Teoria e Prática em Recuperação de Áreas Degradadas ... e... · Teoria e prática em recuperação…

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Teoria e prtica em recuperao de reas degradadas:plantando a semente de um mundo melhor

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Teoria e prtica em recuperao de reas degradadas:plantando a semente de um mundo melhor

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Teoria e prtica em recuperao de reas degradadas:plantando a semente de um mundo melhor

A semente tornou-se o lugar e o smbolo da liberdade nessa poca de manipulao e monoplio de suadiversidade. Ela faz o papel da roda de fiar de Gandhi no perodo da recolonizao pelo livre comrcio. Aroda de fiar tornou-se um importante smbolo de liberdade no por ser grande e poderosa, mas por serpequena; ela podia adquirir vida como sinal de resistncia e criatividade nas menores cabanas e nas maishumildes famlias. Seu poder reside na sua pequenez. A semente tambm pequena. Ela incorpora adiversidade e a liberdade de continuarmos vivos... Na semente a diversidade cultural converge com abiolgica.Questes ecolgicas combinam-se com a justia social, a paz e a democracia.Vandana Shiva

Semente...A coisinha colocada dentro, seja da mulher / me,seja me terra, e a gente fica esperando, para ver se o milagre aconteceu.

E quando germina seja criana, seja planta uma sensao de euforia,de fertilidade, de vitalidade.Tenho vida dentro de mim!

E a gente se sente um semideus, pelo poder de gerar,pela capacidade de despertar o cio da terra.

Rubem Alves

O termo semear (do latim seminare) significa deitar ou espalhar sementes de, para que germinem;espalhar ou deitar sementes em; publicar, produzir, causar, ocasionar, estimular, promover, fomentar; ouainda, colocar aqui e ali, sem ordem, encher, alastrar, juncar.Dicionrio Aurlio

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1 Introduo............................................................................................... 07

1.1 Histrico....................................................................................... 07

1.2. Objetivo........................................................................................ 07

2 reas degradadas: formas e exemplos de degradao............................... 08

3 Conceitos bsicos de recuperao, reabilitao e restaurao.................... 10

4 A importncia da mata ciliar...................................................................... 11

5 Formas de recuperao da mata ciliar....................................................... 12

5.1 Sucesso Ecolgica: a recuperao natural.................................... 13

5.2 Procedimentos bsicos para o sucesso do reflorestamento............. 13

5.3 Modelos para recuperao de reas degradadas............................. 16

6 Escolhendo as Espcies para o Plantio: Viveiros florestais no Estado

de So Paulo............................................................................................ 19

7 Resumo dos passos para a elaborao de projetos em reflorestamento..... 20

8 Bibliografia................................................................................................ 21

9 Sugestes de sites na Internet para leitura complementar e consultas......... 21

- Anexo I - Resoluo SMA 21

- Anexo II - Resoluo SMA 47

- Anexo III - Listagem das espcies / biomas / regies ecolgicas

- Anexo IV - Quadro de endereos dos viveiros

- Anexo V - Planilha de lanamento de valores bsicos em projetos de

recuperao florestal

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1 Introduo

1.1. Histrico

Problemas como o assoreamento dos rios, inundaes e deslizamentos causados pela degradao florestalno so recentes. De acordo com a literatura, tem-se conhecimento que j em 1200 a.C., na ilhamediterrnea de Chipre, o uso excessivo de carvo vegetal para fundio de metais causou problemasdessa espcie. Antes da idade moderna, diversas atividades econmicas insustentveis tambm culminaramna degradao ambiental. Mas foi apenas a partir do incio do sculo passado, que esse processo tornou-se mais intenso atingindo quase todo o planeta.

O processo de ocupao do Brasil caracterizou-se desde o seu descobrimento em 1500, pelo modelopredatrio que levou a uma rpida destruio de grande parte dos recursos naturais, em especial asnossas florestas. No incio a grande atrao foi o pau-brasil, depois vieram os ciclos econmicos do acare do caf que acabaram por dizimar a Mata Atlntica. Esgotados os recursos na faixa litornea, o processode degradao se transferiu para o Cerrado onde a expanso das fronteiras agrcolas j destruiu quase60% da sua cobertura vegetal original e a Amaznia que contabiliza 17% de reduo das suas florestas.

