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    AULA 10

    DIREITO DAS COISAS

    = PRIMEIRA PARTE =

    POSSE E PROPRIEDADE

    INTRODUO

    Meus Amigos e Alunos. Iniciamos hoje uma nova etapa em nossos estudos. At agora estvamos falando sobre o Direito das Obrigaes. Hoje vamos ingressar no Direito das Coisas. Este tema tambm muito extenso. Por isso vamos desmembr-lo em duas aulas. Hoje veremos somente a Posse e a Propriedade. Na prxima aula estudaremos os Direitos Reais sobre coisa alheia.

    Vamos iniciar a aula de hoje fazendo uma breve introduo ao tema.

    Na verdade existe uma grande dualidade no Direito Civil. Costumamos dividir os direitos (de uma forma geral) em: Obrigacionais (ou Pessoais) e Reais (chamado agora de Direito das Coisas). Assim, para o atual Cdigo Civil:

    A) DIREITO PESSOAL (ou obrigacional) relao entre pessoas, abrangendo tanto o sujeito ativo como o passivo e a prestao que o segundo deve ao primeiro (o exemplo clssico o contrato).

    B) DIREITO DAS COISAS relao direta e imediata entre o homem e a coisa (o exemplo clssico a propriedade), contendo trs elementos: a) sujeito ativo; b) coisa; c) relao (ou poder) do sujeito ativo sobre a coisa (domnio).

    Costumo dar em aula o seguinte quadrinho para distinguir bem essa diviso do Direito.

    DIREITO PESSOAL DIREITO DAS COISAS

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    1) Relao entre Pessoas. Dualidade de Sujeitos:

    a) Sujeito Ativo (credor)

    b) Sujeito Passivo (devedor)

    1) Relao direta entre o homem e as coisas. Apenas um Sujeito:

    a) Sujeito Ativo

    2) Objeto sempre uma prestao do devedor (ex: dar, fazer e no fazer).

    2) Objeto sempre uma coisa (corprea ou incorprea).

    3) Princpio bsico autonomia privada.

    3) Princpio bsico regras de direito pblico.

    4) No-taxatividade as obrigaes, de uma forma geral, podem ou no estar previstas na lei.

    4) Taxatividade devem estar previstos expressamente na lei e so oponveis erga omnes.

    5) Violados a parte pode ingressar com ao, mas somente contra a outra a parte.

    5) Violados a parte pode ingressar com ao contra quem detiver a coisa.

    6) Extingue-se pela inrcia (ex: prescrio).

    6) Conserva-se at que haja uma situao contrria em proveito de outro titular (ex: usucapio).

    Exemplo: os contratos de forma geral.

    Exemplos: posse e propriedade.

    Desta forma, podemos conceituar o Direito das Coisas como sendo um conjunto de normas que regem as relaes jurdicas concernentes aos bens materiais (mveis ou imveis) ou imateriais (incorpreos) suscetveis de apropriao pelo homem. Ele prev a aquisio, o exerccio, a conservao e a perda de poder sobre os bens, sejam eles corpreos ou incorpreos (entre eles os direitos autorais e a propriedade industrial marcas e patentes).

    O Direito das Coisas um vnculo que liga diretamente uma pessoa a uma coisa, impondo a todas as demais pessoas da sociedade o dever de absteno de qualquer atitude em relao quela coisa. Trata-se de um direito absoluto por ser oponvel a todos (erga omnes). O titular do direito real tem o poder de reivindicar a coisa onde quer que ela se encontre.

    Feita esta introduo, vamos apresentar uma Classificao Geral do Direito das Coisas para situar bem todos os pontos que veremos nesta e na prxima aula.

    CLASSIFICAO

    Anteriormente os termos Direito das Coisas e Direitos Reais eram tratados como sinnimos (at porque real vem de res; e res em latim significa coisa). O atual Cdigo Civil trouxe modificaes quanto s terminologias. Atualmente o Direito das Coisas passou a designar o gnero e Direitos Reais a espcie, conforme veremos logo a seguir.

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    Confiram ento como ficou o quadro completo do Direito das Coisas segundo o atual Cdigo Civil e a doutrina mais moderna sobre o assunto. Lembrando que vamos fornecer abaixo esse quadro de maneira genrica. A seguir vamos analisar item por item deste quadro como sempre temos feito durante nosso curso.

