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Atlas de Energia Eletrica Do Brasil 3ed ANEEL

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Text of Atlas de Energia Eletrica Do Brasil 3ed ANEEL

Braslia, 2008

DIRETORIA Jerson Kelman diretor-geral Edvaldo Alves de Santana Josa Campanher Dutra Saraiva Jos Guilherme Silva de Menezes Senna Romeu Donizete Rufino diretores

2008 by titulares dos direitos da Aneel Direitos de edio da obra em lngua portuguesa em todo o mundo adquiridos pela Agncia Nacional de Energia Eltrica - Aneel. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrnico, de fotocpia, gravao etc., sem a permisso do detentor do copyright.

Agncia Nacional de Energia Eltrica - Aneel SGAN - Quadra 603 - Mdulos I e J Braslia - DF - 70830-030 Tel: 55 (61) 2192 8600 Ouvidoria: 144 www.aneel.gov.br

Catalogao na Fonte Centro de Documentao - CEDOC

A 265a 3.

Agncia Nacional de Energia Eltrica (Brasil). Atlas de energia eltrica do Brasil / Agncia Nacional de Energia Eltrica. ed. Braslia : Aneel, 2008. 236 p. : il. ISBN: 978-85-87491-10-7 1. Energia eltrica. 2. Potencial energtico. 3. Setor eltrico. 4. Atlas. 5. Brasil. I. Ttulo. CDU: 621.31(81)(084.4)

AGNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELTRICA Aneel SUPERVISO Assessoria de Comunicao e Imprensa ACI Salete Cangussu Assessora de Comunicao e Imprensa Patricia Barbosa Pinto Jornalista Joseanne Aguiar Analista Administrativa EQUIPE TCNICA Superintendncia de Regulao dos Servios de Distribuio - SRD Breno de Souza Frana Rodrigo Abijaodi Lopes de Vasconcellos Superintendncia de Fiscalizao dos Servios de Gerao SFG Alessandro DAfonseca Cantarino Superintendncia de Gesto Tcnica da Informao - SGI Adriana Lannes Souza Superintendncia de Concesses e Autorizaes de Gerao SCG Luciana de Oliveira Barcellos Ludimila Lima Superintendncia de Planejamento da Gesto - SPG Ccero Silva Teixeira Superintendncia de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficincia Energtica SPE Mximo Luiz Pompermayer Sheyla Maria Damasceno Superintendncia de Concesses e Autorizao de Transmisso e Distribuio - SCT Erison Honda Xavier / Marcelo Rodrigues Superintendncia de Fiscalizao Econmica e Financeira SFF Rogrio Ament Superintendncia de Estudos Econmicos do Mercado - SEM Patricia Trindade Dontal Superintendncia de Mediao Administrativa Setorial - SMA Andr Ruelli Secretaria Geral - SGE Jorge Luis Custodio Superintendncia de Regulao Econmica - SRE Jos Helder da Silva Lima Superintendncia de Regulao da Comercializao da Eletricidade SRC Juracy Rezende Castro Andrade Marcos Bragatto Superintendncia de Regulao dos Servios de Gerao - SRG Aymor de Castro Alvim Filho Superintendncia de Fiscalizao dos Servios de Eletricidade - SFE Jos Assad Thom Jnior Superintendncia de Regulao dos Servios de Transmisso SRT Jos Moiss Machado da Silva Gicomo Francisco Bassi Almeida Superintendncia de Gesto e Estudos Hidroenergticos SGH Matheus Bittar

PRODUO EDITORIAL E GRFICA TDA COMUNICAO www.tdabrasil.com.br Diretor Marcos Rebouas Coordenao Geral Maria Angela Jabur Engenheiro Eletricista Mauro Moura Severino Produo de Textos Maria Angela Jabur Reviso de Textos e Apoio Editorial Ana Cristina da Conceio Direo de Arte e Projeto Grfico Joo Campello Diagramao Bruna Pagy Ilustraes e Geoprocessamento Thiago dos Santos cones e Ilustrao da Capa Victor Papalleo Digitalizao e Tratamento de Originais Fernando Ely Fotografias Angra 2; ELETROBRS; ELETRONORTE; Eletronuclear; Furnas; Itaipu; PETROBRAS; STOCKExchange; TDA Comunicao.

Stock Xchng

Stock Xchng

Mensagem da Diretoria

Mensagem da Aneel

O setor eltrico brasileiro est em permanente evoluo, fruto tanto de mudanas legais e normativas quanto do avano tecnolgico. Por essa razo, a Agncia Nacional de Energia Eltrica (Aneel) periodicamente atualiza esse Atlas que contm um importante acervo de informaes sobre a infra-estrutura eltrica do pas. um desafio levar energia eltrica a mais de 61 milhes de consumidores, espalhados num territrio de dimenso continental. O Brasil superou, no ano de 2007, a marca de 100 mil megawatts (MW) em potncia instalada (75% de fonte hdrica e 25% de fonte trmica). E muito ainda pode ser feito para expandir o parque hidroeltrico, j que menos de 30% foi aproveitado! Persistimos em busca da gerao de energia eltrica a partir de fontes renovveis: em 2008 realizou-se o primeiro leilo de biomassa, energia gerada pela queima do bagao de cana-de-acar. Para isso foi necessrio licitar novas instalaes de conexo rede bsica, para

escoamento da energia produzida pelas usinas de canade-acar localizadas na regio Centro Oeste do Brasil. Numa escala ainda reduzida e experimental, tm sido criados incentivos produo de energia pela queima do lixo urbano e pela utilizao do metano associado a dejetos de sunos. Ambos projetos apontam o caminho da correta sustentabilidade ambiental, ao unir a despoluio das cidades e dos rios gerao de energia eltrica. O equilbrio entre oferta e demanda no alcanado apenas aumentando a oferta. possvel e desejvel atuar tambm pelo lado da demanda. Nesse sentido, de grande relevncia a busca da eficincia energtica. Os projetos apresentados pelas distribuidoras de energia eltrica nessa rea, desde o incio do primeiro ciclo em 1998, totalizam investimentos de mais de R$ 1,93 bilhes. Projetos que so aprovados pela Aneel e j atingiram uma economia de reduo anual na ordem de 5.597 GWh/ano no consumo de energia eltrica.

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Mensagem da Diretoria

O setor finalizou o ano de 2008 com o leilo da maior Linha de Transmisso do mundo, uma conexo eltrica de 2.400 km das usinas do Complexo do rio Madeira com o Sistema Interligado Nacional. A conta de luz embute, alm dos custos de produo e transporte de energia eltrica, mais de dez encargos setoriais (subsdios cruzados entre consumidores), todos definidos em leis, e tambm os impostos, ICMS (estadual) e federal (PIS/Cofins). O papel da Aneel regular e fiscalizar a gerao, a transmisso, a distribuio e a comercializao da energia eltrica. So centenas de empresas concessionrias,

autorizadas e permissionrias. O controle social dessa difcil tarefa ocorre por meio da transparncia de procedimentos e de informaes. A terceira edio do Atlas mais uma iniciativa de dar a visibilidade e legitimar as aes da Aneel que interferem no dia-a-dia do pas. Alm de atualizar as informaes das edies anteriores inova na apresentao do contedo, na abordagem e no aperfeioamento da identidade visual de forma a contribuir ainda mais para ampliar o conhecimento da rea de energia. Os bastidores da cadeia industrial que move a energia eltrica esto detalhadas e explicadas nessa publicao.

Boa leitura!

Jerson Kelman Diretor-geral da ANEEL

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Apresentao

Acervo TDA

Apresentao

ApresentaoDurante todo o sculo XX, a oferta farta de energia, obtida principalmente a partir dos combustveis fsseis como petrleo e carvo mineral, deu suporte ao crescimento e s transformaes da economia mundial. J nos primeiros anos do sculo atual, o cenrio mudou ao ser colocado prova por uma nova realidade: a necessidade do desenvolvimento sustentvel. A disponibilidade energtica deveria se manter compatvel com o acentuado aumento do consumo provocado por um novo ciclo de crescimento econmico, observado principalmente nos pases em desenvolvimento. Entretanto, as fontes tradicionais teriam que ser substitudas por recursos menos agressivos ao meio ambiente. Alm disso, os consumidores seriam induzidos a substituir energticos mais poluentes por outros de menor impacto ambiental e a aderir a prticas mais eficientes, por meio das quais possvel obter o mesmo resultado utilizando menor quantidade de energia. Desde o incio dos anos 90, estudiosos e cientistas alertavam para os efeitos da deteriorao ambiental provocada pela ao humana. Um deles o aquecimento global, provocado pelo elevado volume de emisses dos gases causadores do efeito estufa (GEE), particularmente o dixido de carbono (CO2), liberado em larga escala nos processos de combusto dos recursos fsseis para produo de calor, vapor ou energia eltrica. Outro a possibilidade de esgotamento, no mdio prazo, das reservas de recursos naturais mais utilizadas. Entre elas, carvo mineral e petrleo. Do ponto de vista econmico, este ltimo, por sinal, durante quase uma dcada foi caracterizado pela volatilidade e tendncia de alta das cotaes (que superaram US$ 100,00 por barril em 1980 e, mais recentemente, em 2008), o que se revelou como um forte estmulo para as iniciativas de substituio por outras fontes. A atividade de produo de energia e, particularmente, da energia eltrica - ingressou no sculo XXI, portanto, em busca do desenvolvimento sustentvel, conceito que alia a expanso da oferta, consumo consciente, preservao do meio ambiente e melhoria da qualidade de vida. o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da gerao atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras geraes. o desenvolvimento que no esgota os recursos para o futuro. Em outras palavras: o desafio reduzir o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, ser capaz de suportar o crescimento econmico que, entre outros desdobramentos, proporciona a incluso social de grandes contingentes da populao, com o aumento da gerao de renda e da oferta de trabalho. Esse processo, que estava em pleno desenvolvimento durante o ano de 2008, retratado na presente edio do Atlas de Energia Eltrica do Brasil, produzido pela Agncia Nacional de Energia Eltrica (Aneel). Envolve tanto polticas de governos quanto investimentos realizados pelas empresas do setor em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). E dever ser mantido e aperfeioado ao longo dos prximos anos. Ao final de 2008, ocasio da concluso desta edio, eram incertos o ritmo e os avanos que esse processo registrar no curto e mdio prazos. As duas variveis dependero do impacto que a crise do sistema financeiro mundial, que eclodiu no ms de setembro, ter sobre os setores produtivos e, em consequncia, sobre o ritmo

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Apresentao

da atividade econmica e sobre os volumes de investimentos destinados a pesquisa e inovaes tecnolgicas por parte das companhias que integram a cadeia produtiva da energia. Na ponta da produo, o foco atingir a diversificao e, ao mesmo tempo, a limpeza da matriz energtica. As iniciativas abrangem tanto solues para o aumento da eficincia dos processos quanto a reduo dos custos das fontes renovveis como vento, sol, mar e biomassa, entre outras, de forma a torn-las comercialmente viveis. Na ponta do consumo, o que se verifica so medidas que induzem o consumidor a utilizar as fontes ambientalmente mais limpas, como a produo de automveis flex-fuel - o que acarretou a expanso do consumo do etanol, do qual o Brasil o segundo maior produtor mundial - e a criao do mercado de energia verde em alguns pases europeus. Alm disso, h os projetos de eficincia energtica, implantados junto aos consumidores tradicionais, e os programas de universalizao do atendimento, que buscam conectar novos clientes - geralmente de baixa renda e habitantes de comunidades distantes dos grandes centros - a sistemas eltricos. As medidas abrangem todas as formas de utilizao de energia calor, vapor e eltrica e so adotadas por praticamente todos os pases. Os mais adiantados nessa direo pertencem ao grupo das chamadas naes desenvolvidas (Japo, pases da Europa e Estados Unidos) que, tambm, so os mais dependentes dos combustveis fsseis. Mas as iniciativas tambm podem ser observadas nos pases em desenvolvimento. Entre eles insere-se o Brasil que, embora seja bastante dependente do petrleo, em 2007 conseguiu transformar a biomassa na segunda maior fonte produtora de energia local e obtm a maior parte da energia eltrica consumida proveniente de recursos hdricos e, portanto, renovveis e ambientalmente limpos. Razo pela qual o Atlas de Energia Eltrica, ao mesmo tempo em que tem o foco no mercado brasileiro, aborda a conjuntura e o cenrio internacionais da energia, particularmente a energia eltrica. Na primeira parte, a publicao dividida em dois captulos. Um deles, Caractersticas Gerais, demonstra a importncia da energia para as atividades humanas, descreve a estrutura do setor de eltrico brasileiro e apresenta dos caminhos da energia do Brasil: gerao, transmisso e distribuio. O segundo, Consumo, insere o comportamento do mercado consumidor local e mundial na conjuntura econmica verificada nos ltimos anos.

