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A Revolução Não Será Televisionada | BijaRi | Catadores de Histórias Cia Cachorra | COBAIA | Contrafilé | Dragão da Gravura | EIA | Elefante Espaço Coringa | Esqueleto Coletivo | Frente 3 de Fevereiro | Mico Nova Pasta | ocupeacidade | Política do Impossível COLETIVOS

ZONA DE POESIA ÁRIDA - Poetry Arid Zone

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A Invisíveis Produções em parceria com o Museu de Arte do Rio – MAR apresenta Zona de Poesia Árida, exposição que traça um panorama do intenso papel de ativismo assumido pela arte a partir dos anos 2000, com a participação de coletivos atuantes em São Paulo. Com curadoria de Daniel Lima e Túlio Tavares, a mostra reúne 55 trabalhos, entre vídeos, fotografias, gravuras, intervenções e performances produzidos nos últimos 10 anos dos grupos Frente 3 de Fevereiro, Bijari, Contrafilé, Nova Pasta, Esqueleto Coletivo, Cia Cachorra, A Revolução Não Será Televisionada, COBAIA, EIA, Política do Impossível, Ocupeacidade, Espaço Coringa, Catadores de Histórias, Mico, Dragão da Gravura e Elefante. De 27 de Janeiro a 31 de Maio de 2015.

Text of ZONA DE POESIA ÁRIDA - Poetry Arid Zone

  • A Revoluo No Ser Televisionada | BijaRi | Catadores de Histrias Cia Cachorra | COBAIA | Contrafil | Drago da Gravura | EIA | Elefante Espao Coringa | Esqueleto Coletivo | Frente 3 de Fevereiro | Mico Nova Pasta | ocupeacidade | Poltica do Impossvel

    COLETIVOS

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  • 2COnTRAFIL Monumento catraca invisvel [Monument to the invisible turnstile]2004

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  • a incorporao desse conjunto Coleo MAR d as bases para a discusso em torno dos processos de circulao pblica e institucionalizao da arte e, de modo geral, das prticas de criao e resistncia da sociedade , debate essencial que exige das instituies uma renovada capacidade de autocrtica.

    the incorporation of this set into the MAR Collection forms the bases for discussion around the processes of public circulation and institutionalization of art and, in a general sense, of the practices of creation and resistance of society a key debate which requires a renewed capacity of self-criticism from institutions

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  • Arid Poetry Zone presents the set of more than 55 works by 16 So Paulo art and activism collectives present in the MAr Collection. these works make up the Collective Creativity Fund/Funarte formed by means of the 6th edition of the Marcantonio Vilaa Plastic Arts Award, an initiative of great importance in the field of cultural public politics in this country. the museum is grateful to Funarte and to the artists for having chosen MAr and for the privilege of housing this unique set of artworks among the countrys public collections.

    this group of artworks shows that MAr is a museum of processes: the Collective Creativity Fund is a fundamental breakdown of the presence of several collectives and groups from So Paulo in the inaugural exhibition the Shelter and the Land, which debated the right to the city and to housing, as well as the relationship between public and private. in 2014, the MAr at the Academy programme presented the seminar City, Art and Architecture: Social Housing in Brazil, in partnership with ProUrB/UFrJ, instituto Casa, etH-Zrich and Swissnex Brazil. the production of artists, activists and members of social movements is a point of inflection on Brazilian art history, which demands to be thought of critically. it becomes necessary to collect, to exhibit and to reflect upon this production, so that its pressing issues social, aesthetical, political, economic encounter resonance, increasing its public and the historical significance of its struggles.

    the incorporation of this set into the MAr Collection forms the bases for discussion around the processes of public circulation and institutionalization of art and, in a general sense, of the practices of creation and resistance of society a key debate which requires a renewed capacity of self-analysis from institutions. As such, the agenda of institutional critique is yet another important step for the museum, one that has been applied since the Shelter and the Land and advancing through exhibitions like Stratigraphic turbidities yuri Firmeza, eu Como Voc Grupo empreZa or the current exhibition Museum of the Man of the northeast. Arid Poetry Zone demonstrates the established new practices of the 2000s, which crisscross strategies of art and an especially intense form of activism. it is, in the end, with a desire to reverberate this potential of confrontation and invention that the Collective Creativity Fund becomes consolidated. After all, the Museu de Arte do rio, as an institution that appeared in the 21st century and that faces the challenges posed by the current cultural sociopolitical context, understands that the continued activation of this field of investigations is part of its responsibilities.

