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Ano IV • Número 16 4º trimestre/2015 Esta é uma publicação trimestral da ANBIMA sobre regulação internacional e seus impactos nos mercados financeiro e de capitais brasileiros FSB define requerimentos para ampliar capacidade dos bancos em absorver perdas » Publicados padrões com vistas a garantir que bancos sistemicamente importantes em escala global detenham instrumentos de capital e dívida de longo prazo em valor e qualidade suficiente para absorver perdas em períodos de crise [leia mais] Fed publica regra de margem para derivativos de balcão » Reguladores prudenciais norte-americanos publicam norma que dispõe sobre requerimentos mínimos para operações de derivativos de balcão não liquidados em contraparte central. [leia mais] SEC propõe novas regras sobre o uso de derivativos por fundos mútuos » A comissão norte-americana avançou em sua agenda de fortalecimento do arcabouço regulatório dos fundos de investimento, ao publicar uma nova série de propostas (a terceira no ano) para limitar o uso de derivativos e impor novas regras de gerenciamento do risco. [leia mais] Europeus consultam sobre padrão para lâmina de produtos estruturados » Autoridades supervisoras dos mercados financeiro, de valores mobiliários e de seguros e previdência propõem padrões para o formato e conteúdo do instrumento europeu análogo ao Documento de Informações Essenciais (DIE), recentemente instituído para distribuição pública de COE. [leia mais] União Europeia adota novas regras de transparência para operações de financiamento via títulos » Novo regulamento europeu contempla recomendações publicadas cerca de dois anos antes pelo FSB em relação às atividades de financiamento via mercado. [leia mais] IOSCO apresenta relatório final sobre padrões de custódia para fundos de investimento » Relatório publicado pelo organismo internacional busca clarificar, modernizar e desenvolver diretrizes para atividade de custódia de recursos de fundos de investimento, incorporando percepções de riscos e responsabilidades já previamente contempladas na regulação e autorregulação nacional. [leia mais] Inicia período para autorização das unidades locais emissoras do LEI » Organismo responsável pela administração centralizada do Identificador de Entidades Legais (LEI) já pode autorizar instituições locais para atuarem na emissão e manutenção dos códigos de identificação de instituições que operam em mercados financeiros. [leia mais] SEC estabelece regras para oferta de valores mobiliários por meio de crowdfunding » Definindo obrigações para emissoras, plataformas de negociação e investidores, regulador de valores mobiliários norte-americano traz para o campo dos mercados regulados uma alternativa de captação para pequenas e médias empresas que vem ganhado espaço nos últimos anos. [leia mais] Consulte também pelo endereço: http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Radar.aspx

FSB define requerimentos para ampliar capacidade dos ... · 2 . RADAR . FSB define requerimentos para ampliar capacidade dos bancos em absorver perdas . Como parte da agenda acordada

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Ano IV Nmero 16 4 trimestre/2015

Esta uma publicao trimestral da ANBIMA sobre regulao internacional e seus impactos

nos mercados financeiro e de capitais brasileiros

FSB define requerimentos para ampliar capacidade dos bancos em absorver perdas

Publicados padres com vistas a garantir que bancos sistemicamente importantes em escala global detenham

instrumentos de capital e dvida de longo prazo em valor e qualidade suficiente para absorver perdas em perodos

de crise [leia mais]

Fed publica regra de margem para derivativos de balco

Reguladores prudenciais norte-americanos publicam norma que dispe sobre requerimentos mnimos para

operaes de derivativos de balco no liquidados em contraparte central. [leia mais]

SEC prope novas regras sobre o uso de derivativos por fundos mtuos

A comisso norte-americana avanou em sua agenda de fortalecimento do arcabouo regulatrio dos fundos de

investimento, ao publicar uma nova srie de propostas (a terceira no ano) para limitar o uso de derivativos e impor

novas regras de gerenciamento do risco. [leia mais]

Europeus consultam sobre padro para lmina de produtos estruturados

Autoridades supervisoras dos mercados financeiro, de valores mobilirios e de seguros e previdncia propem

padres para o formato e contedo do instrumento europeu anlogo ao Documento de Informaes Essenciais

(DIE), recentemente institudo para distribuio pblica de COE. [leia mais]

Unio Europeia adota novas regras de transparncia para operaes de financiamento via ttulos

Novo regulamento europeu contempla recomendaes publicadas cerca de dois anos antes pelo FSB em relao s

atividades de financiamento via mercado. [leia mais]

IOSCO apresenta relatrio final sobre padres de custdia para fundos de investimento

Relatrio publicado pelo organismo internacional busca clarificar, modernizar e desenvolver diretrizes para

atividade de custdia de recursos de fundos de investimento, incorporando percepes de riscos e

responsabilidades j previamente contempladas na regulao e autorregulao nacional. [leia mais]

Inicia perodo para autorizao das unidades locais emissoras do LEI

Organismo responsvel pela administrao centralizada do Identificador de Entidades Legais (LEI) j pode autorizar

instituies locais para atuarem na emisso e manuteno dos cdigos de identificao de instituies que operam

em mercados financeiros. [leia mais]

SEC estabelece regras para oferta de valores mobilirios por meio de crowdfunding

Definindo obrigaes para emissoras, plataformas de negociao e investidores, regulador de valores mobilirios

norte-americano traz para o campo dos mercados regulados uma alternativa de captao para pequenas e mdias

empresas que vem ganhado espao nos ltimos anos. [leia mais]

Consulte tambm pelo endereo: http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Radar.aspx

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Radar.aspx

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RADAR

FSB define requerimentos para ampliar capacidade

dos bancos em absorver perdas

Como parte da agenda acordada pelo G-20 para mitigar os efeitos trazidos

por instituies grandes demais para falir, o FSB publicou, em novembro

de 2015, os princpios e os termos para os requerimentos que visam

ampliar a capacidade total de absoro de perdas (TLAC, na sigla em

ingls) dos bancos sistemicamente relevantes. Complementares s

reformas voltadas para a recuperao e a resoluo de instituies

financeiras, com base nos Atributos Chave tambm publicados pelo FSB,

os novos requerimentos buscam garantir que instituies financeiras

contem com recursos suficientes para viabilizar o bail-in.

