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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE IPORÁ-GO DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA A PARTICIPAÇÃO POPULAR NA ELABORAÇÃO E REFORMULAÇÃO DE PLANOS DIRETORES: UM ESTUDO DE CASO EM IPORÁ-GO Nome: Elaine Dias Oliveira Orientador: Washington Alves IPORÁ-GO NOVEMBRO/2014

A Participação Popular Na Elaboração de Planos Diretores Um Estudo de Caso Em Iporá-go

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geografia

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  • UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIS

    UNIDADE UNIVERSITRIA DE IPOR-GO

    DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

    A PARTICIPAO POPULAR NA ELABORAO E REFORMULAO DE PLANOS

    DIRETORES: UM ESTUDO DE CASO EM IPOR-GO

    Nome: Elaine Dias Oliveira

    Orientador: Washington Alves

    IPOR-GO

    NOVEMBRO/2014

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    ELAINE DIAS OLIVEIRA

    A PARTICIPAO POPULAR NA ELABORAO E REFORMULAO DE PLANOS

    DIRETORES: UM ESTUDO DE CASO EM IPOR-GO

    Trabalho de concluso de curso apresentado a coordenao

    adjunta de pesquisa e coordenao adjunta de TCC em geografia

    da universidade Estadual de Gois-Campus Ipor como requisito

    parcial para obteno do grau de licenciatura em geografia.

    Orientador: Washington Silva Alves

    IPOR-GO

    NOVEMBRO/2014

  • SUMRIO

    Introduo-----------------------------------------------------------------------------------

    O crescimento populacional no Brasil--------------------------------------------------

    O Plano Diretor como mecanismo de reforma urbana--------------------------------

    A Participao da sociedade na elaborao do plano diretor-------------------------

    Metodologia---------------------------------------------------------------------------------

    Resultados-----------------------------------------------------------------------------------

    Concluso -----------------------------------------------------------------------------------

    Referncias----------------------------------------------------------------------------------

    Anexo----------------------------------------------------------------------------------------

  • A PARTICIPAO POPULAR NA ELABORAO E REFORMULAO DE PLANOS

    DIRETORES: UM ESTUDO DE CASO EM IPOR-GO

    POPULAR PARTICIPATION IN THE PREPARATION OF PLANS AND REFORMING

    DIRECTORS: A CASE STUDY IN IPOR-GO

    Elaine Dias Oliveira1

    Washington Silva Alves2

    Resumo: O presente estudo tem por objetivo demonstrar se o plano diretor da cidade de Ipor-GO

    contemplou os princpios bsicos da participao popular durante sua elaborao. Para o

    desenvolvimento dessa pesquisa foram realizadas pesquisas bibliogrficas em livros, artigos,

    dissertaes, etc. que abordaram o tema. Posteriormente, foi realizada uma pesquisa campo para

    aplicao de questionrios quantitativos a populao. Os dados obtidos foram tabulados em

    planilhas eletrnicas e transformado em grficos. Os resultados demonstraram que no houve

    efetiva participao popular durante o processo de elaborao do plano diretor municipal.

    Palavra-chave: Gesto Participativa. Polticas Pblicas. Plano Diretor.

    Abstract: This study aims to demonstrate that the master plan of the city of Ipor-GO contemplated

    the basic principles of public participation during its preparation. For the development of this

    research literature searches were conducted in books, articles, dissertations, etc. about the topic.

    Subsequently, a search was conducted for field application of quantitative questionnaires

    population. Data were tabulated in spreadsheets and converted into graphs. The results showed that

    there was no effective public participation during the preparation of municipal master plan.

    Keywords: Participatory Management. Public Policy. Master Plan.

    1. Introduo

    A partir de um acelerado crescimento populacional desordenado no setor urbano, foram se

    agravando e gerando novos problemas de ordem social, ambiental, econmico e entre outros, que as

    aes do poder pblico no conseguiu amenizar, chegando ao extremo descaso perante algumas

    cidades brasileiras, formando em um mesmo espao cidades planejadas e padronizadas e cidades

    clandestinas e ilegais, sendo estas desprovidas de servios pblicos.

    Ao longo das dcadas foram desenvolvidos planos e programas para tentar controlar as

    complicaes que surgiam nas cidades, mas que no atendiam as reais necessidades sociais, tendo a

    populao carente vistas obrigadas a viver em cidades ilegais.

