Potencialidades do blogue

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Publicao de Ana Amlia Carvalho, Adelina Moura, Luis Pereira e Snia Cruz, acerca das potencialidades pedaggicas do blogue em vrios nveis de ensino.

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  • 1. Actas do VII Colquio sobre Questes Curriculares (III Colquio Luso-Brasileiro) Globalizao e (des) igualdades: os desafios curriculares. CIEd 2006BLOGUE: UMA FERRAMENTA COM POTENCIALIDADES PEDAGGICASEM DIFERENTES NVEIS DE ENSINOAna Amlia A. Carvalho, Adelina Moura, Lus Pereira, Snia Cruz aac@iep.uminho.pt; adelina8@gmail.com lumigopereira@gmail.com; soniacatarinacruz@gmail.comUniversidade do MInho1. IntroduoO blogue foi concebido como um dirio na Web, cuja informao est organizada damais recente para a mais antiga, disponibiliza um ndice de entrada e pode conter apontadorespara outros sites. Aberto a todos os cibernautas, permite que os visitantes deixem os seuscomentrios, tornando-se num fcil e popular meio de comunicao.Foi criado em finais da dcada de 90 com a designao de Weblog Web log ,registo dirio na Web, tendo rapidamente sido simplificado para blog e aportuguesado parablogue. A polmica sobre o criador grande, mas vrios, como Barbosa e Granado (2004),apontam Jorn Barger. O que comeou por ser um dirio on-line, muitas vezes designado com o nome do 1autor, rapidamente evoluiu para um espao de opinio temtica, como so exemplo o Abrupto ,Causa Nossa, Jornalismo e Comunicao, NetFM, Terceiro Anel, Irreal TV, entre outros.A facilidade de edio on-line e a vontade de cada um ter um espao fcil de criar e degerir contribuiu para o seu rpido e enorme sucesso. Permitiu tambm que mesmo aqueles quese sentem apreensivos perante a criao de um site, se sintam realizados na partilha global.Orihuela & Santos (2004) apontam trs vantagens na utilizao de blogues: i) a criaoe o manuseamento das ferramentas de publicao mais fcil; ii) as interfaces disponibilizadaspermitem ao utilizador centrar-se no contedo e iii) apresentam funcionalidades comocomentrios, arquivo, entre outros.Actualmente, j se pode falar em blogosfera, uma comunidade de milhes de blogues,que tem proliferado na Web, e em blogomania, que evidencia o nmero excessivo de bloguesque so criados diariamente. Oatman (2005) refere que so criados por dia 12.000 blogues. Nainvestigao realizada por Baptista (2004), os maiores visitantes dos blogues so professores,jornalistas e estudantes, seguindo-se gestores, advogados e arquitectos.Os blogues podem ser pessoais ou colectivos e estarem abertos a todos ou afectos auma comunidade fechada, a qual discute temas especficos de interesse para esse grupo outurma. No entanto, os blogues, em geral, constituem comunidades abertas, de comentrios esugestes, disponibilizando links e, muitas vezes, proporcionando encontros formais ou ldicos.O blogue comeou por se cingir ao formato texto, mas rapidamente surgiram bloguesque suportavam outros formatos, como fotoblog (ou fotolog) e o videoblog (videolog ou vlog).1 URL: http://www.abrupto.blogspot.com/; http://causa-nossa.blogspot.com/; http://webjornal.blogspot.com;http://netfm.blogspot.com/; http://terceiroanel.weblog.com.pt/; http://irrealtv.blogspot.com/ 635