O foco principal do Atlas, entretanto, so os recursos energticos e a gerao de energia eltrica. A segunda parte da edio concentra-se em fontes renovveis energia hidrulica, biomassa e o grupo chamado de Outras Fontes. A terceira tem como destaque os combustveis fsseis (gs natural, derivados de petrleo e carvo) e a energia nuclear. Todos os captulos seguem a mesma estrutura: partem das informaes gerais a respeito do recurso; explicam as suas principais caractersticas; abrangem disponibilidade, produo e consumo no mundo e detalham o mercado brasileiro com foco na produo da eletricidade. Esta estrutura uma das inovaes na produo da 3 edio do Atlas de Energia Eltrica. A verso aperfeioada da ltima edio, lanada em 2005 foi possvel devido a outra inovao: a estruturao de uma equipe multidisciplinar selecionada por meio de um processo transparente de concorrncia, e composta por jornalistas especializados (encarregados da coordenao editorial, pesquisa e texto), acadmicos (responsveis pela coordenao e reviso tcnica) e publicitrios (diagramao, arte, paginao e impresso). Como fontes de informao foram utilizadas trabalhos, pesquisas e estatsticas produzidos por entidades reconhecidas no Brasil e no exterior, pela tradio, respeitabilidade e especializao no trato de dados sobre o mercado de energia. A relao detalhada poder ser encontrada ao final de cada captulo, sob a forma de Referncias. Tambm foram consultadas entidades autoras de estudos e estatsticas do mercado global e cujas informaes esto presentes em praticamente todos os captulos. Para obteno de dados sobre o setor energtico e eltrico brasileiro, alm de trabalhos e pesquisas produzidos por entidades setoriais foram utilizados estudos do mercado geral de energia. A adoo do Glossrio com os principais termos tcnicos uma forma de facilitar ainda mais o aprendizado sobre os temas abordados. Ao final, tambm foi inserida uma tabela comparativa entre as principais medidas utilizadas no mercado de energia. Com isso, o Atlas de Energia Eltrica do Brasil, edio 2008, alm de apresentar um panorama do mercado destinado a profissionais dos diversos segmentos do setor, se transforma-se em fonte de consulta para estudantes e interessados em obter maior conhecimento a respeito do assunto.

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

SumrioPARTE I Energia no Brasil e no mundo 1 CARACTERSTICAS GERAIS 1.1 INFORMAES BSICAS 1.2 CARACTERSTICAS DO SISTEMA ELTRICO BRASILEIRO 1.3 DISTRIBUIO 1.4 TRANSMISSO 1.5 GERAO 2 CONSUMO 2.1 INFORMAES GERAIS 2.2 CONSUMO DE ENERGIA NO MUNDO 2.3 CONSUMO DE ENERGIA NO BRASIL PARTE II Fontes renovveis 3 ENERGIA HIDRULICA 3.1 INFORMAES GERAIS 3.2 POTENCIAIS, PRODUO E CONSUMO NO MUNDO 3.3 POTENCIAIS E GERAO HIDRELTRICA NO BRASIL 3.4 SUSTENTABILIDADE E INVESTIMENTOS SOCIOAMBIENTAIS 4 BIOMASSA 4.1 INFORMAES GERAIS 4.2 DISPONIBILIDADE, PRODUO E CONSUMO DE BIOMASSA 4.3 GERAO DE ENERGIA ELTRICA NO BRASIL 4.4 SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO TECNOLGICO 49 51 54 57 60 63 65 69 70 73 17 21 22 23 28 34 37 39 41 44

5 OUTRAS FONTES 5.1 INFORMAES GERAIS 5.2 ENERGIA ELICA 5.3 ENERGIA SOLAR 5.4 BIOGS 5.5 GEOTRMICA 5.6 MAR PARTE III Fontes no-renovveis 6 GS NATURAL 6.1 INFORMAES GERAIS 6.2 RESERVAS, PRODUO E CONSUMO NO MUNDO 6.3 GERAO DE ENERGIA ELTRICA NO BRASIL E NO MUNDO 6.4 IMPACTOS AMBIENTAIS E TECNOLOGIAS LIMPAS 7 DERIVADOS DE PETRLEO 7.1 INFORMAES GERAIS 7.2 RESERVAS, PRODUO E CONSUMO NO MUNDO 7.3 GERAO DE ENERGIA ELTRICA NO BRASIL E NO MUNDO 7.4 IMPACTOS AMBIENTAIS E TECNOLOGIAS LIMPAS 8 ENERGIA NUCLEAR 8.1 INFORMAES GERAIS 8.2 RESERVAS, PRODUO E CONSUMO NO MUNDO 8.3 GERAO DE ENERGIA ELTRICA NO BRASIL E NO MUNDO 8.4 IMPACTOS AMBIENTAIS E DESENVOLVIMENTO TECNOLGICO 9 CARVO MINERAL 9.1 INFORMAES GERAIS 9.2 RESERVAS, PRODUO E CONSUMO NO MUNDO 9.3 GERAO DE ENERGIA ELTRICA NO BRASIL E NO MUNDO 9.4 IMPACTOS AMBIENTAIS E TECNOLOGIAS LIMPAS FATORES DE CONVERSO GLOSSRIO NDICE ANEXO

75 77 79 82 86 87 88

91 93 96 100 104 105 107 110 112 115 117 119 122 124 127 129 131 134 137 140 143 145 155 159

Parte I

Acervo TDA

Energia no Brasil e no mundo

Caractersticas Gerais

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Captulo 1 | Caractersticas Gerais

Box 1

O novo modelo do setor eltricoO modelo institucional do setor de energia eltrica passou por duas grandes mudanas desde a dcada de 90. A primeira envolveu a privatizao das companhias operadoras e teve incio com a Lei no 9.427, de dezembro de 1996, que instituiu a Agncia Nacional de Energia Eltrica (Aneel) e determinou que a explorao dos potenciais hidrulicos fosse concedida por meio concorrncia ou leilo, em que o maior valor oferecido pela outorga (Uso do Bem Pblico) determinaria o vencedor. A segunda ocorreu em 2004, com a introduo do Novo Modelo do Setor Eltrico, que teve como objetivos principais: garantir a segurana no suprimento; promover a modicidade tarifria; e promover a insero social, em particular pelos programas de universalizao (como o Luz para Todos). Sua implantao marcou a retomada da responsabilidade do planejamento do setor de energia eltrica pelo Estado. Uma das principais alteraes promovidas em 2004 foi a substituio do critrio utilizado para concesso de novos empreendimentos de gerao. Passou a vencer os leiles o investidor que oferecesse o menor preo para a venda da produo das futuras usinas. Alm disso, o novo modelo instituiu dois ambientes para a celebrao de contratos de compra e venda de energia: o Ambiente de Contratao Regulada (ACR), exclusivo para geradoras e distribuidoras, e o Ambiente de Contratao Livre (ACL), do qual participam geradoras, comercializadoras, importadores, exportadores e consumidores livres. A nova estrutura assenta-se sobre muitos dos pilares construdos nos anos 90, quando o setor passou por um movimento de liberalizao, depois de mais de 50 anos de controle estatal. At ento, a maioria das atividades era estritamente regulamentada e as companhias operadoras controladas pelo Estado (federal e estadual) e verticalizadas (atuavam em gerao, transmisso e distribuio). A reforma exigiu a ciso das companhias em geradoras, transmissoras e distribuidoras. As atividades de distribuio e transmisso continuaram totalmente regulamentadas. Mas a produo das geradoras passou a ser negociada no mercado livre ambiente no qual as partes compradora e vendedora acertam entre si as condies atravs de contratos bilaterais. Alm disso, foram constitudas na dcada de 90 novas entidades para atuar no novo ambiente institucional: alm18 Atlas de Energia Eltrica do Brasil

da Aneel, o Operador Nacional do Sistema Eltrico (ONS) e o Mercado Atacadista de Energia (MAE). A Aneel sucedeu o Departamento Nacional de guas e Energia Eltrica (DNAEE), uma autarquia vinculada ao Ministrio de Minas e Energia (MME). Como agncia reguladora, em sntese tem por objetivo atuar de forma a garantir, por meio da regulamentao e fiscalizao, a operao de todos os agentes em um ambiente de equilbrio que permita, s companhias, a obteno de resultados slidos ao longo do tempo e, ao consumidor, a modicidade tarifria. O ONS, entidade tambm autnoma que substituiu o GCOI (Grupo de Controle das Operaes Integradas, subordinado Eletrobrs), responsvel pela coordenao da operao das usinas e redes de transmisso do Sistema Interligado Nacional (SIN). Para tanto, realiza estudos e projees com base em dados histricos, presentes e futuros da oferta de energia eltrica e do mercado consumidor. Para decidir quais usinas devem ser despachadas, opera o Newave, programa computacional que, com base em projees, elabora cenrios para a oferta de energia eltrica. O mesmo programa utilizado pela Cmara de Comercializao de Energia Eltrica (CCEE) para definir os preos a serem praticados nas operaes de curto prazo do mercado livre. J o MAE, cuja constituio foi diretamente relacionada criao do mercado livre, em 2004, com a implantao do Novo Modelo, foi substitudo pela CCEE. No mesmo ano, o MME constituiu a Empresa de Pesquisa Energtica (EPE), com a misso principal de desenvolver os estudos necessrios ao planejamento da expanso do sistema eltrico. O modelo implantado em 2004 restringiu, mas no extinguiu, o mercado livre que em 2008 respondia por cerca de 30% da energia eltrica negociada no pas. Alm disso, manteve inalteradas porm em permanente processo de aperfeioamento as bases regulatrias da distribuio e transmisso.