    Entretanto atravs da conquista da reforma urbana, por mobilizaes e reivindicaes

    estabeleceu na Constituio Federal de 1988 nos arts. 182 e 183 um captulo especfico para a

    poltica urbana brasileira, efetivando a execuo do plano diretor nos Municpios.

    1Graduanda em Geografia pela UEG Campus de Ipor 2 Professor do Curso de Geografia da UEG Campus de Ipor e orientador do trabalho

  • Aps a aprovao do Estatuto da Cidade, Lei n 10.257/2001 que regulamenta os art. 182 e

    183, assegura-se no art. 2 a gesto democrtica por meio da participao popular nas decises

    acerca dos problemas e necessidades urbanas, tendo o pleno direito participativo no processo de

    elaborao do plano diretor.

    Este presente trabalho tem o fim de esclarecer a real situao da gesto participativa popular

    na elaborao do plano diretor do Municpio de Ipor, objetivando analisar a importncia da

    participao popular na gesto urbana e, em especial na elaborao de planos diretores, a fim de

    expor que o planejar de uma cidade depende de todos para que haja a funcionalidade e organizao

    que a necessita.

    2. O Crescimento Populacional no Brasil

    Entre 1930 a 1970, houve um elevado crescimento populacional em algumas cidades do

    Brasil, o que certamente se deve em razo da industrializao iniciada com a Revoluo Poltica de

    1930 sob a era do governo de Getlio Vargas, sendo intensificado no governo de Juscelino

    Kubitschek, na dcada de 1950. Em 1970, a revoluo verde promoveu intensas modificaes no

    campo com a modernizao da agricultura, que consequentemente, acelerou o xodo rural, o que

    contribuiu para o rpido crescimento da populao urbana no Brasil (SANTOS, 1999).

    A figura 1 demonstra o crescente aumento da concentrao da populao na zona urbana

    entre os anos de 1940 a 1991, refletindo os resultados da expanso demogrfica da populao

    brasileira no perodo.

    Figura 1 Taxa de urbanizao da populao brasileira 1940 1991 Fonte: IBGE; Anurios estatsticos do Brasil (1995)

  • 5

    Como demonstrado no grfico, a elevada taxa de urbanizao no Brasil advm dos avanos

    da cincia, da industrializao entre outros fatores que, proporcionou uma nova era de progresso na

    modernizao do ambiente urbano.

    Mas a partir de pessoas que migravam da zona rural para a urbana em busca de seus direitos

    sociais, como, educao, sade, alimentao, direitos previdencirios, proteo maternidade e

    infncia, assistncia social, entre outros, os quais no se encontravam no meio rural, desenvolveu no

    setor urbano o agravamento e surgimento de problemas ordem social e ambiental.

    Com a falta de planejamento e organizao no espao urbano fugia do controle do Poder

    Pblico, problemas que resultavam na formao de reas urbanas com fragmentos espaciais

    notveis.

    Para Santos (1996, p. 29)

    Entre 1940 e 1980, d-se verdadeira inverso quanto ao lugar de residncia da populao

    brasileira. H meio sculo (1940), a taxa de urbanizao era de 26,35%, em 1980 alcana

    68,86%. Nesses quarenta anos, triplica a populao do Brasil, ao passo que a populao

    urbana se multiplica por sete vezes e meia.

    A partir deste desencadeamento da expanso populacional, o Brasil utilizava de planos

    urbansticos cujos modelos eram adotados da Europa, entre as dcadas de 1930 a 1950. Sendo

    executados no pas para um modelo de cidade perfeita, tinha o intuito de resolver a problemtica

    do setor urbano, mas que no entanto, no cumpriram com os fins almejados, priorizando apenas o

    embelezamento e remodelao das cidades, no atendendo aos reais problemas que iam se

    eclodindo (VILLAA 1999).

    Ribeiro e Pontual (2009, p. 11) afirmam que:

    A soluo para a crise gerada pela urbanizao e pela falta de infraestrutura nas cidades era

    apontada, pela primeira vez, como uma funo do planejamento urbano. [..] para pensar

    esse desafio, foi realizado ento um Seminrio de Reforma Urbana, em 1963, no qual foram

    discutidas e analisadas diretrizes, o que resultou em um documento em que foi proposta a

    criao de um rgo responsvel pela poltica urbana.

    Apontando o marco inicial das tentativas do governo para a soluo da situao, Ribeiro e

    Pontual (2009), demonstram a postura adotada no mbito federal para a efetivao de uma reforma

    urbana, o que se pretendeu inicialmente com a criao do Servio Federal de Habitao e

    Urbanismo (SERFHAU).