2. Actas do VII Colquio sobre Questes Curriculares (III Colquio Luso-Brasileiro)Globalizao e (des) igualdades: os desafios curriculares. CIEd 2006Actualmente, o blogue evoluiu e j integra vrios formatos. Por outro lado e dada a evoluodas tecnologias mveis, tambm surgiu mais um neologismo, o moblog (mobile e weblog), queconsiste em publicar contedo na Internet atravs de um dispositivo mvel como o telemvelou o PDA.2. Potencialidades pedaggicas dos blogues A utilizao de meios electrnicos na educao tem este novo meio disponvel. Osblogs so essencialmente uma ferramenta facilitadora de interaco, pois, segundo Barbosa &Granado (2004), podem ajudar alunos e professores a comunicar mais e melhor. Alm disso, ao publicar num espao visvel por todos e no apenas em sistemasfechados, como mailing lists e intranet (Salleh, 2005), o aluno torna-se actor no fenmeno dacomunicao global e aumenta tambm a sua responsabilidade sobre aquilo que quercomunicar ao exterior. Como salientam Barbosa e Granado (2004), a partilha de textos umaporta aberta para a troca de experincias com outras escolas. Na construo e manuteno do seu blogue, o aluno ter de procurar sites dentro doseu campo de interesse, analisar o seu contedo, averiguar da veracidade e credibilidade dossites a inserir no seu blogue. Cria-se ento uma comunidade de aprendizagem em torno de umtema que interessa a todos os membros, multiplicando as possibilidades de se encontrar maissolues ao possibilitar a interveno e o dilogo com mais pessoas (Clothier, 2005). Osdebates podem ser em torno de temas actuais, a divulgao de projectos escolares (Costa2005), organizao de um trabalho de investigao, registo de trabalho de campo, entre outros. Efimova & Fiedler (2004) detectam caractersticas interessantes nas aprendizagensdas comunidades de blogues. Em primeiro, a aprendizagem acontece a partir de mltiplasperspectivas, graas aos vrios contributos. Assim, as aprendizagens podero ser induzidasquer por grupos organizados, mais acadmicas, quer por grupos no organizados. Alm disso,a leitura regular de weblogs com qualidade permite novas aprendizagens, porque apresentamnovas perspectivas. Por fim, promove uma reflexo sobre a prpria aprendizagem. Alguns blogues esto a ser utilizados como caderno dirio electrnico (e-caderno),porteflio e como frum. Os que funcionam como e-caderno so administrados directamentepelos alunos, onde publicam os seus textos, tecem comentrios e avaliam os trabalhos doscolegas. Neste caso, o blogue passa a ganhar uma nova dimenso no panorama educativo,extravasando as funcionalidades, do ponto de vista pedaggico, do caderno dirio tradicional.Qualquer texto fica imediatamente partilhado na Web, ficando arquivado, e podendo ser lido,comentado ou editado em qualquer altura. Deste modo, os textos ficam acessveis ao professore aos colegas, que os podem ler, comentar, avaliar e sugerir ligaes para os seus blogues oupara sites com temticas pertinentes para os assuntos abordados. Os alunos podem rectificarrapidamente o texto de acordo com as sugestes recebidas, disponibilizando a nova verso on-line. O e-caderno evita a perda dos trabalhos e permite que o aluno e o professor verifiquem o636 3. Actas do VII Colquio sobre Questes Curriculares (III Colquio Luso-Brasileiro) Globalizao e (des) igualdades: os desafios curriculares. CIEd 2006seu progresso atravs da comparao dos textos escritos ao longo do ano lectivo. SegundoBarbosa & Granado (2004), no difcil convencer os alunos a escrever em blogues. Umblogue tem, por isso, esse grande efeito motivador, j que faz com que aumente o interessedos alunos pela aprendizagem (Orihuela & Santos, 2004). O blogue tambm usado como porteflio (Niguidula, 2002; Batson, 2002), sobretudono ensino superior, no qual o aluno indica as suas pesquisas, resumos e reflexes. Nos casos em que o blogue funciona como frum, muitas vezes dinamizado peloprofessor, os alunos intervm para apresentarem os seus comentrios, que podem implicarpesquisa de informao na Web ou em outras fontes. O blogue pela grande facilidade de edio tem-se tornado popular, sendo um grandeincentivador de edio on-line para professores e alunos. Para alm, de funcionar comocaderno, porteflio, frum, apoio disciplina, tambm pode ser usado para disponibilizarpequenos sites como WebQuest e Caa ao Tesouro, que so actividades orientadas para apesquisa na Web. Gomes (2005) salienta que o blogue pode ser usado como espao deintercmbio e colaborao entre escolas, como espao de debate e role-playing (desempenhode papis) e como espao de integrao, quer de alunos de diferentes culturas ounacionalidades na escola, quer de alunos com problemas de sade que os impeam de sedeslocarem escola, sentindo-se deste modo mais prximos dos colegas. Os professores podem ainda usar estes sistemas digitais como complemento aoensino presencial, j que os blogues podero ser um veculo privilegiado de comunicao, paraavisos (Clothier, 2005), indicao de trabalhos a realizar, ligaes para materiais de consulta,textos de apoio s aulas (Barbosa & Granado, 2004), entre outros. A exposio meditica possibilita ainda que os pais acompanhem o processo deensino/aprendizagem, bem como trocar experincias com outros professores de qualquer partedo mundo (Clothier, 2005). Para Costa (2005), em todas as disciplinas possvel utilizar oblogue como ferramenta pedaggica, que pode ser de produo de textos, anlise de obrasliterrias, relatrios de visitas de estudos, publicao de fotos, desenhos e vdeos produzidospor alunos. A diversidade de blogues ligados ao ensino grande e integra os blogues dosprofessores, blogues dos alunos, blogues das disciplinas (Agauded & Baltazar, 2005) e osblogues das escolas. A importncia dos blogues ligados ao ensino est a ser reconhecida, 2tendo sido criado um concurso ibrico sobre blogues: os BloPes (Blogue em Portugs ouEspanhol na rea da Educao). Nos sub pontos seguintes, apresentam-se experincias deutilizao dos blogues nos diferentes nveis de ensino que os autores deste texto leccionam.2URL: http://osblopes.blogspot.com 637 4. Actas do VII Colquio sobre Questes Curriculares (III Colquio Luso-Brasileiro) Globalizao e (des) igualdades: os desafios curriculares. CIEd 20062.1. Na ps-graduaoA integrao do blogue na disciplina Hipermdia na Sociedade da Informao,opcional a todas as variantes do Mestrado em Superviso Pedaggica do Ensino, naUniversidade do Minho, teve como objectivo motivar os alunos para utilizarem os recursos decomunicao e de partilha proporcionados pela Internet, comeando por mostrar a facilidadede edio on-line que caracteriza esta ferramenta.No ano lectivo 2004-2005, 13 alunos de ps-graduao frequentaram a disciplina, dadoser essa a capacidade mxima da sala de informtica. Os sujeitos provinham de diferentesreas, sendo 7 de ensino de Histria, 4 de Biologia e 2 de Portugus. As suas idadesoscilavam entre os 23 e os 42 anos, distribuindo-se 7 pela faixa etria dos vinte, 4 nos trinta e 2nos quarenta.No que concerne literacia informtica dos sujeitos, inquirida atravs de umquestionr