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Artigo sobre custo logstico

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  • Artigo publicado na edio 42

    w w w . r e v i s t a m u n d o l o g i s t i c a . c o m . b r

    s e t e m b r o e o u t u b r o d e 2 0 1 4Assine a revista atravs do nosso site

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    :: artigo

    Yassuo Imai SegundoAdministrador de empresas formado pela Faculdade Arthur de S Earp Neto (FASE), com especializao em Anlise de Operaes Logsticas e MBA em Logstica Empresarial, ambas pelo Instituto Coppead/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Logistics Business Experience pela Sydney University/Australia. scio-diretor da Imai Empresas, consultoria especializada em solues de Logstica e Supply Chain, na qual gestor da carteira de projetos de Warehouse Improving Processes, Stocks Management e Sales & Operations Planning.

    imai@imaiempresas.com

    Centros de Distribuio: como planejar sem errar

    Esse artigo resume alguns dos principais pontos a serem analisados durante o projeto de construo ou expanso de um centro de distribuio. O objetivo fornecer informaes que permitam formatar critrios para seu projeto e/ou direcion-lo s fontes adequadas de fundamentao.

    O que voc precisa saber antes de empreender na expanso ou na construo de um novo CD

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    Mesmo sendo operaes de

    natureza complexa, o planejamento

    de um CD deve ser simplificado, para

    que sua execuo no se torne invivel ou

    inflexvel.

    Historicamente tratados como Centros de Custos, nas entrincheiradas planilhas de controladoria empresarial, os Centros de Distribuio (CDs) so considerados, atualmente, instrumentos de compe-titividade empresarial, cada vez mais evidentes e impor-tantes no xadrez dos negcios.

    Antes chamados de depsito, estoque, barra-co, galpo, batcaverna e outros apelidos decaden-tes, eles foram, por muito tempo, verdadeiras terras de ningum no cotidiano de muitas empresas, enquanto seus executivos se encantavam com as acaloradas pa-lestras motivacionais do Marketing, Recursos Humanos (RH), Estratgia, entre outras. No podemos deixar de mencionar que os mais conceituados autores citaram a relevncia da logstica e das opera-es de distribuio para que seus conceitos prosperassem. Mesmo as-sim, l estavam os CDs acumulando poeira, empilhando estoques e, mui-tas vezes, administrados pelos menos qualificados funcionrios para a fun-o.

    Nesse tempo de estrada, j vimos um pouco de tudo. De empresrios que estavam anos sem ir ao seu de-psito, ao dito depsito ser utiliza-do como um exlio para funcionrios indesejados no ar-condicionado da Administrao. Ainda bem que esses tempos esto findando.

    A cada dia, profissionais e empresas percebem as oportunidades existentes nas operaes de seus CDs. Devido aos anos que foram deixados em segundo plano, nas estratgias dos negcios, muitos centros de distribuio encontram-se saturados, operando alm de sua capacidade efetiva e defasados estrutural e tec-nologicamente, para assegurar custos competitivos nas operaes que nele so executadas. O resultado: Elevados ndices de erros nas operaes de separa-

    o e conferncia; Elevados ciclos de atividade (recebimento, armazena-

    gem, separao, conferncia, expedio etc); Elevados ndices de retrabalho; Elevados ndices de devoluo ou envio de comple-

    mento de pedidos; Elevada incidncia de mo de obra (custos que no

    agregam valor) nas atividades executadas no CD; Elevados ndices de reteno de veculos de entrega

    nas docas e nos ptios, aumentando, continuamente, a demanda pela compra/contratao de novos ve-culos;

    Elevados ndices de pagamento de horas extras e contratao de temporrios (e consequente volume de passivos trabalhistas, turnover etc);

    Baixos ndices de acuracidade dos inventrios, ou mesmo, a inviabilidade de executar inventrios roti-neiros.O aprendizado obtido com erros do passado tem

    promovido uma recente onda de construo ou rees-truturao de centros de distribuio, baseada no plane-jamento detalhado de sua operao, na remodelagem de seus processos e na otimizao do uso dos ativos lo-

    gsticos l instalados. Os puxadinhos improvisados bem brasileira pelos encarregados do depsito esto ce-dendo espao a operaes em que os gestores esto focados na econo-mia que podem gerar e no retorno sobre o investimento que ser reali-zado.

    Nesse nterim, abrem-se espaos para que estruturas e equipamen-tos adequados, alm de tecnologias de ponta, ocupem seu lugar nessas operaes e contribuam para o cres-cimento pautado em eficincia das empresas proprietrias.

    Mesmo sendo operaes de natu-reza complexa, o planejamento de um

    CD deve ser simplificado, para que sua execuo no se torne invivel ou inflexvel. Ele precisa, no entanto, ser rico em informaes, que permitam que o planeja-dor simule e projete cenrios e condies para modelar, adequadamente, seus recursos e processos. importan-te ter em mente que erros no planejamento de um CD, muitas vezes, so irreversveis e, nem sempre, o que os mais populares cases de sucesso no mercado fazem o melhor para a sua operao.