    O governo federal criou, em 21 de agosto de 1964, da Lei n 4.380, o Servio Federal de

    Habitao e Urbanismo (SERFHAU) que durou dez anos. Entre as atribuies do SERFHAU,

    destacam-se a de promover pesquisas e estudos relativos ao dficit habitacional, aspectos do

  • planejamento fsico, tcnico e socioeconmico da habitao, bem como a de assistir aos municpios

    na elaborao ou adaptao de seus Planos Diretores s normas tcnicas a serem estabelecidas de

    acordo com as peculiaridades das diversas regies do pas3.

    O extinto SERFHAU era um rgo federal que passou a comandar a poltica urbana no pas,

    dando suporte aos municpios que apresentavam um maior ndice de crescimento, e que assim,

    careciam da elaborao de planos para gerir o espao urbano. O Plano de Desenvolvimento

    Integrado (PDI), desenvolvido nos anos de 1960 pelo SERFHAU teve por objetivo a estruturao

    do planejamento urbano.

    Para Helena (1988, p. 70):

    Um dos principais documentos elaborados pelo SERFHAU, foi o roteiro para a elaborao

    do Plano de Desenvolvimento Local Integrado, que serviu de base para a elaborao dos

    planos que contaram com financiamentos federais. Esses planos, com diferencial dos

    anteriores, o objetivo de integrao dos aspectos locais com os aspectos fsicos- territoriais,

    com os aspectos scio- econmicos, administrativos, financeiros e legais.

    Para Gondim e Moreira (2005), o SERFHAU era uma estratgia voltada para o

    planejamento urbano a fim de promover e ordenar o crescimento populacional, mas um modelo

    autoritrio e excludente, pois impunha um tratamento semelhante para todas as cidades, no

    levando em considerao o nvel econmico, social, e poltico de cada regio e municpio mesmo

    sentido, para Braga (1995), os PDIs elaborados pelo extinto SERFHAU eram realizados por

    especialistas da administrao privada, com a ideologia de cunho tecnocrata que separavam a gesto

    do planejamento, ou seja, os planos eram elaborados nos gabinetes dos escritrios e meramente

    distribudos entre as cidades brasileiras, no levando em considerao a realidade local de cada

    municpio, ou o contexto regional o qual estava inserido.

    Alm disso, inexistia qualquer tipo de participao popular nas decises resultantes das

    elaboraes dos planos, o que se apresenta de forma negativa, pois a populao quem vive diria e

    pessoalmente a realidade local.

    O que se percebe at esse momento o surgimento de novos mtodos e paradigmas de

    planejamentos urbanos aplicados nos municpios brasileiros, com o intuito de resolver os

    conhecidos problemas de planejamento urbano frente ao crescimento populacional desorganizado,

    porm, pouco foi colocado efetivamente em prtica, pois os problemas urbanos foram se

    maximizando durante o passar dos anos, e se agravou diante da ineficcia das anteriores medidas

    adotadas pelo poder pblico.

    Fato que os planos at ento desenvolvidos pelo governo brasileiro no conseguiam

    3 Art. 55. O Servio Federal de Habitao e Urbanismo ter as seguintes atribuies:

    a) promover pesquisas e estudos relativos ao dficit habitacional, aspectos do planejamento fsico, tcnico e

    socioeconmico da habitao; [...], n) assistir aos municpios na elaborao ou adaptao de seus Planos Diretores s

    normas tcnicas a que se refere o item anterior.

  • 7

    controlar os problemas gerados pelo acelerado crescimento urbano. Com a frustrao de um, logo

    elaborava-se outro, sem depender de maiores estudos e pesquisas tcnicas a respeito do caos

    urbano. Cada vez que um tipo de plano fracassa outro era inventado para tomar seu lugar. [..]

    dezenas e dezenas de planos foram elaborados como vimos, mas eles podem ter conseguido tudo,

    menos reduzir o caos e os problemas urbanos [...] (VILLAA, 1999, pg 227).

    Deste modo, pode-se observar que os ndices elevados do crescimento urbano, resultantes da

    revoluo de 1930 e do xodo rural, causaram srios problemas de urbanizao (como uso e

    ocupao indevida do solo, transporte, sade, habitao), e que as polticas pblicas desenvolvidas

    pelo setor pblico no foram suficientes para sequer amenizar as dificuldades encontradas no

    espao urbano.

    Com a Constituio Federal de 05 de outubro de 1988, um captulo exclusivo destinado a

    tratar da poltica urbana brasileira foi estabelecido, o qual composto de dois artigos (arts. 182 e

    183).