    Museu de Arte do Rio MAr

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  • ZonA de PoeSiA ridA apresenta o conjunto de mais de 55 trabalhos de 16 coletivos de arte e ativismo de So Paulo presentes no acervo do Museu de Arte do rio. essas propostas constituem o Fundo Criatividade Coletiva/doao Funarte, formado por meio da 6a edio do Prmio de Artes Plsticas Marcantonio Vilaa, iniciativa de grande importncia no campo das polticas pblicas da cultura deste pas. o museu agradece aos artistas por terem escolhido o MAr e Funarte o privilgio de abrigar este conjunto singular entre as colees pblicas do pas.

    o conjunto evidencia que o MAr um museu de processos, pois o Fundo Criatividade Coletiva um desdobramento da presena de alguns coletivos e grupos de So Paulo em sua exposio inaugural o Abrigo e o terreno, que debateu o direito cidade e habitao, alm das relaes entre o pblico e o privado. em 2014, o programa MAr na Academia promoveu o seminrio Cidade, Arte e Arquitetura: Habitao Social no Brasil com o ProUrB/UFrJ, o instituto Casa, a etH-Zrich e a Swissnex Brazil. A produo de artistas, ativistas e integrantes de movimentos sociais inflexo na histria da arte brasileira que demanda ser pensada criticamente. Colecionar, exibir e refletir sobre essa produo faz-se necessrio para que suas prementes questes sociais, estticas, polticas, econmicas encontrem ressonncia, ampliando seu pblico e o alcance histrico de suas lutas.

    A incorporao desse conjunto Coleo MAr oferece as bases para a discusso em torno dos processos de circulao pblica e institucionalizao da arte e, de modo geral, das prticas de criao e resistncia da sociedade , debate essencial que exige das instituies uma renovada capacidade de autoavaliao. A pauta da crtica institucional, que j estava posta desde o Abrigo e o terreno e veio avanando atravs de exposies como turvaes estratigrficas yuri Firmeza, eu Como Voc Grupo empreZa ou a mostra atual Museu do Homem do nordeste, d agora mais um importante passo no museu.

    ZonA de PoeSiA ridA demonstra que nos anos 2000 instauraram-se novas prticas que entrecruzam estratgias da arte e do ativismo de modo especialmente intenso. , enfim, com o desejo de reverberar essa potncia de questionamento e inveno que se consolida o Fundo Criatividade Coletiva. Afinal, o Museu de Arte do rio, como instituio que surge no sculo XXi , encarando os desafios colocados pelo atual contexto sociopoltico da cultura, compreende que parte de suas responsabilidades a contnua ativao desse campo de investigaes.

    Museu de Arte do Rio MAr

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  • 6BIjARI Cartaz gentrificado[Gentrification poster],2005

    POLTICA dO IMPOSSVEL Cidade luz [Light city], 2008

    FREnTE 3 dE FEVEREIROonde esto os negros? [Where are the black people?], 2005

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  • ESquELETO COLETIVOPassagens[Pathways],2005

    COnTRA FIL Monumento catraca invisvel [Monument to the invisible turnstile]2004

    nOVA PASTAA revolta dos Burros [the donkey revolt], 2012

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  • 8FREnTE 3 dE FEVEREIROZumbi somos ns [We are Zumbi], 2006foto [photo]: Jlia Vallengo

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  • constri-se tambm uma Zona de Poesia rida, que tem como topogra a a cidade e suas fendas.

    An Arid Poetry Zone is also constructed, which has the city and its cracks as its topography.

