Estatuto Do Desarmamento

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  • ACADEMIA DE POLCIA CIVIL DO DISTRITO FEDERAL

    ESTATUTO DO DESARMAMENTO

    SRGIO BAUTZER

    ANDR PORTELA

    Braslia

    2013

  • proibida a reproduo total ou parcial do contedo deste material todos os direitos reservados. 2

    ESTATUTO DO DESARMAMENTO

    Crimes do Estatuto do Desarmamento

    O art.12doEstatutodoDesarmamento(Lein10.826/2003) trata da posse ilegal

    de arma de fogo, acessrios e munies de uso permitido. Se for arma de uso restrito,

    estar congurado o crime do art. 16.

    Posse irregular de arma de fogo de uso permitido

    Dispe o art. 12 da lei em estudo:

    Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessrio ou

    munio, de uso permitido, em desacordo com determinao legal ou

    regulamentar, no interior de sua residncia ou dependncia desta, ou,

    ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsvel

    legal do estabelecimento ou empresa:

    Pena deteno, de 1 (um) a 3 (trs) anos, e multa.

    Diante da pena imposta no preceito secundrio, possvel a concesso de

    ana , pela Autoridade Policial, aps a lavratura do Auto de Priso em Flagrante,

    na hiptese de crime de Posse Irregular de Arma de Fogo de Uso Permitido.

    O objeto jurdico, que o bem protegido pela norma, a incolumidade

    pblica (segurana da coletividade). Inclume signica livre de perigo.

    Objeto material, que a coisa sobre a qual recai a conduta do criminoso, no

    caso, arma de fogo, acessrio ou munio de uso permitido.

    Sujeito ativo: quando se tratar de posse de arma de fogo, acessrio ou

    munio no interior de residncia ou dependncia desta, o crime poder ser praticado

    por qualquer pessoa. De outra parte, o crime ser prprio quando se tratar de pessoa na

    posse de arma de fogo, acessrio ou munio em seu local de trabalho, pois apenas

    titular ou o responsvel legal pelo estabelecimento podem pratic-lo.

    Sujeito passivo (vtima) do crime a coletividade.

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    Elementos do tipo: possuir e manter sob sua guarda; a doutrina

    diferencia as condutas dizendo que possuir estar na posse e manter sob a guarda

    manter sob sua vigilncia.

    Arma de fogo de uso permitido aquela cuja utilizao autorizada a

    pessoas fsicas, bem como a pessoas jurdicas, de acordo com as normas do Comando

    do Exrcito e nas condies previstas na Lei n 10.826, de 2003. Cuida-se de norma

    penal em branco. O Decreto n 3.665/2000 dene quais so as armas de fogo

    permitidas.

    A arma de fogo, acessrio e munio devem estar em perfeitas condies de

    uso. H necessidade de percia para a comprovao da prtica do crime. Ex.: exame de

    ecincia realizado na arma de fogo.

    Elemento normativo do tipo: em desacordo com determinao legal ou

    regulamentar, ou seja, em desacordo com o Estatuto do Desarmamento e com seus

    regulamentos.

    Basicamente, para ter arma em casa (posse de arma), precisa-se de

    autorizao da Polcia Federal, com o aval do Sinarm.

    Para adquirir arma de fogo de uso permitido, o interessado dever, alm de

    declarar a efetiva necessidade, atender aos seguintes requisitos:

    a) comprovao de idoneidade, com a apresentao de certides negativas

    de antecedentes criminais fornecidas pela Justia Federal, Estadual, Militar e Eleitoral e

    de no estar respondendo a inqurito policial ou a processo criminal, que podero ser

    fornecidas por meios eletrnicos;

    b) apresentao de documento comprobatrio de ocupao lcita e de

    residncia certa;

    c) comprovao de capacidade tcnica e de aptido psicolgica para o

    manuseio de arma de fogo, atestadas na forma disposta no regulamento da Lei n

    10.826/2003.

    O Sinarm expedir autorizao de compra de arma de fogo aps atendidos

    os requisitos anteriormente estabelecidos, em nome do requerente e para a arma

    indicada, sendo intransfervel esta autorizao.

    A aquisio de munio somente poder ser feita no calibre correspondente

    arma registrada e na quantidade estabelecida em regulamento.

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    A empresa que comercializar arma de fogo em territrio nacional

    obrigada a comunicar a venda autoridade competente, como tambm a manter

    banco de dados com todas as caracterscas da arma e cpia dos documentos dispostos na

    lei.

    A empresa que comercializa armas de fogo, acessrios e munies responde

    legalmente por essas mercadorias, cando registradas como de sua propriedade

    enquanto no forem vendidas.

    Ser aplicada multa empresa de produo ou comrcio de

    armamentos que realizar publicidade para venda, estimulando o uso

    indiscriminado de armas de fogo, exceto nas publicaes especializadas.