Sistema dos leiles e mercado livre Do Ambiente de Contratao Regulada (ACR) participam, na parte compradora, apenas as distribuidoras, para as quais essa passou a ser a nica forma de contratar grande volume de suprimento para o longo prazo. As vendedoras da energia

Caractersticas Gerais | Captulo 1

eltrica so as geradoras. O incio da entrega previsto para ocorrer um, trs ou cinco anos aps a data de realizao do leilo (que so chamados, respectivamente, de A-1, A-3 e A-5). O MME determina a data dos leiles, que so realizados pela Aneel e pela CCEE. Por meio de portaria, fixa o preo teto para o MWh a ser ofertado, de acordo com a fonte da energia: trmica ou hdrica. Como as geradoras entram em pool (ou seja, a oferta no individualizada), a prioridade dada ao vendedor que pratica o menor preo. Os valores mximos devem ser iguais ou inferiores ao preo teto. Os leiles dividem-se em duas modalidades principais: energia existente e energia nova. A primeira corresponde produo das usinas j em operao e os volumes contratados so entregues em um prazo menor (A-1). A segunda, produo de empreendimentos em processo de leilo das concesses e de usinas que j foram outorgadas pela Aneel e esto em fase de planejamento ou construo. Neste caso, o prazo de entrega geralmente de trs ou cinco anos (A-3 e A-5). Alm deles, h os leiles de ajuste e os leiles de reserva. Nos primeiros, as distribuidoras complementam o volume necessrio ao atendimento do mercado (visto que as compras de longo prazo so realizadas com base em projees), desde que ele no supere 1% do volume total. Nos leiles de reserva, o objeto de contratao a produo de usinas que entraro em operao apenas em caso de escassez da produo das usinas convencionais (basicamente hidreltricas). Entre 2004 e 2008, a CCEE organizou mais de 20 leiles por delegao e sob coordenao da Aneel. Dois deles, pelo menos, foram significativos pela contribuio diversificao e simultnea limpeza (aumento da participao de fontes renovveis) da matriz nacional. O primeiro, em 2007, foi exclusivo para fontes alternativas. Nele foi ofertada a produo de Pequenas Centrais Hidreltricas (PCHs) e termeltricas movidas a bagao de cana e a biomassa proveniente de criadouro avcola. No outro, realizado em 2008 e caracterizado como o primeiro leilo de energia de reserva, foi contratada exclusivamente a energia eltrica produzida a partir da biomassa. A maior parte das usinas participantes ser movida a bagao de cana (apenas uma abastecida por capim elefante). Todas ainda esto por ser construdas e devero entrar em operao em 2009 e 2010.

Como so realizados com antecedncia de vrios anos, esses leiles so, tambm, indicadores do cenrio da oferta e da procura no mdio e longo prazos. Para a EPE, portanto, fornecem variveis necessrias elaborao do planejamento. Para os investidores em gerao e para as distribuidoras, proporcionam maior segurana em clculos como fluxo de caixa futuro, por permitir a visualizao de, respectivamente, receitas de vendas e custos de suprimento ao longo do tempo. Segundo o governo, o mecanismo de colocao prioritria da energia ofertada pelo menor preo tambm garante a modicidade tarifria. No mercado livre, ou ACL, vendedores e compradores negociam entre si as clusulas dos contratos, como preo, prazo e condies de entrega. Da parte vendedora participam as geradoras enquadradas como PIE (produtores independentes de energia). A parte compradora constituda por consumidores com demanda superior a 0,5 MW (megawatt) que adquirem a energia eltrica para uso prprio. As transaes geralmente so intermediadas pelas empresas comercializadoras, tambm constitudas na dcada de 90, e que tm por funo favorecer o contato entre as duas pontas e dar liquidez a esse mercado.

Operaes de curto prazo Os contratos tm prazos que podem chegar a vrios anos. O comprador, portanto, baseia-se em projees de consumo. O vendedor, nas projees do volume que ir produzir e que variam de acordo com as determinaes do ONS. Assim, nas duas pontas podem ocorrer diferenas entre o volume contratado e aquele efetivamente movimentado. O acerto dessa diferena realizado por meio de operaes de curto prazo no mercado spot abrigado pela CCEE que tm por objetivo fazer com que, a cada ms, as partes zerem as suas posies atravs da compra ou venda da energia eltrica. Os preos so fornecidos pelo programa Newave e variam para cada uma das regies que compem o SIN, de acordo com a disponibilidade de energia eltrica. Alm de abrigar essas operaes, a CCEE tambm se responsabiliza pela sua liquidao financeira. Esta a sua funo original. Nos ltimos anos, a entidade passou a abrigar a operacionalizao de parte dos leiles de venda da energia que, junto s licitaes para construo e operao de linhas de transmisso, so atribuio da Aneel.Atlas de Energia Eltrica do Brasil 19

Captulo 5 | Outras fontes

A estrutura institucional do setor eltrico brasileiro Em 2004, com a implantao do Novo Modelo do Setor Eltrico, o Governo Federal, por meio das leis no 10.847/2004 e no 10.848/2004, manteve a formulao de polticas para o setor de energia eltrica como atribuio do Poder Executivo federal, por meio do Ministrio de Minas e Energia (MME) e com assessoramento do Conselho Nacional de Poltica Energtica (CNPE) e do Congresso Nacional. Os instrumentos legais criaram novos agentes. Um deles a Empresa de Pesquisa Energtica (EPE), vinculada ao MME e cuja funo realizar os estudos necessrios ao planejamento da expanso do sistema eltrico. Outro a Cmara de Comercializao de Energia Eltrica (CCEE), que abriga a negociao da energia no mercado livre. O Novo Modelo do Setor Eltrico preservou a Aneel, agncia reguladora, e o Operador Nacional do Sistema Eltrico (ONS), responsvel por coordenar e supervisionar a operao centralizada do sistema interligado brasileiro. Para acompanhar e avaliar permanentemente a continuidade e a segurana do suprimento eletroenergtico em todo o territrio nacional, alm de sugerir das aes necessrias, foi institudo o Comit de Monitoramento do Setor Eltrico (CMSE), tambm ligado ao MME. Abaixo, o Atlas de Energia Eltrica reproduz a atual estrutura institucional do setor eltrico brasileiro.

Estrutura institucional do setor eltricoPolticas Congresso Nacional

Presidncia da Repblica CNPE / MME

Regulao e Fiscalizao ANEEL

Agncias Estaduais ANP

Mercado G CCEE T D C ONS

Conselhos de consumidores Entidades de defesa do consumidor SDE / MJ CADE - SEAE SNRH, MMA, ANA e CONAMA

Agentes institucionais

EPE

Eletrobrs

Concessionrias

BNDES

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Caractersticas Gerais | Captulo 1

Caractersticas Gerais1.1 INFORMAES BSICAS Uma das variveis para definir um pas como desenvolvido a facilidade de acesso da populao aos servios de infra-estrutura, como saneamento bsico, transportes, telecomunicaes e energia. O primeiro est diretamente relacionado sade pblica. Os dois seguintes, integrao nacional. J a energia o fator determinante para o desenvolvimento econmico e social ao fornecer apoio mecnico, trmico e eltrico s aes humanas. Esta caracterstica faz com que o setor de energia conviva, historicamente, com dois extremos. Em um deles est o desenvolvimento tecnolgico que visa atingir maior qualidade e eficincia tanto na produo quanto na aplicao dos recursos energticos. Na atualidade, o primeiro caso inclui as pesquisas sobre novas fontes, como geotermia, mar e clulas de hidrognio, entre outras. Do segundo, um exemplo o automvel que, aps passar dcadas dependente da gasolina, comea a ser crescentemente abastecido por etanol enquanto, no terreno dos projetos pilotos, se movimenta com o estmulo da energia eltrica. No outro extremo, h a ao horizontal, que visa a aumentar o nmero de pessoas com acesso s fontes mais eficientes de energia mesmo que por meio de instalaes simples e de baixo custo. Esta iniciativa observada principalmente com relao ao fornecimento de energia eltrica (que na iluminao substituiria, por exemplo, a vela e o querosene dos lampies), mas, em menor escala, detectada tambm em outros setores. No Brasil dos anos 70, por exemplo, foi avaliado como reflexo da modernizao econmica e social a substituio da lenha pelos derivados de petrleo (GLP, gs liquefeito de petrleo) na coco1 de alimentos.1Coco: ato ou efeito de cozer; cozimento.

1

Isto significou que maior nmero de pessoas passou a ter acesso a produtos que, alm de mais eficientes do ponto de vista energtico, no precisavam, necessariamente, ter origem local. O GLP obtido em refinarias e distribudo por meio de caminhes. Sua entrega s localidades menores do interior do Pas s foi possvel pela abertura das grandes rodovias nos anos 70 do sculo XX e que tambm foram consideradas um sinal de modernizao do pas. Na administrao e operao desses dois extremos e, tambm, das atividades intermedirias existentes entre eles est a chamada indstria da energia. Essa indstria faz parte de uma cadeia econmica que tem incio com a explorao de recursos naturais estratgicos (como gua, minerais, petrleo e gs natural), de propriedade da Unio, e que termina no fornecimento de um servio pblico bsico para a sociedade. Por isso, no geral, ou composta por estatais ou por companhias controladas pelo capital privado que atuam em um ambiente regulamentado pelos governos locais. Esta caracterstica pode ser observada tanto no Brasil quanto no exterior. E vlida tanto para operadoras de um nico setor (por exemplo, petrleo, gs natural ou energia eltrica) quanto para aquelas multissetoriais as chamadas multiutilities. No Brasil houve um ensaio para criao das multiutilities nos anos 90, mas a tendncia no se consolidou. Assim, a indstria da energia nitidamente dividida entre os setores de petrleo, gs natural e energia eltrica, cujas atividades tm reas de interseco apenas quando se trata da gerao de eletricidade. Este captulo abordar a estrutura do setor de energia eltrica.

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Captulo 1 | Caractersticas Gerais

1.2 CARACTERSTICAS DO SISTEMA ELTRICO BRASILEIRO O Brasil um pas com quase 184 milhes de habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), e se destaca como a quinta nao mais populosa do mundo. Em 2008, cerca de 95% da populao tinha acesso rede eltrica. Segundo dados divulgados no ms de setembro pela Agncia Nacional de Energia Eltrica (Aneel), o pas conta com mais de 61,5 milhes de unidades consumidoras em 99% dos municpios brasileiros. Destas, a grande maioria, cerca de 85%, residencial. De todos os segmentos da infra-estrutura, energia eltrica o servio mais universalizado. A incidncia e as dimenses dos nichos no atendidos esto diretamente relacionadas sua localizao e s dificuldades fsicas ou econmicas para extenso da rede eltrica. Afinal, cada uma das cinco regies geogrficas em que se divide o Brasil Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte tem caractersticas bastante peculiares e diferenciadas das demais. Estas particularidades determinaram os contornos que os sistemas de gerao, transmisso e distribuio adquiriram ao longo do tempo e ainda determinam a maior ou menor facilidade de acesso da populao local rede eltrica. Para gerao e transmisso de energia eltrica, por exemplo, o pas conta com um sistema (conjunto composto por usinas, linhas de transmisso e ativos de distribuio) principal: o Sistema Interligado Nacional (SIN). Essa imensa rodovia eltrica abrange a maior parte do territrio brasileiro e constituda pelas conexes realizadas ao longo do tempo, de instalaes inicialmente restritas ao atendimento exclusivo das regies de origem: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da regio Norte (para detalhes, ver tpico 1.4). Alm disso, h diversos sistemas de menor porte, no-conectados ao SIN e, por isso, chamados de Sistemas Isolados, que se concentram principalmente na regio Amaznica, no Norte do pas. Isto ocorre porque as caractersticas geogrficas da regio, composta por floresta densa e heterogna, alm de rios caudalosos e extensos, dificultaram a construo de linhas de transmisso de grande extenso que permitissem a conexo ao SIN. Para o atendimento ao consumidor, outros fatores, como nvel de atividade econmica, capacidade de gerao e circulao de renda e densidade demogrfica (nmero de habitantes por quilmetro quadrado) so variveis importantes. Sudeste e Sul, por exemplo, so as regies mais desenvolvidas do pas em termos

econmicos e sociais. So, tambm, as que apresentam maior densidade demogrfica. Em conseqncia, o atendimento a novos consumidores pode ser realizado a partir de intervenes de pequeno porte para expanso da rede. Elas so, portanto, as regies que registram melhor relao entre nmero de habitantes e unidades consumidoras de energia eltrica. J o Nordeste, Centro-Oeste e Norte historicamente concentram a maior parte da populao sem acesso rede. O atendimento foi comprometido por fatores como grande nmero de habitantes com baixo poder aquisitivo (no caso do Nordeste principalmente), baixa densidade demogrfica (principalmente na regio Centro-Oeste) e, no caso da regio Norte, baixa densidade demogrfica e pequena gerao de renda, aliada s caractersticas geogrficas. Estas ltimas, por sinal, comprometeram a extenso das redes de transmisso e distribuio, mas tambm transformaram o Norte na regio com maior potencial para aproveitamentos hidreltricos do pas (para detalhes, ver Captulo 3). A relao entre as peculiaridades regionais e o acesso rede eltrica fica clara nas anlises que a Empresa de Pesquisa Energtica (EPE), vinculada ao Ministrio de Minas e Energia (MME), fez do mercado de energia eltrica brasileiro em maio de 2008. Segundo a empresa, apenas nesse perodo a taxa de atendimento no Nordeste praticamente se igualou mdia nacional. Esta evoluo foi favorecida, segundo a EPE, tanto pelo aumento de renda da populao mais pobre quanto pelo incremento no nmero de ligaes eltricas. Os dois fenmenos foram proporcionados pela implantao simultnea de dois programas do Governo Federal: o Bolsa Famlia, para transferncia de recursos pblicos populao carente, e o Luz para Todos, que tem por objetivo estender a rede eltrica a 100% da populao. No Norte, em 2007, o impacto do Programa Luz para Todos, segundo a EPE, foi observado principalmente na regio rural, o que confirma a baixa densidade demogrfica. No conjunto, estas unidades apresentaram aumento de 23% no consumo de eletricidade durante o perodo. Ainda segundo a EPE, em 2007 foram realizadas mais de 1,8 milho de ligaes residenciais. Parte delas decorreu do crescimento vegetativo da populao, mas parte integrou o Programa Luz para Todos. Como mostra a Tabela 1.1 a seguir, embora em nmeros absolutos a maior parte tenha sido instalada na regio Sudeste, o maior impacto medido pelas variaes percentuais ocorreu nas regies Norte e Nordeste.