    Criaram-se princpios bsicos a serem aplicveis, passando a exigir a elaborao de planos

    diretores nas cidades com mais de 20 mil habitantes. A inteno a de, por meio do planejamento

    do espao urbano e rural, proporcionar a melhoraria no acesso aos servios pblicos, o combate s

    desigualdades e o bem-estar dos cidados

    3. O Plano Diretor como mecanismo de reforma urbana

    A Constituio de 1988, foi o resultado de foras estabelecidas pelo processo de

    mobilizao social, que reivindicava a redemocratizao no pas, sistema de governo no aplicvel

    durante a vigncia do golpe militar de 1964. A participao popular foi decisiva para a

    instaurao da nova ordem constitucional, as quais tinham por objetivo a reforma urbana, e

    princpio bsico, a democracia.

    Neste sentido, na Constituio Federal de 1988 foi definida no Art. 182 e 183 a competncia

    dos municpios para estabelecerem polticas urbanas adequadas de acordo com suas necessidades

    locais, e que deveriam atender ao pleno desenvolvimento das funes sociais da cidade garantindo o

    bem-estar de seus habitantes.

    Diante da efetivao da reforma urbana brasileira, estabeleceu o pargrafo 2 do art. 182,

    que os municpios que contem com mais de vinte mil habitantes, devem, obrigatoriamente, instituir

    o denominado Plano Diretor, que aprovado pela cmara municipal, constitui um dos instrumentos

    bsicos e determinantes para o planejamento da expanso urbana.

    O plano diretor um instrumento bsico da poltica de desenvolvimento e expanso urbana

    na esfera municipal, e tem o objetivo, o pleno desenvolvimento das funes sociais da cidade,

  • propiciando o bem-estar e qualidade de vida dos cidados, instrumento este utilizado na busca dos

    interesses e efetivado de acordo com a realidade local (FRANA, 2006).

    O plano diretor tambm uma obrigatoriedade estabelecida pelo Estatuto da Cidade (Lei

    10.257/2001), que enfatiza:

    Art. 41. O plano diretor obrigatrio para cidades:

    I - com mais de vinte mil habitantes;

    II - integrantes de regies metropolitanas e aglomeraes urbanas;

    III - onde o Poder Pblico municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no 4o do

    art. 182 da Constituio Federal;

    IV - integrantes de reas de especial interesse turstico;

    V - inseridas na rea de influncia de empreendimentos ou atividades com significativo

    impacto ambiental de mbito regional ou nacional.

    VI - includas no cadastro nacional de Municpios com reas suscetveis ocorrncia de

    deslizamentos de grande impacto, inundaes bruscas ou processos geolgicos ou

    hidrolgicos correlatos4.

    Apesar de ter sido estabelecido de forma obrigatria em 1988, o plano diretor somente se

    tornou uma realidade nos Municpios brasileiros a partir da vigncia do Estatuto da Cidade (Lei

    10.257/2001), que no seu art. 2 inc. II, definiu no plano nacional a gesto democrtica participativa

    da populao na elaborao do plano diretor, conferindo autonomia aos municpios para legislarem

    acerca de seus interesses locais, junto aos agentes pblicos, empresrios e a populao, garantindo

    assim, um equilbrio dos interesses pblicos primrios e do setor privado.

    Porm, Villaa (2005) faz uma crtica ao Plano Diretor, pois afirma que a realidade em que

    os municpios brasileiros vivenciam, h uma inoperncia deste instrumento urbanstico, tendo-se, na

    prtica, um completo descaso, no s por parte do poder pblico, mas tambm pela falta de

    participao da sociedade, dos grupos e entidades de classe.

    4. A Participao da Sociedade na elaborao do Plano Diretor

    A participao popular, segundo a Constituio e o Estatuto, no fica restrita apenas em uma

    fase do plano diretor, mas sim em todas as fases de sua elaborao.

    [...] desde o direito de iniciativa popular de apresentao de propostas e emendas ao plano, de audincias pblicas como requisitos obrigatrios, de consulta pblica por meio de

    referendo ou plebiscito mediante a solicitao da comunidade (ESTATUTO DAS

    CIDADES, 2001, p. 51).

    Portanto, durante a construo dos planos diretores obrigatria a realizao de audincias

    4 BRASIL. LEI No 10.257, DE 10 DE JULHO DE 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituio Federal,

    estabelece diretrizes gerais da poltica urbana e d outras providncias. Disponvel em:

    Acesso em: 13 out 2014.

