Jornal foco

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  • A FORA QUE SEGURA O TEATROCom os sucessivos cortes na Cultura, o teatro em Portugal tem vindo a ser umdos mais afetados.O jornal Foco falou com 3 companhias do Porto e tentou perceber como que sobrevivem. | p.2 /3

    Entrevista a Richard ZimlerQuando acabo um livro,

    fico completamente esgotado

    QUART 18 DEZ 2013 | Ficha tcnica: Carminda Soares, Mafalda Oliveira, Maria Soares, Ricardo Alves

    www.jornalfoco.weebly.com

    Os jardins secretos de Simone de Oliveira | p.14

    Cavaco acredita num entendimento com AngolaO Presidente da Repbli-ca, Anbal Cavaco Silva, disse hoje estar conven-cido que Portugal e An-gola tm uma vontade muito sria de manterb e reforar os laos de coo-perao. | p.5

    Dulce Flix: Tenho muito orgulho em mim | p.11

    Rodrigo Leo: Estou-me completamente nas tintas para os prmios| p.15

    Professor na rea de jornalismo, mas mais conhecido como novelista de romances

    histricos, Zimler falou com o jornal Foco sobre o novo livro, e sobre o estado da

    nao. | p.12/13

    Rui Rio no se vai candidatar liderana do PSD | p.4

  • A FORA QUE SEGURA O TEATRO

    QUART 18 DEZ 2013 | Ficha tcnica: Carminda Soares, Mafalda Oliveira, Maria Soares, Ricardo Alves

    A fora que

    Com os sucessivos cortes na Cultura, o teatro em Portu-gal tem vindo a ser um dos mais afetados. No s vm reduzidos os apoios, como tambm no tm pblico.O jornal Foco falou com 3 companhias do Porto e ten-tou perceber como que (sobre)vivem.

    Em Portugal o teatro tem preo. Com o setor da cultura cada vez mais afetado pelas constantes re-dues no oramento de Estado, o teatro inflaciona num pas que tem as menores taxas de participao em actividades culturais da Unio Europeia. Em Agosto de 2013, a Direo Ge-ral das Artes, que coordena e exe-cuta as polticas de apoio s Artes, publicou a listagem dos apoios a entidades culturais. Algumas com-panhias de teatro sediadas no Porto viram o subsdio reduzido.

    o caso do Teatro de Marione-tas do Porto, que dos 114 mil euros atribudos em 2012 recebeu apenas cerca de 83 mil euros este ano. Isa-bel Barros, diretora artstica, diz que o novo valor no suficiente para manter a companhia: um estrangulamento enorme porque isso implicou muitas alteraes e toda uma nova forma de trabalhar. No do ponto de vista da nossa plasticidade que tanto nos define, mas sim de toda a dinmica de tra-balho. Por exemplo, ns fazamos duas criaes por ano e a partir des-te momento s conseguimos fazer uma. Este apoio ser de quatro anos o que significa que at 2016 o teatro de marionetas tem, pelo menos, um

    subsdio garantido. Subsdio esse que ter de se dividir por despe-sas, consideradas por Isabel Barros, enormes: Em termos de estrutu-ras, temos dois espaos alugados: o Teatro de Belmonte e o Museu de Marionetas. Os dois espaos so no Centro Histrico do Porto e so um peso grande. Temos ainda uma equipa permanente, que neste momento j est reduzida a 5 pes-soas. o mnimo. Depois temos as pessoas que contratamos em cada nova criao, por exemplo: os m-sicos, as pessoas que fazem os figu-rinos, as pessoas que trabalham nas oficinas, os tcnicos. Fundado em 1988, o Teatro de Marionetas que se orgulha de ser uma das poucas companhias de teatro do Porto com um ncleo permanente de atores tem ainda a despesa extra de construo de ma-rionetas. De pea para pea tudo feito de novo e nenhuma marione-ta destruda para dar lugar a ou-tra: Cada criao uma criao. tudo feito de raiz em funo de cada projeto. H mesmo um traba-lho a esse nvel, com uma oficina de construo, muito elaborado, diz Isabel Barros. O Teatro de Marionetas do Porto um espao de inveno que exi-ge, nas palavras de Isabel Barros, muito bons atores com competn-cias para estarem presentes

    como um ator sem marionetas e ainda um grande desenvolvimento de uma tcnica de manipulao. A marioneta mais do que um acessrio. ela que, ligada ao ator como se fossem um s, distancia o

    pblico da realidade e o transpor-ta para outros lugares. frente da companhia h 3 anos, Isabel Barros acrescenta ainda que: O Teatro com Marionetas um espao com mais possibilidades e no deixa nunca de ser teatro.

    Sem Marionetas, mas tambm com dificuldades, temos o Teatro Bruto. Criada em 1995, a compa-nhia de teatro sediada no Porto tambm subsidiada pelo Estado. Mas tambm a eles lhes aplicaram a tesoura da crise. Em 2012 sofreram um corte de 38% no apoio recebido em relao a 2011, que supostamente se man-teria por dois anos, mas que foi re-duzido para cerca de 51 mil e 600 euros. Agora em 2013, receberam cerca de 47 mil euros, valor que se vai manter at 2014 se no houverem mudanas. Ana Luena, directora artstica do Teatro Bruto, conta que tem sido um ano um pouco difcil:

    Bastante alis. De repente deixa-mos de receber quase metade do dinheiro que estvamos a receber h dois anos atrs. Questionmo-nos de que forma que se pode so-breviver tanto financeira como

    ideologicamente a um contexto como o que estamos a viver neste momento. Isto acontece em todas as reas, sendo que na rea da cul-tura eu sinto que os cortes so um pouco maiores. So cerca de 50%. Por isso mesmo estamos a repensar

    De repente deixamos dereceber quase metade do dinheiroque estvamosa receber h dois anos atrs.