Os documentos publicados pelo FSB definem as caractersticas que

devem ser apresentadas pelos instrumentos elegveis a compor o TLAC,

que podem ser tanto instrumentos de capital regulatrio quanto de dvida

de longo prazo (sendo que os instrumentos de dvida devem representar,

no mnimo, um tero do total). A ideia no descrever de maneira

exaustiva tais requerimentos, mas destacar que estes no podem ser

securitizados e devem contar com maturidade remanescente superior a um

ano (ou sem data de maturidade), sem possibilidade de resgate pelo seu

detentor at ento. Em perodos de insolvncia ou de resoluo, este

conjunto de instrumentos deve ser capaz de absorver perdas antes dos

demais passivos excludos do cmputo do TLAC e, em todos os casos,

no podem apresentar significativos riscos de reivindicaes sobre sua

compensao ou de contestaes jurdicas bem sucedidas. Para isso, o

FSB define que estes instrumentos devem ser subordinados contratual,

estatutaria e estruturalmente.

Buscando evitar possibilidades de contgio, os princpios publicados pelo

FSB tambm determinam que emisses de bancos sistemicamente

importantes em escala global sejam excludas do cmputo do TLAC. Caso

contrrio, a capacidade de absoro de perdas de uma instituio

financeira sistmica poderia estar diretamente correlacionada

capacidade de outra instituio de mesma importncia para o sistema. A

responsabilidade de determinar como esse processo ser realizado ficou

com o Comit de Basileia, que disponibilizou consulta pblica tambm em

novembro.

Em termos quantitativos, os requerimentos mnimos de TLAC sero

medidos de acordo com duas razes: a primeira a diviso entre o total de

ativos elegveis a compor o TLAC e o montante de ativos ponderados pelo

risco; e a segunda a razo entre o TLAC e o denominador utilizado para

cmputo da razo de alavancagem, que uma medida da exposio no

ponderada pelo risco (ver Radar ANBIMA n 8). Para bancos

sistemicamente importantes em escala global constitudos em pases

desenvolvidos estes requerimentos mnimos sero, respectivamente, de

O FSB publicourequerimentosmnimos de capital edvida de longo prazoque bancossistemicamenterelevantes devemmanter em seubalano paraincrementar suacapacidade deabsorver perdas e serecapitalizar duranteou imediatamenteaps processos deliquidaoextrajudicial.

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Alem-das-exigencias-de-capital-padroes-para-liquidez-e-alavancagem-como-instrumentos-prudenciais.aspx

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RADAR

16% e 6% a partir de 1/1/19, escalando progressivamente at 1/1/22,

quando alcanaro os patamares de 18% e 6,75%.

As autoridades internacionais tambm avaliaram os impactos quantitativos

desses requerimentos. Entre diversas concluses, a diferena entre os

efeitos esperados para os bancos sistemicamente relevantes constitudos

em pases desenvolvidos e aqueles constitudos em pases em

desenvolvimento (mais especificamente, China) merece ateno. A

estimativa do dficit total em relao aos requerimentos mnimos de TLAC

seria de um valor entre 307bi e 790bi; desconsiderando os pases em

desenvolvimento, esse valor cai para algo entre 42bi e 520bi (a

depender de quais instrumentos so considerados como elegveis).

Adicionalmente, alguns respondentes indicaram que o incipiente

desenvolvimento dos mercados de dvida em pases emergentes seria

uma preocupao para bancos com sucursais materialmente relevantes

constitudas nesses locais.

Pouco antes da veiculao das diretrizes do FSB, o Federal Reserve norte-

americano publicou consulta sobre requerimentos de TLAC para G-SIBs

constitudos nos EUA e tambm para as operaes no mercado norte-

americano de G-SIBs constitudos em outras jurisdies. Todavia, esta

consulta prope restries aos estrangeiros inferiores ao mnimo que

dever vigorar internacionalmente em 2022. Na Europa, por outro lado, a

EBA publicou em meados de 2015 os padres tcnicos para os

requerimentos mnimos de recursos prprios e dvida elegvel (MREL, na

sigla em ingls) que tambm visam garantir a existncia de recursos

suficientes para o bail-in das instituies financeiras sistemicamente

relevantes. Uma especificidade do requerimento europeu est no fato

deste ser determinado pela autoridade de resoluo, de acordo com os

planos de resoluo de cada instituio financeira. Nesse caso, h que se

avaliar como funcionar a interao entre MREL e o TLAC.

Direto da fonte:

TLAC Principles and Term sheet, FSB, 9/11/15:

http://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/TLAC-Principles-and-

Term-Sheet-for-publication-final.pdf

TLAC Impact assessment studies, FSB, 9/11/15:

http://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/TLAC-Summary-of-

Findings-from-the-Impact-Assessment-Studies-for-publication-final.pdf

TLAC Holdings, BCBS, 9/11/15:

http://www.bis.org/bcbs/publ/d342.pdf

TLAC [] Proposed Rule, FRB, 30/10/15:

https://www.gpo.gov/fdsys/pkg/FR-2015-11-30/pdf/2015-29740.pdf

http://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/TLAC-Principles-and-Term-Sheet-for-publication-final.pdfhttp://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/TLAC-Principles-and-Term-Sheet-for-publication-final.pdfhttp://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/TLAC-Summary-of-Findings-from-the-Impact-Assessment-Studies-for-publication-final.pdfhttp://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/TLAC-Summary-of-Findings-from-the-Impact-Assessment-Studies-for-publication-final.pdfhttp://www.bis.org/bcbs/publ/d342.pdfhttps://www.gpo.gov/fdsys/pkg/FR-2015-11-30/pdf/2015-29740.pdf