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  • in the works of Arid Poetry Zone, there is the ability of spreading that is inherent to the field of collective cultural production. there are works that, despite having been produced at the beginning of the century, become more and more relevant and assert themselves as a reference in the fields of art and of activism. the sequence of banners by Frente 3 de Fevereiro and their questioning of racism in football, for example; or even the Monument to the invisible turnstile, by the Contrafil collective, in which the symbol of the turnstile and its tacit disturnstilation has been upgraded to a landmark of resistance.

    these are works by a generation that lived and created a trajectory together, a repertoire, a singular group of actions in one of the biggest metropolises in the world. A generation that tore up institutional space right up to public life, crossing and being crossed by various social movements.

    it is not just the most relevant works of part of this generation of So Paulo art collectives from the start of the 21st century that are brought together. An Arid Poetry Zone is also constructed, which has the city and its cracks as its topography.

    daniel Lima and Tlio Tavares, curators

    Arid Poetry Zone

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  • existe nos trabalhos de ZonA de PoeSiA ridA a capacidade de espalhamento que inerente ao campo da produo cultural coletiva. H obras que, mesmo tendo sido produzidas no incio do sculo, so cada vez mais atuais e se afirmam como referncia nos campos da arte e do ativismo, a exemplo da sequncia de bandeiras da Frente 3 de Fevereiro e seu questionamento sobre o racismo no futebol; ou ainda o Monumento catraca invisvel, do coletivo Contrafil, em que o smbolo catraca e sua tcita descatracalizao tem sido atualizado como um marco de luta.

    So obras de uma gerao que viveu e criou junto uma trajetria, um repertrio, um conjunto singular de aes numa das maiores metrpoles do mundo. Uma gerao que esgarou o espao institucional at a vida pblica, cruzando e sendo atravessada por movimentos sociais diversos.

    renem-se no apenas os trabalhos mais relevantes de parte dessa gerao de coletivos artsticos paulistanos do incio do sculo XXi, constri-se tambm uma ZonA de PoeSiA ridA, que tem como topografia a cidade e suas fendas.

    daniel Lima e Tlio Tavares, curadores

    Zona de Poesia rida

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    CIA CACHORRAZona de poesia rida[Arid poetry zone], 2006foto [photo]: Antnia Brasiliano

    o nome ZonA de PoeSiA ridA foi originalmente criado em 2005 em performance do coletivo Cia. Cachorra.[the name Arid Poetry Zone was originally created in a 2005 performance by the Cia. Cachorra collective].

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    Nesse momento em que o movimento parecer perfume que o vrus, implantado l atrs, no primeiro instante, antes do furaco se formar, estar eternamente desequilibrando, desarrumando, desorganizando e atrapalhando.

    Right in the moment when the movement appears to be perfume is when the virus, implanted there at the back, right at the start, before the hurricane forms, will be eternally unbalancing, messing things up, disorganising and disrupting.

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  • is A(r)tivism a joke? is Ar(r)ivisme serious?

    How many belly buttons make a collective? Belly(b)uttonism?

    Art goes beyond the perception that we have of it in real time. in fact, what is seen isnt exactly art, but a kind of distorted reflection. therefore it is easy to be blinded in the moment that we want to understand it.

    it all began in the early 2000s. We were in a great series of transformations, trying to create survival tactics through the exchange of interests, content and affections. We produced outside the financial circuit, working collectively, creating collectives, taking part in other collectives, articulating with each other. i ended up in the middle of a hurricane, and a hurricane only happens if everything is ready for it to happen; a hurricane never comes out of nowhere, the elements were all there: the correct amount of humidity, the right amount of air, the change in temperature from here to there, wind x passes just below wind y and, boom!, a hurricane exploded. What i say is this: everything was in the air for this coming together to happen, a chaotic city and artists organised in collectives and social movements. All the logic that would cause this to happen was there, before even this hurricane, which happened freely, with no strings attached, without contracts. We knew the symbolic force that this urban network could have in the micro and macro political spheres.

    We radically positioned ourselves against spectacular culture and spectacularisation in general, or rather, against the non-participation, alienation and passiveness of society. We proposed the participation of individuals in all fields of social life, especially in culture.

    even nowadays, many of these collectives produce actions that are practices of intervention in public spaces, combining art and activism which are spread through virtual and face to face networks. Using network communication back then, we ended up organising actions against icons of the neoliberal system.

    Art produces images, sounds and memory. it reverberates in society and in people, who then reverberate with even more people. Biological metaphor and

    BE CAREFUL WITH THE FIRE

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  • o A(r)tivismo brincadeira? o Ar(r)ivismo srio?