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Caractersticas Gerais | Captulo 1

Tabela 1.1 - Unidades consumidoras variao de 2006 para 2007 por regio geogrfica (em 1.000 unidades)RegioNorte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste BrasilFonte: EPE, 2008.

20062.620 12.403 24.399 7.319 3.579 50.319

20072.745 13.076 25.101 7.520 3.703 52.146

variao absoluta125 674 702 201 125 1.827

%4,8 5,4 2,9 2,8 3,5 3,6

1.3 DISTRIBUIO A conexo e atendimento ao consumidor, qualquer que seja o seu porte so realizados pelas distribuidoras de energia eltrica. Alm delas, as cooperativas de eletrificao rural, entidades de pequeno porte, transmitem e distribuem energia eltrica exclusivamente para os associados. Em 2008, a Aneel relaciona 53 dessas cooperativas que, espalhadas por diversas regies do pas, atendem a pequenas comunidades. Deste total, 25 haviam assinado contratos de permisso com a Aneel, aps a concluso do processo de enquadramento na condio de permissionrias do servio pblico de distribuio de energia eltrica para cumprimento da lei no 9.074/1995 e da resoluo Aneel no 012/2002. J o mercado de distribuio de energia eltrica, formado por 63 concessionrias, responsveis pelo atendimento de mais de 61 milhes de unidades consumidoras. O controle acionrio dessas companhias pode ser estatal ou privado. No primeiro caso, os acionistas majoritrios so o governo federal, estaduais e/ou municipais. Nos grupos de controle de vrias empresas privadas verifica-se a presena de investidores nacionais, norte-americanos, espanhis e portugueses. As distribuidoras so empresas de grande porte que funcionam como elo entre o setor de energia eltrica e a sociedade, visto que suas instalaes recebem das companhias de transmisso todo o suprimento destinado ao abastecimento no pas. Nas redes de transmisso, aps deixar a usina, a energia eltrica trafega em tenso que varia de 88 kV (quilovolts) a 750 kV. Ao chegar s subestaes das distribuidoras, a tenso rebaixada e, por meio de um sistema composto por fios, postes e transformadores, chega unidade final em 127 volts ou 220 volts. Exceo a essa regra so algumas unidades industriais que operam com tenses mais elevadas (de 2,3 kV a 88 kV) em suas linhas de produo e recebem energia eltrica diretamente da subestao da distribuidora (pela chamada rede de subtransmisso). A relao entre os agentes operadores do setor eltrico e os consumidores pode ser observada na Figura 1.1 abaixo.

Consumidores livres(10 kV , 30kV) (345 kV , 500 kV) (13,8 kV)

TUSD

Gerao

TUST

Transmisso

TUST

Distribuio

(138 kV , 69 kV)

Tarifa de distribuio Consumidores cativos

TUST

Consumidores livres

Figura 1.1 Relao entre agentes e consumidores.Fonte: Aneel.

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Captulo 1 | Caractersticas Gerais

Os direitos e obrigaes dessas companhias so estabelecidos no Contrato de Concesso celebrado com a Unio para a explorao do servio pblico em sua rea de concesso territrio geogrfico do qual cada uma delas detm o monoplio do fornecimento de energia eltrica. O Mapa 1.1 na pgina seguinte mostra que as 63 distribuidoras que operam em 2008 atuam em diferentes Estados do pas, sendo que alguns deles, como So Paulo, abrigam mais de uma dessas companhias. O cumprimento dos Contratos de Concesso e as atividades desenvolvidas so estritamente reguladas e fiscalizadas pela Aneel. O objetivo da Agncia , de um lado, assegurar ao consumidor, o pagamento de um valor justo e o acesso a um servio contnuo e de qualidade e, de outro, garantir distribuidora o equilbrio econmico-financeiro necessrio ao cumprimento do Contrato de Concesso. Entre as variveis reguladas pela Agncia esto as tarifas e a qualidade do servio prestado tanto do ponto de vista tcnico quanto de atendimento ao consumidor. Dois desses indicadores so o DEC (Durao Equivalente de Interrupo por Unidade Consumidora) e o FEC (Freqncia Equivalente de Interrupo por Unidade Consumidora) que medem, respectivamente, a durao e a freqncia das interrupes no fornecimento. De acordo com a Aneel, em 1997 o DEC mdio no pas foi de 27,19 minutos e, em 2007, havia recuado para 16,08 minutos. Quanto ao FEC, em 1997 foi de 21,68 vezes e, em 2007, de 11,72 vezes, como mostra a Tabela1.2 abaixo.

Alm de responder pelo atendimento ao cliente final, as distribuidoras desenvolvem programas especiais compulsrios com foco no consumidor. Alguns dos principais estimulam a incluso social da populao mais pobre por meio do acesso formal rede eltrica e da correspondente fatura mensal (que passa a funcionar como comprovante de residncia ao permitir o acesso a instrumentos econmico-sociais, como linhas de crdito e financiamento). Entre esses programas esto o Baixa Renda (com tarifas diferenciadas para consumidores que atendem a determinadas especificidades de consumo e renda), o Luz para Todos (universalizao) e a regularizao das ligaes clandestinas (os chamados gatos, ou conexes irregulares que permitem o acesso ilegal energia eltrica sem o pagamento da correspondente fatura e se configuram legalmente como crime). As distribuidoras tambm so responsveis pela implementao de projetos de eficincia energtica (ver Box do captulo 2) e de P&D (pesquisa e desenvolvimento). Neste caso, so obrigadas a destinar um percentual mnimo de sua receita operacional lquida a essas atividades que, para ser implementadas, dependem da aprovao da Aneel. Pela legislao vigente (Lei no 11.465/2007), at o final de 2010 esse percentual de 0,5% tanto para eficincia energtica quanto para P&D. Segundo informaes da Aneel, o total de recursos aplicados entre 1998 e 2007 em programas de P&D por todas as empresas do setor (o que inclui as transmissoras e geradoras) foi de R$ 1,3 bilho.

As tarifas de energia eltricaTabela 1.2 - Indicadores de qualidade - Mdia anual BrasilDEC1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007Fonte: Aneel, 2008.

FEC21,68 21,68 17,59 15,29 14,56 14,84 13,12 12,12 12,62 11,71 11,72

27,19 24,05 19,85 17,44 16,57 18,07 16,66 15,81 16,83 16,33 16,08

As faturas mensais emitidas pelas distribuidoras registram a quantidade de energia eltrica consumida no ms anterior e medida em kWh (quilowatt-hora). O valor final a ser pago pelo cliente corresponde soma de trs componentes: o resultado da multiplicao do volume consumido pela tarifa (valor do kWh, expresso em reais); os encargos do setor eltrico e os tributos determinados por lei. Os encargos do setor eltrico, embutidos na tarifa e, portanto, transparentes ao consumidor tm aplicao especfica. Os tributos so destinados ao governo. J a parcela que fica com a distribuidora, utilizada para os investimentos em expanso e manuteno da rede, remunerao dos acionistas e cobertura de seus custos. Entre estes ltimos est a compra de suprimento. Desta maneira, a tarifa praticada remunera no apenas as atividades de

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Caractersticas Gerais | Captulo 170 W 60 W 50 W 40 W

Suriname Colmbia VenezuelaRRBOA VISTA

Guiana Francesa

GuianaAPCEA

CER

O c e a n o

A

0 S

t l

n

Equador

t

0 S

i

c

o

MANAUS

AM

CEAM

PA

CELPA

MA

CEMAR

CE

COELCE

RN COSERNSAELPA

PI10 S

PB

CELB

CEPISA

CELPE

PE AL SECEAL

AC

ELETROACRE

TO ROCERON

CELTINS

ENERGIPE SULGIPE

10 S

BA

Peru

MT

COELBA

CEMAT

GO

CHESP

CEB-DIS

DF

Bolvia

CELG-D

MG20 S

CEMIG-D

ELFSM

ES20 S

MS

ENERSUL ELEKTRO CNEE CPFL CLFM CPEE DMEPC CJE PIRAT EEB EBE ELPA LIGHT CFLCL AMPLA CENF

ESCELSA

Chile

CAIU-D

ParaguaiZOOM 2 PR

EDEVP CLFSC

SPCSPE

RJ

ZOOM 1ENERSUL

Trpico de CapricrnioZOOM 1

ZOOM 2

ELEKTRO

COPEL-DIS CFLO FORCEL COCEL

PRFORCEL

CFLO COPEL-DIS

COCEL

MS

ELEKTRO

IENERGIAIENERGIA IENERGIA

SC CELESC-DISEFLUL COOPERALIANACAIU-D

CPFL

CNEE

CLFM CPEE DMEPC ELEKTRO

CEMIG-D

MG

SC

CELESC-DIS

HIDROPAN MUX DEMEIELETROCAR RGE

30 S

HIDROPANELETROCAR DEMEI

MUX RGE EFLUL EFLJC COOPERALIANA

RS

UHENPAL

SP

EDEVP CJE CLFSC ELEKTRO PIRAT PIRAT EEB ELEKTRO

AES-SUL

30 SEBE ELEKTRO

RSAES-SUL UHENPAL CEEE-D

CEEE-D

PR

COPEL-DIS ELEKTRO

CSPE

EBE

ELPA

Uruguai

PIRAT PIRAT

Convenes Cartogrficas Capital Federal Capitais Diviso Estadual

Custo mdio da tarifa residencial R$ / MWh 412,86 a 436,62 R$ / MWh 398,11 a 412,86 R$ / MWh 365,35 a 389,86 R$ / MWh 341,59 a 365,35 R$ / MWh 317,84 a 341,59 R$ / MWh 294,08 a 317,84 R$ / MWh 270,32 a 294,08 R$ / MWh 199,05 a 270,32N O L S

Fonte:

SGI, Aneel, 2008.