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RADAR

Fed publica regra de margem para derivativos de

balco

Um dos aspectos da reforma na regulao dos mercados de derivativos de

balco acordada no mbito do G20 que se encontra menos adiantado na

maior parte das jurisdies so os requerimentos de margem compulsria

para derivativos de balco que no so liquidados em ambiente de

contraparte central (ver Radar ANBIMA n 15). Buscando atender ao

cronograma estipulado nos princpios internacionais, os reguladores

prudenciais norte-americanos (FRB, FDIC, OCC, FCA e FHFA) publicaram

a regra que dispe sobre os requerimentos mandatrios de margem inicial

e de variao associados s operaes em que uma das partes seja uma

covered swap entity (isto , um swap dealer, major swap participant,

security-based swap dealer ou major sucurity-based swap participant

regulados por ao menos um dos reguladores prudenciais mencionados

acima).

A regra considera requerimentos diferentes de acordo com quatro tipos de

contrapartes a tais operaes. Segundo entendimento dos reguladores

americanos, o risco inerente s operaes dessas contrapartes seria

decrescente, de acordo com a ordem apresentada a seguir:

Swap entities: entidades registradas na CFTC e/ou na SEC, por conta

do elevado valor das operaes com swaps e security-based swaps;

Financial end users with material exposure: entidades do mercado

financeiro e de capitais (incluindo, por exemplo, hedge funds) que no

se enquadram na definio acima e cuja mdia diria da exposio

nocional a derivativos (incluindo afiliadas) seja superior a US$8 bilhes

nos meses junho, julho e agosto do ano anterior;

Financial end users without material exposure: entidades do mercado

financeiro e de capitais que no se enquadra na definio acima;

Non-financial end users: instituio que no se enquadre nas

definies acima.

Por conseguinte, os requerimentos de margem seriam mais brandos para

instituies com menor risco. Como exemplo, o intercmbio de margem

inicial no seria mandatrio para instituies financeiras sem exposio

material e usurios finais no financeiros, mas somente para as outras

duas categorias. Existem tambm diferenas ente os tipos de colateral que

podem ser utilizados como margem de variao por swap entities e as

classificaes de contrapartes. Adicionalmente, as alteraes promovidas

no Dodd-Frank Act pelo Terrorism Risk Insurance Program Reauthorization

Act, em 2015, incluram proviso para dispensa dos requerimentos de

margem para instituies financeiras de menor porte e no financeiras que

realizem operaes de derivativos para fins de hedge do risco comercial.

Os mesmos reguladores prudenciais publicaram, por conseguinte, norma

Norma americanaconta com provisesespecficas paraoperaes comafiliados e, nosdemais casos, requera segregao dasgarantias emcustodiantes que noestejam envolvidos.

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/FSB-avalia-estagio-de-implementacao-da-reforma-de-derivativos-de-balcao-e-Brasil-recebe-notas-positivas.aspx

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RADAR

interina definindo instituies financeiras de menor porte como aquelas

cujos ativos totalizem US$10 bilhes ou menos.

Uma peculiaridade da norma dos reguladores prudenciais, em relao aos

princpios internacionais, a necessidade de intercmbio de margem em

operaes entre a covered swap entity e suas afiliadas. Os reguladores

americanos j haviam apresentado essa possibilidade em consultas

anteriores, mas esse um aspecto conflitante com as propostas de outras

jurisdies. Segundo a redao final, as operaes com afiliadas esto

sujeitas a alguns requerimentos distintos. Em relao troca de margem

inicial, por exemplo, uma covered swap entity necessita apenas coletar

garantias de seus afiliados, mas no ced-las.

A norma americana tambm define limiares de minimis para troca de

margem. A exposio mnima no caso de margem inicial de US$50

milhes (ou US$20 milhes para operaes com afiliados) e o valor

mnimo para troca efetiva de margem de US$500 mil. Adicionalmente, a

regra dispe que os ativos empregados como margem devem ser

custodiados por uma instituio no afiliada, exceto no caso de operaes

com afiliados.

O prazo de adaptao est alinhado com o calendrio proposto pelos

princpios internacionais, utilizando, inclusive, da primeira data disponvel

para cada uma das categorias que devero ser progressivamente

abarcadas pelos requerimentos (ver Radar ANBIMA n 13). Cabe notar que

os contratos de swaps celebrados previamente vigncia desta regra

(legacy swaps) no esto no seu escopo exceto nos casos em que

sejam objeto de emenda, novao ou compresso de portfolio. Com a

publicao da regra apresentada acima, os reguladores prudenciais norte-

americanos se encontram na vanguarda deste aspecto da reforma dos

mercados de derivativos de balco. A CFTC tambm j editou sua regra,

mas ainda resta a publicao das normas da SEC, nos EUA, e das

autoridades europeias antes que seja possvel desenhar um quadro

completo sobre os requerimentos de margem no mercado internacional de

derivativos de balco que no contam com contrapartes centrais.

O Grupo de Trabalho sobre Regulao Internacional, da ANBIMA, analisa

os diferentes aspectos da reforma de derivativos de balco, considerando

os principais efeitos sobre a regulao nacional. Alguns dos principais

trabalhos do Grupo sobre o tema esto agora disponveis em uma nova

rea do Portal ANBIMA, sobre as Reformas Internacionais.