    Com quantos umbigos se faz um coletivo? Um(b)iguismo?

    A arte mais ampla do que a percepo que temos dela em tempo real. o que se v na verdade no bem a arte, mas, sim, algum tipo de reflexo distorcido. Por isso fcil ser cegado no momento que queremos compreend-la.

    tudo comea no incio dos anos 2000. estvamos em um grande devir tentando criar tticas de sobrevivncia por meio das trocas de interesses, contedos e afetos. Produzamos fora do circuito financeiro, trabalhando coletivamente, criando coletivos, participando de outros coletivos, articulando uns com os outros. Fui parar no meio de um furaco e um furaco s acontece se estiver tudo preparado para ele acontecer; no existe um furaco que surja do nada; os elementos estavam todos l: a quantidade certa de umidade, a quantidade certa de ar, a transformao de temperatura daqui para l, um vento x, y que vai passar ali por baixo e, pum!, explodiu um furaco. o que eu digo : estava tudo no ar para que houvesse essa aproximao, cidade catica, artistas organizados em coletivos e movimentos sociais. toda a lgica do que viria a acontecer j estava l antes mesmo desse furaco que aconteceu livre, sem amarras, sem contratos, sem 13. Sabamos da fora simblica que essa rede de resistncia urbana poderia ter nas esferas micro e macropolticas.

    Posicionvamo-nos radicalmente contra a cultura espetacular e a espetacularizao em geral, ou seja, contra a no participao, a alienao e a passividade da sociedade. Propnhamos a participao dos indivduos em todos os campos da vida social, principalmente na cultura.

    Muitos desses coletivos, at hoje, produzem aes que so prticas de interveno em espaos pblicos, mesclando arte e ativismo, que se disseminam por meio de redes virtuais e presenciais. Utilizando-se da comunicao em rede, naquele momento, passaram a organizar aes contra os cones do sistema neoliberal.

    A arte produz imagens, sons, memria, reverbera na sociedade e nas pessoas,

    CUIDADO COM O FOGO

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  • 16ESquELETO COLETIVOVida x propriedade [Life versus property], 2003

    OCuPEACIdAdEProjeto kombi [Combi project], 2009

    ELEFAnTEdignidade [dignity], 2005

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  • CATAdORES dE HISTRIASocupao Guapira [Guapira squat], 2004

    CATAdORES dE HISTRIASocupao Guapira [Guapira squat], 2004

    MICOChega de Mickey: 500 anos de mico! [enough of Mickey: 500 years of faux pas!], 2000

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  • dissemination. Art speaks of social time, it changes the course of historic time and transforms society.

    We live in war in the city of So Paulo. it starts here, with the hypothesis that the art collectives using public space as the field of action all had something in common. Collective artistic projects question the relationship between art, politics and issues of life in this city, which produces a strategically excluded space. they operate in a minefield, where it might not be possible to enter without putting themselves at risk.

    Hence the search by grassroots movements, to go to the city, to the squats, to abandoned places, places that no one sees. We knew that new symbols could be produced, even if they were symbols that might fall out of the category of art. Because these groups stopped being an art movement and became a movement of the city, environmental, political and social, bringing the field of art closer to that of political activism, as a result of interventions in non-institutionalised spaces and with an eminently critical character.

    the art world didnt understand then what was happening: the reference to art is annihilated. We werent better understood by theorists or even by ourselves. We ended up losing ourselves. there were symbolic barricades against the police; signs advertising real estate were stolen from the streets, repainted with forms and designs by the eiA collective. things were never in any form of order, far from anything recognisable. How do you create a symbolic artistic barrier which interrupts the actions of the police on a day of eviction? the police would have to remove artwork from their path, to invade the squat and take people out. those barriers made from real estate signs were being repeated, until they were repainted by the elefante collective and ended up with the word diGnity. now it was possible to understand a little better. now it is no longer a work of art trying to block the arrival of the police, it is the word diGnity. they were barriers because those signs had a physical size for this, and we imagined the riot police arriving and trying to take many things from inside. But now they would mainly have to remove the word diGnity.

    the artists that produced art at that time used to manipulate information, they would manipulate how a certain group of social housing would be seen by the media. everything very plastic, everything very imagetic.