    CLASSIFICAO DO DIREITO DAS COISAS

    I) POSSE

    II) DIREITOS REAIS (podem recair sobre a prpria coisa ou sobre coisa alheia):

    A) Sobre Coisa Prpria Propriedade B) Sobre Coisa Alheia

    1. DE GOZO (ou fruio) a) Enfiteuse b) Superfcie c) Servido Predial d) Usufruto (englobando tambm o Uso e a Habitao)

    2. DE GARANTIA a) Penhor b) Hipoteca c) Anticrese d) Alienao Fiduciria

    3. AQUISIO Promessa irrevogvel (ou irretratvel) de compra e venda

    Obs. A Lei n 11.481/07 acrescentou outros dois direitos, que esto sendo chamados de direitos reais de interesse social: a) a concesso de uso especial para fins de moradia; b) a concesso de direito real de uso.

    OBSERVAO Desde os primrdios do Direito Romano h controvrsias a respeito da natureza jurdica da posse. Notem, pelo quadro acima que para o Direito Civil a posse est inserida no Direito das Coisas, por ser um vnculo que liga uma coisa a uma pessoa e pela sua oponibilidade a terceiros. Ela se encaixa no conceito de Direito das Coisas que falamos acima. Aplica-se a regra de que o acessrio (posse) segue o principal (propriedade).

    Mas para a doutrina (mundial) a situao no to simples. Alguns autores entendem que a posse apenas um fato. Outros entendem que ela s um direito. E outros entendem que a posse um fato e um direito ao mesmo tempo. E mesmo estes se subdividem: alguns entendem que um direito obrigacional especial. E outros a reputam como direito das coisas. Mas para um aluno que se prepara para concursos pblicos esta diviso toda no to importante. So apenas vises doutrinrias. Para efeito de exames (que o que nos interessa), a posse faz parte do gnero Direito das Coisas (mas observem bem no quadro acima que ela no um Direito Real). Por isso costumamos dizer que a posse uma situao de fato protegida pelo direito para

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    evitar a violncia e assegurar a paz social. At porque a situao de fato (posse) aparenta ser uma situao de direito.

    OBRIGAES REAIS PROPTER REM

    Outra observao importante diz respeito s obrigaes propter rem (ou seja, obrigaes em razo da coisa; ou simplesmente: obrigaes reais). Situam-se em uma zona intermediria entre o direito real e o direito obrigacional. Surgem como obrigaes pessoais de um devedor, mas por ser ele titular de um direito real. Elas acabam aderindo mais coisa do que ao seu eventual titular. Em outras palavras: elas recaem sobre uma pessoa (da ser direito pessoal), mas isso ocorre por fora de um direito real (como por exemplo, a propriedade). Exemplos clssicos: dvida por imposto predial, despesas de condomnio, obrigao de um proprietrio de no prejudicar a segurana, sossego e sade dos vizinhos; a do condmino de contribuir para a conservao da coisa comum ou de no alterar a fachada externa do edifcio; adquirente de imvel hipotecado de pagar o dbito que o onera, hipoteca, etc. Melhor exemplificando: a obrigao de pagar o IPTU pessoal; mas ela s existe por causa do direito de propriedade. Uma pessoa est devendo 03 anos de IPTU e vende seu imvel. Quem a Prefeitura ir acionar? A pessoa que realmente deve? Ou seja, a pessoa que era a proprietria do imvel e no pagou o imposto? Ou o novo proprietrio que adquiriu o bem com dvidas? Resposta: A Prefeitura ir acionar o atual proprietrio! evidente que este poder acionar o anterior de forma regressiva. Mas a Prefeitura aciona o atual proprietrio, pois quando ele comprou o bem, h uma presuno de que ele teria assumido todas as suas dvidas, inclusive as anteriores (art. 1.345, CC), pois as dvidas reais acompanham a coisa. O mesmo ocorre com as despesas condominiais. O condomnio ir assumir o atual proprietrio. Da a importncia de se exigir toda a documentao para a compra de um imvel. A falta de um desses documentos pode estar encobrindo uma grande dvida.

    Por isso, costumamos dizer que as obrigaes propter rem so hbridas: parte de direito obrigacional e parte de direito real.

    Como dissemos anteriormente, vamos analisar item por item do quadro geral apresentado. E vamos fazer isso com calma, em duas aulas. Hoje veremos a Posse e a Propriedade.

    Iniciemos pela Posse.

    DA POSSE (arts. 1.196/1.227 CC)

    TEORIAS CONCEITOS

    Existem duas grandes escolas que procuram delimitar o conceito de posse. Lgico que isto teoria pura. Se o aluno no entender perfeitamente o alcance de cada teoria no h muita importncia. Lembre-se estamos fazendo

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    um curso dirigido para Concurso Pblico e no um curso para Mestre ou Doutor em Direito. Portanto o que o aluno precisa saber que existem duas teorias sobre o tema: a subjetiva de Savigny e a objetiva de Ihering. E que o Brasil adotou uma dessas teorias (a objetiva), conforme veremos adiante. E o nosso direito protege no somente a posse correspondente ao direito de propr