INFÂNCIA AFRODESCENDENTE EPISTEMOLOGIA C NO E ?· INFÂNCIA AFRODESCENDENTE: EPISTEMOLOGIA CRÍTICA…

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  • INFNCIA AFRODESCENDENTE:EPISTEMOLOGIA CRTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL

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  • Universidade Federal da Bahia

    Reitor

    Naomar de Almeida Filho

    Vice Reitor

    Francisco Jos Gomes Mesquita

    Editora da Universidade Federal da Bahia

    Diretora

    Flvia M. Garcia Rosa

    Conselho Editorial

    Angelo Szaniecki Perret SerpaCarmen Fontes Teixeira

    Dante Eustachio Lucchesi RamacciottiFernando da Rocha Peres

    Maria Vidal de Negreiros CamargoSrgio Coelho Borges Farias

    Suplentes

    Bouzid IzerrougeneCleise Furtado Mendes

    Jos Fernandes Silva AndradeNancy Elizabeth Odonne

    Olival Freire JniorSlvia Lcia Ferreira

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  • Ana Katia Alves dos Santos

    INFNCIA AFRODESCENDENTE:EPISTEMOLOGIA CRTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL

    Salvador Bahia2006

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  • Copyright 2006 by Ana Katia Alves dos Santos

    PROJETO GRFICO, CAPA E EDITORAO ELETRNICACarlos Henrique de Jesus

    DIGITAOAna Katia Alves dos Santos

    REVISO E NORMALIZAOMaria Jos Bacelar Guimares

    EDUFBARua Baro de Geremoabo, s/n

    Campus de Ondina40170-115 Salvador Bahia

    telefax (71) 32636160www.edufba.ufba.br

    www.edufba@ufba.br

    Biblioteca Central Reitor Macdo Costa UFBA

    S237 Santos, Ana Katia Alves dos.Infncia e afrodescendente : epistemologia crtica no ensino fundamental/

    Ana Ktia Alves dos Santos. Salvador : EDUFBA, 2006. 165 p.

    Inclui anexos.Inclui bibliografia.ISBN 85-232-0385-0

    1. Crianas negras Educao Bahia. 2. Negros Educao Bahia.3. Educao de crianas Bahia. 4. Epistemologia. 5. Ensino fundamental Bahia. I. Ttulo.

    CDU 373.3 (813.8)CDD 372.98142

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  • AAntonio Osvaldo (in memoria) e Antonieta, pais queridos, por me

    ensinarem o respeito e o amor pela vida.Minhas irms, membros do Il Ax Oxumar: Osvaldina (in

    memoria), Ana Rita (ambas Ebmin) e Josenilda (Ekdi), alm deAna Lcia (Abi) do Il Ax Iy Nass Ok (Casa Branca), pelos

    dilogos e ensinamentos pautados na tradio religiosa dedescendncia africana.

    Crianas, ex-educandos(as), sobrinhos(as) e afilhados (BenedictAntonio e Irlan), sem os quais no compreenderia o quo

    importante o processo educativo.Educadores e educadoras do ensino fundamental, alunos(as) e ex-

    alunos(as) do ensino superior, pelos momentos singulares detroca e re-significao permanente de conhecimento.

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  • AGRADECIMENTOS

    Os agradecimentos traduzem-se aqui como reconhe-cimento de co-autoria desta obra, visto que, num sentido amplo,todas as pessoas citadas, de certa forma, deixaram um pedao desi que foi incorporado ao meu discurso e elaborao de pensa-mento. Reconheo, assim, a dinmica na produo de conheci-mento e valorizo a participao do outro, que me possibilitouolhares multiplicados.

    Ao Professsor Dr. Dante Galeffi, orientador do doutorado,pelo belssimo prefcio escrito para esta obra, bem como pelosensinamentos e possibilidades infindas de dilogo.

    Professora Dra. Joseania Miranda Freitas, orientadora domestrado, sempre muito tranqila, portadora de uma atitude ticaadmirvel, pela orientao presente e preocupada, e por acreditarnesta proposta de investigao.

    Professora Mestra Nilda Moreira Santos, professora daUCSAL, ex-professora da graduao, por ter me ensinado a nature-za crtica do conhecimento em suas maravilhosas aulas na discipli-na Currculo.

    Ao professor Felippe Serpa (in memoria), por sua postura, for-ma de vida autntica, desimpedida, ensinando na prtica, pelas rela-es, a necessidade de nos tornarmos, como educandos/educado-

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  • res e pessoas, cada vez mais livres das dominaes scio-polticas eeconmicas.

    Aos amigos Wendel e Gilson, por se fazerem sempre presen-tes no meu processo de produo de conhecimento. Agradeo tam-bm a Gilca, Milton, Jeferson, Silvana, Albrico, Telma, Edma eValria pelos incentivos e contribuies de potencial reflexivo. Vocsforam fundamentais neste processo.

    Ao Il Ax Oxumar (terreiro de Candombl localizado naAvenida Vasco da Gama, Salvador/BA) e aos professores, diretora,secretrio e crianas da escola do Lobato (Salvador/BA). A abertu-ra, a receptividade e a colaborao de todos foram aspectos funda-mentais para o caminhar desta reflexo. Consegui me sentir mem-bro dessas comunidades, vocs souberam me acolher. Sou gratapor isso!

