(17) escatologia

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  1. 1. 1 ESCATOLOGIA
  2. 2. 2 INTRODUO Nota importante: Apresentaremos nesta matria as trs Escolas Escatolgicas mais conhecidas: Pr- milenar; Ps-milenar e A-milenar Comearemos apresentando a viso escatolgica chamada de Pr-milenar, ou seja, a viso em que Jesus volta antes do Milnio. CAPTULO 1 A HERMENUTICA E A ESCATOLOGIA Sendo a hermenutica a responsvel pelo estudo das regras de interpretao bblica no seria possvel deixa-la de fora de um trabalho como este, j que a escatologia trabalha em meio a muitas profecias e passagens de difcil compreenso, por isso precisaremos conhecer os dois principais mtodos de interpretao para que tomemos um caminho coerente nas Escrituras, e acima de tudo no a deturpemos para provar teorias infundadas. O alegorismo e o literalismo so hoje, os mtodos mais utilizados sendo que o primeiro vem ganhando mais espao entre os telogos, espao este antes dominado, quase em totalidade, pelo mtodo literal. 1.1- O ALEGORISMO O alegorismo tem suas razes no platonismo e no alegorismo judaico, dois de seus defensores so Orgenes (185-254) escritor, telogo e professor e Clemente de Alexandria que faziam parte da escola de Alexandria. Orgenes defendia que a interpretao era dividida em trs aspectos o literal, ao nvel do corpo, o moral, ao nvel da alma, e o alegrico, ao nvel do esprito. Clemente por outro lado defendia cinco pontos a serem usados para interpretao de um texto: o histrico, o doutrinrio, o proftico, o filosfico e o mstico. Agostinho de Hipona reformulou os sentidos do alegorismo e os transformou em quatro: o sentido literal, o que o texto realmente quer dizer; o sentido moral, uma viso do texto que retratasse um ensinamento sobre conduta; sentido alegrico, como crer e em quem crer e de que maneira; o sentido anaggico, o que o texto promete ou representa para o futuro. Assim
  3. 3. 3 vemos que agostinho ao ler um texto tinha conscincia de seu sentido literal, mas empregava outros mecanismos para que o texto dissesse mais que o que estava escrito. Para definirmos o alegorismo podemos dizer que este mtodo aquele que em lugar de reconhecer o texto como naturalmente se apresenta, perverte-o dando um sentido secundrio anulando a inteno primria do escritor, um exemplo deste tipo de interpretao est em Apocalipse 20 quando Joo fala a respeito de um perodo de mil anos em que a teocracia seria instituda e o prprio Jesus reinaria sobre a terra, os alegoristas ou espiritualizadores de textos dizem que este perodo est sendo cumprido agora pela igreja, e os mil anos no so literais, mas sim espirituais. Grandes perigos rondam a alegorizao j que esta no interpreta as Escrituras, mas d um novo sentido a ela baseados na imaginao do intrprete, sendo que, como diz a regra fundamental da hermenutica, a Bblia deve explicar-se por si mesma. Por muitos motivos a interpretao das Escrituras por alegorizao deve ser rejeitada, no entanto importante que fique claro que num sermo usa-se de alegorias para trazer um ensino igreja dentro de um texto que s vezes foge do seu sentido literal, porm isso permitido, pois se trata apenas da aplicao de conceitos contidos no texto em uso, o que no se permite estabelecer doutrinas baseadas em textos alegorizados como o exemplo acima citado que perverte um ensino bblico com uma interpretao mstica de um texto que no poder ser compreendido de outra maneira seno literalmente. importante ressaltar que o mtodo alegrico trata-se de um sistema usado para interpretar a bblia e nada tem a ver com alegorias existentes nas Escrituras. 1.2- O LITERALISMO Tambm conhecido como mtodo histrico-gramatical o literalismo difere do alegorismo por interpretar as palavras e frases de uma maneira natural como elas se apresentam; o Dr J.D. Pentecost define o mtodo literal da seguinte maneira: O mtodo literal de interpretao o que d a cada palavra o mesmo sentido bsico e exato que teria no uso costumeiro, normal, cotidiano empregada de modo escrito oral ou conceitual.