    Esse artigo fornecer um roteiro prtico de como planejar uma operao eficiente de centro de distribui-o, minimizando a probabilidade de erros na instalao e start de suas novas operaes.

    ONDE INSTALAR?H respostas prontas, muito vlidas, para essa per-

    gunta, na literatura acadmica. O centro de distribuio deve estar instalado em um ponto central s suas praas de atendimento. bvio que a demanda de cada praa deve contar como ponderao, para que o CD esteja alguns quilmetros mais prximo ou distante dessa ou daquela.

    No entanto, tambm devem ser considerados os

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    custos de abastecimento do CD, que podem encare-cer as compras e as estratgias de distribuio. Nestas, precisam constar uma detalhada anlise sobre o acesso aos modais utilizados pela distribuio (rodovias, portos, aeroportos etc) e a contratao de servios de trans-portadores.

    Porm, caracterstico de nosso pas que, muitas ve-zes, generosos incentivos fiscais joguem por terra os dois pargrafos anteriores e sejam preponderantes na escolha de uma regio geogrfica para a instalao da

    planta.A FORA DO INTERIOR

    Em alguns casos, cidades do interior se mostram inte-ressantes opes na escolha da instalao de um novo CD, em especial no quesito qualidade da mo de obra. Como as opes de trabalho, muitas vezes, so limitadas no interior, as pessoas tendem a valorizar sua oportu-nidade de trabalho e mantm-se por mais tempo em suas funes. Temos observado, em nossos projetos, um ndice de turnover menor em centros de distribuio ins-talados em cidades do interior, quando comparados aos instalados em metrpoles e centros urbanos.

    Essa ponderao deve ser avaliada em conjunto com as demais (acesso, contratao de servios de transpor-te, custo de abastecimento e de operao etc).

    O GALPO: QUEM VEM PRIMEIRO? O OVO OU A GALINHA?

    Primeiro o galpo e depois os processos, ou primeiro os processos e depois o galpo? Essa uma das primei-ras dvidas que surgem depois que se decide construir ou expandir uma operao. H correntes que defendem os dois lados. Em termos prticos, isso depende da dis-ponibilidade de rea. Se o terreno para a construo for

    restrito a ponto de no permitir um crescimento em mdulos, a escolha bvia: faz-se o galpo e adequa-se o layout e os processos a ele.

    Se rea fsica no for o problema, planeja-se a ope-rao final e a decompe em mdulos, que sero cons-trudos a partir de um determinado nvel de ocupao do mdulo anterior (ver Figura 1). Esse tipo de plane-jamento muito til, pois minimiza futuras adequaes de layout, ou mesmo, retrabalho em construes, para-lizao no planejada da operao e desperdcio dos investimentos realizados.A ESCOLHA DE UM CD AUTOPORTANTE

    Se as possibilidades de crescimento na rea onde o CD est instalado forem muito restritas (zonas indus-triais ou urbanas, completamente ocupadas ou com metro quadrado muito caro), uma estrutura autopor-tante pode ser uma alternativa vivel, devido sua alta capacidade de elevao no armazenamento e que pos-tergar a migrao para um novo CD no futuro. Estrutu-ras autoportantes tm um alto investimento por metro cbico. Exceto em operaes muito especficas, so so-mente nessas condies de restrio de rea que elas se viabilizam financeiramente.

    ARMAZENAMENTO: LAYOUT, EQUIPAMENTOS E ESTRUTURA DE ARMAZENAMENTO

    Esse um ponto que merece considervel ateno em todo o planejamento. Um dos princpios de um pla-nejamento bem-sucedido de centro de distribuio que o layout da instalao zele pela fluidez dos fluxos de pessoas, equipamentos e produtos. Ao mesmo tempo, a instalao deve otimizar a capacidade de armazena-mento por metro cbico. Esses princpios tm propos-tas mutuamente conflitantes. Se aumenta a ocupao do

    Figura 1: Construo em mdulos.

    MDULO 1:EM OPERAO

    MDULO 2:PLANEJADO.CONSTRUO DA PLANTA QUANDO A OCUPAO DO MDULO 1 ATINGIR 80% DA CAPACIDADE.

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    CD, reduz o fluxo e vice-versa.Conhecer ou buscar a assessoria tcnica de quem

    conhea, sem vieses de vnculos comerciais, a gama de equipamentos de movimentao horizontal e vertical de produtos e os tipos de estruturas de armazenamento que podem ser adotados pela operao, fundamental para que se possa explorar quase infinitas possibilidades de planejamento de layout e fluxos que no sejam en-gessados pelo modelo padro de ocupao de galpes, sugerido pelos fabricantes de estruturas de armazena-mento.ESTUDO E PROJEO DA DEMANDA E DOS ESTOQUES

    O planejamento da rea de armazenamento deve contemplar uma anlise estatstica do comportamento dos estoques e suas variabilidades, em especial nos pe-rodos sazonais, segregada pela forma mais adequada s

    caractersticas da operao (tipo de embalagem, famlia de produtos, caractersticas, restries de armazena-mento etc).

    Precisa-se observar que, em se falando de estoques, h sempre muitas