KELLY TEREZINHA ROSSA - .kelly terezinha rossa polÍticas pÚblicas educacionais e a construÇÃo

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  • KELLY TEREZINHA ROSSA

    POLTICAS PBLICAS EDUCACIONAIS E A CONSTRUO DO CURRCULO DE HISTRIA: A TEORIA E A PRTICA NO MUNICPIO DE

    ALMIRANTE TAMANDAR ENTRE 2007 E 2010

    Monografia apresentada disciplina de Estgio Supervisionado em Pesquisa Histrica, como pr-requisito concluso do curso, ao Departamento de Histria, Setor de Cincias Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paran.

    Orientador: Prof Dr. Dennison de Oliveira.

    CURITIBA2010

  • RESUMO

    As polticas pblicas so entendidas como meios de o Estado resolver ou atenuar os problemas enfrentados pela sociedade, em todos os mbitos, e devem ser a expresso do interesse geral da sociedade, em busca do bem estar desta. No caso da educao, a Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional, os Parmetros Curriculares Nacionais e o Plano Nacional de Educao so polticas pblicas que desde o fim da dcada de 90 vm influenciando a elaborao e implementao de propostas curriculares estaduais e municipais. No ano de 2007, a Secretaria Municipal de Educao de Almirante Tamandar, municpio da Regio Metropolitana de Curitiba, iniciou o trabalho de reelaborao curricular para a Educao Infantil e para os cinco primeiros anos do Ensino Fundamental, em conjunto com os professores municipais. As Diretrizes Curriculares Municipais de Almirante Tamandar, e em particular a proposta de Histria, so exemplo de resultados obtidos a partir da criao de polticas pblicas educacionais voltadas melhoria da qualidade do que ensinado nas escolas pblicas brasileiras e contribuem para a discusso sobre a importncia da criao e aplicao de polticas pblicas.

    Palavras-chave: Polticas pblicas educacionais. Proposta curricular de Histria. Almirante Tamandar.

  • SUMRIO

    1. INTRODUO.............................................................................................042. A QUESTO POLTICA DECISRIA E AS POLTICAS PBLICAS...............063. POLTICAS PBLICAS DE EDUCAO NO BRASIL ATUAL........................083.1 A LDB...............................................................................................................083.2 Os Parmetros Curriculares Nacionais............................................................113.3 o Plano Nacional de Educao........................................................................144. A DISCIPLINA DE HISTRIA NO CURRICULO DO ENSINO FUNDAMENTAL.......................................................................................................184.1 As Polticas Pblicas e as Diretrizes Curriculares Municipais de Histria em

    Almirante Tamandar.........................................................................................204.2 A elaborao da proposta.................................................................................224.3 A prtica: as Diretrizes em sala de aula............................................................255. CONCLUSO......................................................................................................286. FONTES...............................................................................................................30REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS...................................................................31ANEXOS........................................................................................................33

  • INTRODUO

    Desde sua origem, o Estado brasileiro mostra-se no inteiramente

    comprometido com o bem estar da sociedade. No perodo colonial, a Coroa

    Portuguesa estava interessada em explorar as riquezas do territrio e levar

    Metrpole, no existindo qualquer preocupao com bem estar do povo1. Com o fim

    do perodo colonial e a transferncia da Corte Portuguesa para o Brasil, iniciou-se

    um processo de mudanas estruturais e governamentais que inicialmente

    implicariam a participao poltica dos grandes comerciantes e aristocratas rurais. A

    partir de 1831, no perodo regencial, a maior parte da populao passa a se fazer

    notria e a expor suas vontades, muitas vezes atravs de revoltas, no campo e na

    cidade. No que diz respeito ao mbito social, a Igreja Catlica era a responsvel por

    preocupar-se com o povo. Cabia Igreja suprir necessidades como alimentao e

    educao dos mais carentes, desde a Colnia at a Repblica, cuidando dos rfos,

    das vivas, dos doentes e dos pobres, da coleta e distribuio de esmolas.

    Mesmo com tantas mudanas ocorridas ao longo dos sculos, desde sua

    formao, a populao brasileira sempre apresentou-se como desigual e na sua

    construo cultural no foram criadas condies polticas e institucionais para que o

    povo participasse das decises do governo. Na segunda Repblica, mais

    precisamente na era Vargas, o Estado brasileiro passou a elaborar polticas pblicas

    com fins sociais, visando melhorar as condies de vida das pessoas, mesmo que

    por muitas vezes com interesses que iam alm do bem do povo. Inicialmente, essas

    polticas referiam-se legislao trabalhista, mas posteriormente se expandiram aos

    outros setores da sociedade.