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  • PREFCIO

    Infncia Afrodescendente: Epistemologia Crtica no EnsinoFundamental. Com este tema, Ana Katia reuniu as principais dimen-ses de sua investigao: Cincia da Educao na Bahia, Infncia Afro-descendente, Epistemologia Crtica e Ensino Fundamental. Quero di-zer, seu objeto investigativo um campo de sentido e significao quecongrega uma constelao compreensiva de comum-pertencimentoentre Cincia, Infncia, Afrodescendncia e Ensino Fundamental.

    O caminho percorrido de uma felicidade incomum. Tudonele fala do mesmo sentido do comum-pertencimento de ser-hu-mano-mundo e natureza. Preciso, claro, compassivo, denunciador,consistente o discurso construdo por Ana Katia em sua sagapotica e restauradora. De repente, a poca do abandono e da ca-rncia se v desfeita pela beleza e rigor de um gesto simples e dire-to, um acontecer outro que no mais da poca da desconstruo.Lanada em uma jorrncia utpica, no sentido prprio do termo,Ana Katia realiza uma abertura inaugural com sua origem primeva,ofertando seu dom transposio do estado de indigncia doafrodescendente para o estado de plenitude de sua diferena. Crti-ca e soluo se aliam na configurao de uma Cincia do Educar,uma Epistemologia Crtica, cujo ethos emana da compreensointegradora de ser-humano-natureza. O que ela chama deEpistemologia Crtica um ato fundador de um fazer cientfico re-

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  • Ana Katia Alves dos Santos10

    significado em sua ontologia. O horizonte compreensivo de AnaKatia se ramifica e se espalha na compreenso ontolgica e pr-ontolgica dos fenmenos.

    Ora, fenmeno sempre o aparecer de algo para algum. Fen-meno acontecimento do ser-sendo. Quero dizer, ela no tomou aatitude fenomenolgica como uma mera figura de linguagem e nemmuito menos como um "mtodo" imitativo das cincias ditas posi-tivas ou objetivas. De forma pertinente e direta, ela seguiu o senti-do prprio e apropriado de um exerccio fenomenolgico radical,articulando a atitude a implicada com o universo afrodescendenteem sua essencialidade de inteireza e plenitude livres de sujeies eexcluses ideolgicas. De onde provm esta fora compreensivaque a tudo une em sua passagem e morada?

    Fico perguntando acerca do mistrio do aparecer do sentido-sen-do em sua plenitude, e re-descubro a origem comum de tudo. A comu-nidade de sentido pertence a conjuntura do simples. Assim, o jogode excluses e centralidades hegemnicas um trao histrico dadominao planetria fundada na fragmentao e separatividade.Bem analisada, a dominao prpria da racionalidade moderna eu-ropia no anula e nunca anulou o mistrio do ser vivente em suasmltiplas floraes.

    De forma prpria e apropriada, Ana Katia des-velou, em con-sonncia com a sua ancestralidade, o princpio ontolgico do co-mum-pertencimento de tudo, a partir de uma "procura ciente" trans-formada em "investigao" em que o "questionado" "determinadode maneira libertadora", sem nunca abandonar o lcus espiritual desua filo e ontogenia. Isto a expresso de uma radical revoluocompreensiva do ser-no-mundo-com, em que as foras arcaicas eancestrais se renovam na florescncia do que se doa na conjugaoda temporalidade instante. A o cuidar a palavra-vida. Um modo deser para alm dos territrios da racionalidade instituda e imperante,um modo de ser afrodescendente: uma diferena libertadora.

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  • 11INFNCIA AFRODESCENDENTE: EPISTEMOLOGIA CRTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL

    Diferentemente da profecia em que o poeta dionisacoZaratustra anuncia a "morte de Deus", Ana Katia parece profeti-zar justamente o "renascimento da divindade" no corao cienteda humanidade. A virada epistemolgica cumprida reconcilia oato de origem com o sentido prprio do fazer cincia. Nesta me-dida, se o Zaratustra de Nietzsche configura o desespero do ho-mem moderno diante de suas prprias armadilhas racionais, e nestamesma direo, a hermenutica fundamental de Heidegger de-nuncia o "esquecimento do ser", por razes histricas muito pr-prias do ciclo historial do Ocidente, ambos no podem profetizarseno a "morte de Deus" e a "morte da metafsica", pois perma-necem encravados no emaranhado da racionalidade eurocnctrica,apesar de terem realizado uma sada ontolgica que deu e d a pen-sar no alm homem monolgico. Entretanto, eles mesmos nopoderiam profetizar o "renascimento do divino".

    Tudo isso para dizer: Ana Katia pode falar do renascimento dodivino no corao da humanidade porque o seu fundamentoontolgico afrodescendente. Indiscutivelmente, isto uma ddivapara todos os que para ele se abrirem. Por que devemos insistir nadesolao e no niilismo da racionalidade imperante? Ser que beben-do das fontes primevas seremos capazes de nos libertar do desamoravassalador? E por qu haveramos de buscar nossa dignidadeontolgica na tecnocincia insana e maqunica, desumana e alienante?

    A virada epistemolgica apresentada por Ana Katia re-ne a fora necessria para configurar uma educao infantilafrodescendente fundada em princpios emanados da simbli-ca dos orixs. Os mesmos so extraordinariamente universaise organizadores de um ethos cosmocntrico capaz de iluminara saga de uma humanidade alm do home