REVISTA Nº 0 - Maio 2013 Revista Democracia N Nesta edição Brasil D NDNIA ... Para o diálogo promissor…

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  • DemocraciaSocialistaR E V I S T A N 0 - Maio 2013

    revoluo

    antirracismoCrise mundial

    Nes

    ta e

    di

    o

    Brasil

    Direito De tenDnciasocialismo

    TENDNCIA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

    www.democraciasocialista.org.br.

    Revi

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  • R E V I S T A

    DemocraciaSocialista

    So Paulo, Maio de 2013

  • Revista Democracia Socialista uma publicao quadrimestral da Democracia Socialista (DS), tendncia interna do Partido dos Trabalhadores, dirigida exclusivamente aos filiados e filiadas do Partido dos Trabalhadores.

    Revista Democracia Socialista. So Paulo, Associao Caets, Nmero 0, maio de 2013QuadrimestralISSN 2317-577X

    EditorJoaquim Soriano

    Coordenao editorialMarisa Mello

    Grupo de trabalho editorialClarice Paradise Claudio Puty Elmano Freitas Joo Gabriel Juarez Guimares Marilane Teixeira Nalu Faria Raul Pont

    Projeto grfico e diagramaoCaco Bisol

    www.democraciasocialista.org.br

    Coordenao Nacional da DSAfonso Florencelvaro AlencarAna JuliaAnderson CamposAndrea ButtoArlete SampaioArno AugustinBernardo CotrimBeto BastosBia SantiagoCaio GalvoCarla BezerraCarlos HenriqueCarlos PestanaChico VicenteClarissa CunhaCludio Puty

    Cledisson Junior (Jacar) Conceio DantasEduardo TadeuEliane SilveiraEstevo CruzFabiola PaulinoGabriel MedinaGilberto NevesGilmar SantiagoGino CesarHerbert FlorenceJoanna ParolliJoaquim SorianoJos Cirilo da CostaJuarez GuimaresLenilda Lima Lucio CostaLuizianne LinsMarcelo FragozoMarcia FernandesMargarida SalomoMarlei FernandesMauro RezendeMiguel RossettoNalu FariaNeuza CadorePepe VargasRaimundo AngeloRaul PontDr. RosinhaRobinson AlmeidaShirleiSofia CavedonRafael FreireRosane SilvaRosana SouzaTatau GodinhoTatiana CibeleTiciana StudartVnio dos Santos

  • SuMRIo

    5 APRESENTAo

    7 uMA REVISTA MARXISTA

    PARA A REVoLuo DEMoCRTICA

    27o PT, A DS E o DIREITo DE TENDNCIA

    41A CRISE MuNDIAL E o BRASIL

    59A DIMENSo ANTIRRACISTA NA CoNSTRuo

    DA REVoLuo BRASILEIRA

  • Revista deMocracia SocialiSta i NMero 0 i Maio 2013 5

    chegou a Revista Democracia Socialista! com enorme ale-gria que apresentamos ao conjunto de militantes do PT, dos movimentos sociais e da esquerda o resultado de um bom debate no interior da tendncia, concludo na I Plenria Na-cional da Democracia Socialista, realizada em Braslia, em de-zembro de 2012

    A Revista ter uma verso impressa e tambm estar disponvel no Portal da Democracia Socialista (www.demo-craciasocialista.org.br).

    Este nmero zero apresenta o projeto poltico edi-torial e um conjunto de outros textos que tm um forte componente de afirmao da identidade poltica da corren-te. Para o dilogo promissor que pretendemos, na troca de experincias e prticas diversas, sempre voltados para encon-trar os caminhos da revoluo, a afirmao da identidade

    APRESENTAo

  • Revista deMocracia SocialiSta i NMero 0 i Maio 20136

    tem o sentido justo de abrir-se para a crtica, para a consti-tuio de um campo comum de debate com todos e todas militantes que sabem que outro mundo possvel, e que, mais que isso, urgente faz-lo.

    o primeiro texto apresenta os fundamentos que nor-teiam a criao desta revista, o seu projeto poltico e editorial.

    o texto sobre a DS, o PT e o direito de tendncia re-afirma a democracia interna como um dos elementos fun-damentais do PT e o quanto as correntes de opinio so um instrumento fundamental de iniciativa e debate no interior do Partido, desde sua origem. Esta prtica positiva e indita decisiva na manuteno da unidade partidria.

    o terceiro artigo apresenta a dinmica da crise inter-nacional, o fim da longa hegemonia neoliberal e as possibili-dades que se abrem neste contexto para a construo de um novo modelo de Estado, de solidariedade social, feminista e multitnico.

    o ltimo texto ressalta a importncia da dimenso antirracista na construo da revoluo democrtica brasi-leira. Junto marca histrica da escravido, os negros e ne-gras construram a resistncia, organizando-se para comba-ter o racismo em suas dimenses econmica e simblica. o combate ao racismo e a luta pela promoo da igualdade ra-cial se combinam com a luta mais ampla pela transformao radical da sociedade.

    Joaquim Soriano, editorSo Paulo, maio de 2013

  • Revista deMocracia SocialiSta i NMero 0 i Maio 2013 7

    ao aprovar em sua X Conferncia Nacional As diretrizes de um programa para a revoluo democrtica, a tendncia Democracia Socialista do PT abriu para si, e em dilogo com o Partido dos Trabalhadores, um novo e promissor perodo de possibilidade de fuso entre o marxismo revolucionrio e a cul-tura do partido.