ATLAS DE ENERGIA ELTRICA DO BRASIL - 3 EDIO

Escala Grfica:

0

250

500

km

MAPA 1.1 - Mapa das Concessionrias de Distribuio Residenciais por R$/MWh

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Captulo 1 | Caractersticas Gerais

distribuio, mas tambm de transmisso e gerao de energia eltrica, como pode ser observado na Figura 1.2 a seguir. At a dcada de 90, existia uma tarifa nica de energia eltrica no Brasil, que garantia a remunerao das concessionrias, independentemente de seu nvel de eficincia. Esse sistema no incentivava a busca pela eficincia por parte da distribuidora, uma vez que a integralidade de seu custo era transferida ao consumidor. Como pode ser observado na Figura 1.3 abaixo, em 1993, com a

edio da Lei no 8.631, as tarifas passaram a ser fixadas por empresa, conforme caractersticas especficas de cada rea de concesso por exemplo, nmero de consumidores, quilmetros de rede de transmisso e distribuio, tamanho do mercado (quantidade de unidades de consumo atendidas por uma determinada infraestrutura), custo da energia comprada e tributos estaduais, entre outros. Portanto, se essa rea coincide com a de uma unidade federativa, a tarifa nica naquele estado. Caso contrrio, tarifas diferentes coexistem dentro do mesmo estado.

gerao de energia

+

transmisso + distribuio

transporte de energia at as casas ( o)

+

encargos e tributos

Figura 1.2 Os componentes das faturas de energia eltrica.Fonte: Aneel.

R$

R$

R$

R$

R$

R$

R$1993

R$ R$

R$ R$

R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$

R$ R$ R$ R$ R$ R$

R$

Figura 1.3 Tarifas por empresa a partir de 1993.Fonte: Aneel.

Encargos e tributos Os encargos setoriais so custos inseridos sobre o valor da tarifa de energia eltrica, como forma de subsdio, para desenvolver e financiar programas do setor eltrico definidos pelo Governo Federal. Seus valores so estabelecidos por Resolues ou Despachos da Aneel, para efeito de recolhimento pelas concessionrias dos montantes cobrados dos consumidores por meio das tarifas de energia eltrica. Como so contribuies definidas em leis aprovadas pelo Congresso Nacional, so utilizados para determinados fins especficos, conforme mostra a Tabela 1.3 a seguir. Alguns encargos tm, por exemplo, o objetivo de incentivar o uso fontes alternativas. Outros contribuem para a universalizao do acesso energia eltrica e para reduzir o valor da conta mensal dos consumidores localizados em reas remotas do Pas, como a regio Norte, abastecida por usinas a leo diesel e no conectadas ao SIN (ver tpico 1.4). Cada encargo justificvel, se avaliado individualmente. Entretanto, quando considerado o seu conjunto, pressionam a tarifa, e, conseqentemente, a capacidade de pagamento do consumidor. Em 2007, eles representaram cerca de R$ 11 bilhes.

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Caractersticas Gerais | Captulo 1

Tabela 1.3 - Os principais encargos inseridos nas tarifasEncargoCCC Conta de Consumo de Combustveis CDE Conta de Desenvolvimento energtico RGR Reserva Global de Reverso CFURH Compensao financeira pela utilizao de recursos hdricos P&D Pesquisa e Desenvolvimento e Eficincia Energtica PROINFA TFSEE Taxa de Fiscalizao de Servios de Energia Eltrica ESS Encargos de Servios do Sistema

FinalidadeSubsidiar a gerao trmica na regio Norte do pas (Sistemas Isolados). Propiciar o desenvolvimento energtico a partir das fontes alternativas; promover a universalizao do servio de energia, e subsidiar as tarifas da subclasse residencial Baixa Renda. Indenizar ativos vinculados concesso e fomentar a expanso do setor eltrico. Compensar financeiramente o uso da gua e terras produtivas para fins de gerao de energia eltrica. Promover pesquisas cientficas e tecnolgicas relacionadas eletricidade e ao uso sustentvel dos recursos naturais. Subsidiar as fontes alternativas de energia. Prover recursos para o funcionamento da ANEEL Subsidiar a manuteno da confiabilidade e estabilidade do Sistema Eltrico Interligado Nacional Total

2007 - valores em milhes de R$2.871

2.470

1.317

1.244

667 635 327 86 9.617

Fonte: Aneel, 2008.

J os tributos so pagamentos compulsrios devidos ao Poder Pblico, a partir de determinao legal, e que asseguram recursos para que o Governo desenvolva suas atividades. Sobre as contas mensais de energia eltrica incidem os seguintes tributos: Programas de Integrao Social (PIS) e Contribuio

para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), federal; Imposto sobre a Circulao de Mercadorias e Servios (ICMS), estadual; Contribuio para Custeio do Servio de Iluminao Pblica (CIP), municipal. O Grfico 1.1 a seguir mostra a composio da conta mensal de energia eltrica.

40 35 30 25 R$ 20 15 10 5 0

R$ 28,98

R$ 31,33

R$ 33,45

R$ 6,25

Transmisso

Distribuio (parcela B)

Compra de energia

Encargos e tributos

Grfico 1.1 Anatomia da conta de luz.Fonte: Aneel, 2008.

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Captulo 1 | Caractersticas Gerais

As atualizaes tarifrias Os Contratos de Concesso prevem trs mecanismos de atualizao tarifria: Reajuste Anual, Reviso Tarifria e Reviso Tarifria Extraordinria. O Reajuste Tarifrio restabelece o poder de compra da receita da concessionria, segundo uma frmula prevista no Contrato de Concesso. Ele concedido anualmente na data de aniversrio do contrato, exceto no ano em que ocorre o mecanismo de reviso tarifria. A Reviso Tarifria Peridica permite o reposicionamento da tarifa aps completa anlise dos custos eficientes e remunerao dos investimentos prudentes, em intervalos de quatro ou cinco anos. Esse mecanismo se diferencia dos reajustes anuais por ser mais amplo e levar em conta todos os custos, investimentos e receitas para fixar um novo patamar de tarifas adequado estrutura da empresa e a seu mercado. J a Reviso Tarifria Extraordinria destina-se a atender casos muito especiais de desequilbrio justificado. Pode ocorrer a qualquer tempo, quando um evento imprevisvel afetar o equilbio econmico-financeiro da concesso. Baixa tenso B1 residencial e residencial de baixa renda B2 rural, cooperativa de eletrificao rural e servio pblico de irrigao B3 demais classes B4 Iluminao pblica A unidade consumidora residencial pode ser classificada em monofsica, bifsica e trifsica. A monofsica est ligada rede de eneriga eltrica por uma fase (onde transita energia eltrica) e um neutro (para fechar o circuito), ou seja, dois condutores. A ligao bifsica feita por duas fases e um neutro (trs condutores), enquanto a trifsica ligada por trs fases e um neutro (quatro condutores). O nmero de fases aumenta de acordo com a carga (demanda e consumo) da unidade consumidora para garantir maior qualidade e segurana no fornecimento de energia.

1.4 TRANSMISSO O segmento de transmisso no Brasil composto em 2008 por mais de 90 mil quilmetros de linhas e operado por 64 concessionrias. Essas empresas, que obtiveram as concesses ao participar de leiles pblicos promovidos pela Aneel, so responsveis pela implantao e operao da rede que liga as usinas (fontes de gerao) s instalaes das companhias distribuidoras localizadas junto aos centros consumidores (tecnicamente chamados de centros de carga). As concesses de transmisso so vlidas por 30 anos e podem ser prorrogadas por igual perodo. A grande extenso da rede de transmisso no Brasil explicada pela configurao do segmento de gerao, constitudo, na maior parte, de usinas hidreltricas instaladas em localidades distantes dos centros consumidores. A principal caracterstica desse segmento a sua diviso em dois grandes blocos: o Sistema Interligado Nacional (SIN), que abrange a quase totalidade do territrio brasileiro, e os Sistemas Isolados, instalados principalmente na regio Norte, como mostra o Mapa 1.2 na pgina seguinte.

Classificao das unidades consumidoras Para efeito de aplicao das tarifas de energia eltrica, os consumidores so identificados por classes e subclasses de consumo: residencial, industrial, comercial e servios, rural, poder pblico, iluminao pblica, servio pblico e consumo prprio. Cada classe tem uma estrutura tarifria distinta de acordo com as suas peculiaridades de consumo e de demanda de potncia, conforme relacionado abaixo. Alta tenso A1 tenso de fornecimento igual ou superior a 230 kV A2 tenso de fornecimento de 88 kV a 138 kV A3 tenso de fornecimento de 69 kV A3a tenso de fornecimento de 30 kV a 44 kV A4 tenso de fornecimento de 2,3 kV a 25 kV AS tenso de fornecimento inferior a 2,3 kV atendida a partir de sistema subterrneo de distribuio e faturada na Grupo A excepcionalmente

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Caractersticas Gerais | Captulo 170 W 60 W 50 W 40 W

Suriname Colmbia VenezuelaBoa Vista RR 0 S

Guiana Francesa

GuianaAP Macap Belm Manaus

O c e a n o

A

t l

n

Equador

t

0 S

i

c

oFernando de Noronha

So Luis PA MA Teresina PI

Fortaleza CE

AM

RN PB PE

Natal Joo Pessoa Recife

AC 10 S Rio Branco

Porto Velho TO RO Palmas

SE

AL

Macei

10 S

Aracaju

Peru

MT

BA

Salvador

Cuiab

BrasliaGO Goinia MG ES Belo Horizonte SP RJ Rio de Janeiro PR Curitiba SC So Paulo Vitria 20 S DF

Bolvia

20 S

MS Campo Grande

Chile

Paraguai

Trpico de Capricrnio

Argentina30 S

Florianpolis

RS Porto Alegre 30 S

Uruguai

Convenes Cartogrficas Capital Federal Capitais Diviso Estadual

Tipos de centrais eltricas Elica PHC UHE UTE Solar

Sistemas Eltricos Isolados ~ 45 % do territrio ~ ~ 3% da populao ~ ~ 3 % do consumo nacional ~ ~ 4% do parque gerador do Pas ~O

N L S

Fonte:

Aneel 2008

ATLAS DE ENERGIA ELTRICA DO BRASIL - 3 EDIO

Escala Grfica:

0

250

500

km

MAPA 1.2 - Centrais eltricas que compem os Sistemas Isolados - Situao em outubro de 2003

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Captulo 1 | Caractersticas Gerais

O Sistema Interligado Nacional (SIN) O SIN abrange as regies Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte do Norte. Em 2008, concentra aproximadamente 900 linhas de transmisso que somam 89,2 mil quilmetros nas tenses de 230, 345, 440, 500 e 750 kV (tambm chamada rede bsica que, alm das grandes linhas entre uma regio e outra, composta pelos ativos de conexo das usinas e aqueles necessrios s interligaes internacionais). Alm disso, abriga 96,6% de toda a capacidade de produo de energia eltrica do pas oriunda de fontes internas ou de importaes, principalmente do Paraguai por conta do controle compartilhado da usina hidreltrica de Itaipu. O Operador Nacional do Sistema Eltrico (ONS) responsvel pela coordenao e controle da operao do SIN, realizada pelas companhias geradoras e transmissoras, sob a fiscalizao e regulao da Aneel. Entre os benefcios desta integrao e operao coordenada est a possibilidade de troca de energia eltrica entre regies. Isto particularmente importante em um pas como o Brasil, caracterizado pela predominncia de usinas hidreltricas localizadas em regies com regimes hidrolgicos diferentes. Como os perodos de estiagem de uma regio podem corresponder ao perodo chuvoso de outra, a integrao permite que a localidade em que os reservatrios esto mais cheios envie energia eltrica para a outra, em que os lagos esto mais vazios permitindo, com isso, a preservao do estoque de energia eltrica represado sob a forma de gua. Esta troca ocorre entre todas as regies conectadas entre si. Outra possibilidade aberta pela integrao a operao de usinas hidreltricas e termeltricas em regime de complementaridade. Como os custos da produo tm reflexo nas tarifas pagas pelo consumidor e variam de acordo com a fonte utilizada (ver Grfico 1.2 abaixo), transformam-se em variveis avaliadas pelo ONS para determinar o despacho definio de quais usinas devem operar e quais devem ficar de reserva de modo a manter, permanentemente, o volume de produo igual ao de consumo. A energia hidreltrica, mais barata e mais abundante no Brasil, prioritria no abastecimento do mercado. As termeltricas, de uma maneira geral, so acionadas para dar reforo em momentos chamados como picos de demanda (em que o consumo sobe abruptamente) ou em perodos em que necessrio preservar o nvel dos reservatrios ou o estoque de energia. Isto ocorreu no incio de 2008, quando o aumento do consumo aliado ao atraso no incio do perodo chuvoso da regio Sudeste apontou para a necessidade de uma ao preventiva para preservao dos reservatrios. O sistema interligado se caracteriza, tambm, pelo processo permanente de expanso, o que permite tanto a conexo de novas grandes hidreltricas quanto a integrao de novas regies. Se, em 2008, por exemplo, o SIN composto por 89,2 mil quilmetros de rede, em 2003, a extenso era de 77,6 mil km. A expanso verificada a partir desse ano reforou as interligaes do sistema, ampliando a possibilidade de troca de energia eltrica entre as regies. O Mapa 1.3, na prxima pgina, mostra o horizonte da transmisso no perodo de 2007 a 2009.