Direto da fonte:

Margin and Capital Requirements for Covered Swap Entities, Prudential Regulators, 22/10/15: https://www.fdic.gov/news/board/2015/2015-10-22_notice_dis_a_fr_final-rule.pdf

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Contratos-nao-padronizados-ganham-espaco-na-reforma-internacional-do-mercado-de-derivativos.aspxhttp://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/regulacao-internacional/Pages/Reformas-Internacionais.aspxhttps://www.fdic.gov/news/board/2015/2015-10-22_notice_dis_a_fr_final-rule.pdfhttps://www.fdic.gov/news/board/2015/2015-10-22_notice_dis_a_fr_final-rule.pdf

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RADAR

SEC prope novas regras sobre o uso de derivativos

por fundos mtuos

Depois das propostas publicadas nos meses de maio e setembro de 2015

que tratam do envio de informaes e da gesto de liquidez para fundos

mtuos (ver RADAR n 15), a SEC continua seus esforos para adaptar o

arcabouo regulatrio sofisticao crescente das carteiras e das

operaes desse segmento, incluindo o uso de derivativos. A agncia

norte-americana nota, por exemplo, que apesar da maioria dos fundos nela

registrados no se valerem intensamente de operaes com derivativos, a

exposio nocional dos fundos que se valem relativamente mais destas

operaes pode alcanar propores elevadas, registrando valores

histricos de cerca de 950% do patrimnio liquido. Adicionalmente, o

regulador observou que os fundos que utilizam uma proporo maior de

derivativos tm atrado uma parcela crescente das aplicaes do mercado

norte-americano nos ltimos anos.

A regra apresentada pela SEC, contudo, no se atm exclusivamente aos

derivativos e trata mais genericamente das operaes que resultam em

obrigaes financeiras, como as operaes compromissadas reversas

(reverse repos) e vendas a descoberto. As propostas aplicam-se a fundos

mtuos, ETFs e fundos fechados, e tambm s business development

companies.

Alm de requerer monitoramento e gerenciamento dos riscos ligados ao

uso de derivativos, as propostas do regulador norte-americano consideram

a imposio de limites explcitos para conter a alavancagem dos fundos.

Assim, os fundos mtuos devero cumprir com um dos dois limites a

seguir:

Um limite baseado no clculo da exposio agregada do fundo

(exposure-based portfolio limit): com esse mtodo, a exposio do

fundo calculada como o montante nocional agregado dos derivativos

do fundo, junto com suas obrigaes financeiras, e no poder

exceder 150% do patrimnio liquido;

Um limite baseado no valor em risco (risk-based portfolio limit): com

esse mtodo, o fundo pode manter uma exposio at 300% do seu

patrimnio lquido, na condio que o fundo satisfaa um teste de risco

baseado na metodologia VaR, mostrando que o uso de derivativos

pelo fundo reduz seu risco de mercado.

As propostas da SEC tambm endurecem as regras de segregao de

ativos ao obrigar o fundo a segregar dinheiro (ou equivalente) para

assegurar que possa cumprir suas obrigaes correntes em situaes de

stress, bem como possveis obrigaes futuras. O montante segregado

totalizaria o valor que o fundo teria que pagar para liquidar suas transaes

na data do clculo (mark-to-market coverage amount), somado a um valor

Ao analisar a utilizao de derivativos por parte dos fundos nela registrados, agncia americana prope regras para limitar a exposio destas companhias de investimento a uma porcentagem mxima dos respectivos patrimnios lquidos.

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/SEC-propoe-novas-regras-para-envio-de-informacoes-e-gestao-de-liquidez-para-fundos-mutuos.aspx

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RADAR

adicional que representa a estimativa desse montante em situaes de

stress (risk-based coverage amount). No caso de obrigaes financeiras, o

fundo teria que segregar ativos em valor igual ao montante total que ser

obrigado a alienar por conta dessas transaes.

Fundos que utilizam muitos derivativos ou derivativos complexos contaro

com requerimentos adicionais, como a elaborao de um programa

formalizado de gerenciamento do risco, com diversos aspectos de

responsabilidade de um derivatives risk manager designado. Tanto o

programa quanto o manager, tero que ser aprovados pela diretoria do

fundo.

Por fim, a SEC est considerando a possibilidade de fazer novas propostas

de modificaes nos formulrios de envio de dados (ver RADAR n 15)

introduzidas para remediar a ausncia atual de dados granulares sobre o

uso de derivativos pelos fundos. No relatrio mensal (Form N-PORT), os

fundos que usam muitos derivativos ou derivativos complexos poderiam

passar a informar indicadores de risco relacionados ao uso destes

instrumentos. No formulrio anual (Form N-CEN), os fundos teriam que

prestar informaes gerais sobre o uso de derivativos e sobre o

enquadramento nesse novo regime.

A indstria tem 90 dias para responder s propostas da comisso norte-

americana.

Em nvel internacional, o FSB e a IOSCO continuam a analisar os riscos

potenciais na indstria de gesto de recursos, incluindo aqueles

relacionados com a alavancagem e a liquidez dos fundos. A IOSCO

publicou ao final de 2015 um estudo das ferramentas de gesto de liquidez

nos fundos mtuos que esto disposio dos gestores em vrias

jurisdies, incluindo o Brasil. O relatrio trata de assuntos como as

politicas de gesto de risco, a definio dos ativos lquidos, bem como os

instrumentos de gesto de liquidez que podem ser utilizados em casos

excepcionais, como o mtodo do swing pricing atualmente discutido nos

Estados Unidos.

