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Revista Arquitetura e Aço _03

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Revista Arquitetura e Aço _03

Text of Revista Arquitetura e Aço _03

nmero 03setembro de 2004

Uma publicao do Centro Brasileiro da Construo em Ao

Terminais de PassageirosAeroporto Internacional Augusto Severo Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek Aeroporto Internacional Pinto Martins Terminal Rodoferrovirio de Santo Andr Terminal Parque Dom Pedro IIn.03 terminais de passageiros Estao Mussurunga

Terminal Pirituba Terminal Princesa Isabel Estao Dom Bosco Monorail Barrashopping Metr de So Paulo: Estaes Elevadas Linha C de Trens Urbanos de So 1 Paulo

sumrio04. Aeroporto Internacional Augusto SeveroSrgio Roberto Parada Srgio Roberto ParadaISSN 1678-1120

08. Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek 11. Aeroporto Internacional Pinto MartinsMuniz Deusdar Arquitetos Associados Brasil Arquitetura

editorial: estaes de passageirosDesde o seu incio, a construo metlica teve na estao de passageiros um de seus temas mais inovadores. Isso porque, com a Revoluo Industrial e o aumento da produo de ao, vieram as primeiras grandes edificaes construdas com este material. Representativo deste processo foi o surgimento do trem e, conseqentemente, das estaes ferrovirias que transformaram profundamente a estrutura urbana das cidades. A estao ferroviria era um tipo arquitetnico at ento inexistente e os arquitetos do perodo acabaram por adotar um modelo ambguo, no qual sua parte frontal onde ficavam lobby e demais ambientes de apoio reproduziam uma linguagem historicista, enquanto a gare, lugar das locomotivas e vages, expressava a lgica das construes modernas, cujos elementos metlicos eram componentes de um conjunto modular e industrializado. Se desde ento a arquitetura mudou muito, a mesma lgica projetual se mantm como preceito em todos os tipos de estaes de passageiros que foram surgindo ao longo do sculo xx e no incio do terceiro milnio. Hoje, alm das estaes ferrovirias, temos as estaes rodovirias, metrovirias, intermodais, martimas e, como smbolo da transformao tecnolgica e de um mundo global, o aeroporto. Com programas complexos, esses equipamentos de infraestrutura tm atrado especial ateno dos arquitetos, no s pela importncia do transporte de passageiros no mundo atual, mas tambm pelas possibilidades de explorao da linguagem que envolvem o uso de sofisticadas tecnologias construtivas. Alguns dos mais renomados arquitetos mundiais j apresentam em seus currculos projetos de tal magnitude, como Norman Foster, que projetou as novas estaes do metr de Bilbao e o aeroporto de Hong Kong, Renzo Piano, com o aeroporto de Kansai em Osaka e Santiago Calatrava, com a estao de trem de Lyon. No Brasil, onde o concreto foi sinnimo da arquitetura moderna ao longo de grande parte do sculo passado, destacam-se obras como o aeroporto Santos Dumont, dos irmos Roberto e a rodoviria de Ja, de Vilanova Artigas. Mas, no processo de atualizao das linguagens e tecnologias contemporneas, o ao vem ganhando cada vez mais espao. Um exemplo dessa transio a rodoviria de Vitria, de Carlos Fayet, construda na dcada de 1970 em estrutura espacial, num projeto que impressiona pelo radicalismo de um espao totalmente livre. Hoje, com o adensamento e a complexidade dos grandes centros urbanos, a questo do transporte de passageiros tratada como prioridade tanto pelo poder pblico como pela sociedade civil. Assim, vemos cada vez mais os espaos destinados a esse servio sendo construdos ou ampliados em todas as partes do pas e na maioria deles, o ao no apenas um elemento de destaque, mas sim a escolha tcnica adequada s necessidades impostas pelas demandas atuais.

15. Terminal Rodoferrovirio de Santo Andr 18. Terminal Parque Dom Pedro IIPaulo Mendes da Rocha e MMBB Arquitetos

20. Estao Mussurunga 22. Terminal PiritubaUna Arquitetos

Andr S e Francisco Mota

24. Terminal Princesa Isabel

a construo em aoTal como vem acontecendo em outros setores, o processo de industrializao da construo civil est alterando substancialmente a forma de se projetar e construir no Brasil. A arquitetura migra do processo artesanal para um processo industrializado, cujos elementos prfabricados so componentes de uma montagem sequencial. Resultado: melhor qualidade dimensional e menor desperdcio de material e de tempo. Neste cenrio, o ao o material mais verstil e adequado a contribuir de forma decisiva para esta nova etapa da arquitetura e da construo civil brasileira. Mais do que isso, pode-se dizer que o ao associa quatro questes fundamentais: 1. Projeto . Transparncia, esbeltez e leveza; . Grandes vos livres, permitindo espaos mais flexveis; . Garantia de preciso construtiva. 2. Economia . Reduo do canteiro de obras; . Menor peso da estrutura: fundaes mais baratas; . Estruturas esbeltas: menor seo dos pilares e menor altura das vigas; . Rapidez: obras mais rpidas; . Flexibilizao no projeto de instalaes e equipamentos; . Facilidade de modificaes futuras. 3. Meio ambiente . Menor desperdcio de material de construo; . Menos barulho e poeira; . Material 100% reciclvel. 4. Segurana . Material certificado: confiana na qualidade; . Conexes visveis: checagem do comportamento estrutural; . Capacidade de absorver aes excepcionais: terremotos e colises. Assim, estimulando a criatividade dos nossos projetistas, o ao permite associar projetos arquitetnicos arrojados segundo novas formas estticas. Permite ainda maior racionalidade econmica, menos impacto sobre o meio ambiente e mais segurana para os usurios, oferecendo maior satisfao para clientes, usurios, arquitetos, engenheiros e construtoras e contribuindo de forma definitiva para a melhoria da qualidade e da produtividade da construo civil brasileira.

