AÇÃO POPULAR CONTRA A ABL

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AÇÃO POPULAR COM PEDIDO DE LIMINAR contra o Acordo Ortográfico, por Ernani Pimentel

Text of AÇÃO POPULAR CONTRA A ABL

  • EXCELENTSSIMODOUTORJUIZFEDERALDA____VARACVELDASEOJUDICIRIADEBRASLIA.ERNANIPIMENTEL,brasileiro,casado,empresrio,RGn1266016,expedidaem20.04.1997,pelaSSPDF,residenteedomiciliadonoCondomnioMirantedasPaineiras,conjunto3,casa8,JardimBotnico,DF,empleno gozo de seus direitos polticos, por seu advogado infraassinado,conformeprocuraoanexa(Anexo I) ,este comescritrio SMLNTr.05Ch.214A,LagoNorte,BrasliaDF,CEP71.540055,emquerecebecorrespondnciaprocessual,comsupedneonoart.5,LXXIII,CF,combinadocomoArtigo1daLei4.717/65,vempropor

    AOPOPULARCOMPEDIDODELIMINAR emfacede:UNIO FEDERAL, Pessoa Jurdica de Direito Pblico Interno, com centroadministrativo localizado na Praa dos Trs Poderes, Palcio do Planalto,Braslia/DF,CEP70150900;ACADEMIABRASILEIRADE LETRAS,doravante tratada pela sua sigla ABL entidadecivildedireitoprivado,inscritanoCNPJsobon40.262.404.000178,com endereo Av. PresidenteWilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro, RJ, CEP20030021;

    RobertoSobralrobertosobral@uol.com.br

  • 2SAMUELPINHEIROGUIMARESNETO,brasileiro,diplomata,atualmenteocupandoopostodeAltoRepresentanteGeraldoMercosul,comendereoprofissionalnoMinistriodasRelaesExteriores,EsplanadadosMinistrios,Braslia,DF;FERNANDOHADDAD,brasileiro,solteiro,atualmenteexercendoocargodeMinistrodaEducao,comendereoprofissionalnoMinistriodaEducao,EsplanadadosMinistrios,Braslia,DF;JOOLUIZSILVAFERREIRA,brasileiro,casado,RGn742.276,SSP/BA,extitulardocargodeMinistrodeEstadodaCultura,entocomendereoprofissionalnoMinistriodaCultura,EsplanadadosMinistrios,Braslia,DF;eMARCOSVINICIOSRODRIGUESVILAA,brasileiro,advogado,atualPresidentedaAcademiaBrasileiradeLetras,estacomendereonaAv.PresidenteWilson,203,Castelo,RiodeJaneiro,RJ,CEP20030021;oquefazemrazodedanoexpressivoaopatrimnioculturalbrasileiroporviade ilegalidadesnaexecuodoAcordoOrtogrficoda LnguaPortuguesa, namedidaemque impuseramalteraesortogrficasunilateralmenteconcebidaspelaAcademiaBrasileirade Letras,oraextrapolandoora contrariandopontosacordadoscomosdemaispasessignatriosdoAcordode1990,esemquetaisalteraes tenham sido submetidas aprovao do Congresso Nacional,contrariandoassimoartigo2doDECRETON6.584,DE29DESETEMBRODE2008,verbis:

    Art.2oSosujeitosaprovaodoCongressoNacionalquaisqueratosquepossam resultarem revisodo referidoProtocolo,assim comoquaisquerajustes complementares que, nos termos do art. 49, inciso I, daConstituio,acarretemencargosoucompromissosgravososaopatrimnionacional.

    Asautoridades individualmenteacima indicadas so

    aquelasque,emrazodoscargosqueocupavam,encontravamsefrentedosrgos incumbidos pelo Presidente da Repblica para a implementao doAcordoOrtogrficodaLnguaPortuguesapormeiodoDECRETON6.586,DE29DESETEMBRODE2008,verbis.

    Art. 1 Nos termos do artigo 2 do Acordo Ortogrfico da LnguaPortuguesa, os Ministrios da Educao, da Cultura e das RelaesExteriores, com a solicitao de colaborao da Academia Brasileira deLetrasede entidades afinsnacionais edosPases signatriosdoAcordo,adotaro as providncias necessrias para elaborao de vocabulrioortogrficocomumdalnguaportuguesa.

