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  • www.abrafin.org.br ASSUNTO: PARECER TCNICO EM RESPOSTA A DEMANDA JUDICIAL

    EMENTA: PARECER TCNICO-CIENTFICO SOBRE O PEDIASUIT

    INTERESSADO: CREFITO-8

    1. RELATRIO

    O presente documento versa sobre a solicitao do Senhor Presidente do

    CREFITO-8, Dr. Abdo Augusto Zeghbi, Associao Brasileira de Fisioterapia

    Neurofuncional (ABRAFIN) para elaborao de parecer tcnico sobre o tratamento

    PediaSuit, tendo como objetivo esclarecer sobre sua comprovao cientfica e diretrizes

    clnicas para utilizao desse recurso teraputico.

    2. FUNDAMENTAO TCNICO-CIENTFICA

    2.1. CONCEITO

    O conceito bsico do PediaSuit similar ao das demais terapias intensivas com o

    uso de vestes especiais, cordas elsticas e unidades de terapia universal: criar uma

    unidades de suporte para alinhar o corpo o mais prximo do fisiolgico, restabelecendo

    o correto alinhamento postural e da descarga de peso, que so fundamentais na

    adequao do tnus muscular e na funo sensorial proprioceptiva e vestibular. (XAVES;

    SANTOS, 2015).

    2.2. HISTRICO

    A veste original, referida como Penguin suit, foi desenvolvida pelo programa

    espacial russo na dcada de 1960 para neutralizar os efeitos negativos da gravidade

    zero, incluindo atrofia muscular e osteopenia, e manter condicionamento fsico

    neuromuscular durante a ausncia de peso experimentada por astronautas (MARTINS

    et al., 2016, BAR-HAIM et al., 2006).

    O Adeli suit, nome dado a veste que incorporou um prottipo de um dispositivo

    desenvolvido pelo programa espacial russo para crianas com PC, e o tratamento

    associado a esta (conhecido como AST) foram introduzidos em 1991 (MARTINS et al.,

  • www.abrafin.org.br 2016, BAR-HAIM et al., 2006), redefinidos por Semenova, em 1997, e popularizados pelo

    Centro de Reabilitao EuroMed em Mielno, Polnia (MARTINS et al., 2016).

    Desde ento, esta rtese dinmica foi difundida em diferentes pases e

    denominaes distintas tm sido utilizadas de acordo com seus respectivos protocolos

    (por exemplo, Adeli Suit, TheraSuit e PediaSuit) (MARTINS et al., 2016).

    As diferenas entre esses protocolos no so claras na literatura, e a maioria das

    intervenes usam uma combinao de vestes com fisioterapia intensiva (sesses com

    durao de 2-4 horas, 5 ou 6 dias/semana, mais de 3 ou 4 semanas) (MARTINS et al.,

    2016).

    Vale ressaltar que o tratamento baseado em trs princpios:

    (1) O efeito da veste (trabalhando contra cargas de resistncia, aumento da

    propriocepo e realinhamento);

    (2) A fisioterapia diria intensiva durante 1 ms; e

    (3) A participao motora ativa do paciente (MARTINS et al., 2016).

    Semenova (1997) argumentou que este mtodo, chamado de "correo

    proprioceptiva dinmica", reduziria as sinergias patolgicas, restauraria as sinergias

    musculares normais, e aplicaria cargas musculatura antigravitacional que iriam

    normalizar as entradas aferentes vestbulo-proprioceptivo.

    2.3. APLICAO

    O PediaSuit est indicado para o tratamento de indivduos com distrbios

    neurolgicos, como paralisia cerebral (PC), atrasos de desenvolvimento, leses cerebrais

    traumticas, autismo e outras condies que afetam as funes motoras e/ou cognitivas

    de uma criana (SCHEEREN et al., 2012).

    Segundo Scheeren et al. (2012), a histria documentada do Protocolo PediaSuit

    d suporte ao seu uso para indivduos com doenas musculares debilitantes e

    complicaes musculares degenerativas.

    As terapias intensivas com o uso de vestes especiais, cordas elsticas e unidades

    de terapia universal so consideradas apropriadas para o tratamento de indivduos de 2

    anos de idade at a idade adulta (MARTINS et al., 2016).

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    No que tange s crianas com PC, os estudos disponveis na literatura cientfica

    incluram crianas com PC em diferentes nveis de gravidade (de acordo com o Sistema

    de Classificao da Funo Motora Grossa - GMFCS - nveis I, II, III, IV e V), subtipos

    (espstica, ataxia, e discintica) e distribuio topogrfica dos sinais motores

    (hemiplegia, diplegia e quadriplegia) (MARTINS et al., 2016). No entanto, vale lembrar

    que se recomenda fortemente a participao motora ativa do paciente, um dos

    princpios das terapias intensivas com o uso de vestes especiais, cordas elsticas e

    unidades de terapia universal (SEMENOVA, 1997).

    2.4. FUNDAMENTAO

    O protocolo do PediaSuit foi publicado por Scheeren et al. (2012) que

    permaneceram dois meses observando os cuidados prestados em uma clnica com

    fisioterapeutas treinados pela equipe do Protocolo PediaSuit (EUA). Um dos autores

    deste estudo, Leonardo Oliveira, fez parte da equipe que desenvolveu o Protocolo do

    PediaSuit. Neste sentido, segundo os autores a descrio apresentada nesse artigo pode

    ser entendida como um documento normativo para a padronizao do protocolo. Os

    demais autores contriburam na organizao e sistematizao da descrio detalhada do

    protocolo.