Direto da fonte:

SEC Proposes New Derivatives Rules For Registered Funds And Business

Development Companies, SEC, 11/12/15:

http://www.sec.gov/news/pressrelease/2015-276.html

Liquidity Management Tools in Collective Investment Schemes: Results from

an IOSCO Committee 5 survey to members, IOSCO, 17/12/15:

https://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD517.pdf

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/SEC-propoe-novas-regras-para-envio-de-informacoes-e-gestao-de-liquidez-para-fundos-mutuos.aspxhttp://www.sec.gov/news/pressrelease/2015-276.htmlhttps://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD517.pdf

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RADAR

Europeus consultam sobre padro para lmina de

produtos estruturados

As autoridades europeias de superviso (ESAs, na sigla em ingls) dos

mercados financeiro, de seguros e de previdncia e de valores mobilirios

(respectivamente EBA, EIOPA e ESMA) publicaram uma consulta conjunta

para definio de padres sobre a forma, contedo, reviso e momento da

entrega do Key Information Document (KID). Conforme j apresentado em

edies anteriores (ver Radar ANBIMA n 10 e Radar ANBIMA n 12), o

objetivo principal deste documento apresentar, de maneira simplificada e

harmonizada, as informaes necessrias para que investidores de varejo

entendam e comparem diferentes produtos estruturados, mesmo quando

ofertados em pases-membros distintos e em canais de distribuio

diferentes.

A consulta apresenta o modelo que deve ser seguido por todos os KID,

definindo leiaute e contedo redacional que precisa constar em cada um

destes documentos incluindo proposta sobre quais das partes do texto

podem ser adaptadas. O modelo disposto no documento conta com nove

sees, que abordam questes como a identificao do produto, sua

estrutura de risco e retorno, os custos incorridos, o perodo de reteno

(incluindo informaes sobre a possibilidade de resgate) e as instrues

sobre como proceder em caso de default.

Em relao demonstrao da estrutura de risco e retorno, mais

especificamente, a consulta determina requerimentos para elaborao e

apresentao de dois elementos: um indicador sinttico de risco e

exposio dos diferentes cenrios possveis. Para o indicador de risco, as

autoridades europeias propem uma metodologia capaz de alocar os

ativos em sete categorias distintas, cada qual com narrativas especficas

sobre os riscos a que esto associados. Em relao aos cenrios de

performance, a consulta sugere que estes sejam apresentados em

quadros com os potenciais resultados para diferentes perodos de tempo e

considerando, no mnimo, trs cenrios distintos (para obter exemplos, ver

o Anexo ao Radar ANBIMA n 12). Em certos casos, o KID poder incluir

um alerta de compreenso.

A minuta em consulta tambm busca avaliar quais custos necessitam ser

apurados e como estes devem ser apresentados. Nesse sentido, define-se

uma lista de diferentes componentes do custo (sejam recorrentes ou no)

que devem ser disponibilizados, tanto em termos nominais quanto

percentuais.

Para alm deste conjunto de disposies sobre forma e contedo, as

autoridades europeias abordam os procedimentos para atualizao

recorrente do documento e a antecedncia pela qual este deve ser

apresentado aos investidores. A reviso e a reedio dos documentos

devero ocorrer ao menos uma vez por ano, devendo ser realizadas antes

Consulta prope padres para o KID, com propostas para o leiaute, a metodologia para clculo do indicador de risco (incluindo a elaborao de um indicador de risco sinttico), a escolha dos cenrios de performance e apresentao dos custos.

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Fortalecimento-da-proteo-ao-investidor-Europa-adota-lmina-harmonizada-para-produtos-estruturados.aspxhttp://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Autoridades-europeias-discutem-as-formas-de-mostrar-os-riscos-e-o-desempenho-dos-produtos-estruturados.aspxhttp://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Autoridades-europeias-discutem-as-formas-de-mostrar-os-riscos-e-o-desempenho-dos-produtos-estruturados.aspx

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RADAR

desse prazo se houver mudanas no clculo do indicador de risco

sinttico, nos cenrios e nos custos. Em relao tempestividade da

apresentao do KID, a consulta define que os ofertantes devem permitir

que os agentes de varejo tenham tempo suficiente para avaliar o teor das

informaes disponibilizadas, antes de tomarem a deciso de investir. Por

conseguinte, o momento da entrega do KID deve ser avaliado de acordo

com o produto e as necessidades de investimento dos clientes.

No Brasil, a CVM publicou recentemente a Instruo n 569, que dispe

sobre a oferta pblica de certificados de operaes estruturadas com

iseno de registro. Este novo instituto possibilita ofertas mais tempestivas

para o produto, inclusive para investidores de varejo. A inovao foi a

elaborao do Documento de Informaes Essenciais, ou DIE, que

exemplo do KID funciona como uma maneira de assegurar aos

investidores as informaes necessrias, com uma linguagem clara e

objetiva.

Direto da fonte:

Joint Consultation Paper on the PRIIPs Key Information Documents, ESAs,

17/9/15:

https://www.eba.europa.eu/documents/10180/1268855/JC+2015+073+CP+PRI

IPs+Key+Information+Documents.pdf

Informe de Legislao n 17/13 Certificados de Operaes Estruturadas,

ANBIMA, Atualizado em 11/12/15:

http://www.anbima.com.br/informe_legislacao/2013_017.asp

http://www.anbima.com.br/informe_legislacao/2013_017.asp

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RADAR

Unio Europeia adota novas regras de transparncia

para operaes de financiamento via ttulos

No documento publicado em agosto de 2013, o FSB adotou 11

recomendaes para lidar com riscos associados s operaes de

financiamento por meio de ttulos, como emprstimos de ttulos e

operaes compromissadas. Essas recomendaes integram o trabalho

conduzido pelo organismo sobre o sistema bancrio paralelo, ou shadow

banking system (ver Radar ANBIMA n 4).

Cinco das onze recomendaes do FSB so tratadas no novo regulamento

europeu que busca ampliar a transparncia para reguladores e

investidores nas seguintes reas:

Todas as operaes de financiamento de ttulos (com a exceo das

operaes realizadas com bancos centrais) tero que ser informadas a

centrais registradoras em D+1;

Fundos de investimento tero que incorporar informaes sobre o uso

de operaes de financiamento de ttulos e swaps de taxa de retorno

total nos seus relatrios peridicos e nos documentos pr-contratuais;

Por fim, o Regulamento introduz um mnimo de transparncia sobre o

reinvestimento de colateral (rehypothecation ou reuse), incluindo

informaes sobre os riscos e a necessidade de obter aprovao

prvia da contraparte nessas operaes.