    A comercializao de armas de fogo, acessrios e munies entre pessoas

    fsicas somente ser efetivada mediante autorizao do Sinarm.

    Elemento espacial (modal) do tipo: a pessoa pode apenas ter a arma em

    casa. No local de trabalho, o nico que tem a posse o proprietrio ou responsvel legal

    pelo estabelecimento da pessoa jurdica.

    Acerca do tema, vale a pena conferir julgado da 6 Turma do STJ:

    Apreenso de arma em caminho. Tipicao. O veculo prossionalmente

    no pode ser considerado local de trabalho para tipicar a conduta como

    posse de arma de fogo de uso permitido (art. 12 da Lei n 10.826/2003). No

    caso, um motorista de caminho prossional foi parado durante scalizao

    da Polcia Rodoviria Federal, quando foram encontrados dentro do veculo

    um revlver e munies intactas. Denunciado por porte ilegal de arma de

    fogo de uso permitido (art. 14 do Estatuto do Desarmamento), a conduta foi

    desclassicada para posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art.

    12 do mesmo diploma), reconhecendo-se, ainda, a abolitio criminis

    temporria. O entendimento foi reiterado pelo tribunal de origem no

    julgamento da apelao. O Min. Relator registrou que a expresso local de

    trabalho contida no art. 12 indica um lugar determinado, no mvel,

    conhecido, sem alterao de endereo. Dessa forma, a referida expresso no

    pode abranger todo e qualquer espao por onde o caminho transitar, pois tal

    circunstncia est sim no mbito da conduta prevista como porte de arma de

    fogo. Precedente citado: HC n 16.052-MG, DJe

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    9/12/2008. REsp 1.219.901-MG, Rel. Min. Sebastio Reis Jnior,

    julgado em 24/4/2012.

    A autorizao para o proprietrio possuir arma no interior do

    estabelecimento, e no para ele portar. Se seu funcionrio possuir arma no local,

    responder pelo crime previsto no art. 14 ou no art. 16 do Estatuto, dependendo se a

    arma permitida ou proibida.

    Elemento subjetivo do tipo: crime doloso.

    Consumao e Tentativa: a consumao se d quando o agente entra

    ilegalmente na posse da arma.

    Para a maioria da doutrina, crime de mera conduta (no tem resultado

    naturalstico) e permanente.

    No cabe tentativa.

    Entrega das Armas

    Houve um perodo, que se estendeu de 23/12/2003 a 25/10/2005, para

    entrega das armas de fogo. Vrias medidas provisrias prorrogaram o prazo de entrega

    da armas de fogo para a Polcia Federal.

    Durante o prazo de que a populao dispunha para entreg-las Polcia

    Federal, o delito de posse de arma de fogo no foi claramente abolido pela referida

    norma.

    Diante das prorrogaes, surgiram questionamentos se havia ocorrido a

    abolitio criminis ou a anistia. A jurisprudncia, tanto do STJ como do STF, diz que

    houve a chamada abolitio criminis temporria, tambm chamada de descriminalizao

    temporria ou vacatio legis indireta.

    Houve retroatividade para descriminalizar a posse ilegal de arma de fogo na

    vigncia da lei anterior (Lei n 9.437/1997)?

    No STJ prevalece o entendimento de que a abolitio criminis temporria

    retroativa. Seno vejamos o que foi decidido no HC n 100.561/MT Rel. Ministra Maria

    Thereza de Assis Moura, 6 Turma:

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    Penal. Processual penal. Habeas corpus. 1. Crime de posse de armas.

    Crime come do na vigncia da Lei n 9.437/1997. Vaca o Legis.

    Aplicao retroativa. Possibilidade. Extino da punibilidade. 2. Crime de

    receptao. Trancamento da ao penal. Falta de prova da origem ilcita dos

    bens. Alegaes que dependem de aprofundada incurso no conjunto

    probatrio. Matria de mrito. Habeas corpus. Meio incompatvel. 3. Ordem

    concedida em parte.

    1. Esta Corte j rmou entendimento no sentido de que a vaca o legis

    estabelecida pelos arts. 30 e 32 da Lei n 10.826/2003, para a regularizao

    das armas dos seus proprietrios e possuidores, reconhecida hiptese de

    aboli o criminis temporalis e aplica-se retroativamente aos delitos de posse

    de arma praticados sob a vigncia da Lei n 9.437/1997.

    2. O habeas corpus no se presta a uma aprofundada incurso no conjunto

    probatrio, de molde a constatar a inocorrncia do crime antecedente ao de

    receptao. Matria probatria e a ser analisada em sede de apelao, j

    interposta.

    3. Ordem concedida, em parte, apenas para declarar extinta a punibilidade

    do paciente relativamente ao crime previsto no art. 10, 2 da Lei n

    9.437/1997, mantendo, todavia, a imputao pelo crime de recepta