Novas oportunidades para o espaço rural

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  • VI Congresso da Geografia Portuguesa Lisboa, 17-20 de Outubro de 2007

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    Novasoportunidadesparaoespaorural.AnliseexploratrianoCentrodePortugal

    NorbertoSantoseLcioCunhaInstitutodeEstudosGeogrficos

    UniversidadedeCoimbra

    Aabordagemquepretendemosefectuarutiliza comoespao/suporteaqueleaque normalmente associamos uma baixa intensividade da actividade humana, comuma relao directa com a paisagem menos moldada pela civilizaourbano/industrial.Estapartedomundo,quehabitualmentedenominamosporrural,,multiforme nas suas caractersticas e, quando adequadamente intervencionada, degrandepotencialidadeendgena.

    A populao autctone destes espaos, que associamos, ainda, a tempos dorelgiomenosespartilhantesdoespaodevida,quandoaactividadeeconmicanaintegraasseguradapelaactividadeagrcola,tem,desdehmuito,umapluriactividadedegrandesignificadonotempoenoespaovividos,sendoaexpressosignificativadas capacidades de adaptao de certos grupos sociais e situaes locais precisas(FROELICHER, 1982: 159, citado por LOURENO, 1991: 93). GASPAR refere,precisamente, que os espaos rurais so, assim, cada vez menos os espaos deestabilidadesequealgumavezoforamGASPAR(2004:181).Asltimasdcadastmdebilitadoosespaos rurais.Umaparte significativadas fragilidadeseameaas

    surgemporinflunciadaacodesenvolvimentista explosivado mundo urbano, que fezerodirosespaosenvolventes,devidoarelaespaternalistase modos de interaco dedependncia do rural peranteo urbano, que resultaramnumareduosignificativadasdensidades demogrficas(Figura 1) e numa falta dedinamismo econmico,peranteonoaproveitamentodas oportunidades paravalorizao das suas prpriaspotencialidades.

    O modelo territorialistadedesenvolvimentooudeveser, hoje, assumido como

    Figura1EvoluodaPopulao:19301960e 19602001.Fonte:GeografiadePortugalcombaseemINE

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    fazendopartederedes,procurandoassimsuperaravelhadicotomiaentremodelosendgenos e exgenos (CARDOSO, 2002: 28). Tornase evidente que necessriodefinirquaisas funcionalidadesquepodemactuardemodo sustentveleexequvelsocioeconomicamentenoespaorural.Aimportnciadaagriculturafulcralemtodoo processo de estruturao rural, porque a agricultura no s uma actividadeeconmica,tambmcriadoradaspaisagensquenosatraemeconstituemaformadesuporte organizacional deste mundo de menor intensividade econmica epopulacional. Numa viso inversa, o abandono das actividades agrrias ou adiminuiodapressoantrpicanaspaisagens culturaisdeterminaumadegradaodesterecurso(MOLTMANTERO,2004:72),querelevanteevitar.

    A globalizao tem tido grande importncia na valorizao dos lugares a queassociamos as identidades dos territrios, os saberfazer especficos, os exlbris, asheranaspatrimoniaiseas tradies.Nestembito,oespao ruralganhaprojeco,associado,nahistriarecente,aosdiferentesmodosdeTurismoemEspaoRural,masampliada,hoje,novaembalagemdeactividadeseconmicasexistentes(termalismo),ao aproveitamento dos recursos hdricos para propsitos de lazer anteriormenteapenas explorados em situao de beiramar (barragens e praias fluviais), novaculturaderelaoNatureza/SerHumano(roteiros,turismoculturaledenatureza),aosdesportos (actividades equestres, golfe, desportos radicais). Como refere SIMES(1993Inforgeo)oturismotemsidoconsideradoumaestratgiadedesenvolvimentoeconmico e social pelos mais variados argumentos, tais como o aumento derendimentos,construodenovas infraestruturaseformaoderecursoshumanos,criaodeempregoeaumentodaproduo,entradadedivisase,emgeral,criaodemais riqueza (SIMES, 1993). Os investimentos recentes, que tm levado para omundo rural novas funcionalidades, so, precisamente, formas de corroborar o seupapelestratgiconodesenvolvimento.

    Asquestesdasustentabilidadedodesenvolvimentoedonvelde intervenolocal so centrais para a abordagem que pretendemos efectuar. Importa, por isso,tomar em considerao a importncia da conjugao das dimenses econmica(eficincia, crescimento, estabilidade), social (equidade, solidariedade) e ecolgica(reprodutibilidadedosrecursosnaturais),queMELAetal.(2001)sublinha,deformaaconseguirintervenesequilibradaseeficazes.Sabemos,tambm,queanaturezaeoambiente deixam de ter a funo de produo agrosilvopastoril prevalecente nopassado, para adquirir uma representao esttica, simblica e ldica pelos novosprotagonistas urbano e institucionais (CARDOSO, 2002: 35). Isto sucede porque adinamizaodascidadesregio,comassuasreasde influncia (ondese inscreveorural) tambm, ou precisa de ser, um modo de desenvolvimento rural.Efectivamente,pertinentesublinharque,comorefereCAVACO(2004):

    Odesenvolvimento ruralessencialmenteumproblemadedensidadesdepopulao (massa

    crticademeioshumanos),deactoresedassuasrelaes,deiniciativas,institucionaiseprivadas,

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    de capacidade organizativa; densidade de actividade econmica, de capitais, demodeobra

    qualificada, de saberes e de competncias, de criao de emprego, de infraestruturas, de

    servios,decentrosurbanos,comolembramBaptista(1999)eCunha(2004:258),paraquems

    existir um mundo rural dinmico se dispuser de uma estrutura urbana dinmica e bem

    hierarquizada(CAVACO,2004:100).