    As teses aprovadas na X Conferncia Nacional da DS identificaram um novo perodo da luta de classes a partir de quatro vitrias estratgicas estabelecidas contra o neolibera-lismo no pas e da crise internacional, sem perspectivas de so-luo no horizonte, do neoliberalismo, como expresso pol-tica de um perodo de globalizao.

    A partir deste diagnstico, as teses propuseram o es-foro histrico da construo do programa da revoluo de-

    uMA REVISTA MARXISTA PARA A REVoLuo DEMoCRTICA

  • Revista deMocracia SocialiSta i NMero 0 i Maio 20138

    mocrtica, entendida como um perodo de superao dos impasses estruturais capitalistas e dos limites liberais da de-mocratizao do Estado brasileiro, diagnosticados aps os anos de grande transformao do Brasil a partir dos gover-nos Lula. A tese propunha diretrizes exatamente por conce-ber que a elaborao do programa da revoluo democrtica deveria ser fruto da prpria prxis transformadora dos(as) trabalhadores(as) e do povo brasileiro, das mulheres e dos negros, com o protagonismo do PT e das foras de esquerda em seu pluralismo de tradies e experincias.

    Em seu item 14, as teses da X Conferncia concla-mavam: um programa da revoluo democrtica dialoga e prope a construo de um novo ascenso dos movimen-tos sociais, um novo protagonismo da cidadania ativa, uma nova conscincia cidad alinhada aos valores do socialismo democrtico no Brasil. Este novo e mais alto ascenso recla-ma um novo ethos socialista democrtico do PT, dos parti-dos da esquerda brasileira e dos prprios movimentos sociais que estruturam este bloco histrico. este novo bloco hist-rico em formao que pode sustentar um processo de revo-luo democrtica no Brasil.

    com este novo ascenso dos valores do socialismo de-mocrtico que a fundao pela Democracia Socialista de uma revista marxista revolucionria quer se relacionar, como espa-o de dilogo e criao, de teoria e prtica, de tradio revo-lucionria e abertura para os novos desafios do sculo XXI, de reflexo sobre a experincia nacional e interlocuo com as grandes experincias internacionais de emancipao em cur-so, em particular as latino-americanas.

    Se os tempos de clera do neoliberalismo foram anos sombrios de resistncia do socialismo e de uma infinita pres-so sobre as culturas do marxismo, os tempos do ps-neolibe-

  • Revista deMocracia SocialiSta i NMero 0 i Maio 2013 9

    ralismo podem e devem ser os tempos criativos de um socialis-mo democrtico e de um marxismo revolucionrio renovados e enriquecidos em seu esforo de autocrtica e reelaborao terica, em sua indignao com as opresses capitalistas e em sua esperana de que uma nova ordem mundial possvel.

    uM MarxiSMo revolucioNrio Para oS teMPoS do PS-NeoliberaliSMo

    Como tendncia marxista revolucionria, a Demo-cracia Socialista tomou conscincia logo no incio dos anos 1990, aps a queda da uRSS, engolfada em uma direo ne-oliberal, da presso inaudita aberta sobre a cultura do socia-lismo e, em particular, sobre o marxismo enquanto teoria ex-plicativa do capitalismo e propositora de sua revoluo.

    De acordo com os liberais, o marxismo estaria mor-to, seria um passado e um erro brutal. Apesar das intenes eventualmente libertrias de seu criador, a sua teoria, cujos desdobramentos histricos teriam aclarado, seria a principal responsvel por legitimar as opresses totalitrias e seus cri-mes histricos contra a humanidade.

    o valor da liberdade e da emancipao que pulsa to forte em toda a obra de Marx e Engels, todas as imensas con-tribuies histricas das tradies marxistas formao dos direitos que compem o ncleo mesmo do que entendemos como conquistas civilizatrias da democracia, em todos os campos, dos direitos do trabalho aos direitos da mulher, do direito autodeterminao nacional soberania popular, to-das as dignas e riqussimas tradies antistalinistas do marxis-mo, clssicas e contemporneas, tudo isso foi esquecido neste perodo histrico de mxima saturao liberal, com seus dog-matismos e seu estreitamento intelectual.

  • Revista deMocracia SocialiSta i NMero 0 i Maio 201310

    Mas era apenas o incio dos tempos neoliberais, em sua pretenso de ter finalizado a histria, de ser o alfa e o mega da civilizao, de ter proscrito da histria todas as culturas al-ternativas ou adversrias. Durante este perodo, com seu do-mnio mercantil e poder poltico, os liberais exerceram com intolerncia e obscurantismo os procedimentos de censura e excluso, de perseguio e antema at mesmo ao ponto de reescrever a histria , para negar ao marxismo e ao pluralismo de suas tradies o direito cidadania cultural.

    Nestes tempos de perseguio cultural e de crise, muitas editoras marxistas fecharam suas portas, cursos universitrios marxistas ou marxizantes foram proscritos, jornais e revistas socialistas sob presso deixaram de existir, circuitos interna-cionais foram interrompidos, tradies de dignidade histrica sofreram descontinuidade. Tornado refro propagandstico, o antimarxismo ocupou totalitariamente a mdia empresarial, calou vozes, censurou jornalistas e articulistas, pregou a into-lerncia como mtodo.

    Em meio a esta presso antipluralista