O co-relato Mallarm / Haroldo de Campos: O mito moderno em Um lance de dados

    Dissertao apresentada Banca Examinadora da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo, como exigncia parcial para obteno do ttulo de Mestre em Literatura e Crtica Literria sob a orientao do Profa. Dra. Olga de S.

    BANCA EXAMINADORA

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    So Paulo 2008

  • Rosa, anti-rosa, no a do poema nem a do bouquet: qualisigno do amor.

  • AGRADECIMENTOS

    A minha famlia, pelo apoio. CAPES, pelo financiamento. Ao programa de ps-graduao em Literatura e Crtica Literria da PUC/SP, em especial professora Olga de S, pela valiosa orientao. s professoras Leda Tenrio da Motta e Viviana Bosi, pelo enriquecimento crtico.

  • Pode conceber-se que haja mitos muito antigos, mas no eternos; pois a histria que transforma o real em discurso, ela e s ela que comanda a vida e a morte da linguagem mtica. Longnqua ou no, a mitologia s pode ter um fundamento histrico, visto que o mito a fala escolhida pela histria: no poderia de modo algum surgir da natureza das coisas.

    Roland Barthes

    A angstia de Kierkegaard, o cuidado de Heidegger, o sentimento do nufrago, tanto em Mallarm como em Karl Jaspers, o Nada de Sartre no so seno sinais de que volta a Filosofia ao medo ancestral ante a vida que devorao. Trata-se de uma concepo matriarcal do mundo sem Deus.

    Oswald de Andrade

  • Resumo

    BENTO, Srgio Guilherme Cabral. O co-relato Mallarm / Haroldo de Campos: o

    mito moderno em Um lance de dados. 2008. 120 f. Dissertao (Mestrado) Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo, So Paulo, 2008.

    Em seu conceito moderno, o mito um paradigma comportamental, um sistema semiolgico

    de algum referente externo. Baseado nisto, este trabalho sustenta que o poema Um lance de dados, de Stphane Mallarm, adquire status mtico, quer pelo seu carter cosmognico comumente ignorado pela crtica quer pela sua inovao formal fato que o consagrou, e sob cujo prisma unicamente lembrado. Em virtude disso, sofreu ao longo do sculo XX um

    processo de mitificao ao ser promovido condio de uma das mais importantes fontes de

    inspirao da poesia recente e contempornea. Para que tal abordagem fosse possvel, buscou-

    se delimitar o estudo do texto proposto em correlao com sua recriao em lngua

    portuguesa, feita por Haroldo de Campos. Tal dilogo traduo/original no apenas atualiza o

    mito Um lance de dados pelo valor ritualstico que possui o ato de traduzir, mas tambm permite anlise uma aproximao da contemporaneidade. Como instrumento de exegese, as

    teorias da Gestalt princpios de organizao da forma; mxima de que o todo no a mera soma das partes, mas possui uma qualidade diferenciada destas; e o fenmeno da correlao

    psiconeural na percepo visual humana asseguraram que a obra fosse considerada em sua totalidade, enquanto entidade visual, verbal e sonora. Deste modo, chegou-se concluso que

    Um lance de dados um relato da (re-) criao do Universo, do ser humano e da Arte no sob a conduo de uma fora divina, mas gerada pelo pensamento humano, novo fator-chave

    na sociedade iluminista-burguesa da Modernidade. Est formado o mito moderno.

    Palavras-chave: Mito Stphane Mallarm Haroldo de Campos Gestalt

  • Abstract

    BENTO, Srgio Guilherme Cabral. The correlation Mallarm / Haroldo de Campos: the modern myth in A throw of the dice.2008. 120 p. Dissertation (Masters Degree) Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo, So Paulo, 2008.

    In its modern concept, the myth is a behavioral paradigm, a symbolical model of an external

    reference. Based on that, this paper defends that the poem A throw of the dice, by Stphane Mallarm, acquires such mythical status, either by its cosmogonical nature which is commonly ignored by the critics -, or by its formalistic innovations reason why it got so acclaimed. Due to that, it suffered during the XX century a mythification process, in which it

    was promoted to be elected as one of the inspirational sources of recent and contemporary

    poetry. So that such approach was possible, the study was delimitated to a comparison

    between the proposed text to its re-creation in Portuguese, done by Haroldo de Campos. This

    dialogue translation / original not only updates the myth A throw of the dice by the ritualistic value the translation process has, but also allows the analysis to get closer to the

    current times. As an instrument for this exegesis, the Gestalt theories principles of form organization; concept of whole, which is not a mere addition of its parts, but has a unique quality aggregated; and the phenomenon of psiconeural correlation in human visual

    perception ensure that the poem will be considered in its totality, as a verbal, visual and sound entity. In short, it has been concluded that the poem A throw of the dice is a tale of the (re-) creation of the Universe, the human being and the Art, not under the guidance of a

    divine power, but generated by the human thinking, key factor in the new illuminist bourgeois

    society in Modern Age. The modern myth is formed.

    Keywords: Myth Stphane Mallarm Haroldo de Campos Gestalt

  • Sumrio

    1. INTRODUO ......................................................................................................... 11

    2. O MITO MALLARMAICO .................................................................................. 17

    2.1 A Modernidade ......................................................................................................... 17

    2.2 A arte da Modernidade ............................................................................................ 24

    2.3 A Literatura da Modernidade ................................................................................. 29

    2.4 A Modernidade de Mallarm ................................................................................... 35

    3. O MITO HAROLDIANO ...................................................................................... 53

    3.1 Mallarm e a Modernidade Tardia ......................................................................... 53

    3.2 A teoria da transcriao ........................................................................................... 57

    3.3 O Un Coup de ds transcriado .............................................................................. 61

    4. O MITO UM LANCE DE DADOS ................................................................. 67

    4.1 Kant e Husserl .......................................................................................................... 67

    4.2 A escola de Berlim .................................................................................................... 69

    4.3 Princpios de organizao da forma ........................................................................ 71

    4.4 Outros estudos gestlticos ........................................................................................ 75

    4.5 Crticas Gestalt ...................................................................................................... 77

    4.6 A concepo gestltica da Arte ................................................................................ 78

    4.7 O Um lance de dados enquanto estrutura gestltica ........................................... 80

    4.8 O todo (ou a pr-Gestalt) ......................................................................................... 83

    4.9 Pgina Um ................................................................................................................ 85

    4.10 Pgina Dois ............................................................................................................. 87

    4.11 Pgina Trs ............................................................................................................. 89

    4.12 Pgina Quatro......................................................................................................... 93

    4.13 Pgina Cinco .....................................................