    O Teatro com Marionetas um espao com mais possibilidades e no deixa nunca de serteatro.

    2/ DOSSIER

    Por: Carminda Soares, Mafalda Oliveira, Maria Soares

  • questes de estrutura, de tipo de espetculos. Acaba por mexer com tudo. O Teatro Bruto um teatro que gosta de fazer de raiz. Privilegiam a encenao de textos originais o que tem proporcionado o surgimento de novos dramaturgos: A ns in-teressa-nos desafiar escritores que nunca tenham escrito para teatro, ou seja, que sejam de outra rea da literatura para que tenham a sua primeira experincia com o Teatro Bruto e assim podermos tambm desenvolver a escrita dramtica em Portugal. A ns interessa-nos des-bravar territrio e terreno virgem. A msica outra caracterstica que os diferencia em relao aos outros. A dar vida maior parte da peas, Ana Luena diz que a msica acaba por ser mais uma personagem ou interveniente direta e ao vivo. Claro que trabalhar de raiz tem os seus custos: Em mdia gastamos cerca de 25 mil euros por pea, se for com quatro atores. O texto origi-nal tambm se paga. Depois ainda

    temos desenho de luz, cenografia, figurinos, atores, msico. E h ain-da uma srie de coisas volta que no se v: os tcnicos de luz e som, os transportes, divulgao, produ-o dos cartazes, designer grfico, registo do espetculo, fotografias de cena, produtora. Ainda bas-tante gente. uma equipa grande. E o apoio da DGArtes no suficiente para todas estas despesas, j que o Teatro Bruto produz cerca de duas a trs peas por ano. Por esta razo a companhia procura outro tipo de parcerias. Tm beneficiado de apoios privados, que muitas vezes no so financeiros, mas apenas a prestao de um servio de forma gratuita. A CP e a STCP, por exemplo, apoiam na divulgao dos projectos, o que ajuda a trazer pblico s salas de teatro. A companhia de Teatro Bruto tem sede na Fbrica Social. E l que apresentam as suas criaes e que trabalham com os grupos da comunidade. Mas este ano vo mudar-se: Para ter um espao preciso

    ter uma equipa. Ns tivemos que reduzir equipa porque tivemos cortes. Infelizmente no estvamos a ter o retorno financeiro, a nvel de bilheteiras, nem de visibilidade. Ao fim de trs anos percebemos que se calhar sair daqui e ir para a Baixa

    do Porto, tentar dinamizar espa-os diferentes, neste momento faz provavelmente mais sentido para o nosso projeto. Apesar das dificuldades, Ana Lue-na diz que gosta do que faz: Gos-to de ver e gosto de fazer, mas no fao teatro para mim, s faz sentido se tiver pblico. A mim preocupa-me essa questo do pblico e tenho pensado sobre isto e trabalhado para ter pblico. Sinto que h pes-soas que nunca viram teatro e por isso tm uma ideia preconceituosa do teatro. Sinto que h uma espcie de divrcio do teatro

    E entre redues e cortes, h ainda quem no tenha direito a nada. A companhia de Teatro Musgo, sediada no Porto, uma delas. De portas abertas desde 2011, a Musgo no tem qualquer apoio financei-ro e logstico por parte do Estado: Ns somos uma companhia no subsidiada, no temos absoluta-mente nada, s temos o nome, o logtipo e vontade de trabalhar, diz Joana Moraes, diretora artstica. Candidataram-se o ano passado ao apoio da DGArtes, mas o pedido foi-lhes negado. O nico apoio que tiveram at ento foi atribudo pela

    Fundao Gulbenkian pea El Dorado, num concurso a jovens en-cenadores: Foi um pequeno apoio mas que foi muito grande para ns. Trs mil euros um valor muito simblico no custo de uma produ-o. Ns com esta pea tivemos ain-da gastos na ordem dos 1000 euros porque tivemos de comprar mate-rial eltrico. Tentamos reduzir ao mximo as despesas, mas o proble-ma pagar o trabalho porque ns trabalhamos muito tempo, muitas horas e esse trabalho, supostamen-te, tem de ser remunerado. Mas no . Na Musgo onde trabalham quatro atores fixos, no existe sa-lrio. A nica remunerao vem do que sobra das bilheteiras. 30% a 40% j est destinado ao espao em si, o restante vai para as despesas existentes. Os atores so os ltimos da lista e ficam com o que sobra, que, segundo Joana No uma re-munerao, uma gratificao. Gilberto Oliveira um dos atores fundadores da Musgo, mas traba-lha noutros stios e projetos porque trabalhar apenas na Musgo no d para viver.Para ele o teatro tem uma impor-tncia ldica e de reflexo essencial para a sociedade: E acho que ns na Musgo juntamos isso, partindo do ldico com um sentido de hu-mor que eu acho que nos caracte-riza, mas que permite ao pblico fazer uma reflexo bastante forte. Mas esta importncia ainda no lhe dada. Falta um maior nmero de apoios, falta uma maior ateno, falta divulgao. E diz ainda que o valor do Oramento de Estado des-tinado cultura talvez