Simplesmente eu, Clarice Lispector

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Texto sobre a peça teatral "Simplesmente eu, Clarice Lispector", de Beth Goulart, feita para o caderno de Cultura (Panorama) do Jornal do Comércio. Porto Alegre, RS.

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    ESTREIANo documentrio Vou rifar meu corao, o universo da msica brega brasileira ganha destaque atravs de histrias reais alinhavadas por canes romnticas. Pgina 3

    Porto Alegre, 3, 4 e 5 de agosto de 2012 - N 11

    Lvia Auler, especial JC

    Escrevo porque encontro nisso um prazer que no sei traduzir. Com estas

    palavras, a atriz Beth Goulart ini-cia a interpretao de um mito da literatura brasileira. Simplesmente eu, Clarice Lispector est em car-taz na Capital durante este final de semana, no Theatro So Pedro, com sesses de sexta a domingo. O solo traz a escritora e sua obra para mais perto das pessoas, atravs de um dilogo estabeleci-do com o pblico. Quando voc l um texto de Clarice, de alguma forma voc convidado a ter um encontro marcado consigo mes-mo, diz a atriz. este o encontro proposto pela artista no momento da pea.

    Quando leu o primeiro romance de Clarice - Perto do corao selvagem -, Beth tinha apenas 13 anos e sentiu uma identificao imediata. A partir da, passou a ter grande admi-rao pela escritora de origem ucraniana e, durante a vida, aca-lentou a vontade de fazer alguma coisa sobre esta que , at hoje, uma de suas autoras preferidas. Uma das questes que Beth v como importante aquilo que ela chama de olhar para o espe-lho de dentro, aspecto abordado com profundidade na encenao. Clarice se revela tanto naquilo que escreve, que acabamos por nos revelar junto, relata Beth.

    Por sua intimidade com a figura de Clarice, Beth assumiu, alm da interpretao, a adapta-o e a direo da pea. Quando comecei a dramaturgia, estava tudo to claro na minha cabea que s precisei me cercar de bons profissionais, que pudessem concretizar essas ideias, afirma. Esse respaldo tcnico foi reali-zado por nomes como Maneco Quinder, na iluminao, Alfredo Sert, autor da trilha sonora, e Amir Haddad, responsvel pela superviso-geral do espetculo.

    TEATRO

    Alma de

    Para dar forma ao monlogo e chegar perto do jeito Clarice de ser, Beth dedicou dois anos de pesquisa em livros, entre-vistas, teses e declaraes da escritora. Todas as informaes foram misturadas e se transfor-maram em um ser hbrido: meio Beth, meio Clarice. Para falar da solido dela, eu falo da minha solido; para falar da angstia dela, eu falo da minha angstia, revela. Esse foi um dos pontos colocados pelo supervisor Amir Haddad. Quanto mais em voc, mais prximo a ela voc estar, disse ele atriz, destacando que esta afirmao deixa mais rea-lista o que mostrado no palco. Eu no preciso deixar de ser eu

    para ser ela. Sou eu, sendo ela, relata Beth.

    O palco um espao em branco, como se fosse um vazio, preenchido pelas ideias e pela coreografia de gestos, luzes, m-sica e cena. Clarice a principal figura. Fao ela se transformar nos seus prprios personagens e retornar para ela, explica Beth. Quatro histrias foram levadas em conta para a construo dos personagens: Perto do Corao Selvagem, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, e dois contos do livro Laos de Famlia: Amor e Perdoando Deus. As transformaes so realizadas vista do pblico, naturalmente, durante a execuo do monlogo.

    Clarice A mulher que nos revelaBeth Goulart afirma que

    deseja mostrar a mulher por trs da autora. Conhecer a pessoa Clarice nos aproxima de sua obra, enfatiza a atriz. Apesar de a pea contar com muito texto, os momentos de silncio tambm so valorizados, assim como na obra da escritora. O texto dela te induz para o estado de reflexo e introspeco, o espetculo no poderia ser diferente, afirma.

    O amor a emoo conside-rada norteadora da pea. Este o sentimento mais forte na vida e obra da Clarice, e tambm um tema que me interessa, ressalta. Trs pontos de identifi-cao so destacados pela atriz: amar os outros, a maternidade e

    o respeito e devoo pelo ofcio. Outra similaridade entre as duas o processo criativo. Fisicamen-te, Beth ficou muito parecida com a escritora, auxiliando a identificao pelo pblico.

    Simplesmente eu, Clarice Lispector j tem uma trajetria desde 2009, quando tambm foi apresentada em Porto Alegre. Naquele mesmo ano, Beth Goulart foi considerada a melhor atriz no Prmio Shell de Teatro. Com pitadas de humor, o solo traz um olhar amoroso sobre a autora e busca tir-la daquele lugar inatingvel que, muitas vezes, ela colocada. Procuro traz-la para um pouco mais perto de ns, conclui a artista.

    Simplesmente eu, Clarice LispectorSexta e sbado, s 21h, e domingo, s 16h. No Theatro So Pedro (Praa Marechal Deodoro, s/n). Ingressos entre R$ 30,00 a R$ 70,00.

    Beth Goulart apresenta seu olhar sobre Clarice Lispector em espetculo no So Pedro

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