    Como poltica pblica entende-se o meio de o Estado resolver ou atenuar os

    problemas enfrentados pela sociedade, em todos os mbitos. As polticas pblicas

    devem ser a expresso do interesse geral da sociedade, em busca do bem estar

    desta, a partir da formulao e execuo de programas e projetos direcionados a

    resolver problemas comuns da sociedade em geral.

    1Isso totalmente compreensvel, j que o povo neste momento era tido como mera mo de obra a servio da Coroa. Esse contexto comum s demais sociedades coloniais mundo afora. Seria inoportuno esperar outro tipo de atitude dos colonizadores, visto que as grandes navegaes e todos os processos coloniais buscavam a descoberta de riquezas e terras a explorar e no o encontro de povos a quem cuidar.

  • A preocupao poltica com a questo educacional surge, de acordo com

    Saviani (2006), a partir de 1890, com o surgimento dos grupos escolares em So

    Paulo. Assim, aps a proclamao da repblica, o Estado assume a funo de

    urbanizar, higienizar e educar o povo. Segundo vrios autores, a Primeira Repblica

    nasceu determinada a romper com o atraso, criar uma nova idia de Nao e

    instituir a moral e o civismo, iniciando desta forma a tentativa de se construir um pas

    a partir da idia de que educar para a cidadania era mais importante que apenas

    instruir.

    Nos dias de hoje, a educao no Brasil tema de grandes discusses, j

    que consenso entre profissionais e estudiosos de diversas reas que na

    educao que residem solues para diversos problemas sociais. A partir 1996, com

    a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional, n 9.394, o tema levanta

    discusses principalmente quanto necessidade de que a educao deve

    acompanhar as transformaes sociais, econmicas e polticas do pas. Para isso,

    as polticas pblicas educacionais deveriam contemplar essa necessidade e buscar

    resolver divergncias que impedem a melhoria da qualidade do ensino no pas.

    Muito se fez no Brasil nos ltimos anos a fim de buscar melhorar a

    qualidade da educao e lev-la a todas as regies, para pessoas de todas as

    idades. Esse trabalho prope-se analisar a eficcia de polticas pblicas

    educacionais recentes no que diz respeito adequao curricular para as sries

    iniciais do Ensino Fundamental, principalmente quanto disciplina de Histria,

    tomando como fonte as Diretrizes Curriculares Municipais de Almirante Tamandar,

    municpio da Regio Metropolitana de Curitiba e o relato de trs professoras acerca

    da adequabilidade do novo currculo na prtica, em sala de aula.

    CAPTULO I

  • A QUESTO POLTICA DECISRIA E AS POLTICAS PBLICAS

    Charles E. Lindblom, em O Processo de deciso poltica2, traz tona

    questes sobre como se d a deciso poltica em sociedades democrticas ou

    autoritrias. Inicialmente, o autor sonda o sistema poltico com base em perguntas

    como Com que inteligncia o governo trata das questes de interesse nacional? A

    reflexo dos lderes sobre essas questes suficiente? Como aprimorar o nvel de

    eficincia no processo decisrio poltico? E ainda: O cidado comum participa das

    decises? As eleies so importantes? O aumento da participao popular seria

    benfico? Como pode uma democracia que se reconhece como tal tolerar

    corrupo, sistemas educacionais deficientes, altos ndices de violncia e tantos

    problemas sociais sem soluo?3. Para o autor, um conjunto complexo de foras

    produz determinados efeitos que chamamos de polticas4, e o processo decisrio

    poltico que as rege algo extremamente complexo, sem princpio nem fim, e cujos

    limites so incertos.

    Em sistemas autoritrios as polticas no garantem a liberdade civil, mas no

    mais no h muita diferena se comparados com sistemas democrticos. A principal

    preocupao de Lindblom com relao ao processo de deciso poltico e de

    implementao de polticas pblicas, esclarecer a complexidade desse processo.

    O que Lindblom quer que entendamos o fato de que para chegar definio de

    polticas precisamos de anlise. Ao analisar os problemas da sociedade,

    poderamos encontrar solues para estes, e assim definir objetivos a serem

    alcanados para resolv-los. O que acontece que o processo de anlise no to

    simples como parece. Para ser eficaz, a anlise precisa ser feita por pessoas

    capacitadas, competentes, desvinculadas de anseios polticos partidrios e

    dispo