  • 9

    pblicas e consultas populao local por parte do Poder Executivo em conjunto com o Poder

    Legislativo Municipal.

    O Executivo e o Legislativo Municipal tm a obrigao de promover audincias pblicas e

    debates com a populao e associao representativas dos vrios segmentos da

    comunidade, seja no processo de elaborao do plano diretor, como tambm no seu

    processo de sua implementao. A constituio, ao dispor expressamente das associaes

    representativas, reconhece o direito poltico de participao como um direito coletivo da

    comunidade. (ESTATUTO DA CIDADE, 2002, p. 51).

    O Estatuto da Cidade tambm estabelece em seu artigo 43, critrios que priorizam a

    participao da sociedade no processo de elaborao do plano diretor nos Municpios, determinando

    inclusive, a obrigatoriedade da realizao de debates, audincias pblicas, conferncias e outros

    (FILHO JOS, 2001, p. 27).

    Art. 43. Para garantir a gesto democrtica da cidade, devero ser utilizados, entre outros, os

    seguintes instrumentos:

    I - rgos colegiados de poltica urbana, nos nveis nacional, estadual e municipal;

    II -debates, audincias e consultas pblicas;

    III - conferncias sobre assuntos de interesse urbano, nos nveis nacional, estadual e

    municipal;

    IV - iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos de

    desenvolvimento urbano;

    Portanto, a participao da populao na elaborao do Plano Diretor de grande

    importncia para o planejamento urbano do municpio. No entanto, preciso lembrar sempre da

    distncia imensa que separa discurso da prtica entre ns. Invariavelmente, os textos dos Planos

    Diretores so sempre muito bem-intencionados, afirmando uma cidade para todos, harmnica,

    sustentvel e democrtica (Maricato, (S/D).

    A prtica no entanto, mostra a realidade existente no cenrio das polticas pblicas em nosso

    pas, o que lastimvel. Muito se deve ao descaso do poder pblico, que permanece inerte em

    desenvolver solues para os problemas que se alastram devido a falta de planejamento nas cidades,

    afetando diretamente o processo de urbanizao, e os direitos sociais referentes ao exerccio da

    cidadania.

    Dada a importncia que sobressai das polticas pblicas a serem praticadas atravs do plano

    diretor, de fundamental importncia a participao ativa de uma sociedade civil organizada em sua

    elaborao, fiscalizao e efetivao.

    Certamente a falta de informao por parte da sociedade civil sobre o que represente na

    prtica o plano diretor, e suas implicaes que pode acarretar em suas vidas, circunstncia

    inexistente, tendo na elaborao deste instrumento urbanstico a no-participao do povo.

    Democratizar as decises fundamental para transformar o planejamento da ao

  • municipal em trabalho compartilhado entre os cidados e assumido pelos cidados, bem

    como para assegurar que todos se comprometam e sintam-se responsveis e

    responsabilizados, no processo de construir e implementar o Plano Diretor (ROLNIK,

    2005, p.14).

    Por democracia, deve-se entender a possibilidade do povo, exercer influncia nas decises

    polticas tomadas pelo Estado. o sistema de governo Federativo adotado no Brasil, mesmo tendo a

    disposio um precioso mecanismo de participao popular, ser que o povo utiliza de modo

    efetivo, com o fim de alterar a realidade que o circunda?

    Para Villaa (S/D), a participao da populao percebida de forma superficial em

    audincias e debates pblicos, porque os objetivos dos planos diretores so alcanados a mdio e

    longo prazo, e grande parcela da populao no percebe a utilidade prtica do instrumento de

    reforma urbana, tendo em vista estarem ansiosos por resultados imediatos. Enxergando a realidade

    social que afasta a massa populacional do planejamento dos instrumentos de reforma urbana, bem

    identificou Villaa (op. cit., p. 50).

    O que raramente aparece que os grupos e classes sociais tm no s poderes poltico e

    econmico muito diferentes, mas tambm diferentes mtodos de atuao, diferentes canais

    de acesso ao poder e, principalmente algo que se procura sempre esconder diferentes interesses. Evidentemente num pas desigual como o Brasil, com uma abismal diferena de

    poder poltico entre as classes sociais, conseguir uma participao popular democrtica que pressuporia um mnimo de igualdade difcil. Essa a principal razo da Iluso da Participao Popular. Assim, os debates pblicos seriam apenas a ponta de um iceberg, ou seja, aquilo que no aparece muito maior do que a aponte que aparece.