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  • que reverberam em outras pessoas ainda, metfora biolgica, disseminao. A arte fala do tempo social, muda os rumos do tempo histrico, transforma a sociedade.

    Vivemos em guerra na cidade de So Paulo. Parte-se aqui da hiptese que existiu algo em comum entre os coletivos artsticos que se utilizam do espao pblico como terreno de ao. Projetos artsticos coletivos indagam sobre as relaes entre arte, poltica e questes da vida nessa cidade que produz um espao estrategicamente excludente. operam em um campo minado, onde talvez no seja possvel entrar sem arriscar-se.

    Por isso a procura por movimentos populares, ir para a cidade, para as ocupaes, para lugares abandonados, lugares que ningum v. Sabamos que novos smbolos poderiam ser produzidos, mesmo que fossem smbolos que perdessem a categoria de arte. Porque esses grupos deixaram de ser um movimento de arte e se tornaram um movimento da cidade, ambiental, poltico, social, aproximando o campo da arte quele do ativismo poltico por meio de intervenes em espaos no institucionalizados e de carter eminentemente crtico.

    o mundo da arte no compreendeu, naquele momento, o que estava acontecendo: acaba-se com a referncia arte. no ramos mais compreendidos por tericos nem por ns mesmos. resolvemos nos perder. eram barricadas simblicas contra a polcia; placas de propagandas imobilirias roubadas das ruas, repintadas com formas e desenhos pelo coletivo eiA. As coisas estavam sempre fora de qualquer ordem, fora de qualquer coisa reconhecida. Como fazer barricada simblica de arte que interrompe a ao da polcia em dia de despejo? A polcia teria de retirar obras de arte de seu caminho para invadir a ocupao e arrancar as pessoas de dentro dela. Aquelas barricadas com placas imobilirias foram se repetindo, at que foram repintadas pelo coletivo elefante e ganharam a palavra diGinidAde. Agora era possvel entender um pouco melhor. J no obra de arte tentando barrar a chegada da polcia, a palavra diGnidAde. eram barricadas porque aquelas placas tinham tamanho fsico para isso e a gente imaginava a tropa de choque chegando e tendo de tirar um monte de coisas de dentro. e, principalmente, agora teria de retirar a palavra diGinidAde.

    os artistas que faziam arte, naquele momento, manipulavam a informao, manipulavam como certo grupo social de moradia seria visto pela mdia. tudo

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  • it wasnt easy, it wasnt simple. it was a moment of great tension. in the air was the danger of having to leave running in the middle of the night. We were there producing art, experimenting.

    i believe that the movement of these collectives will become famous when they no longer pose a threat, when it no longer smells like shit, when it becomes photos, films, books, masters degrees, Phds, post-theses, to appear in large biennales and museums in order to say why that symbolic act was important. right in the moment when the movement appears to be perfume is when the virus, implanted there at the back, right at the start, before the hurricane forms, will be eternally unbalancing, messing things up, disorganising and disrupting. new people there at the front, even with things neatly packaged, will be co-opted by this disorganising virus. they will think powerful, potent things and continue to disintegrate. that is bigger intention, that all this history is an eternal disintegrating element of absolute values. A viral process of collective agency of temporary autonomous zones, produced starting from incessant dissenting recompositions and not from a logic of consensus. they are facts that point to the limits between the power of subversions and the power of co-option within the system of art and life; a moment in which the art system and the political and economic system manage to take ownership of every critical movement of disruption.

    they are becomings of a historical construction, actions and absurd or surreal interferences in time and some place in the universe that is infinite.

    Present in this text are the voices of Sebastio de oliveira neto, ricardo rosas, Andr Mesquita, Fabiane Borges, Flavia Sammarone, Milena durante, ricardo Basbaum, Plato.

    Tlio Tavares

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  • muito plstico, tudo muito imagtico.

    no foi fcil, no foi simples, foi um momento de muita tenso. estava no ar o perigo de ter de sair correndo no meio de qualquer madrugada. estvamos l fazendo arte, experimentando.