    O mtodo de tratamento intitulado por Scheeren et al. (2012) como Protocolo

    PediaSuit combina os melhores elementos de vrias tcnicas (BREHM; HARLAAR;

    SCHWARTZ, 2008, DEUTSCH et al., 2008, PALISANO; COPELAND; GALUPPI, 2007,

    TSORLAKIS et al., 2004, KETELAAR et al., 2001, WOOD; NICOL; THULIN, 1998) e mtodos

    (SEMENOVA, 1997, BAR-HAIM et al., 2006, ALAGESAN; SHETTY, 2010, TSORLAKIS et al.,

    2004), e tem uma base racional na fisiologia do exerccio.

    O tratamento com o Protocolo PediaSuit agrega a fisioterapia intensiva, sendo

    composto de um mximo de quatro horas de terapia por dia, cinco dias por semana,

    durante trs ou quatro semanas (SCHEEREN et al., 2012). A recente publicao de Bailes

    (2016) relata que a frequncia da terapia de 5 dias por semana, durante 3 a 4 semanas,

    a durao da interveno de 2-4 horas assim como a intensidade da interveno, ou

    seja, o quo difcil o trabalho desempenhado pela criana dentro da interveno, no

  • www.abrafin.org.br so bem descritas em nenhum dos estudos. No entanto, os conhecimentos atuais sobre

    os princpios do aprendizado motor e recuperao motora preconizam uma frequncia

    de terapia de no mnimo de trs vezes por semana, com durao de pelo menos 1 hora

    por dia, e intensidade progressiva dentro das capacidades do indivduo (SHUMMAY-

    COOK & WOOLLACOTT, 2010). Vale ressaltar que a intensidade no deve ser muito fcil

    nem muito difcil para no desmotivar o indivduo, devendo estar no limtrofe de uma

    tarefa desafiadora, porm possvel de ser realizada. Este parmetro pode ser graduado

    de diferentes formas, como frequncia cardaca, carga mxima levantada, nmero de

    repeties por minuto, capacidade em realizar a tarefa ou o quanto a criana est

    engajada na sesso. Outra considerao ao relatar o quo difcil o trabalho

    desempenhado pela criana dentro da sesso se deve ser uma classificao geral para

    toda a sesso ou para cada atividade realizada (BAILES, 2016).

    Os tipos de atividades no foram especificados de forma consistente nos

    protocolos de estudo. No entanto, os programas so conhecidos por inclurem um

    protocolo exigente que envolve: trabalho contra a resistncia aplicada pela veste;

    participao motora ativa; melhorar o alinhamento; exerccios de fortalecimento; e

    praticar atividades funcionais (BAILES, 2016).

    Alguns protocolos, como o caso do PediaSuit, incluem o uso da unidade

    universal (ou gaiola) de exerccios para fortalecimento de grupos musculares especficos

    e para a prtica de atividades funcionais (MARTINS et al., 2016, BAILES, 2016). Essas

    gaiolas podem ser usadas de duas maneiras: a gaiola do macaco usa um sistema de

    roldanas e pesos para isolar e fortalecer os msculos especficos; e a gaiola de aranha'

    usa um cinto e cordas elsticas, para ajudar o posicionamento vertical ou praticar muitas

    outras atividades que normalmente requerem o apoio de mais terapeutas.

    O Protocolo PediaSuit composto por quatro etapas sequenciais: (Fase 1)

    Aquecimento e Alongamento - composta por quatro etapas em sequncia, sendo elas:

    (1) Estimulao sensorial; (2) Presso profunda; (3) Alongamentos; (4) Movimentao

    ativo-assistida e propriocepo; (Fase 2) Suit; (Fase 3) Gaiola do macaco "; e (Fase 4)

    "gaiola de aranha" (SCHEEREN et al., 2012).

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    Para maiores informaes sobre cada uma das fases, consultar o artigo de

    Scheeren et al. (2012) ou o captulo escrito por Xaves e Santos (2015) para o Programa

    de Atualizao Profisio Fisioterapia Neurofuncional.

    2.5. EVIDNCIA CIENTFICA

    Frange, Silva e Filgueiras (2012) conduziram uma reviso da literatura para

    determinar se o programa intensivo de fisioterapia utilizando a roupa com elsticos

    produzia desfechos benficos para indivduos com dficits neurolgicos. Para tal, foi

    realizada uma pesquisa bibliogrfica nas bases de dados Medline, PEDro, Lilacs e Scielo,

    sem restrio de data, nas lnguas portugus, ingls e espanhol, por trabalhos que

    documentassem o uso do recurso e da vestimenta. Dados foram extrados de forma

    padronizada de cada estudo. Onze estudos, sendo 4 revises, 6 ensaios clnicos e 1

    estudo de caso foram revisados. A diversidade dos protocolos, das caractersticas dos

    participantes (quanto idade, ao tempo de leso e gravidade dos comprometimentos

    neurolgicos) e dos instrumentos utilizados impediu o agrupamento dos resultados, no

    entanto, a sntese em nveis de evidncia demonstrou que a eficcia da tcnica ainda

    no

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