    O que se percebe na prtica em se tratando de instrumentos de modificao da poltica

    urbana, que no existe a populao, o que existem so classes sociais ou setores ou grupos da

    populao. As classes dominantes sempre participaram da elaborao e implantao de polticas

    pblicas, inclusive dos planos diretores e dos planos e leis de zoneamento. Quem nunca participou

    foram e continuam sendo as classes dominadas, ou seja, a maioria (VILLAA, 2005).

    5. Metodologia

    Localizao da rea de estudo

    Esta pesquisa foi desenvolvida na cidade de Ipor-GO, localizada no mesorregio Oeste

    Goiano a 220 km da capital Goinia-GO entre as coordenadas 16 24' 00'' e 16 28' 00'' S, 51

    04'00' e 51 09' 00'' O (Figura 2).

  • 11

    Figura 2 Localizao da rea de estudo Fonte: SIEG (2014)

    Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica - IBGE (2010), o Brasil

    possua uma populao de 190.732.694 milhes pessoas, da qual cerca de 160.925.792 residiam em

    reas urbanas e apenas 29.830.007 na zona rural.

    As estimativas do IBGE (2014) para o municpio de Ipor de 32.169 habitantes, destes

    28.545 residem na rea urbana e 2.729 na rea rural. Atualmente, a populao urbana de Ipor est

    distribuda em 66 bairros e o nmero de lotes e as taxas de ocupao variam de bairro para bairro;

    do total de lotes distribudos pelos 66 bairros da cidade, apenas 51,5% esto ocupados (ALVES,

    2014).

    O bairro mais antigo o Setor Central, criado em 1949, e que, atualmente, possui 96,32% de

    sua rea ocupada; o bairro mais novo o residencial Brisa da Mata, criado em 2008, que,

    atualmente, possui 0,90% de sua rea ocupada (PREFEITURA MUNICIPAL, 2013).

    Ipor a maior cidade do Oeste Goiano, sendo sede de vrios rgos pblicos regionais,

    como a SEFAZ (Secretaria da Fazenda do Estado de Gois), Secretaria Regional de Sade,

    Secretaria Regional de Educao, IBGE, CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de

    Gois), INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), UEG (Universidade Estadual de Gois), IFG

    (Instituo Federal Goiano) e possui trs hospitais e quatro agncias bancrias que atendem a regio.

  • Procedimentos metodolgicos

    Inicialmente foi realizada uma reviso bibliogrfica em livros, artigos, dissertaes, etc. que

    tratavam sobre a poltica urbana brasileira, plano diretor e a gesto participativa. Posteriormente

    foram elaborados questionrios de natureza quantitativa que foram aplicados a populao

    iporaenses com a finalidade de investigar sua percepo em relao ao plano diretor e a gesto

    participativa.

    O questionrio quantitativo foi aplicado a 315 habitantes, que corresponde a mais de 1% da

    populao total do municpio. Foi definido como pblico-alvo os habitantes com mais de 28 anos

    de idade, que eram maiores capazes em 2008, quando iniciou o processo de elaborao do Plano

    Diretor de Ipor-GO. Em razo da indisponibilidade de tempo os questionrios no foram

    estendidos a um maior nmero de habitantes.

    Inicialmente os dados obtidos junto a populao foram organizados em tabelas eletrnicas,

    disponibilizadas pelo software Excel 20105, e por meio da ferramenta Grficos foi feito o

    tratamento estatstico convertendo os dados numricos em grficos para melhor representao das

    informaes.

    6. Resultados

    Segundo Alves (2008) em entrevista com a coordenadora tcnica responsvel pela

    elaborao do Plano Diretor de Ipor, identificou que inicialmente foi elaborado um plano diretor

    para o municpio de Ipor baseado na metodologia proposta pelo programa Cidade pra Gente, da

    Secretaria das Cidades do Estado de Gois, qual tinha por objetivo a criao do Grupo de Trabalho

    Comunitrio (GTC), que formado por pessoas da sociedade contando com representantes da zona

    urbana e da zona rural.

    Porm, foi ressaltado que a criao desse grupo de trabalho auxiliou bastante na elaborao

    do plano e que ao ser concludo a coordenao tcnica o enviou para a Cmara municipal, onde foi

    discutido em audincia pblica, mas no sendo aprovado por questes restritas do poder pblico.