    Aindaassim,precisoteremconsideraoquearelaoentreurbanoerural

    umarelaodesigual.Osurbanitascriamoseuprpriomeiorural, idlicoeatractivo,depreciandoos elementosqueno correspondem ao seuesteretipo, resultadododesconhecimentodasfacetasquevoparaalmdoisolamento,datranquilidadeedobucolismooferecidospelomundorural(MALTMANTERO,2004).

    Tornase evidente que o rural diverso, multifuncional, produtivo, inovador, competitivo e apresenta uma capacidade atractiva que potencia, numarelao de complementaridade, a do espao urbano que o integra na sua rea deinfluncia.

    O Fundo Europeu Agrcola de Desenvolvimento Rural (FEADER, 20072013)ajustaseclaramenteaopropsitodepromoverosespaosruraisforadombitodassuasactividadestradicionais.

    Como refere FERRO (2000), o mundo rural organizase em torno de umatetralogia de aspectos: uma funo principal: a produo de alimentos; umaactividade econmica dominante: a agricultura; um grupo social de referncia: afamliacamponesa ();um tipodepaisagemque reflectea conquistadeequilbriosentre as caractersticas naturais e o tipo de actividades humanas desenvolvidas(FERRO,2000:46).Todavia,asmudanassoevidentesenomundoruralinscrevese,tambm (ou comea a inscreverse), amodernidade por oposio a espaos ruraisprofundosouarcaicos,assentandoestadicotomianaproposiodenovoselementospara o espao rural: a mecanizao e especializao na actividade agrcola, adominncia ou paridade de actividades no agrcolas, uma conscincia urbana queassomaasfamliaseavontadedemanteroequilbrioentreNaturezaeSerHumano,nosentidodasustentabilidade.

    O FEADER proposto em 4 eixos: aumento da competitividade;melhoria doambienteedapaisagemrural;qualidadedevidanaszonasruraisediversificaodaeconomia rural; abordagem LEADER (Ligaes entreAces deDesenvolvimento daEconomiaRural).Entendendoosdoisprimeiroscomofundamentaisparaapromooda actividade agrcola, ajustamento s necessidades dos mercados e a propostasinovadoras de valorizao das actividades ditas tradicionais, fundamentais para omundo rural, interessamnosmais,paraeste trabalho,asorientaespresentesnoseixos3e4.

    SabendodaimportnciadosProgramasLEADER,pareceimportantemanterumapoltica de valorizao e ampliao dos investimentos efectuados assim como depromoodenovaspropostas.

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    O Eixo 3 do FEADER remete para um propsito que central neste texto, aqualidadedevidanaszonasruraisediversificaodaeconomiarural,assumidapeloagricultor,emsituaodepluriactividade,atravsdaconstituiodemicroempresas.

    Efectivamente,paraodesenvolvimento localemespaos ruraisprecisoumaefectivaparticipaodaspopulaes,nosentidodevalorizaroprocessodecriaodeumaconscinciadecidadania,capazdedarvalorconjugaoentreaeconomiademercado e a necessidade de conservao dos recursos. Para que isto suceda fundamental que as polticas pblicas estejam presentes, para promoverinvestimentos,formaeseapoiofinanceiro(CAMPANHOLAeSILVA,2000).

    Estesapoiosdecimaparabaixoso,pois, fundamentaismasasdeterminaesgovernamentais no so determinantes no processo, resultando, de facto, de umaconstruo social (CAVACO; 1996) de ambiente sistmico, porque no se podedependerapenasdaagriculturaeserexclusivamenteagrcola, ignorandoosnveisdeurbanizao, integrao social e economia urbana (RODRIGUES e CALLOU,www.eca.usp.br).

    Assumindoqueoprocessodeve contar comosdiversosnveisde intervenoparaquepossavingar,oFEADERapresentaumincentivosactividadestursticascomcentros de informao e a sinalizao de locais tursticos; a valorizao de infraestruturasrecreativas,comoasqueoferecemacessoazonasnaturaisealojamentoscom pequena capacidade, a par com o desenvolvimento e/ou a comercializao deserviostursticosrelacionadoscomoturismorural.

    Conjuntamente com estes investimentos surgem os associados aos serviosbsicos para a economia e a populao rurais, a conservao e valorizao dopatrimniorural(naturalecultural).

    SabendoqueoFEADERsurgeem ntimarelaocomoLEADER queprocuradefinir estratgias locais de desenvolvimento, obter parcerias locais dos sectorespblico e privado (denominados grupos de aco local), organizar grupos de acolocal com poderes de deciso no que diz respeito elaborao e execuo deestratgias locais de desenvolvimento, promover a execuo de abordagensinovadoras e projectos de cooperao e reconhecendo o interesse autrquico eprivadoempromover localmente iniciativaseprojectosno mbitodo turismoedolazer, parecem criadas as condies para tornar o mundo rural num espao deactividadesde servios,que valorizandoo tempo livredaspopulaesautctonesealctones,promovaodesenvolvimentolocal.

    Potencialidadeseinvestimentos(algunsexemplos)Um dos elementos que temmerecido alguma ateno, tanto por parte da

    oferta,comoporp