Monografia Pronta Com sumo

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Universidade do Estado do Rio de Janeiro Instituto de Artes

Rommel Cerqueira Silva

O DEVANEIO DA CRIAO: A IMAGEM COMO LINGUAGEM POTICA

Rio de Janeiro 2008

Rommel Cerqueira Silva

O Devaneio da Criao: A Imagem como Linguagem Potica

Monografia de graduao em Artes Plsticas apresentada ao Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessrios obteno do ttulo de Bacharel em Artes Plsticas

Orientadora: Prof. Dr(a) Maria Luiza Fatorelli

Rio de Janeiro 2008

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ROMMEL CERQUEIRA SILVA

O Devaneio da Criao: A Imagem como Linguagem Potica

Monografia submetida ao corpo docente do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessrios obteno do grau de ................................

Rio de janeiro,

de

de 2

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_______________________________________________ Prof. Dr. Maria Luiza Fatorelli _______________________________________________ Prof. Dr. Rodrigo Gueron _______________________________________________ Prof. Tania Queiroz

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Mas com a janela aberta sempre posso colocar a cabea pra fora em busca de ar.Caio Fernando Abreu

Achamo-nos diante de um caos. Enfrento o meu tema e me perco nele...Paul Czanne

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todas as pessoas que em algum momento abraaram a minha loucura como se fosse delas.

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RESUMO

SILVA, Rommel Cerqueira. O Devaneio da Criao: A Imagem como Linguagem Potica. Rio de Janeiro, 2008 Monografia (Bacharel em Artes Plsticas) Instituto de Artes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

A idia central dessa monografia refletir sobre as possibilidades de definio daquilo que se chama linguagem e a partir das diferentes correntes lingsticas e filosficas repensar as caractersticas mais embrionrias do estudo da mesma. Pensar acerca das supostas particularidades, j institucionalizadas na linguagem verbal ou oral, e cogitar os estudos filosficos, que nos empurra a pensar o ente da linguagem e o ente do homem, a partir, ou prioritariamente, de nomes como Martin. Heidegger - a linguagem pela linguagem - e Gaston Bachelard - com sua Potica do Devaneio. Experimentar a linguagem atravs da poesia que permeia todo e qualquer meio expressivo, contudo tendo como foco principal, mas no nico, a linguagem imagtica presente nas Artes Plsticas.

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SUMRIO

Introduo........................................................................................................................1 1. A Imagem como Linguagem I................................................................................................................................4 II...............................................................................................................................8 2. A Poesia e o Espao de Criao I...............................................................................................................................15 II............................................................................................................................. 22 3. O Devaneio ou o Eterno Retorno da Poesia I...............................................................................................................................26 II. Nuno Ramos: Srie Vitrines: GAGS e GRAVE, GRAVE................................33 III. Brgida Baltar: Umidades.................................................................................36 IV. Cildo Meireles: Misso/ Misses (Como Construir Catedrais).......................37 V. Rommel Cerqueira: O Contorno do Espao e Suor..........................................41 Consideraes Finais....................................................................................................44 Referncias Bibliogrficas Anexos

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Introduo

A temtica central da minha pesquisa surgiu no 5 perodo da graduao, na disciplina Oficina de Criao Bidimensional, quando o livro Seis Propostas para o Prximo Milnio, de talo Calvino, foi utilizado como pea chave nas aulas ministradas pela Prof Dra. Maria Luiza Fatorelli, minha orientadora. Este livro consiste numa compilao de seis palestras, que seriam parte de um ciclo Charles Eliot Norton Poetry Lectures -, a serem ministradas ao longo do ano letivo na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachussets. A idia desse ciclo de palestras era discutir qualquer espcie de comunicao potica literria, musical, figurativa -, sendo a escolha do tema completamente livre1. O que poderia significar certo alvio, acabou constituindo o primeiro problema a ser enfrentado por Calvino: uma vez que o prprio autor deixa claro que em virtude de sua formao italiana plural, no conseguia conceber a separao e especializao entre as formas de expresso msica, artes plsticas, literatura e entre os pensamentos crticos-reflexivos com o mesmo grau de separao de outras culturas. Nesse ponto, acredito que o pensamento de Calvino se aproxima bastante do pensamento de Roland Barthes, em sua Introduo Anlise Estrutural da Narrativa:Inumerveis so as narrativas do mundo. H em primeiro lugar uma variedade prodigiosa de gneros, distribudos entre substncias diferentes, como se toda matria fosse boa para que o homem lhe confiasse suas narrativas: a narrativa pode ser sustentada pela linguagem articulada, oral ou escrita, pela imagem, fixa ou mvel, pelo gesto ou pela mistura ordenada de todas estas substncias; (BARTHES, 2001: p.19)