500 400 R$ / MWh

491,61

330,11 300 200 100 0 197,95 140,60 138,75 135,05 127,65 125,80 118,40 116,55 101,75

leo diesel

leo combustvel

Elica

Gs natural

Nuclear

Carvo nacional

Carvo importado

GNL*

Hidreltrica

PCH

Biomassa**

Grfico 1.2 Custos de produo de energia eltrica no Brasil.(*) Gs natural liquefeito (**) Bagao de cana Fonte: PSR, 2008 (adaptado).

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Caractersticas Gerais | Captulo 170 W 60 W 50 W 40 W

Suriname Colmbia VenezuelaBoa Vista RR 0 S

Guiana Francesa

GuianaAP Macap

O c e a n o

A

t l

n

Equador

2Belm

t

0 S

i

c

o

3AM Manaus PA Tucuru 4

So Luis

2 2 2 2MA

2 2

2Teresina PI CE

Fortaleza Natal Joo Pessoa Recife Macei

2

RN 2 PB

2AC 10 S Rio Branco RO Porto Velho TO

2

2 2

PE

3 4AL

2 3

2 2

E2

3

2

2 PalmasBA

2 2

10 S

SE

Aracaju

Peru2 2

MT

2Serra da Mesa

3 2

Salvador

3Cuiab

3

Bolvia

Goinia GO

3MS Campo Grande

2

2 DF 3

Braslia

D3 2

MG

20 S

A2

C2SP 2 2

2 2

2 2Belo Horizonte

ES

2

2 2

Vitria

20 S

Chile

ParaguaiItaipu Yaciret

B4 3 2PR

3 4So Paulo

2 2

2 RJTrpico de Capricrnio

3 2SC

3 2 2

Rio de Janeiro

2

Curitiba Blumenau

Argentina30 S

Guarabi Uruguaiana 50 MW

2 2

RS

2 5

230 S Porto Alegre

Livramento 70 MW

Uruguai

Convenes Cartogrficas Capital Federal Capitais Diviso Estadual

Existente

Futuro

Complexo

138 kV 230 kV 345 kV 440 kV 500 kV 750 kV + 600 kV CC

A B C D E

Paran Paranapanema Grande Paranaba Paulo Afonso

Centro de cargaN Nmero de circuitos existentes

N O L S

Fonte:

ONS, 2008.

ATLAS DE ENERGIA ELTRICA DO BRASIL - 3 EDIO

Escala Grfica:

0

250

500

km

MAPA 1.3 - Sistema de transmisso - Horizonte 2007-2009

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

31

Captulo 1 | Caractersticas Gerais

Os Sistemas Isolados Os Sistemas Isolados so predominantemente abastecidos por usinas trmicas movidas a leo diesel e leo combustvel embora tambm abriguem Pequenas Centrais Hidreltricas (PCH), Centrais Geradoras Hidreltricas (CGH) e termeltricas movidas a biomassa. Esto localizados principalmente na regio Norte: nos Estados de Amazonas, Roraima, Acre, Amap e Rondnia. So assim denominados por no estarem interligados ao SIN e por no permitirem o intercmbio de energia eltrica com outras regies, em funo das peculiaridades geogrficas da regio em que esto instalados. Segundo dados da Eletrobrs, eles atendem a uma rea de 45% do territrio brasileiro e a cerca de 3% da populao nacional aproximadamente 1,3 milho de consumidores espalhados por 380 localidades. Em 2008, respondem por 3,4% da energia eltrica produzida no pas. Os sistemas isolados de maior porte suprem as capitais Rio Branco (AC), Macap (AP), Manaus (AM) e Porto Velho (RO) e o estado de Roraima (com exceo da capital Boa Vista e seus arredores, abastecidos pela Venezuela). Manaus tem o maior deles, com 50% do mercado total dos sistemas isolados. Por ser predominantemente trmico, os Sistemas Isolados apresentam custos de gerao superiores ao SIN. Alm disso, as dificuldades de logstica e de abastecimento dessas localidades pressionam o frete dos combustveis (com destaque para o leo diesel). Para assegurar populao atendida por esses sistemas os benefcios usufrudos pelos consumidores do SIN, o Governo Federal criou a Conta de Consumo de Combustveis Fsseis (CCC), encargo setorial que subsidia a compra do leo diesel e leo combustvel usado na gerao de energia por usinas termeltricas que atendem s reas isoladas. Essa conta paga por todos os consumidores de energia eltrica do pas. Em 2008, o valor da CCC foi de R$ 3 bilhes A expanso da rede de transmisso A tendncia que ao longo do tempo os Sistemas Isolados gradualmente sejam integrados ao SIN, a exemplo do que tem ocorrido com as demais regies do pas. Este movimento contribui para a reduo dos custos da CCC e proporcionado pela concesso, construo e operao de novas linhas de transmisso. A viso do ONS, constante do relatrio de administrao de 2007, que o SIN registre uma nova expanso, de 11,5 mil km de linhas

em trs anos. Integram esta projeo duas linhas que permitiro a conexo de outros sistemas isolados e cuja construo faz parte do Programa de Acelerao do Crescimento (PAC), do Governo Federal. Uma delas interligar a usina hidreltrica de Tucuru (PA) a Macap e Manaus. Outra, no final de 2008, ligar Vilhena e Samuel (ambas em Rondnia) a Jauru, no Mato Grosso, o que levar conexo do sistema isolado Acre-Rondnia (Figura 1.4 abaixo). Em junho de 2008 a Aneel leiloou a concesso para construo da linha Tucuru-Manaus-Macap, com 1.829 quilmetros de extenso a ser construda na Floresta Amaznica. O empreendimento permitir o suprimento de energia eltrica a diversos municpios dos estados do Par, Amap e do Amazonas, e possibilitar a interligao de diversas regies isoladas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

AM

Porto Velho Abun Rio Branco

Samuel Ariquemes Jaru Ji - Paran Pimenta Bueno

Linhas leiloadas

MT

RO

Vilhena Cidezal

MT

Bolvia

Jauru

Figura 1.4 - Conexo do sistema isolado Acre-Rondnia ao SIN.Fonte: ONS, 2008.

32

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Caractersticas Gerais | Captulo 1

O linho das usinas do rio Madeira, leiloado em novembro de 2008, tambm permitir a conexo do estado de Rondnia ao SIN. As linhas de transmisso e subestaes que compem a interligao tero extenso aproximada de 2.375 quilmetros (km).

Leiles de linha de transmisso At 1999, a rede de transmisso era operada exclusivamente pelas companhias verticalizadas (com ativos de gerao, transmisso e, em alguns casos, distribuio) ou pelas companhias resultantes de sua ciso para fins de privatizao (para detalhes, ver Box 1) e ainda controladas pelo Estado. A partir desse ano, no entanto, a Aneel iniciou o processo de expanso dessas instalaes, com base em leiles para seleo do grupo empreendedor responsvel pela construo e operao da rede. O vencedor seria o candidato que apresentasse a menor tarifa a ser praticada. Excluindo-se 2001, ano do racionamento de energia eltrica, em que a expanso foi significativamente reduzida, no geral, nos demais perodos o acrscimo rede bsica foi superior a 2.000 km por ano, com destaque para 2003, com 4,9 mil km, como mostra o Grfico 1.3 abaixo. Em 2008, a Aneel leiloou mais de 3,5 mil km de rede. Neste total esto embutidas as linhas que conectam, ao SIN, as usinas hidreltricas a serem construdas no Rio Madeira (Santo Antonio e Jirau) e7.000 Acrscimo Anual de Linhas (km) 6.000 5.000 4.000 3.000 2.000 1.000 0 Licitadas Autorizadas Total861 0 861 0 3.077 0 2.080 3.077 2.080 1.150 505 645 2.438 1.926 1.539 388 3.441 4.980

as 27 usinas (termeltricas movidas por bagao de cana-deacar e pequenas centrais hidreltricas, PCHs) instaladas nos Estados de Gois e Mato Grosso do Sul. a perspectiva de construo destas linhas de transmisso, inclusive, que viabiliza, do ponto de vista tcnico e econmico, o aumento da participao do bagao de cana na matriz da energia eltrica nacional. Em 2008, 71 linhas transmisso, totalizando 7.736,66 quilmetros (km), esto em construo. Em novembro, a previso que, deste total, entrem em operao, at o final deste ano, 1.730,2 km e, em 2009, 5.998,45 km. Desde 1998, a Aneel licitou e autorizou 34.083 km de linhas de transmisso. Do total de linhas licitadas, 15.407,81 km esto em operao. Em 2008, 2.227,7 km de linhas foram energizados. O planejamento da expanso do sistema de transmisso do Brasil realizado em conjunto pela Empresa de Pesquisa Energtica (EPE) e pelo ONS. Os documentos Programa de Expanso da Transmisso (PET), elaborado pela EPE, e Plano de Ampliaes e Reforos (PAR), elaborado pelo ONS, indicam as obras (linhas e subestaes) necessrias para a adequada prestao dos servios. Os empreendimentos definidos pelo Governo Federal so includos no Programa Nacional de Desestatizao (PND), que determina Aneel a promoo e o acompanhamento dos processos de licitao das respectivas concesses.

4.217 3.036 2.314 2.512 524 3.074 818 178 995 1.974 259 3.198 2.233 2.898 605 0 0 3.503 4.037

1.158 1.280

123

180

1998 0,0 861,0 861,0

1999 0,0 3.077,0 3.077,0

2000 0,0 2.079,9 2.079,9

2001 505,0 644,7 1.149,7

2002 1.158,0 1.279,9 2.437,9

2003 3.441,1 1.538,8 4.979,9

2004 1.926,0 387,5 2.313,5

2005 2.512,0 523,7 3.035,7

2006 3.074,4 123,1 3.197,5

2007 817,7 177,7 995,4

2008 (ener) 1.973,6 259,1 2.232,7

2008* 2.897,8 605,3 3.503,1

2009* 4.037,1 179,6 4.216,6

2010* 0,0 0,0 0,0

Grfico 1.3 - Expanso da rede bsica de transmisso.Fonte: Aneel, 2008.

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

33

Captulo 1 | Caractersticas Gerais

Os editais de licitao permitem a participao de empresas nacionais e estrangeiras, pblicas e privadas, que podem concorrer isoladamente ou em consrcio, assim como fundos de investimentos em participao registrados na Comisso de Valores Mobilirios (CVM). De acordo com a atual sistemtica, os leiles so realizados com inverso da ordem de fases, que consiste na habilitao jurdica, tcnica, econmico-financeira e fiscal aps a realizao da sesso pblica do leilo e apenas para as vencedoras do certame. Nesses leiles, vence quem oferecer a menor tarifa, ou seja, a menor Receita Anual Permitida (RAP) para prestao do servio pblico de transmisso. Os desgios verificados resultam em benefcios ao consumidor, uma vez que a tarifa de uso dos sistemas de transmisso um dos componentes de custo da tarifa praticada pelas distribuidoras. Essa diferena a menor tambm contribui para maior competitividade do setor produtivo nacional.

