Click here to load reader

COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM E · PDF file diferenciadoras das comunidades de aprendizagem que neles se desenvolvem. 2. Educação Presencial e Educação a Distância: contrastes

  • View
    215

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM E · PDF file diferenciadoras das comunidades de...

COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM E IDENTIDADES

NO ENSINO SUPERIOR

Lusa Aires | Jos Azevedo | Maria Ivone Gaspar | Antnio Teixeira

Coordenadores

O PROJECTO: @prende.com

Ttulo Comunidades Virtuais de Aprendizagem e Identidades no Ensino Superior

Projecto @prende.com

Coordenadores L. Aires, J. Azevedo, I. Gaspar e A. Teixeira

2007, Autores

Edio Universidade Aberta

ISBN 978-972-674-406-2

Depsito Legal 269134/07

Execuo grfica Rainho & Neves Lda. / Santa Maria da Feira

Dezembro de 2007

Governo da Repblica

Portuguesa

Unio Europeia FSE/FEDER

P O C I 2 0 0 4

Apoio:

185

Vivncias em comunidades de aprendizagem presencial e online

L. Aires, I. Gaspar, J. Azevedo, A. Teixeira, S. Silva, J. Laranjeiro

Palavras-Chave: Comunidades, narrativas, aprendizagem presencial, aprendi-zagem online.

1. Introduo

Eduardo Chaves (2003) aglutina as teorias da aprendizagem em trs grupos: (1)teorias que justificam a aprendizagem vinculando-a ao ensino a aprendizagemdecorre da aco de pessoas que transmitem conhecimento a aprendizagem umaconsequncia do ensino, pelo que fica na sua dependncia; (2) teorias em que a apren-dizagem decorre, sobretudo, da actividade do aprendente tal actividade diversifi-cada, tendo componentes de observao, imitao, investigao ou pesquisa, estudo ereflexo e (3) teorias em que a aprendizagem decorre da interaco entre as pessoasque aprendem em conjunto e que se manifestam atravs de atitudes de crtica, de dis-cusso, de troca de ideias, privilegiando o dilogo. neste terceiro grupo que se ali-cera a aprendizagem associada comunidade, no projecto @prende.com.

Atende-se, aqui, comunidade em instituies formais, onde surge e actua,quer em regime de Educao Presencial, quer em regime de Educao a Distn-cia. Procura-se apontar caractersticas dos contextos que suportam um e outroregime de ensino-aprendizagem, a fim de se enquadrarem algumas caractersticasdiferenciadoras das comunidades de aprendizagem que neles se desenvolvem.

2. Educao Presencial e Educao a Distncia: contrastes e aproximaes

A afirmao de que as grandes diferenas entre Educao Presencial e Edu-cao a Distncia se situam em torno de vivncias espaciais e temporais dos agen-tes que nelas se envolvem, embora constitua um lugar comum, mantm-se fre-quentemente como a dimenso diferenciadora. A separao/encontro espacial etemporal entre estudantes e professores tem sido o critrio dominante para acaracterizao da tradicional antinomia Educao a Distncia / Educao Presen-cial. O vnculo da Educao Presencial a princpios que determinam a sua quali-dade educativa relao presencial, face-a-face, entre professores e estudantes, foi

COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM E IDENTIDADES NO ENSINO SUPERIOR

186

determinante para a cristalizao do esteretipo que, em crculos educativos tradi-cionais, atribua Educao a Distncia o estatuto de educao compensatria, desegunda oportunidade. No entanto, esta viso limitada viria a perder relevnciacom a mudana radical dos princpios dominantes da Educao de Pessoas Adul-tas, a saber: a) a educao passa a ser interpretada como um processo permanenteao longo da vida do indivduo; b) todos os espaos de interaco renem poten-cialidades enquanto cenrios educativos; c) as TIC e os canais de comunicao quepropem so importantes recursos didcticos (Garca Aretio et al., 2007).

A apropriao destes princpios pela comunidade educativa desencadeou drs-ticas alteraes na educao e nos modos como se aprende e se ensina. Promo-vendo-se uma ruptura com os processos de ensino-aprendizagem sequenciais,prope-se um sistema de ensino-aprendizagem em rede e consolidam-se os con-textos virtuais de aprendizagem, reconhecendo-se-lhes valor educativo. A Educa-o a Distncia passa a desenvolver-se em espaos onde se promove a convergn-cia, em rede, entre os principais actores estudantes e professores , e se criamcontextos de aprendizagem individual e grupal pelo uso de ferramentas que, oraprivilegiam a dimenso individual da aprendizagem ora, a sua natureza colabora-tiva. O valor social e educativo da Educao a Distancia redimensionado,diluindo-se a antinomia Educao a Distncia/Educao Presencial. Autores comoGarca Aretio, Ruiz e Domnguez Figaredo (2007) asseveram que de uma Educa-o a Distncia passou-se para uma educao sem distncias.