E centrado nesse carter multifacetado, em termos de expresso artstica, que tal livro - Seis Propostas para o Prximo Milnio tem seus captulos desenvolvidos. Cada uma das propostas abrange um captulo e trabalha com seu oposto imediato: Leveza correlacionada ao Peso, Rapidez Lentido, Exatido Impreciso, Visibilidade ao que se Oculta e Multiplicidade Unidade. Entretanto, talo Calvino

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talo Calvino, Seis propostas para o prximo milnio, p.5

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faleceu antes de concluir aquele que seria o ltimo e, talvez, o mais instigante captulo: Consistncia. E foi justamente na ausncia do apoio literrio de Calvino que esse questionamento comeou a me surgir e ganhou fora: como pode ser medida ou, pelo menos, definida a consistncia na contemporaneidade, em termos de produo artstica? Uma tarefa, no mnimo, ousada, mas que me levou ao contato direto com certas questes, provocando-me descobertas e redefinies de alguns eixos semnticos que at ento se disfaravam, sob meu prisma, nesse imenso universo retrico da arte; por esse caminho que me levava no a buscar uma resposta exata para tal questo, mas uma possibilidade de reflexo filosfica, passando pela esttica, pela lingstica, pela fenomenologia, intrinsecamente ligadas atividade prtica, mas sem ter a menor inteno de integr-las - ainda que isso fosse possvel. No comeo, aps constatar e refletir sobre a vasta extenso e s vrias possibilidades de abordagem desse tema, perguntei-me se questes vinculadas ao antigo par Belo/ Sublime poderiam servir de alicerces para um pensamento acerca da consistncia. Essa empreitada, por si s, reduziria e poria em foco um ponto especfico ligado questo primeira, mas ainda assim exigiria um retrocesso histrico e esttico que talvez no coubesse no espao-tempo dessa monografia. Isso sem mencionar como o fluxo da histria da arte desconstruiu ou reconstruiu a importncia ou o alcance de tais valores. E ainda que o desafio se mantivesse, ao considerar a arte contempornea, a dificuldade seria pensar de que mercado de arte estamos falando: das galerias e museus, da academia ou do mercado impulsionado pelas grandes corporaes privadas, para que s depois tornasse possvel analisar a construo de um juzo de gosto coletivo, influenciado e influencivel, mas jamais inato isso seria um tnel sem fim, visto que imediatamente poderamos questionar como e porque feito esse direcionamento intelectivo, apontando para mais um questo vastssima, talvez, insolvel, mas para esse trabalho final de graduao, dispensvel.

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E foi durante a confeco do projeto inicial da minha proposta prtica alinhada leitura inesperada de Heidegger2 e, principalmente, de Bachelard3 onde vi despertar um olhar sobre aquele que, talvez, seja o nico momento genuinamente desprendido de uma manipulao segura, tanto pelo artista como pelas influncias indiretas do espao scio-cultural que o cerca; e, quem sabe, o nico momento que comum a todos queles que se propem rdua tarefa de criar, independente da vertente artstica que adotem: o momento que antecede a criao artstica. nesse momento que a poesia se faz una. A poesia que reside nesse espao imaterial e que vive nesse tempo jamais regido pelo Chronos que controla o mundo, e sim pelo Kairos4. justamente sobre esse carter uno que escreve Calvino e Barthes. esse carter que impulsiona Heidegger e, posteriormente, Bachelard a buscar nos filsofos pr-socrticos uma concepo de linguagem que o platonismo interrompe, e que se baseia no carter mais genuno da arte e da poesia: a experimentao da linguagem pela linguagem e do seu carter de transfigurao semntica. E dentro dessa esfera conceitual que esse trabalho monogrfico se prope a discorrer, em direta associao ao exerccio prtico que ser abordado num captulo especfico levantando questes e refletindo sobre as possibilidades de recodificao e interpretao da linguagem visual, tendo como destaque a produo contempornea e, em especfica, a minha prpria.

Martin Heidegger, A Caminho da Linguagem, 2003 ; Gaston Bachelard, A Potica do Devaneio, 2006; 4 Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairos. Enquanto chronos refere-se ao tempo cronolgico, ou seqencial, kairos refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece. Em sntese pode-se dizer que o tempo humano (medido - Chronos) descrito em horas e suas divises; em anos e suas divises