Segundo projees divulgadas em setembro pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica, em34 anos, a populao brasileira praticamente dobrou em relao aos 90 milhes de habitantes da dcadade 1970 e, somente entre 2000 e 2004, aumentou em 10 milhes de pessoas. Em 2050, seremos quase260 milhes de brasileiros. As projees reaquecem as discusses sobre o aumento da populao e seuefeito sobre o meio ambiente.

Questes como a expanso das fronteiras agrcolas e a instalao no planejada de infra-estrutura deenergia e transporte nos estados da regio norte figuram no centro das preocupaes de especialistas.Levantamentos feitos pela Conab - Companhia Nacional de Abastecimento demonstram que a rea deproduo de soja nos cinco estados do Norte do pas (PA, AM, RO, RR, TO), pressionadas pelo crescimentopopulacional, passou de 209,7 para 347 mil hectares na ltima safra, uma expanso de 65%. Alm dasoja, a pecuria outra atividade que pressiona o desmatamento na regio amaznica.

Paradoxalmente, neste perodo, o Brasil contou com o forte apoio da sociedade civil organizada com osmovimentos ambientalistas, dos meios de comunicao e consolidou um conjunto de leis ambientais bastantergidas. O Cdigo Florestal uma destas leis e define uma srie de reas de preservao obrigatria(permanente).

Nos ltimos anos cresceu o nmero de iniciativas de reflorestamento, no entanto, pesquisadores do projetoModelos de Repovoamento Vegetal para Proteo de Sistemas Hdricos em reas Degradadas dos DiversosBiomas no Estado de So Paulo, financiado pela Fapesp, constataram um fato preocupante, ao avaliaremprojetos de reflorestamento em andamento: os cientistas encontraram uma quantidade de espcies bemmenor do que a esperada para a regio, o que indica considervel perda de patrimnio gentico.

Na avaliao dos responsveis pelo projeto, isso vem ocorrendo, principalmente, porque a diversidade deespcies plantadas baixa e, em muitos casos, no se adaptaram regio. Da a importncia de umestudo prvio das espcies que habitavam a regio a ser reflorestada e da manuteno adequada dasmudas no campo, questes que sero tratadas em detalhes neste material .

1.2. Objetivo

A proposta deste material oferecer subsdios para a anlise e execuo de estudos, projetos e aesrelacionadas recuperao de reas degradadas fundamentados em conceitos desenvolvidos porespecialistas e aceitos pela comunidade cientfica. Sero amplamente discutidas as normas fixadas peloCdigo Florestal e as recentes resolues da Secretaria do Meio Ambiente no tocante recuperao dereas degradadas, recentemente modificadas em funo de pesquisas sobre o assunto. Estaremosapontando referncias bibliogrficas tcnicas, fontes de consulta e leitura de apoio sobre os principaisprocedimentos e para o desenvolvimento de projetos nessa rea.

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2. reas degradadas: formas e exemplos de degradao

Em termos gerais, qualquer alterao causada pelo Homem no ambiente gera, em ltima anlise, algumtipo de degradao ambiental. Na pesquisa para elaborao deste material, constatamos que as definiesde rea degradada e degradao ambiental variam muito de acordo com o referencial. O Guia de Recuperaode reas Degradadas, publicado pela SABESP, (2003, p. 4) define degradao ambiental, como sendo asmodificaes impostas pela sociedade aos ecossistemas naturais, alterando (degradando) as suas caractersticasfsicas, qumicas e biolgicas, comprometendo, assim, a qualidade de vida dos seres humanos.

Em Meio Ambiente: Aplicando a Lei, Neves e Tostes (1992, p. 20) colocam a seguinte definio para o ato dedegradar: Degradar deteriorar, estragar. o processo de transformao do meio ambiente que leva perdade suas caractersticas positivas e at sua extino. Os autores lembram que, ao longo do tempo, tantoaqueles que exercem atividades econmicas, quanto o Poder Pblico, tm provocado degradao ambiental.Com relao ao Estado so citadas as seguintes fontes de degradao: as estatais poluidoras, ms gestesde saneamento, e incentivos fiscais a atividades degradantes (como foi observado com o incentivo pecuria na regio amaznica).

J Luis Enrique Snchez (Desengenharia, 2001, p.82) define a degradao do solo, como um termo maisamplo do que poluio (do solo), englobando: (i) a perda de matria devido eroso ou a movimen