    Segundo a Coordenadora Tcnica, responsvel pela elaborao do plano em 2008, [...] a

    real situao do plano diretor, elaborado junto comunidade, atualmente se encontra engavetado

    na cmara municipal de Ipor [...].

    Posteriormente, foram contratados tcnicos pelo poder legislativo e executivo para

    elaboraram o plano diretor para municpio, sem a efetiva participao da sociedade (ALVES, 2008).

    O mesmo foi aprovado e sancionado no ano de 2008 e est em vigor atualmente.

    Atravs das anlises dos resultados obtidos na pesquisa campo ficou evidente que a

    5 Marca registrada pela Microsoft

  • 13

    obrigatoriedade estipulada pela Constituio Federal de 1988 e reforada pelo Estatuto da Cidade,

    se encontra em estado de inercia no Municpio de Ipor-GO. Verificou-se atravs dos dados

    coletados pelo questionrio quantitativo que no houve preocupao em esclarecer aos cidados

    sobre a importncia da participao popular nas decises que dizem respeito a elaborao e

    reformulao do Plano Diretor do municpio.

    Os dados coletados em campo revelaram que 94% da populao entrevistada desconhece o

    assunto Plano Diretor e apenas 6% afirmaram que conhece o que um plano diretor (Figura 3). O

    desconhecimento se acentua em se tratando de pessoas que residem em bairros afastados do centro

    da cidade, as quais so as mais prejudicadas pela inexistncia do planejamento urbano municipal.

    Figura 3 Voc sabe o que plano diretor? Fonte: Oliveira (2014)

    O resultado em anlise revela um dado que se contrape ao objetivo principal pelo qual o

    plano diretor foi institudo, indo na contramo de suas finalidades. A situao mostra-se crtica, haja

    vista que o plano diretor ao longo da sua trajetria no pas, passou por vrias remodelaes no

    processo de organizao, tendo sido destinado a tratar de vrias matrias com enfoque no setor

    pblico, como servios pblicos essenciais a toda sociedade, como sade, moradia, transporte e

    educao.

    Outro fator surpreendente que 87% dos entrevistados nunca ouviram falar do plano diretor

    atravs dos meios de publicidade existentes no municpio (Figura 4).

    Vale ressaltar que no Estatuto da Cidade (2001), lei que regimenta a elaborao dos planos

    diretores no Brasil, de obrigao do poder legislativo, convocar e informar a populao sobre as

    audincias destinadas a elaborao e reformulao do plano diretor municipal, porm, apenas 13%

    dos entrevistados afirmaram ter sido informado sobre a elaborao do plano diretor do municpio

  • atravs de alguns meios de comunicao local (Figura 4).

    Figura 4: Voc j ouviu falar por meios de comunicao local sobre o plano diretor?

    Fonte: Oliveira (2014)

    Um dos pontos mais frgeis que acorre nos dias atuais a falta de esclarecimento por parte

    da sociedade que as vezes so seduzidas e manipuladas para no reivindicarem seus direitos perante

    a cidade, sem saber que os maiores prejudicados a prpria sociedade. O poder pblico aproveita

    de pessoas leigas, desprovidas de conhecimento e as iludem com meros feitos em seus bairros ou

    ruas.

    Portanto, ficou evidente que no houve interesse do poder pblico do municpio em realizar

    esclarecimentos a populao sobre o seu direito de participao na elaborao do plano diretor.

    O plano diretor de Ipor foi aprovado em 18 de dezembro de 2008 pela assessoria jurdica

    do municpio, prefeito e a cmara de vereadores com a lei complementar n 8/2008, portanto,

    somente 2% dos entrevistados disseram ter participado efetivamente da elaborao do plano diretor

    do municpio e 98% disseram no ter participado (Figura 5).

  • Figura 5: Voc participou ativamente de alguma audincia pblica relacionada a elaborao do plano diretor do

    municpio de Ipor?

    Fonte: Oliveira (2014)

    Neste sentido, vale ressaltar que o Estatuto da Cidade, no Art. 2, afirma que a gesto

    democrtica exerce por meio da participao da populao e de associaes representativas dos

    vrios segmentos da comunidade na formulao, execuo e acompanhamento de planos,

    programas e projetos de desenvolvimento urbano. Mas os dados obtidos em campo evidenciaram

    que em Ipor, durante o processo de elaborao do atual plano diretor do municpio no houve

    gesto participativa.

    Durante a coleta de dados foi possvel identificar que a populao reconhece que sem

    planejamento os problemas urbanos do municpio podero ser agravados ou at surgir novos. Dessa

    forma, 7% dos entrevistados acreditam que o plano diretor esteja em ao, porm, 97% acreditam

    que o plano diretor est engavetado, inoperante (Figura 6).