Tabela 1.4 - Acrscimo anual da gerao (em MW)1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008(*) At 16/8/2008. Fonte: Aneel, 2008.

2.840,3 4.264,2 2.506,0 4.638,4 3.998,0 4.234,6 2.425,2 3.935,5 4.028,0 860,5*

1.5 GERAO De acordo com o Banco de Informaes de Gerao (BIG), da Aneel, o Brasil conta, em novembro de 2008, com 1.768 usinas em operao, que correspondem a uma capacidade instalada de 104.816 MW (megawatts) nmero que exclui a participao paraguaia na usina de Itaipu. Do total de usinas, 159 so hidreltricas, 1.042 trmicas abastecidas por fontes diversas (gs natural, biomassa, leo diesel e leo combustvel), 320 Pequenas Centrais Hidreltricas (PCHs), duas nucleares, 227 centrais geradoras hidreltricas (pequenas usinas hidreltricas) e uma solar. Este segmento conta com mais de 1.100 agentes regulados entre concessionrios de servio pblico de gerao, comercializadores, autoprodutores e produtores independentes. Detalhes a respeito da gerao de energia eltrica no Brasil e no mundo so fornecidos nos captulos de 3 a 9. As informaes da Agncia tambm demonstram que, desde 1999, o aumento na capacidade instalada do pas tem sido permanente ao contrrio do que ocorreu no final dos anos 80 e incio da dcada de 90, quando os investimentos em expanso foram praticamente paralisados. Como pode ser observado na Tabela 1.4 a seguir, em 2007, 4 mil MW foram agregados capacidade instalada. O BIG relaciona, ainda, 130 empreendimentos em construo e mais 469 outorgados, o que permitir a insero de mais 33,8 mil MW capacidade instalada no pas nos prximos anos,

como mostra a Tabela 1.5 na pgina seguinte. A maior parte da potncia, tanto instalada quanto prevista, provm de usinas hidreltricas. Em segundo lugar, esto as trmicas e, na seqncia, o conjunto de empreendimentos menores. O planejamento da expanso do setor eltrico, produzido pela Empresa de Pesquisa Energtica (EPE) prev a diversificao da matriz da energia eltrica, historicamente concentrada na gerao por meio de fonte hidrulica. Um dos principais objetivos desta deciso reduzir a relao de dependncia existente entre volume produzido e condies hidrolgicas (ou nvel pluviomtrico na cabeceira dos rios que abrigam estas usinas). H poucos anos, as hidreltricas representavam cerca de 90% da capacidade instalada no pas. Em 2008, essa participao recuou para cerca de 74%. O fenmeno foi resultado da construo de usinas baseadas em outras fontes (como termeltricas movidas a gs natural e a biomassa) em ritmo maior que aquele verificado nas hidreltricas. Todas as etapas da vida de uma usina dos estudos para desenvolvimento do projeto operao so autorizadas e/ou fiscalizadas pela Aneel. No caso das trmicas, a autorizao para construo configura-se como um ato administrativo e, portanto, relativamente simples. J a construo das UHEs e PCHs, por envolver a explorao de um recurso natural que, pela Constituio, considerado como bem da Unio, deve ser precedida de um estudo de inventrio cuja realizao depende de autorizao da Aneel e cujos resultados tambm devero ser aprovados pela entidade. A partir da, o processo regulamentar que d origem autorizao para a construo das UHE bem mais complexo do que o das PCHs.

34

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Caractersticas Gerais | Captulo 1

Tabela 1.5 - Empreendimentos em operao, construo e outorgados Empreendimentos em OperaoTipoCentral Geradora Hidreltrica Central Geradora Eolieltrica Pequena Central Hidreltrica Central Geradora Solar Fotovoltaica Usina Hidreltrica de Energia Usina Termeltrica de Energia Usina Termonuclear Total

Quantidade227 17 320 1 159 1.042 2 1.768

Potncia Outorgada (kW)120.009 272.650 2.399.598 20 74.632.627 25.383.920 2.007.000 104.815.824

%0,11 0,26 2,29 0 71,20 24,22 1,92 100

Empreendimentos em ConstruoTipoCentral Geradora Hidreltrica Central Geradora Eolieltrica Pequena Central Hidreltrica Usina Hidreltrica de Energia Usina Termeltrica de Energia Total

Quantidade1 22 67 21 19 130

Potncia Outorgada (kW)848 463.330 1.090.070 4.317.500 1.528.898 7.400.646

%0,01 6,26 14,73 58,34 20,66 100

Empreendimentos Outorgados entre 1998 e 2008 (no iniciaram sua construo)TipoCentral Geradora Hidreltrica Central Geradora Undi-Eltrica Central Geradora Eolieltrica Pequena Central Hidreltrica Usina Hidreltrica de Energia Usina Termeltrica de Energia TotalFonte: Aneel, 2008.

Quantidade74 1 50 166 15 163 469

Potncia Outorgada (kW)50.189 50 2.401.523 2.432.568 9.053.900 12.526.201 26.464.431

%0,19 0 9,08 9,19 34,21 47,33 100

Para as UHEs, a etapa seguinte ao estudo de inventrio a realizao, pelo empreendedor que solicitar a autorizao, do estudo de viabilidade. Simultaneamente, devem ser obtidas, tambm, a licena ambiental prvia (junto ao rgo ambiental estadual ou nacional, caso o aproveitamento esteja localizado em dois ou mais Estados) e a reserva de recursos hdricos (a ser promovida junto aos rgos responsveis pelos recursos hdricos, de esfera estadual ou federal). Concluda esta etapa, o empreendimento est apto a ser licitado por meio de leiles de venda antecipada da energia a ser produzida (para detalhes ver Box 1). Vencer o proponente que se propuser a vender a produo s distribuidoras pelo menor preo por MWh (megawatt-hora). Foi o que ocorreu no leilo da usina de Santo Antnio, no Rio Madeira (RO): o consrcio Madeira Energia S/A vendeu 70% da

produo s distribuidoras pelo preo de R$ 78,87 por MWh, diante do preo mximo fixado pelo MME de R$ 122,00 por MWh. Para os empreendedores da usina de Jirau, tambm no Rio Madeira, o processo foi o mesmo. O Consrcio Energia Sustentvel do Brasil (CESB) se disps a vender ao mercado cativo (distribuidoras) 70% da energia pelo preo de R$ 71,37 por MWh, valor que correspondeu a um desgio de 21,57% em relao ao preo teto estabelecido pelo MME, de R$ 91 por MWh. Tanto em Santo Antnio quanto em Jirau, os restantes 30% podero ser comercializados no mercado livre de energia (para conhecer o funcionamento desse mercado, ver Box 1). Definido o vencedor do leilo, vem a etapa de desenvolvimento do Projeto Bsico Tcnico (PBT) a ser aprovado pela Aneel e do Projeto Bsico Ambiental (PBA) encaminhado

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Captulo 1 | Caractersticas Gerais

ao rgo ambiental responsvel pela avaliao do empreendimento. Apenas aps obter as aprovaes a ambos, o empreendedor poder desenvolver o projeto executivo e dar incio construo da usina. J a construo de PCHs com potncia de at 30MW e reservatrio no superior a 3 km2 no exige nem o estudo de viabilidade nem a licitao. Aps a realizao do estudo de inventrio, a Aneel seleciona o empreendedor de acordo com critrios pr-definidos, avalia o projeto

bsico da usina e concede a autorizao para a instalao. No Brasil, o ltimo inventrio global foi realizado em 1992 pela Eletrobrs. Em 2008, a EPE ocupava-se da reviso dos inventrios dos rios Araguaia e Tibagi e realizava novos estudos em bacias principalmente da regio Norte. Como pode ser observado na Tabela 1.6 abaixo, exatamente nesta regio, na bacia Amaznica, que se encontra o maior potencial hidreltrico existente no pas.

Tabela 1.6 - Potencial hidreltrico por bacia hidrogrfica - Situao em 2007 (MW)Bacia1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Amazonas Paran Tocantins/Araguaia So Francisco Atlntico Sudeste Uruguai Atlntico Sul Atlntico Leste Paraguai Parnaba Atlntico NE Oc. Atlntico NE Or. TotalFonte: EPE, 2007.

Total106.149 57.801 28.035 17.757 14.728 12.816 5.437 4.087 3.102 1.044 376 158 251.490

%42,2 23,0 11,2 7,1 5,9 5,1 2,2 1,6 1,2 0,4 0,1 6,0

Figura 2.1 - Consumo de energia eltrica per capita em 2007.Fonte: BP, 2008.

Essa disparidade explicada pela estrutura econmica e social de cada um dos dois grupos. Os pases que compem o primeiro so caracterizados por uma economia relativamente estvel, em que no h espao para aumentos acentuados na produo industrial ou no consumo de bens que pressionam a absoro de energia, como automveis, eletrodomsticos e eletroeletrnicos. Em sociedades mais estruturadas e ricas, a maior parte da populao conseguiu adquiri-los ao longo da segunda metade do sculo XX. Alm disso, para a produo industrial, os pases desenvolvidos tendem a utilizar, com maior freqncia, equipamentos energeticamente eficientes que, ao longo do tempo, passaram a

requerer menor volume de energia para se manter em operao. Finalmente, eles tambm deixam, aos pases em desenvolvimento, a realizao de atividades que consomem muita energia, como o caso da siderurgia e produo de alumnio (ou a chamada indstria energointensiva). As variaes do consumo de energia, portanto, so suaves, quando no decrescentes. Na Frana e Alemanha, por exemplo, o consumo total de energia primria recuou, respectivamente, 2,1% e 5,6% entre 2006 e 2007, segundo o estudo da BP Global. No mesmo perodo, o PIB desses pases teve evoluo de 1,9% e 2,5%. Tambm na comparao entre 2006 e 2007, o consumo nos Estados Unidos aumentou apenas 1,7%, enquanto a economia cresceu 2,2%.

