ATAS – Parte 2 (pp. 3221-7534)

  • View
    220

  • Download
    2

Embed Size (px)

Text of ATAS – Parte 2 (pp. 3221-7534)

  • RITUAIS, SMBOLOS, FESTAS ESCOLARESRITUAIS, SMBOLOS,

    FESTAS ESCOLARES

    CD-ROM DE ATAS | 3221 | COLUBHE 2012

  • CD-ROM DE ATAS | 3222 | COLUBHE 2012

  • OS SENTIDOS E REPRESENTAES DA COMEMORAO EM LBUNS

    FOTOGRFICOS COMEMORATIVOS DA ESCOLA CAETANO DE CAMPOS SP

    Rachel Duarte ABDALAUniversidade de So Paulo e Universidade de Taubat

    PA L AV R AS- C H AV E

    Escola Caetano de Campos-SP;

    lbuns fotogrfi cos; Efemrides

    ID: 257

    CD-ROM DE ATAS | 3223 | COLUBHE 2012

  • CD-ROM DE ATAS | 3224 | COLUBHE 2012

  • Introduo A escola , por excelncia, o lugar onde se aprende a comemorar as datas cvicas,

    histricas e, inclusive as religiosas. Para a comemorao, so preparados e oferecidos aos alu-nos e aos seus familiares, desde uma programao composta de aes prprias do universo escolar, tais como apresentao de coral, exposio de trabalhos infantis, apresentaes tea-trais, e, muito frequentemente, acompanhadas do registro dessas aes sob a forma de foto-grafias.

    A Escola Caetano de Campos, de So Paulo, nutria a prtica de composio de l-buns fotogrficos como possvel verificar ao analisar o acervo de documentos da escola atu-almente sob a guarda do Centro de Referncia em Educao Mrio Covas. So 23 lbuns, sendo que a maioria deles elaborados na prpria escola. Dois deles so alusivos especificamente a efemrides: o lbum de Comemorao do IV Centenrio de So Paulo, de 1954, e o lbum co-memorativo do cinqentenrio do Jardim da infncia, de 1946.

    Alm destes, h no acervo dois lbuns que chamam a ateno por se tratarem de lbuns de outras escolas. O primeiro da Escola Normal Livre Paulo Andr, de Barretos-SP e o segundo do Colgio Estadual e Escola Normal Peixoto Gomide, Itapetininga-SP. Ambos referem-se homenagem ao 1. Centenrio do Ensino Normal em So Paulo, comemorado em 1946.

    Neste estudo, pretende-se analisar, com base numa retrospectiva histrica, o senti-do da comemorao e, numa perspectiva mais ampla, o prprio sentido de comemorar e as representaes que esse tipo de ao engendra no mbito do universo escolar, particularmente na produo de conjuntos de representao, como o caso do lbum fotogrfico.

    Considerando-se que educao um tema complexo e, por esse e outros motivos, como por exemplo, as diversas variveis que articula, suscita acalorados debates. No caso es-pecfico das comemoraes enfocadas nos lbuns estudados no foi diferente, duas deles espe-cificamente relativas ao universo escolar: centenrio do ensino primrio no estado de So Paulo e o cinqentenrio do Jardim da Infncia, e uma de cunho coletivo, a do IV Centenrio da cida-de de So Paulo, da qual a escola fez parte.

    A passagem e a comemorao da efemride suscitou acalorado debate sobre a situ-ao do ensino no estado. Assim como j havia sido por ocasio da comemorao do centen-rio do ensino primrio no Brasil em 1927, quando os jornais asseveraram que comemorar seria um ato vergonhoso, corroborando o quadro, j ele prprio, suficientemente vergonhoso da educao no pas.

    Em 2000 o Brasil comemorou os 500 anos do seu descobrimento. Nessa ocasio, intelectuais como Marilena Chau, apontaram discusses nessa mesma linha, inquirindo sobre o sentido de comemorar um fato questionvel e sobre a situao do pas. Comemorar o que? Esse um dos captulos da obra Brasil: mito fundador, escrito por Chau.

    Para alm das possveis comparaes entre as comemoraes das referidas efem-rides, o que poderia propiciar uma interessante anlise, inclusive em verificar a validade desses grupos comparativos, o que se pretende aqui apontar possibilidades de anlise dos lbuns fotogrficos realizados sobre essas comemoraes, no intuito de procurar perceber a forma como uma efemride guarda similitudes com outras efemrides comemoradas no Brasil, mas as formas de comemorao e registro apresentam particularidades, que devero ser indicadas ao longo deste estudo.

    Outra possibilidade investigativa repousa sobre a idia de analisar comparativamen-te como as efemrides foram comemoradas e registradas nos diversos estados do pas e nas diversas escolas. Entretanto, tambm reserva-se esse caminho para um outro estudo.

    Parece, neste momento, mais interessante e profcuo analisar a circulao de mode-los e de materiais a partir da comemorao do centenrio de ensino primrio de So Paulo, que envolveu diretamente a Escola Caetano de Campos. Ao investigar o acervo fotogrfico da esco-

    CD-ROM DE ATAS | 3225 | COLUBHE 2012

  • la, verificou-se, como j mencionado, que, alm dos lbuns fotogrficos da prpria escola, o acervo engloba ainda lbuns de outras escolas. Esse fato suscitou questionamento a respeito dos motivos que levaram a essa conformao do acervo. Desse modo, verificou-se que, como principal referncia nas comemoraes realizadas em So Paulo, no s na cidade, mas em to-do o estado, a Escola Caetano de Campos recebeu, entre outros materiais, esses lbuns foto-grficos que remontam histria das escolas neles representadas, com foco no ensino primrio.