J o FSB divulgou, em novembro de 2015, novas recomendaes,

atualizando seu documento de outubro de 2014. Alm de propor padres

qualitativos para essas prticas, o documento tambm estabelece haircuts

mnimos nas transaes que no so compensadas em contraparte

central, no caso de financiamento com ttulos privados fornecidos s

instituies no bancrias (operaes com instituies bancrias esto

sendo tratadas em vrias outras regulaes).

Entretanto, os valores mnimos para os haircuts no devem ser

considerados como obrigatrios em todas as operaes, devendo ser

reavaliados pelas prprias instituies. Os nveis definidos pelo FSB,

superiores aos valores sugeridos no documento de consulta, variam entre

0.5% e 4% para ttulos corporate (a depender do prazo), de 1% at 7%

para produtos de securitizao, 6% para aes dos principais ndices e

10% para outros ativos. Algumas excees so consideradas, como no

caso de emprstimo de ttulos especficos.

Por fim, o FSB dispe recomendaes referentes implementao desses

haircuts mnimos at o fim de 2018. O organismo internacional publicou,

ainda no mesmo ms, outras recomendaes acerca da coleta e

agregao de dados sobre as operaes de financiamento de ttulos, que

devem ajudar a implementao dos haircuts mnimos. Foi tambm

Autoridades europeias tero acesso aos dados enviado s s centrais registradoras para monitorar relaes entre setor bancrio e no bancrio, com regras que tambm trazem maior transparncia para os investidores nas operaes compromissadas, emprstimos de ttulos e operaes de total return swaps por fundos.

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/FSB-divulga-suas-recomendacoes-de-politicas-para-o-shadow-banking-system.aspx

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RADAR

antecipado que a Comisso Europeia produzir, aps dois anos, um

relatrio para avaliar os resultados verificados em nvel internacional e a

relevncia dessas novas recomendaes para o mercado europeu.

Direto da fonte:

European Parliament adopts Commission proposal to increase transparency of

the shadow banking sector, Comisso Europeia, 29/10/15:

http://europa.eu/rapid/press-release_IP-15-5930_en.htm

Standards and Processes for Global Securities Financing Data Collection and

Aggregation, FSB, 18/11/15:

http://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/Press-Release-

Global-SFT-Data-Standards-and-Processes.pdf

Regulatory framework for haircuts on non-centrally cleared securities financing

transactions, FSB, 12/11/15:

http://www.financialstabilityboard.org/wp-

content/uploads/SFT_haircuts_framework.pdf

Policy Recommendations to Strengthen Oversight and Regulation of Shadow

Banking, FSB, 29/8/13:

http://www.financialstabilityboard.org/wp-

content/uploads/pr_130829a.pdf?page_moved=1

http://europa.eu/rapid/press-release_IP-15-5930_en.htmhttp://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/Press-Release-Global-SFT-Data-Standards-and-Processes.pdfhttp://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/Press-Release-Global-SFT-Data-Standards-and-Processes.pdfhttp://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/SFT_haircuts_framework.pdfhttp://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/SFT_haircuts_framework.pdfhttp://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/pr_130829a.pdf?page_moved=1http://www.financialstabilityboard.org/wp-content/uploads/pr_130829a.pdf?page_moved=1

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RADAR

IOSCO apresenta relatrio final sobre padres de

custdia para fundos de investimento

A IOSCO publicou, em novembro de 2015, relatrio final sobre padres

para a custdia de ativos detidos por fundos de investimentos. Esse

relatrio visa esclarecer e desenvolver os padres de custdia dos fundos

de investimento apresentados no estudo Objectives and Principles of

Securities Regulation. No documento so apresentadas algumas das

principais responsabilidades dos custodiantes e os riscos envolvidos na

operao considerados mais relevantes, especialmente aqueles derivados

de:

Falhas na segregao de atividades, nos sistemas e nos controles

internos;

Conflitos de interesse; e

Concentrao em poucos participantes.

Os padres so divididos entre aqueles relacionados com as obrigaes

do custodiante e as recomendaes para os administradores de fundos de

investimento. A segregao entre estas categorias j estava presente na

consulta que a IOSCO havia publicado sobre o tema, cerca de um ano

antes do relatrio final (ver Radar ANBIMA n 12).

No primeiro grupo, esto as recomendaes de que os ativos dos fundos

de investimento sejam custodiados de forma segregada relativamente aos

ativos do custodiante, do prprio administrador e de terceiros investidores

(em termos semelhantes ao disposto no Art. 11 da Instruo n 542, da

CVM). Alm disso, a IOSCO sugere que sejam divulgados aos investidores

os termos e contratos celebrados entre o fundo de investimento e o

custodiante. Outra recomendao diz respeito independncia do

custodiante e ao tratamento do conflito de interesses. Nesse sentido, a

IOSCO sugere que o custodiante seja uma terceira pessoa independente

do administrador do fundo. Entretanto, reconhece que vrias jurisdies

permitem que o custodiante seja ligado ao administrador do fundo de

investimento, desde que haja uma efetiva independncia na administrao

dessas funes, assim como a separao fsica, estrutural e de sistemas,

de forma a garantir a independncia funcional do prestador de servio.

No segundo grupo de padres publicados pela IOSCO esto as

recomendaes para administradores de fundo de investimento que tratam

da necessidade de diligncia para a seleo de custodiante, anlise e

verificao das capacidades financeiras, legais e organizacionais do

custodiante e monitoramento das atividades do prestador de servio. Tais

recomendaes esto genericamente dispostas no art. 29 da Instruo n

558, da CVM.