Mas, no cenrio actual, no se perspectiva a sobreposio destes dois regimeseducativos. A diferenciao espcio-temporal dos percursos de estudantes e pro-fessores marcada, no caso da Educao a Distncia, por mediaes tecnolgicasque detm um papel determinante nos percursos de ensino e aprendizagem e, nocaso da Educao Presencial, pela combinao de interaces directas e presen-ciais com interaces mediadas em contextos presenciais ou a distncia. Na Edu-cao a Distncia, a aprendizagem promove-se recorrendo a mtodos e meios ade-quados para que esta se realize, efectivamente, com o pressuposto bvio de que oaprendente estabelea uma comunicao e interaco, dominantemente, assn-cronas com o professor. Por seu lado, a Educao Presencial mantm o valordominante no encontro fsico e temporal, face-a-face, do acto educativo.

Na emergncia do novo paradigma educativo observam-se, no entanto, discur-sos e prticas no Ensino Superior que tendem a impor uma racionalidade tcnica,redutora do acto educativo a um domnio meramente instrumental. No caso daEducao a Distncia, estes discursos tendem, ainda, a minimizar os saberes cons-trudos neste campo e a ignorar traos identitrios desta perspectiva educacionalcomo a abertura, a flexibilidade, a eficcia e a interactividade. Perante tal cenrio,ainda com contornos pouco definidos, Garcia Aretio et al. (2007) identificam um

VIVNCIAS EM COMUNIDADE DE APRENDIZAGEM PRESENCIAIS E ONLINE

187

conjunto de parmetros que, embora presentes em ofertas educativas autodeno-minadas de Educao a Distncia, no se enquadram nos princpios bsicos queesta privilegia: a) o predomnio de um alto grau de presencialidade fsica, material,face-a-face; b) a promoo da interaco Professor-Estudantes no mesmo espaofsico, presencial; c) o domnio da sincronia, na relao entre professores-alunos,ainda que promovida em espaos fsicos diferenciados; d) a definio de temposde aprendizagem com calendarizaes rgidas e minuciosas; e) a diluio dos ritmos individuais de aprendizagem; f) a unidireccionalidade da comunicao; g)a limitao do estudo autnomo do estudante. A operacionalizao destes pressu-postos condiciona os quatro nveis processuais bsicos da aco educativa, como adocncia e a tutoria, a superviso do processo de aprendizagem, a avaliao dosprogressos e dos resultados e, ainda, a construo e a avaliao de instrumentos eferramentas tecnolgicas, transversal aos trs primeiros.

Retomando a distino entre Educao a Distncia e Educao Presencial,entende-se, em suma, que a reduo das suas especificidades presena/ausnciadestas tecnologias , actualmente, uma falcia, na medida em que as Universida-des presenciais integraram, entretanto, e de modo massivo, estas ferramentas tec-nolgicas nos seus processos de ensino-aprendizagem. Verifica-se, ento, que asdiferenas entre os regimes de Ensino Superior, em questo, residem na progra-mao e operacionalizao do acto educativo, na caracterizao dos crontopos(Bakhtin, 1989; Zavala, 1991; Rebollo, 2001) da aprendizagem, nos contextos deutilizao dos instrumentos tecnolgicos e no papel que estes desempenham napromoo do sucesso educativo. Estas diferenas marcam e diferenciam as expec-tativas e experincias dos estudantes nestes regimes educativos, com destaquepara a modalidade de e-learning no regime de Educao a Distncia.

3. Percursos de aprendizagem: as narrativas de estudantes do EnsinoSuperior

A vertente do estudo emprico desenvolvido no projecto @prende.com quepassamos a apresentar, de modo breve, de natureza qualitativa. Nesta fase dainvestigao, pretendeu-se estudar e comparar os percursos de aprendizagem deestudantes de Mestrado, nas modalidades Presencial e Online, a partir das suasnarrativas. O estudo desenvolveu-se em duas fases interligadas. Na primeira fasepretendeu-se: (1) identificar dimenses bsicas das experincias comunicativas,relacionais e de aprendizagem privilegiadas pelos estudantes dos diferentes cursosde Mestrado e (2) consolidar os pr-guies das entrevistas a aplicar na segundafase etapa definitiva do estudo emprico. Para o efeito, na primeira fase, foram

COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM E IDENTIDADES NO ENSINO SUPERIOR

188

entrevistados estudantes que frequentavam os dois tipos de Mestrado, no fim doano curricular. Na segunda fase, pretendeu-se: (1) caracterizar os processos comu-nicativos, relacionais e de aprendizagem dos estudantes de Mestrado presencial eonline e (2) comparar as narrativas de estudantes, segundo as dimenses identifi-cadas na primeira etapa exploratria da investigao e em momentos diferencia-dos do ano curricular. Esta segunda fase da investigao contou com o registo dosrelatos dos estudantes, no incio e no final do ano curricular dos cursos.

AmostraParticiparam neste estudo quatro grupos de estudantes de Mestrado. Dois gru-

pos frequentavam um Mestrado em regime presencial, na rea de Tecnologia eEducao Multimedia e os dois restantes frequentavam Mestrados em regime dee-learning, na rea da Educao. Em cada uma das fases do estudo participaramdois grupos diferentes de estudantes um grupo presencial e um grupo online.Nestes grupos, foram seleccionados os estudantes com discursos discrepantes.

Os modelos pedaggicos subjacentes aos quatro cursos apresentam algumasvariaes. Os dois grupos de estudantes do ensino presencial pertencem a umMestrado cuja matriz privilegia uma abordagem construtivista das aprendizagens.Neste curso, os estudantes so regularmente confront