    Acredito que o movimento desses coletivos ser famoso quando no oferecer mais perigo, quando no cheirar mais a merda, quando virar fotos, filmes, livros, mestrado, doutorado, ps-tese, estiver em grandes bienais e museus para dizer o quanto aquele ato simblico foi importante. nesse momento em que o movimento parecer perfume que o vrus, implantado l atrs, no primeiro instante, antes do furaco se formar, estar eternamente desequilibrando, desarrumando, desorganizando e atrapalhando. novas pessoas l na frente, mesmo com o negcio embrulhadinho, sero cooptadas por esse vrus desorganizante. elas pensaro coisas poderosas, potentes e continuaro desagregando. essa minha grande inteno, que toda essa histria seja um elemento desagregador eterno de valores absolutos. Um processo viral de agenciamento coletivo de zonas autnomas temporrias, produzidas a partir de incessantes recomposies dissensuais e no a partir da lgica do consenso. So fatos que apontam para os limites entre a potncia de subverso e o poder de cooptao dentro do sistema de arte e da vida, artigo de consumo; um momento em que o sistema de arte, o sistema poltico e econmico conseguem apropriar-se de todo movimento crtico de ruptura.

    So devires de construes histricas, aes e interferncias absurdas ou surreais no tempo e em algum lugar no espao do universo que infinito.

    neste texto esto presentes as vozes de Sebastio de oliveira neto, ricardo rosas, Andr Mesquita, Fabiane Borges, Flavia Sammarone, Milena durante, ricardo Basbaum, Plato.

    Tlio Tavares

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    BIjARIPoderes[Powers], 2011

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    Arent we the asphalt of this street? Arent we the cement of these walls? Arent we the windows of this time that are always ung open, always and always?

    No somos o asfalto desta rua? No somos o cimento destes muros? No somos as janelas deste tempo que se escancara sempre, sempre e sempre?

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  • Arent we the asphalt of this street? Arent we the cement of these walls? Arent we the windows of this time that are always flung open, always and always? We came to mark this territory with another poetry. to create another world. We came for the practice of a politics that is impossible and infinite. to multiply stories everywhere without words, on the streets, at home, in circles of conversation, in couples, in affection, in struggle. We allow ourselves an emergency exit.

    the knot, the tangle, the path. this is not about attempting to untangle and bring order to what is chaotic. But rather, to find the ends of wires in the turmoil. to offer departures.

    to this fascism of power, we oppose the positive and active lines of flight, because these lines lead to desire, to machines of desire and to the organisation of a social field of desire: it is not about escaping personally, but to make escape, like when a pipe or an abscess bursts. to allow streams to flow, under the social codes that want to cannibalise, to block them.

    Flix Guattari. Conversations, 1972

    the greatest danger of intervention: to cease to be an apparition and become a scene. you run the constant risk of losing your dimension of deterritorialization and simply assume a reterritorialization. An experience that instead of erasing contours, recreates them in another context, leaving only spaces for small variables. the apparition we never know if it is completely real, there is a kind of translucence. it is possible to see through it, through the fact. the emergence of the apparition allows us to see together the continuous and discontinuous of the situation.

    Where are these shortcuts, these passages to the cities behind the city? Where can we find these routes, these straight paths? in what situations can we be sucked in, taken to the other side of the mirror?

    make Escape

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  • no somos o asfalto desta rua? no somos o cimento destes muros? no somos as janelas deste tempo que se escancara sempre, sempre e sempre? Viemos para marcar este territrio com outra potica. Criar outro mundo. Viemos para a prtica de uma poltica impossvel e infinita. Multiplicar histrias sem palavras em toda parte, nas ruas, nas casas, nas rodas de conversa, nos casais, no afeto, na luta. nos damos a permisso de uma sada de emergncia....

    o n, o emaranhado, o caminho. no se trata de tentar desembaraar e trazer ordem ao catico. Mas, sim, encontrar no tumulto pontas de fios. oferecer partidas....

    A esse fascismo do poder, ns contrapomos as linhas de fuga ativas e positivas, porque essas linhas conduzem ao desejo, s mquinas do desejo e organizao de um campo social de desejo: no se trata de cada um fugir pessoalmente, mas de fazer fugir, como quando se arrebenta um cano ou um abscesso. Fazer passar fluxos, sob os cdigos sociais que os querem canalizar, barrar.