  4. 4. 4 Com certeza este o nico mtodo que satisfaz as exigncias bblicas no sentido de trazer uma interpretao equilibrada e dentro de um contexto correto, ou seja, ele no modifica a idia inicial que o autor procurou transmitir, mas a explica de maneira coerente. A bblia foi elaborada por Deus para que o homem conhecesse seus propsitos e mandamentos e, portanto no permitiria que este mesmo homem interpretasse seus ensinos literais dando a eles um novo sentido, portanto Deus espera que suas palavras sejam entendidas da maneira como ele as disse, certo que temos linguagens figuradas, simblicas e alegorias nos textos bblicos, no entanto o fato deles existirem no obriga ao interprete usar outros mtodos, pois por trs das parbolas, tipos, figuras e smbolos esto verdades literais, sabemos tambm que, no podem ser interpretados ao p da letra, mas deve-se sempre buscar dentro do contexto, em passagens paralelas, tipos paralelos que tenham a explicao contida na bblia, a compreenso correta do texto. Um exemplo de alegoria se v em Joo 15:5 quando Jesus diz que Ele uma videira e seus discpulos os ramos, ou em Joo 6:51-58 onde diz: Eu sou o po vivo que desceu do cu; se algum dele comer, viver eternamente;... Em verdade, em verdade vos digo: se no comerdes a carne do Filho do Homem e no beberdes o seu sangue, no tendes vida em vs mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no ltimo dia. Pois a minha carne verdadeira comida, e o meu sangue verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. obvio que Jesus no uma videira ou um po, nem tambm ele gostaria que literalmente sua carne fosse comida, no entanto o que os textos expressam o fato da comunho, a ligao que o homem precisa ter com Cristo. Mesmo sendo uma alegoria o texto traz uma verdade literal e absoluta que no aceita outra interpretao seno a que o texto sugere. Vejamos um exemplo de um texto que tem uma linguagem figurada que no pode ser levada ao p da letra, mas que traz uma verdade literal. Lucas 19:40: Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as prprias pedras
  5. 5. 5 clamaro. Nos claro que as pedras no falariam, porm usa esta expresso para advertir aos que se incomodavam com o clamor do povo. 1.2.1 Os judeus e o literalismo. Os muitos mandamentos e advertncias de Deus para seu povo necessitavam de que fossem passados a eles seja pelo profeta, juiz ou sacerdote e isto fazia com que este interpretasse as palavras de Deus para ento serem transmitidas, quando estas mensagens eram escritas pelos receptores tambm careciam de interprete para que o ensino fosse totalmente entendido, mas qual mtodo era usado para esta interpretao? Quando Deus falava, suas palavras eram entendidas literalmente? A resposta sim. O mtodo usado pelos Judeus para interpretar todos os orculos do Senhor era o literal. Quando Deus disse para Ado e Eva que se comessem o fruto da arvore do conhecimento morreriam ele queria que assim como falou fosse entendido, e comendo o fruto o casal provou do castigo da literal advertncia de Deus. Quanto s profecias, os judeus aguardavam delas um cumprimento literal, as que falavam da vinda do Messias (Gn 3:15; Nm 24:17; Gn 49:10; Is 9; Mq 5:2 etc) alimentavam a esperana da nao que aguardava um cumprimento literal de todas elas. 1.2.2 O literalismo no Novo Testamento. No s Jesus, mas tambm os discpulos sempre interpretaram os livros do antigo testamento de maneira literal. Jesus em Mt 12:17 ao mencionar a si mesmo, disse que nele se cumpriria a profecia de Isaias que est em Is 42:1-4, ou seja, o que disse o profeta, Jesus interpretou como literal no alegorizando seu sentido; outro versculo interessante que mostra a interpretao literal est em Lc 18:31. Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalm, e vai cumprir-se ali tudo quanto est escrito por intermdio dos profetas, no tocante ao Filho do Homem;
  6. 6. 6 Os apstolos procediam da mesma maneira, Joo 19:24, 28, 36 demonstram que o apstolo via na crucificao e morte de cristo, o cumprimento literal de profecias do antigo testamento. 1.2.3 O literalismo na histria da igreja Por toda a histria da igreja, mesmo com o surgimento de outros mtodos de interpretao os grandes nomes do cristianismo verdadeiro sempre interpretaram as Escrituras da mesma forma que Jesus ensinou e os apstolos praticaram, o que segue so breves comentrios referentes ao uso do literalismo no decorrer da histria da igreja de Cristo. a) Na igreja primitiva Grandes nomes da igreja primitiva criam nas Escrituras assim como elas ensinavam, como exemplo, temos Papias que viveu entre 70 e 140 d.C que ao escrever sobre a profecia de Apocalipse que menciona a existncia do reino milenial ele diz: "Haver dias em que nascero vinhas que tero, cada uma, dez mil videiras; cada videira ter dez mil ramos; cada ramo ter mil galhos; cada galho ter dez mil cachos e cada cacho ter dez mil uvas e cada uva espremida render vinte e cinco metretes de vinho. E quando um dos santos pegar um dos cachos, o outro cacho gritar: 'pega-me porque sou o melhor e, por meu intermdio, bendize o Senhor'. Da mesma forma, um gro de trigo produzir dez mil espigas e cada espiga dar dez mil gros; cada gro dar dez libras de farinha branca e limpa. Tambm os outros frutos, sementes e ervas produziro nessa mesma proporo. E todos os animais que se alimentam dos alimentos dessa terra se tornaro pacficos e vivero em harmonia entre si, submetendo-se aos homens sem qualquer relutncia". Isso quer dizer que enquanto hoje, muitos telogos ensinam que o milnio nunca existir literalmente, os cristos primitivos acreditavam piamente em sua existncia.
  7. 7. 7 Outro texto antigo que nos informa como os cristos antigos viam as promessas de Jesus, uma frase extrada da Apologia de Aristides que foi escrita por volta do sculo II, onde o autor fala da vinda de Cristo, A glria de sua vinda poders Rei conhec- la, se lerdes o que entre ele