1 Os pases da OCDE relacionados pela IEA so: Austrlia, ustria, Blgica, Canad, Repblica Tcheca, Dinamarca, Finlndia, Frana, Alemanha, Grcia, Hungria, Islndia, Irlanda, Itlia, Japo, Coria, Luxemburgo, Mxico, Pases Baixos, Nova Zelndia, Noruega, Polnia, Portugal, Repblica Eslovaca, Espanha, Sucia, Sua, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

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Captulo 2 | Consumo

J os pases em desenvolvimento esto mais sujeitos a bruscas reverses de tendncias na economia seja pela poltica econmica interna restritiva, seja pela grande dependncia do capital internacional, dado o pequeno volume de poupana interna. A partir dos anos 90, houve, inclusive, uma sucesso de vigorosos ciclos de expanso em funo do elevado volume recebido de investimentos externos, originrios das naes desenvolvidas. Na Amrica Latina, esse movimento foi muito perceptvel no Brasil e Chile. No mundo, os destaques so os pases asiticos, como China e Rssia, favorecidos pela liberalizao gradual dos regimes comunistas. Alm disso, esses pases costumam apresentar variaes do consumo de energia bem mais acentuadas que o crescimento do PIB em funo de fatores como a existncia de grande nmero de indstrias energointensivas, demanda reprimida por eletrodomsticos, eletroeletrnicos e automveis, e existncia de uma forte economia informal (com atividades sem registro e, portanto, sem a correspondente arrecadao de impostos e tributos). Sobre o impacto que esses ciclos de expanso econmica tm sobre o consumo local de energia, o Brasil tem exemplos clssicos. O primeiro ocorreu no ano de 1994, quando o Plano Real, ao conter a inflao e estabilizar a moeda, permitiu o aumento abrupto de renda da populao. Segundo o Operador Nacional do Sistema Eltrico (ONS, rgo que coordena a operao integrada da gerao e transmisso de energia eltrica na maior parte do pas), a expanso do consumo de energia eltrica deu um salto de 4,55 % em 1994 e de 6,41% no ano seguinte, em funo do aumento de vendas de eletrodomsticos e eletroeletrnicos. Alm disso, em 2006 e 2007, o aquecimento econmico, com conseqente gerao de empregos, aliado estratgia setorial de dilatao dos prazos de financiamento, beneficiou, entre outros, o setor automobilstico, que registrou volumes recordes de vendas de automveis o que tambm pressionou o consumo de combustveis como gasolina e etanol.

por estes 30 pases aumentou 35% (de 2.829 milhes de tep para 3.824 milhes de tep), enquanto a evoluo do consumo mundial foi de 73%. A variao verificada na energia eltrica foi bem mais expressiva: 140%, passando de 323 milhes de tep para 776 milhes de tep. Os Estados Unidos continuaram a liderar o ranking dos maiores consumidores em 2007, ao responder por 21,3% do total mundial, conforme o estudo da BP Global. Considerando que a participao de Canad e Mxico (2,9% e 1,4%, respectivamente) pouco representativa no contexto do consumo de energia mundial, possvel depreender, portanto, que Estados Unidos foram os principais responsveis pela consolidao da Amrica do Norte como uma das maiores consumidoras mundiais de energticos. Em 2007, esta regio, composta por trs pases, respondeu por 25,6% do total mundial. Essa participao foi superada pela Europa/Eursia que, com mais de 30 pases, respondeu por 26,9% do consumo global e pela sia Pacfica, com participao de 34,3%. Outra caracterstica observada nos pases desenvolvidos foi uma certa diversificao no tipo de energticos. Mas este comportamento resultado mais das polticas aplicadas individualmente pelos governos locais (para detalhes, ver captulos 3 a 9) do que uma opo da populao, para quem, na maior parte das vezes, a fonte utilizada para a produo de energia pouco visvel. Essas polticas, ainda em andamento, visam diversificao da matriz e conseqente reduo da utilizao dos combustveis fsseis grupo no qual os principais integrantes so petrleo e carvo em funo tanto da volatilidade e tendncia de alta dos preos do petrleo quanto da necessidade de conteno do volume de emisses de gases causadores do efeito estufa a partir dos compromissos assumidos no protocolo de Kyoto, em 1992 e retificados no Tratado. Assim, entre 1973 e 2006, a participao do carvo nos pases da OCDE recuou de 10,1% para 3,5% do total de energia consumida. No petrleo, a queda foi de 56,6% para 51,8%. Ao mesmo tempo, o consumo de energia eltrica quase dobrou (11,4% para 20,3%) enquanto a posio das fontes renovveis e do grupo Outras Fontes (elica e solar, entre outras) tambm apresentou um salto significativo, embora sua posio no ranking total continuasse pouco expressiva. As fontes renovveis (lideradas pela biomassa) apresentaram variao de 2,9% para 3,8% no perodo e o grupo Outras Fontes, de 0,8% para 1,9%, como mostra o Grfico 2.2 a seguir.

Pases desenvolvidos Segundo estatsticas da IEA, em 1973 os membros da OCDE respondiam por 60,6% dos 4.672 milhes de tep da energia primria absorvida por todos os pases pesquisados. Em 2006, essa participao recuou para 47,3% do total de 8.084 milhes de tep. Entre um ano e outro, portanto, o volume demandado

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Consumo | Captulo 260 50 40 % 30 20 10 0 Petrleo 11,4 20,3 18,2 18,7 10,1 3,5 Eletricidade Gs Natural Carvo 2,9 3,8 0,8 1,9

56,6

51,8

1973 2006

Biomassa

Outros

Grfico 2.2 - Participao das diversas fontes de energia no consumo (1973 e 2006).Fonte: IEA, 2008.

Pases em desenvolvimento Em 2007, a participao da China no mercado mundial de energia aumentou 5,3%. Nesse ano, ao absorver 1.863 milhes de tep (aumento de 7,7% sobre o ano anterior), o pas foi o segundo do ranking mundial, s superado pelos Estados Unidos. Segundo o estudo da BP Global, a China registra uma tendncia ininterrupta de aumento do consumo energtico desde 1998, quando absorveu 917,4 milhes de tep. Isto significa que, em 10 anos, o consumo mais que dobrou, apresentando variao de 103%. A maior fonte de energia o carvo, o que transforma a China em um dos grandes emissores mundiais de CO2 e outros gases causadores do efeito estufa. O pas tem buscado a diversificao da matriz, ao investir na expanso das usinas hidreltricas (para detalhes, ver captulo 3). Mas, entre 2006 e 2007, o volume do carvo consumido apresentou variao de 7,9%, ao passar de 1.215 milhes de tep para 1.311 milhes de tep. Embora a China seja o exemplo mais expressivo em termos de crescimento do consumo de energia, outros pases e regies em desenvolvimento registraram comportamento semelhante ao longo dos ltimos anos. A diferena que, por serem economias menores e, portanto, absorverem um volume menor as elevadas variaes exercem menor presso na oferta global. Em 2007, o Equador, por exemplo, registrou uma variao de 8% no consumo, mas, ainda assim, respondeu por apenas 0,1% do total mundial. O Brasil respondeu por 2% do consumo mundial. Por regies, a participao da sia, descontando-se a China, aumentou de 6,5% para 11,5% de 1973 a 2006, segundo a IEA. Na Amrica Latina, a variao foi de 3,7% para 5,1%. A frica tambm registrou um expressivo aumento de participao, de 3,8% para 5,6%, como mostra o Grfico 2.3 a seguir.

70 60 50 40 % 30 20 10 0

60,6 47,3

1973 2006

15 7,9 6,5

11,5

12,5

8,1

3,8

5,6

3,7

5,1

0,9

4,3

2,6

2,3

1,5

0,8

OCDE

China

sia

Rssia

frica

Amrica Latina

Oriente Mdio

Bunkers martimos

Pases europeus fora da OCDE

Grfico 2.3 - Participao das diversas regies do mundo no consumo de energia em 1973 e 2006.Fonte: IEA, 2008.

Atlas de Energia Eltrica do Brasil

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Captulo 2 | Consumo

Dos chamados membros do BRIC (Brasil, Rssia, ndia e China), entre 2006 e 2007 apenas Rssia permaneceu com o volume consumido relativamente estvel (0,6%, segundo a BP Global). Este pas apresentou crescimento ininterrupto de consumo desde 2001, acumulando, at 2007, uma variao de 9,7%. Na ndia, onde o consumo aumentou 55% em 10 anos, a variao entre 2006 e 2007 foi de 6,8%. No Brasil, de 6,2%, segundo o Balano Energtico Nacional de 2008, produzido pela Empresa de Pesquisa Energtica (para detalhes, ver tpico 2.3). Quanto modalidade de energtico mais consumido, est diretamente relacionada facilidade de acesso aos recursos primrios em cada localidade. Na China e na ndia, o energtico mais consumido foi o carvo. Na Rssia, o gs natural. No Brasil, em 2007, a produo de usinas hidreltricas e derivados de petrleo.

Nem mesmo em 2001, ano marcado pelo racionamento de energia eltrica, o consumo global de energia registrou recuo: passou de 171,949 milhes de tep para 172,186 milhes de tep (aumento de 0,14%), acompanhando a taxa de crescimento do PIB nacional, de 1,3%. Mas, este comportamento foi beneficiado pela utilizao de outros tipos de energia, visto que o consumo de energia eltrica registrou uma queda de 6,6% em 2001. De acordo com o BEN 2008, os derivados de petrleo eram os principais energticos utilizados no pas em 2007 um comportamento verificado ao longo dos ltimos anos. Se somados leo diesel, gasolina e GLP (gs liquefeito de petrleo), o consumo atingiu 76,449 milhes de tep, diante de um consumo total de 201,409 milhes de tep. Foi muito superior, portanto, ao da energia eltrica que, ao atingir 35,443 milhes de tep, registrou aumento de 5,7% em relao ao total de 2006, de 33,536 milhes de tep. interessante notar, porm, que enquanto gasolina automotiva registrou recuo de 1,0% entre um ano e outro, o consumo de etanol aumentou 34,7% ao passar de 6,395 milhes de tep para 8,612 milhes de tep. Etanol e bagao de cana foram, inclusive, os grupos a registrar maior variao no perodo, como mostram a Tabela 2.3 abaixo e o Grfico 2.4 a seguir, o que justifica a consolidao da cana-de-acar como segunda principal fonte primria para produo de energia no pas.

2.3 CONSUMO DE ENERGIA NO BRASIL Alm do desenvolvimento econmico, outra varivel que determina o consumo de energia o crescimento da populao indicador obtido tanto pela comparao entre as taxas de natalidade e mortalidade quanto pela medio de fluxos migratrios. No Brasil, entre 2000 e 2005, essa taxa teve uma tendncia de queda relativa, registrando variao mdia anual de 1,46%, segundo relata o estudo Anlise Retrospectiva constante do Plano Nacional de Energia 2030, produzido pela Empresa de Pesquisa Energtica. Ainda assim, a tendncia do consumo de energia no perodo foi de crescimento: 13,93%. A exemplo do que ocorre no mercado mundial, tambm neste caso o movimento pode, portanto, ser atribudo principalmente ao desempenho da economia. O Produto Interno Bruto do pas, no mesmo perodo, registrou um crescimento acumulado de 14,72%, conforme dados do Ipea. A srie histrica constante do Balano Energtico Nacional de 2008, do Ministrio de Minas e Energia, mostra, alis, que em todo o perodo que vai de 1970 a 2007, de uma maneira geral a tendncia tem sido de expanso do consumo global de energia (o que abrange derivados de petrleo, gs natural, energia eltrica, entre outros). De 1990 a 2007, o crescimento acumulado foi de 69%, com o consumo total passando de 127,596 milhes de tep para 215,565 milhes de tep.

Tabela 2.3 - Consumo final energtico por fonte (103 tep)FonteEletricidade leo diesel Bagao de cana Lenha Gs natural Gasolina* lcool etlico Gs liquefeito de petrleo Outras fontes**

200633.536 32.816 24.208 16.414 13.625 14.494 6.395 7.199 39.887

200735.443 34.836 26.745 16.310 14.731 14.342 8.612 7.433 42.957

Variao %5,7% 6,2% 10,5% -0,6% 8,1% -1,0% 34,7% 3,2% 7,7%

* Inclui apenas gasolina A (automotiva). ** Inclui lixvia, leo combustvel, gs de refinaria, coque de carvo mineral e carvo vegetal, entre outros. Fonte: MME, 2008 (Adaptado do BEN 2008).

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Atlas de Energia Eltrica do Brasil

Consumo | Captulo 250 40 30 20 10 0

2006 2007

Grfico 2.4 - Consumo final energtico por fonte (Mtep) nos anos de 2006 e 2007.Fonte: MME, 2008 (Adaptado do BEN 2008).

Outras fontes

Eletricidade

leo diesel

Bagao de cana

Lenha

Gs natural

Gasolina

lcool etlico

Gs liquefeito de petrleo

Em 2007, o setor industrial continuou a ser o maior consumidor, imediatamente seguido por transportes e residncias, como pode ser observado no Grfico 2.5 abaixo. Movido pelo incremento no nvel de atividade econmica, este setor registrou um aumento de90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Industrial Transportes Residencial 22,1 22,3 18,8 53,3

6,7% no volume absorvido. S foi superado pelo setor energtico (que agrega os centros de trans