    RobertoSobralrobertosobral@uol.com.br

  • 3I.DALEGITIMAODASPARTESEDASRAZESQUELEVARAMOAUTORA COMPREENDER COMO NECESSRIA A SUBMISSO DA CAUSA AOPODERJUDICIRIO.OAutorcidadobrasileiroemplenoexercciodesuacapacidadepoltica, conforme comprovamosdocumentosqueatestamo seucumprimento das obrigaes eleitorais (Anexo I), portanto encontrase aptoparao ajuizamentodeAOPOPULAR, aquimanejada como indispensveleadequado instrumento de contribuio democrtica para preservao eaperfeioamentodomaiorpatrimnio culturalbrasileiro, a Lnguaemque seexpressaopeculiarmododeexistirdetodaestaNao.

    Emboraaplenacapacidadepolticasejaoquebastaparaalegitimao da presente propositura, importa consignar que o Autor professor,estudiosoeconhecidoautorde livrosdidticos nadisciplinaLnguaPortuguesa (em suas vises descritiva e normativa) por mais de 45 anos.Situaopessoalemque,conscientedaimportnciadacausa,somentedecidiupugnar pelo interesse coletivo de ver respeitado o esprito do AcordoOrtogrfico da Lngua Portuguesa de 1990 aps ver ignorado pelos PoderesPblicos e pela Academia Brasileira de Letras todo o conjunto probatrio eargumentativoqueproduziudemodoademonstrarasgraves impropriedadestcnicas que, em lugar de cumprir o propsito para o qual forammentadas,comprometemoprprioAcordo.

    Algumas dessas impropriedades beiram verdadeirasagressesfilolgicasquenolograramaceitaoemnenhumdosdemaispasessignatrios, rejeio que tambm se atribui ao processo antidemocrtico pormeiodoqualfoielaboradooreferidoAcordo.

    A atual Reforma Ortogrfica de 1990 fruto dovoluntarismo poltico de governantes naquela poca ainda marcados pelospensamentos polticos totalitrios da histria recente de seus pases, tantoassimquenoforamchamadosacontribuirossegmentossociaisqualificados,interessadose legitimados,necessrioseaptosparatoricaquantocomplexamissodeinteressecoletivosupranacional.

    Antes,pequenos grupos enclausuradosdas aristocrticasacademiasdeletrasdeBrasilePortugaltomaramasiatarefa,todosesquecidose indiferentes contribuio cidad daqueles que tinham, repitase,qualificao,aptidoeinteresseparafazlo.RobertoSobralrobertosobral@uol.com.br

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    Equenosetenteapequenarodiscursodemocrticosoboargumentodequeaminuciosa tarefa jamaispoderia ser feitapor todososinteressados, ou seja, diretamente por toda a populao. Evidente que associedades organizadas contemporneas tm meios corporificados deexpresso para uma democracia representativa, para alm da simplesrepresentaoparlamentar.Assim, como ignorarque aAssociaoBrasileiradeImprensa,aOrdemdosAdvogadosdoBrasil,asentidadesrepresentativasda Magistratura e de membros do Ministrio Pblico, dentre outras, tmlegtimosdireitoe interessenaconstruogrficadomeiodeexpressoemquevivemosseusrepresentados?

    Poisfoioquefizeram: ignoraram.E,comperdodadurapalavra,debaixodamaiscompletadesfaatez,namedidaemqueclaramentedescumprirama letradoprprioAcordo, conforme se lnosexcertosabaixonegritados:

    ACORDOORTOGRFICODALNGUAPORTUGUESAConsiderando que o projeto de texto de ortografia unificada de lnguaportuguesaaprovadoemLisboa,em12deoutubrode1990,pelaAcademiadas Cincias de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e delegaes deAngola, Cabo Verde, GuinBissau, Moambique e So Tom e Prncipe,comaadesodadelegaodeobservadoresdaGaliza,constituiumpassoimportanteparaadefesadaunidadeessencialdalnguaportuguesaeparaoseuprestgiointernacional,Considerando que o texto do acordo que ora se aprova resulta de umaprofundadodebatenosPasessignatrios,aRepblicaPopulardeAngola,aRepblicaFederativadoBrasil,aRepblicadeCaboVerde,aRepblicadaGuinBissau,aRepblicadeMoambique,aRepblicaPortuguesa,eaRepblicaDemocrticadeSoTomePrncipe,acordamnoseguinte:Artigo1oaprovadooAcordoOrtogrficodaLnguaPortuguesa,queconstacomoanexoIaopresenteinstrumentodeaprovao,sobadesignaodeAcordoOrtogrficodaLnguaPortuguesa(1990)evaiacompanhadodarespectivanota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo instrumento deaprovao,sobadesignaodeNotaExplicativadoAcordoOrtogrficodaLnguaPortuguesa(1990).Artigo2oOs Estados signatrios tomaro, atravs das instituies e rgoscompetentes,asprovidnciasnecessriascomvistaelaborao,at1dejaneiro de 1993, de um vocabulrio ortogrfico comum da lnguaportuguesa, to completo quanto desejvel e to normalizador quantopossvel,noquesereferesterminologiascientficasetcnicas.Artigo3o

    RobertoSobralrobertosobral@uol.com.br

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    O Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa entrar em vigor em 1 dejaneirode1994,apsdepositadosos instrumentosderatificaodetodososEstadosjuntodoGovernodaRepblicaPortuguesa.Artigo4oOsEstadossignatriosadotaroasmedidasqueentenderemadequadasaoefetivorespeitodadatadaentradaemvigorestabelecidanoartigo3o.Em f do que, os abaixo assinados, devidamente credenciados para oefeito,aprovamopresenteacordo,redigidoemlnguaportuguesa,emseteexemplares,todosigualmenteautnticos.AssinadoemLisboa,em16dedezembrode1990.PELAREPBLICAPOPULARDEANGOLAJOSMATEUSDEADELINOPEIXOTOSecretriodeEstadodaCulturaPELAREPBLICAFEDERATIVADOBRASILCARLOSALBERTOGOMESCHIARELIMinistrodaEducaoPELAREPBLICADECABOVERDEDAVIDHOPFFERALMADAMinistrodaInformao,CulturaeDesportosPELAREPBLICADAGUINBISSAUALEXANDREBRITORIBEIROFURTADOSecretriodeEstadodaCulturaPELAREPBLICADEMOAMBIQUELUISBERNARDOHONWANAMinistrodaCulturaPELAREPBLICAPORTUGUESAPEDROMIGUELDESANTANALOPESSecretriodeEstadodaCulturaPELAREPBLICADEMOCRTICADESOTOMEPRNCIPELGIA SILVA GRAA DO ESPRITO SANTO COSTA Ministra da Educao eCultura

    Alis,antesque se registreodescumprimentoaoque sealiaprovavaem1900, vsequeoAcordo,desdea suaorigem,partedeumconsiderando que no se cumpriu. Consabido que no houve nenhumaprofundado debate nos Pases signatrios. Embora iluminados pelo esprito deaperfeioamentoe reforodaexpressoda comunidadedospasesde lnguaportuguesa,queemnenhummomentopode ser renunciado comoaspirao,aqueles ento governantes dos pases signatrios, empolgados com o sonhocomum, esqueceramse de que a forma consubstanciaria o ato, e o ato oproduto. Sim, porque a tradio jurdica de Brasil e Portugal, aomenos destes, jamais permitiria esquecer que o cometimento, dentro dombitodecadaEstado,atravsdas instituiesergoscompetentesparaadoodas providncias necessrias com vista elaborao, at 1 de janeiro de 1993, de umvocabulrio ortogrfico comum da lngua portuguesa, deveria traduzirse em ummonumental ATO JURDICOADMINISTRATIVO, complexo e, no planointernacional, multilateral, a ser observado em seus peculiares requisitosconstitucionais, na conformidade da ordenao interna de um por um dospasessignatrios.RobertoSobralrobertosobral@uol.com.br

  • 6 Desta forma, embora meritria a expectativa deceleridadenaconstruodeumavelhaaspiraocomumnuncaantesrealizadanaextensopretendida,oqueseviufoiumcompletoatropelamentodosmaissagrados princpios constitucionais da Ordem Democrtica e do DireitoAdministrativoaestaconformada.Pois,nemhouveaprofundadodebatenosPases signatrios, nem foi elaborado o vocabulrio ortogrfico comum dalnguaportuguesa,emborajbastantesuperadooprazoestabelecido,at1dejane