Joo Walter Toscano Joo Walter Toscano

26. Estao Dom Bosco (Pssego) 28. Monorail BarrashoppingSiegbert Zanettini e Edward Mikulsky

30. Linha 5 - Metr de So Paulo: Estaes ElevadasLus Carlos Esteves Lus Carlos Esteves

32. Linha C de Trens Urbanos de So Paulo

expedienteconselho editorialAlcino Santos - cst Catia Mac Cord Simes Coelho - cbca Paulo Cesar Arcoverde Lellis - usiminas Roberto Inaba - cosipa Ronaldo do Carmo Soares - aominas Srgio Iunis - csn

produoNcleo de Excelncia em Estruturas Metlicas e Mistas Universidade Federal do Esprito Santo

coordenao editorialTarcsio Bahia

apoio editorialTiago Scaramussa Vionet Correia

projeto grfico e editoraoAna Claudia Berwanger Ricardo Gomes

revisoKarina Bersan Rocha

Arquitetura & Ao uma publicao semestral do Centro Brasileiro da Construo em Ao.Centro Brasileiro da Construo em Ao Av. Rio Branco 181, 28o andar 20040-007 Rio de Janeiro RJ http://www.cbca-ibs.org.br e-mail: [email protected]

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n.03 terminais de passageiros

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Srgio Roberto Parada

Srgio Roberto Parada

Aeroporto Internacional Augusto SeveroO mar e as dunas de areia inspiraram esta obra na qual a tecnologia est a servio da plasticidade e funcionalidade.No novo terminal do aeroporto de Natal, o ao foi determinante na configurao arquitetnica. As condicionantes de projeto deveriam considerar a execuo de uma obra limpa, sem provocar incmodos ao terminal vizinho em funcionamento, e obedecer ao posicionamento das fundaes existentes, em funo de um projeto anterior abortado pela Infraero. Assim, foi concebida uma estrutura totalmente em ao, com uma modulao de 12,00 metros de vos, limitao dada pelas fundaes existentes, na qual os referenciais so a paisagem e o conforto dos usurios. O projeto arquitetnico do novo terminal procurou aproveitar a brisa constante e a luz natural, buscando minimizar o consumo de energia com solues artificiais. Os sagues de embarque e desembarque seriam ventilados naturalmente, com a cobertura se prolongando sobre as vias de embarque e desembarque, protegendo inteiramente os veculos e passageiros. Na frente do aeroporto foi projetado um espelho dgua que reduziria a temperatura do ar, limitando o calor gerado pelo ptio de estacionamento. Como o espelho no foi construdo, quebrou-se a lgica de climatizao natural do projeto. Hoje o saguo do Aeroporto foi enclausurado e teve instalado um sistema de ar condicionado.O saguo e a via de chegada de veculos, totalmente aberto, tem suas imagens fortemente marcadas pela curvatura da cobertura e pelo desenho dos braos de ao.

Aeroporto Internacional Augusto Severo

As ligaes da estrutura de ao so bastante evidenciadas, valorizando a lgica construtiva.

Quanto a sua distribuio espacial, o edifcio foi desenvolvido em quatro nveis: no trreo situam-se os sagues de embarque e desembarque, salas de restituio de bagagens, escritrios das companhias areas e demais reas de apoio e de manuseio de bagagens; no pavimento tcnico, situado entre o trreo e o 1 pavimento, local de acesso exclusivo dos tcnicos da manuteno, esto todas as instalaes de infra-estrutura, equipamentos de ar condicionado e transformadores de energia; no 1 pavimento, caracterizado como mezanino, esto abrigadas reas para o comrcio em geral e salas de embarque domstico e internacional; e no 2 pavimento, definido como terrao panormico coberto, h uma pequena infra-estrutura comercial formada por bar, sorveteria, lojas e espao cultural.

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ELEVAO LONGITUDINALAtravs da leveza da estrutura e da transparncia do vidro, as pontes de embarque exploram a relao do passageiro com a paisagem local.

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n.03 terminais de passageiros

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Srgio Roberto Parada

Srgio Roberto Parada

Aeroporto Internacional Augusto SeveroO ao um elemento visivelmente presente em toda a obra, seja nos apoios verticais da estrutura, cujas ligaes foram valorizadas, seja na escada do saguo, ou mesmo nas pontes de embarque e desembarque. Contudo, o que mais se destaca no aeroporto a forma da sua cobertura, cujos movimentos e ondulaes fazem referncias ao mar e s dunas. Isso porque Natal um centro de turismo nacional, para onde os visitantes so atrados pela paisagem for