    Flix Guattari. Conversaes, 1972...

    o perigo maior da interveno: deixar de ser apario e se tornar cena. Corre-se o risco constante de perder sua dimenso de desterritorializao e apenas assumir uma reterritorializao. Uma experincia que, em vez de apagar os contornos, os refaz em outro contexto, deixando apenas espaos para pequenas variveis. A apario nunca sabemos se completamente real, existe certa translucidez. possvel ver atravs, atravessar o fato. o surgimento da apario permite ver juntos o contnuo e o descontnuo da situao....

    onde esto esses atalhos, essas passagens para as cidades por trs da cidade? onde podemos achar essas veredas, esses caminhos estreitos? em que situaes podemos ser sugados, tomados para esse outro lado do espelho?

    fazer fugir

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  • Faced with an apparently hegemonic field, we are driven to create passages, shortcuts, emergency exits, opened by the pyrotechnics of a poetic terrorism. Self-destructive devices. in the end, man also explodes. Creative explosions of each live-concept, each idea-creature, each insect-jumper, each virus-creator.

    in some areas, you dig a little and soon on the surface gush countless repressed forces. Many holes lead to an arid geology. Vibrations indicate light lands of sand, deep walls of granite, distinct porosities. We project complex mazes. We squeeze into straight tunnels in order to, occasionally, open passages to new worlds.

    - the collective organisation comes as an alternative to this extremely competitive and individualised world. it opens spaces for other ways of life, other relationships of affection and of work.

    - But the collective also means the exacerbation of the flexible characteristics of the contemporary subject. it means raising the power to deal with the various demands of the cultural circuit.

    - But collectives are a strategy of resistance. in the cultural system, collective practice enables a transversal trajectory. But, more importantly, we move in a way that brings together certain dissenting voices

    - We incorporate a true critical reserve of marginal and counter-cultural positions

    - to do this, we establish alliances, exchanges and frictions. We form an underground web of passages between social movements, academic research, artists, collectives, squats, institutions, networks

    - this movement, as much institutional as it is non-institutional, runs a huge risk of becoming lost. Alienated from itself. We can easily not recognise what we are producing.

    - our challenge is to follow our disquiet.

    daniel Lima

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  • diante de um campo aparentemente hegemnico, somos impelidos a criar passagens, atalhos, sadas de emergncia, abertas pela pirotecnia de um terrorismo potico. dispositivos autodestrutivos. Ao final, o homem se explode tambm. exploses criadoras de cada conceito-vivo, cada ideia-criatura, cada inseto-pulador, cada vrus-criador....

    em algumas reas, cava-se pouco e logo na superfcie jorram incontveis foras represadas. Muitos buracos levam a uma rida geologia. Vibraes indicam terrenos leves de areia, paredes profundas de granito, porosidades distintas. ns arquitetamos complexos labirintos. nos apertamos em tneis estreitos para, s vezes, abrir passagens para novos mundos. ...- A organizao coletiva vem como alternativa a este mundo extremamente competitivo e individualizado. Abre espaos para outros modos de vida, outras relaes de afeto e de trabalho.

    - Mas, tambm, o coletivo significa a exacerbao das caractersticas flexveis do sujeito contemporneo. Significa elevar a potncia de lidar com as diversas demandas do circuito cultural.

    - Mas os coletivos so uma estratgia de resistncia. no sistema cultural, a prtica coletiva possibilita uma trajetria transversal. Mas, mais importante, nos movimentamos de maneira a reunir certas vozes dissonantes...

    - incorporamos uma verdadeira reserva crtica de posies marginais e contraculturais...

    - Para isso, estabelecemos alianas, trocas e atritos. Constitumos uma trama subterrnea de passagens entre movimentos sociais, pesquisas acadmicas, artistas, coletivos, ocupaes, instituies, redes...

    - essa movimentao, tanto institucional como no institucional, traz um imenso risco de perder-se. Alienar-se de si mesmo. Podemos facilmente no reconhecer o que estamos produzindo.

