Vanguarda poética

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Text of Vanguarda poética

  • 1. Dcio Pignatari, augusto e Haroldo de Campos; Comunicao de formas estrutura-contedo; Sem forma revolucionria no h arte revolucionria (Maiakovski)

2. Marca do grupo: consideraes histricas e temticas sociais; Preferncia pelos textos em versos/uso da palavra publicada; Resistncia influncia das artes plsticas; Esforo por adequar o valor semntico e o efeito sonoro ao assunto. Nega tudo que seja uma produo intelectual, racionalista, maquinale ciberntica; Recupera a subjetividade do eu-lrico. 3. Poesia engajada; A inteno a ao; Trs fundamentos da ao potica: o ato de compor; a rea delevantamento da composio; a construo do poema. Explora os efeitos sonoros; Aberta s diferenas; Espao para o popular e folclrico; Temtica ligada a fatos polticos, histricos e jornalsticos. 4. Derivado do Concretismo; Privilegia a linguagem visual, semitica, iconogrfica; Poesia isenta de palavras. 5. Manifestao informal, espontnea e heterognea da linguagem e daarte; Obra heterognea com objetivo de estabelecer uma nova linguagem; Formas inovadoras de comunicao, quebrando paradigmas erompendo com veculos adotados pelo sistema. 6. Heterognea, sem determinar tendncia ou proposta que represente o perodo. Artigo I Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as teras-feiras mais cinzentas, tm direito a converter-se em manhs de domingo. 7. Artigo III Fica decretado que, a partir deste instante, haver girassis em todas as janelas, que os girassis tero direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperana.Artigo IV Fica decretado que o homem no precisar nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiar no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do cu. Pargrafo nico:O homem, confiar no homemcomo um menino confia em outro menino. 8. Artigo VIIPor decreto irrevogvel fica estabelecidoo reinado permanente da justia e da claridade,e a alegria ser uma bandeira generosapara sempre desfraldada na alma do povo.Artigo VIIIFica decretado que a maior dorsempre foi e ser sempreno poder dar-se amor a quem se amae saber que a guaque d planta o milagre da flor.Artigo Final.Fica proibido o uso da palavra liberdade,a qual ser suprimida dos dicionriose do pntano enganoso das bocas.A partir deste instantea liberdade ser algo vivo e transparentecomo um fogo ou um rio,e a sua morada ser sempreo corao do homem. 9. Poema de sete facesCarlos Drummond de AndradeQuando nasci, um anjo tortodesses que vivem na sombradisse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.Com licena poticaAdlia PradoQuando nasci um anjo esbelto,desses que tocam trombeta, anunciou:vai carregar bandeira.Cargo muito pesado pra mulher,esta espcie ainda envergonhada. 10. Poetas VelhosBom dia, poetas velhos. Me deixem na boca o gosto dos versos mais fortes que no farei. Dia vai vir que os saiba to bem que vos cite como quem t-los um tanto feito tambm, acredite. 11. Uma chuva ntimaSe o homem a v de uma parede umedecida de moscas;Se aparecem besouros nas folhagens;Se as lagartixas se fixam nos espelhos;Se as cigarras se perdem de amor pelas rvores;E o escuro se umedea em nosso corpo.Lugar em que h decadncia. Em que as casas comeam a morrer e so habitadas por morcegos. Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas a dentro. Em que os capins lhes subam pernas acima, seres a dentro. Luares encontraro s pedras mendigos cachorros. Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados indigncia. Onde os homens tero a fora da indigncia. E as runas daro frutos