IOSCO publica relatrio final, definindo padres para custdia de ativos de fundos de investimento, definindo responsabilidades para custodiantes e gestores.

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/IOSCO-consulta-sobre-os-principios-relativos-a-custodia-dos-ativos-de-fundos-de-investimento.aspx

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RADAR

A IOSCO ainda sugere que os contratos celebrados entre o fundo de

investimento e o custodiante devem ser monitorados periodicamente, por

meio de entrevistas com as pessoas chaves, acesso s instalaes fsicas

e realizao de auditoria independente no custodiante, especialmente a

avaliao sobre a segurana dos servios prestados. Tambm

recomendado que os administradores de fundos de investimento elaborem

planos de contingncia tratando as situaes em que a transferncia de

ativos de um determinado custodiante se torna necessria.

Os fruns de Fundos de Investimento da ANBIMA vm discutindo as

provises do mais recente marco regulatrio da administrao de carteiras

de valores mobilirios, a Instruo n 558, da CVM, em especial a forma de

atuao e diligncia exigida dos prestadores de servios de fundos de

investimento. Em linha com os padres definidos pela IOSCO e a nova

regulao da CVM, a Associao j alterou o Cdigo de Regulao e

Melhores Prticas para Servios Qualificados ao Mercado de Capitais,

colocando-o em audincia com seus associados neste ms.

Direto da fonte:

Final Report, Standards for the Custody of Collective Investment Schemes

Assets, IOSCO, 10/11/15:

https://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD512.pdf

http://portal.anbima.com.br/servicos-qualificados/regulacao/codigo-de-servicos-qualificados/Pages/codigo-e-documentos.aspxhttp://portal.anbima.com.br/servicos-qualificados/regulacao/codigo-de-servicos-qualificados/Pages/codigo-e-documentos.aspxhttps://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD512.pdf

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RADAR

Inicia perodo para autorizao das unidades locais

emissoras do LEI

Ao final de 2015, as instituies que compem o Sistema Global do

Identificador de Entidades Legais (LEI, na sigla em ingls) superaram as

etapas que se interpunham sua completa implantao e publicaram: o

contrato coletivo que pautar a relao do brao operacional, o GLEIF,

com as unidades locais de operao (LOU, em ingls); e o Memorando de

Entendimento, celebrado entre o GLEIF e o organismo deliberativo, o ROC

(ver Radar ANBIMA n 10).

Como proposto no encontro do G-20 em 2011, o objetivo deste sistema

instituir um indicador global cujos principais atributos so representados

por sua unicidade e exclusividade. Para garantir a adequada governana

do cdigo e, por conseguinte, a manuteno destas caractersticas, foi

elaborada uma estrutura em trs nveis: ROC, GLEIF e LOU. Os dois

documentos publicados ao final de 2015 servem para orientar as relaes

hierrquicas existentes entre estas trs partes. A edio destes

documentos permitiu ao ROC determinar que o GLEIF j est preparado

para exercer as funes previstas como unidade central de operao

incluindo a acreditao das unidades locais de operao, processo

descrito a seguir.

Instituies de direito pblico ou privado que buscarem enquadramento

como LOU devem, primeiramente, elaborar um Plano de Acreditao e

encaminh-lo ao GLEIF. Caso aprovadas, tais instituies podem firmar o

contrato coletivo, mas isto no significa o fim deste processo. Como

prxima etapa, a instituio deve elaborar outro Plano de Acreditao,

mas agora com maiores detalhes. A partir de ento, existem trs

alternativas possveis: (i) a candidata pode ser autorizada a funcionar

como LOU; (ii) pode ser autorizada provisoriamente, com restries; ou (iii)

pode ser reprovada, com revogao do contrato coletivo. Uma vez

autorizada, as unidades locais podem emitir identificadores para as

pessoas jurdicas constitudas em suas jurisdies. Os custos envolvidos

neste servio so cobertos por taxas de emisso e de manuteno anual,

pagas pelas instituies que se valerem dos cdigos.

Atualmente as seguintes referncias esto associadas ao LEI: nome oficial

da entidade a que se refere, os endereos da sua sede e do local de sua

formao jurdica, data da primeira designao do indicador para esta

entidade, ltima data de atualizao do identificador, data de validade

(quando aplicvel, requerendo justificativa), a junta comercial de registro e

a referncia utilizada na mesma (quando aplicvel). Mas no prximo ano, o

ROC dever publicar resposta consulta, encerrada em novembro de

2015, sobre a possibilidade de elencar informaes sobre subsidirias ao

LEI de uma instituio.

Integrantes do Sistema Global do Identificador de Entidades Legais publicam os instrumentos responsveis pela formalizao da estrutura de governana previamente definida pelo FSB.

http://portal.anbima.com.br/informacoes-tecnicas/regulacao/radar/Pages/Projeto-de-cdigo-global-nico-para-contrapartes-alcana-estgio-final-de-implantao.aspx

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RADAR

Por fim, cabe destacar que IOSCO e CPMI publicaram consulta sobre a

harmonizao do Unique Product Identifier. De maneira complementar ao

LEI, este indicador seria utilizado para monitorar exposies e tendncias

de um determinado conjunto de produtos. Os organismos internacionais

avaliam padres para homogeneizao deste cdigo.

A ANBIMA acompanha desenvolvimentos como este relacionados

adoo de padres de comunicao nos mercados, por meio de sua

atuao junto aos fruns internacionais que tratam o assunto e na

Comisso Brasileira de Padronizao (ABNT/CEE 112), que representa

o Brasil no Comit Tcnico da ISO para Produtos e Servios Financeiros.