    - nosso desafio seguir o nosso desassossego.

    daniel Lima

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  • 28ESPAO CORIngASem ttulo [Untitled], 2003

    dRAgO dA gRAVuRA integrao sem posse[integration without property], 2005

    COBAIAA insero da dvida no espao pblico [the insertion of doubt into public space], 2012

    28

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  • A REVOLuO nO SER TELEVISIOnAdA / CIA CACHORRALiberte-se: faixa [Free yourself: banner], 2003

    EIA- ExPERInCIAS IMERSIVAS AMBIEnTAISdoc 2005 - 2008 [doc 2005 - 2008], 2009

    CIA CACHORRALona rubra [Crimson canvas], 2010

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  • 30

    creditseXHiBitionCuRATORSdaniel Limatlio tavares

    COnCEPTBijaridaniel Limaeduardo VerderameMariana Cavalcantetlio tavares

    RESEARCHBia Martins

    gRAPHIC dESIgnBijari

    ExHIBITIOn dESIgnMariana Cavalcante

    PROduCTIOnBruna tavaresPaula Maia

    CARPEnTRyHumberto de oliveira Silva

    AuTOMATIOninfo Pantojarossini Maltoni

    SETuP OF ARTwORkSAmfigor VidorPablo VieiraSilvio de Camillis Borgesrio Hiking

    LIgHTIngArtimanha Julio Katona

    dIgITAL STRATEgIESlida Lima

    TRAnSLATIOnJohn Andrews

    PROOFREAdIngCia Correa

    ACqUiSition ProJeCtCOnCEPTdaniel Limatlio tavares

    CuRATORClarissa diniz MAr

    TExTSlida Lima

    TRAnSLATIOnMilena durante

    PROduCTIOninvisveis ProduesMariana Chaves

    dOnATIOnSCatadores de Histrias, daniel Lima, eiA, Guto Cintrngulo, tlio tavares andFabiane Borges

    rAdio deBAteCOnCEPT And COORdInATIOndaniel Lima, daniela Labra, Fabiana Prado, Fabiane Borges, Felipe Brait and tlio tavares.

    this is a project of the Museu de Arte do rios team with the collaboration of

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  • crditos eXPoSioCuRAdORIAdaniel Limatlio tavares

    COnCEPOBijaridaniel Limaeduardo VerderameMariana Cavalcantetlio tavares

    PESquISABia Martins

    dESIgn gRFICOBijari

    PROjETO ExPOgRFICO Mariana Cavalcante

    PROduOBruna tavaresPaula Maia

    CEnOTCnICAHumberto de oliveira Silva

    AuTOMAOinfo Pantojarossini Maltoni

    EquIPE dE MOnTAgEM Amfigor VidorPablo VieiraSilvio de Camillis Borgesrio Hiking

    ILuMInAOArtimanha Julio Katona

    ESTRATgIAS dIgITAIS lida Lima

    TRAduOJohn Andrews

    REVISOCia Correa

    ProJeto de AqUiSio COnCEPOdaniel Limatlio tavares

    CuRAdORIAClarissa diniz MAr

    REdAOlida Lima

    TRAduOMilena durante

    PROduOinvisveis ProduesMariana Chaves

    dOAESCatadores de Histrias, daniel Lima, eiA, Guto Cintrngulo, tlio tavares e Fabiane Boeges

    rdio deBAte COnCEPO E COORdEnAO daniel Lima, daniela Labra, Fabiana Prado, Fabiane Borges, Felipe Brait e tlio tavares.

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    este projeto uma produo da equipe do Museu de Arte do rio, com a colaborao de

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  • Praa Mau, 5, Centro

    rio de Janeiro, rJ, 20081-240

    CONCEPO E REALIZAO

    APOIO REALIZAOGESTO

    MANTENEDOR PATROCNIO

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    AgEndAMEnTO dE VISITAS EduCATIVAS/APPOINTMENTS FOR EDuCATION [email protected]

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    ExPOSIES/eXHiBitionSHorrioS de ViSitAo eSPeCiAL de Veroteras e sextas de MAR de Msica >das 10h s 20h (acesso at 19h)demais dias > das 10h s 18h (acesso at 17h30) segundas > fechado

    SPeCiAL SUMMer ViSitinG HoUrStuesdays and fridays of MAR of Music > from 10 am to 8 pm (access until 7 pm)other days > from 10 am until 6 pm (access until 5:30 pm)mondays > closed

    IngRESSOS/ADMISSIONR$ 8 (inteira/full price) R$ 4 (meia/half price) tera - gratuito/tue - free admission

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