  • 17

    Figura 4: o plano diretor sendo este um instrumento urbanstico, est executado no municpio de Ipor?

    Fonte: Oliveira (2014)

    O plano diretor um dos instrumentos urbansticos que oferece vrias funes a serem

    aplicados no setor urbano em benefcio da populao e conforme os dispositivos em lei,

    estabelecido normas para serem aplicados ao interesse social, em prol do bem dos cidados, para o

    equilbrio no setor urbano. Porm, ficou demonstrado na percepo dos entrevistados que o plano

    diretor de Ipor est inoperante e no est exercendo o papel de instrumento urbanstico, com

    objetivo de atender o interesse da sociedade e minimizar as problemticas urbanas, por meio do

    planejamento das cidades.

    Concluso

    Conclui-se que a participao da populao no processo de planejamento da cidade de

    fundamental importncia, e para que se faa cumprir, o governo desenvolveu dispositivos em lei para

    que se torne efetivo a participao social na elaborao do plano diretor, instrumento urbanstico

    este, indispensvel para o funcionamento e garantia do bem - estar dos cidados. Mas essa prtica

    ainda est longe de se efetivar, devido o descaso permanente que o poder pblico demonstra em

    envolver a populao em deciso acerca dos problemas da cidade.

    Portanto fundamental, o compromisso e engajamento do poder pblico, de fazer cumprir a

    funo social da cidade e da propriedade, para que a populao se interesse na tarefa de desenvolver

    solues para problemas em seu bairro, rua ou setor e para que junto a gestores municipais faa

    valer seus direitos sociais.

    Desta maneira preciso que seja desenvolvido a incluso da sociedade civil nas polticas

    pblicas do Municpio em que residem, o que pode ser feito atravs de um longo e rduo processo

  • de conscientizao, de modo que a populao passe a participar efetivamente de tais polticas, como

    atividade do seu prprio cotidiano. A participao popular deve se tornar um costume e cotidiano da

    sociedade, pois s assim ser possvel construir uma cidade democrtica.

    Referncias

    BRASIL, Conselho nacional das cidades na viso de seus conselheiros- Instituto de Pesquisa

    Econmica Aplicada Ipea, relatrio de pesquisa. Braslia 2012, disponvel em htt: Acesso em 20 set. 2014.

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    publicado em: CADERNO DO DEPARTAMENTO DE PANEJAMENTO.

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    BRASIL, Constituio (1988). Constituio da Repblica Federativa do Brasil. Braslia, DF: Senado

    Federal, 1988.

    FRANA, Sarah Lcia Alves: A Participao Popular nos Planos Diretores Municpais:Uma

    Estratgia de Gesto Democrtica.

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    elaborao do plano diretor, Membro do Centro de Pesquisas Estratgicas Paulino Soares de Sousa da UFJF.

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    estaduais das cidades: avanos e limites na descentralizao dos canais de participao, (s/d).

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    Disponvel, em:htt://

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    2010.

  • 19

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    RIBEIRO, Cecilia, PONTUAL Virgnia: A reforma urbana nos primeiros anos da dcada de

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    importncia do plano diretor para o desenvolvimento municipal. Braslia DF: CNM, SEBRAE, 2006.

    VILLAA, Flvio: As iluses do planos diretor. So Paulo edio do autor,7 de agosto de 2005.

    VILLAA, Flvio. Uma contribuio para a histria do planejamento urbano no Brasil, org (o

    processo de urbanizao no Brasil): ano 1999.

  • Anexo

    Local:________________

    UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIS

    CAMPUS IPOR

    GRADUAO EM GEGORAFIA

    Questionrio para a finalizao do trabalho acadmico.

    Tema: Politicas Pblicas

    Voc sabe o que Plano diretor?

    ( ) sim ( ) no

    Voc j ouviu pelos meios de comunicao do municpio (rdio, internet, carro de som e outros)

    mensagens que convida a populao para participar de audincias pblicas que trataram ou trataro

    de questes relacionadas ao plano diretor?

    ( ) sim ( ) no

    Voc j participou ativamente de alguma audincia pblica relacionada a elaborao do Plano

    Diretor do municpio de Ipor?

    ( ) sim ( ) no

    Voc acredita que este instrumento urbanstico (o plano diretor) est sendo executado em nosso

    municpio?

    ( ) sim ( ) no