    Assim, pretendeu-se investigar a circulao de modelos e de materiais, consideran-do-se a existncia desses lbuns nos quais possvel verificar muitas similitudes, tanto em sua composio, quanto nas imagens que apresentam. Interroga-se sobre a conformao desse modelo de se apresentar a escola e suas aes comemorativas.

    1. Histrias que originaram as comemoraes

    A retrospectiva histrica do incio do ensino primrio no Brasil remonta a 15 de ou-tubro de 1827, quando D. Pedro I assinou o decreto que oficializou a criao das escolas de primeiras letras em todas as regies populosas do ento Imprio.

    A justificativa histrica da comemorao foi explanada nos jornais, como fre-quente em efemrides de carter amplo e coletivo. Como exemplo, pode-se citar o jornal O Correio da Manh, que publicou do dia 15 de outubro de 1927, o prprio dia da efemride, arti-go que apresentava informaes sobre a data histrica.

    A lei de 15 de outubro de 1927 foi verdadeiramente a criadora da ins-truo primria em nosso pas. Em seu artigo 1o diz - .em todas as ci-dades, vilas e lugares mais populosos haver as escolas de primeiras letras que forem necessrias. Foi essa lei sancionada por D. Pedro I e referendada pelo visconde de So Leopoldo (Jos Feliciano Fernandes Pinheiro). A lei de 12 de agosto de 1834 (Acto Adcional) determinou a ao do governo geral quanto instruo primria e secundria, no s na Corte, como em todas as provncias. A partir dessa data passa-ram as assemblias legislativas municipais a ter a incumbncia de le-gislar sobre a instruo pblica e estabelecimentos prprios promov-la. S a instruo primria, secundria e superior na Corte e seu municpio continuou a ser da competncia do governo geral. Ou-tras disposies e regulamentos houve at que com o decreto de 17 de fevereiro de 1854 na lavra de Luiz Pedreira do Couto Ferraz, de-pois visconde do Bom Retiro, foi remodelado o ensino primrio e se-cundrio. (Centenrio do ensino de primeiras letras.1

    Alguns anos depois da comemorao, em 1933, o dia foi institudo como o Dia do Professor. Paula Perin Vicentini esclarece que:

    a Associao dos Professores Catlicos do distrito Federal (APC-DF) tomou a iniciativa de festejar, no Brasil, o Dia do Primeiro Mestre em 15 de outubro, dando origem ao Dia do Professor, que acabou por se consolidar como uma forma de dar visibilidade categoria. A data es-colhida correspondia primeira lei sobre o ensino primrio que, em 1827, criou as escolas de primeiras letras [...]2

    Assim, percebe-se a importncia auferida data, reforada pela constatao de que o ensino primrio considerado a base fundamental do ensino e que, portanto, deveria receber especial ateno, tanto no mbito poltico quanto social e representativo.

    Em 1946, quando se comemorou o centenrio do ensino primrio em So Paulo es-ses aspectos foram retomados, enfatizando-se as razes histricas das comemoraes.

    CD-ROM DE ATAS | 3226 | COLUBHE 2012

  • Ainda mais forte, foi a ampla exposio pelos jornais, em 1954, da histria da cidade de So Paulo, em seus mais diversificados aspectos. No lbum fotogrfico da Escola de Cam-pos, alm das aes da prpria escola, enfatiza-se ainda sua participao na programao pre-parada pela prefeitura enfocando os lugares considerados fundantes da histria da cidade, como por exemplo, o Ptio do Colgio. A seguir sero discutidos o sentido de se comemorar e o aspecto fundador das datas histricas.

    No caso do lbum do Cinqentenrio do Jardim da Infncia da Escola Caetano de Campos, percebe-se o orgulho do passado, que foi amplamente enaltecido e, a continuao, no presente, do trabalho realizado ao longo dos cinqenta anos.

    Moiss Kuhlmamnn Jnior afirma que: O jardim de infncia anexo Escola normal Caetano de Campos, construda na cabeceira da praa da Repblica na capital de so Pau-lo, a primeira instituio pblica a ser criada em 1896, materializan-do a proposta educacional do Partido Republicano. A escola primria e o jardim anexo seriam um local de estgio para as professoras e di-fundiriam modelos para as escolas oficiais em todo o estado, por meio da Revista do Jardim-da-Infncia, que teve dois nmeros publicados. 3

    Desse modo, percebe-se como a justificativa para a comemorao fortemente re-tomada e enfatizada, como uma autorizao e motivao para os festejos. Alm disso, aponta-se a circulao de modelos preconizada na produo da mencionada revista, que, mesmo no tendo tido grande durao, remete uma intencionalidade que pode ter gerado resultados que poderiam ser melhor analisados num outro momento.

    2. O sentido de comemorar e a idia de efemride

    Na introduo da obra dicionrio de Datas da Histria do Brasil, Circe Bittencourt in-cita a reflexo acerca do valor em se estudar datas histricas, inquirindo se esse j no consti-tuiria um tema ultrapassado para a compreenso da Histria. Numa perspectiva retrica, responde que uma resposta a essas indagae