Direto da fonte:

Memorandum of Understanding , ROC e GLEIF, 23/10/15:

http://www.leiroc.org/publications/gls/lou_20151007-2.pdf

Consultation document on including data on branches in the Global LEI

System, ROC, 19/10/15:

http://www.leiroc.org/publications/gls/lou_20151007-2.pdf

Master Agreement, GLEIF, 23/09/15:

https://www.gleif.org/content/3-lei-system/3-gleif-accreditation-of-lei-issuers/4-

required-documents/2015-09-23-MA-Master-Agreement_final.pdf

Harmonization of the Unique Product Identifier: Consultative Report, CPMI e

IOSCO, 17/12/15:

https://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD519.pdf

http://www.leiroc.org/publications/gls/lou_20151007-2.pdfhttp://www.leiroc.org/publications/gls/lou_20151007-2.pdfhttps://www.gleif.org/content/3-lei-system/3-gleif-accreditation-of-lei-issuers/4-required-documents/2015-09-23-MA-Master-Agreement_final.pdfhttps://www.gleif.org/content/3-lei-system/3-gleif-accreditation-of-lei-issuers/4-required-documents/2015-09-23-MA-Master-Agreement_final.pdf

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RADAR

SEC estabelece regras para oferta de valores

mobilirios por meio de crowdfunding

A SEC publicou, em novembro de 2015, suas regras sobre a captao de

recursos por companhias por meio de plataformas de financiamento

coletivo. Essa regra visa regulamentar as alteraes legislativas

introduzidas no sistema legal americano por meio do Jumpstart Our

Business Startups Act JOBS Act de abril de 2012.

A regra da SEC visa permitir que pequenas empresas (especialmente as

que estejam em estgio embrionrio e inicial) possam realizar

capitalizaes at o limite de US$1.000.000,00 (um milho de dlares) no

prazo de 1 ano, sem necessidade de obteno de registro de companhia

aberta perante o rgo regulador, assim como possibilita a realizao da

oferta sem a contratao de intermedirios.

No obstante a falta de registro, a SEC exige uma srie de obrigaes da

companhia emissora, da plataforma de negociao, assim como para os

investidores. As companhias devem apresentar diversas informaes,

incluindo a justificativa para o preo de emisso, a apresentao de

demonstraes financeiras, a descrio do objeto da companhia e a forma

de utilizao dos recursos captados, bem como informaes sobre todos

os administradores e os acionistas que detenham mais de 20% do capital

social e sobre a existncia de negcios com partes relacionadas.

As plataformas de negociao onde so ofertados e negociados esses

valores mobilirios precisaro ser registradas perante os rgos

reguladores e autorreguladores (como a FINRA) em categoria especfica

(com regras flexveis frente aos demais intermedirios e mercados

organizados). Esses intermedirios tero algumas obrigaes, tais como (i)

fornecer aos investidores materiais educacionais; (ii) adotar medidas para

reduzir o risco de fraudes, incluindo a obteno mnima de informaes

para atestar que a companhia emissora est em conformidade com a

regulamentao; (iii) fornecer as informaes da companhia emissora ao

menos 21 (vinte e um) dias antes do incio da oferta; (iv) apresentar

informaes sobre os valores cobrados pelo intermedirios; (v) abrir contas

para os investidores; e (vi) estabelecer canais de comunicao com os

investidores.

Alm disso, as novas regras probem que a plataforma de negociao

tenha qualquer interesse financeiro na companhia emissora, exceto a

remunerao recebida em funo da sua atuao como intermediria ou

com a recomendao de investimento.

J com relao aos investidores, a regra da SEC estabelece alguns

parmetros: (i) caso a renda anual ou patrimnio sejam inferiores US$

100.000,00 (cem mil dlares) o investidor apenas poder subscrever o

maior valor entre US$ 2.000,00 (dois mil dlares) ou 5% (cinco por cento)

A SEC estabeleceu as principais regras para as companhias emissoras, plataformas de negociao e investidores que tenham interesse em participar de ofertas realizadas por meio de financiamento coletivo.

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RADAR

de sua renda ou patrimnio; e (ii) se sua renda anual e patrimnio forem

superiores US$100.000,00 (cem mil dlares), poder investir at 10%

(dez por cento) destas variveis. Alm disso, os investidores podero

subscrever no mximo US$100.000,00 (cem mil dlares) anuais nas

ofertas de aes realizadas por meio de financiamento coletivo.

Essas regras entraro em vigor em 16 de maio de 2015, com exceo dos

formulrios de identificao para os portais de negociao, que entraro

em vigor em 29 de janeiro de 2016.

Aps a edio da regra norte-americana, a IOSCO publicou uma

declarao sobre regulao do financiamento coletivo. A organizao

afirmou acreditar que reguladores devem balancear a necessidade de

apoiar o crescimento e a recuperao da economia com a necessidade de

proteger os investidores ao desenvolverem o financiamento coletivo como

um modo de investimento em pequenas empresas e start-ups. Com base

nos resultados obtidos pela pesquisa concluda em 2015, a IOSCO chama

ateno para os principais riscos incorridos por investidores que aplicam

em modalidades de financiamento coletivo, encorajando reguladores a

avaliarem as medidas tomadas por autoridades em outras jurisdies.

Como o financiamento coletivo ainda se encontra em estgio inicial, a

IOSCO ainda no props uma abordagem comum para sua superviso e

regulao em escala internacional, mas encoraja que reguladores

considerem as possveis implicaes transfronteirias de suas medidas.

A CVM j informou que est analisando o assunto do financiamento

coletivo no Brasil e dever debater propostas de regulao do tema em

2016.

Direto da fonte:

Final Rule, Crowdfunding, SEC, 30/10/15:

http://www.sec.gov/rules/final/2015/33-9974.pdf

Statement on Crowdfunding, IOSCO, 21/12/15:

http://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD521.pdf

Crowdfunding 2015 Survey Responses Report, IOSCO, 21/12/15:

http://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD520.pdf

http://www.sec.gov/rules/final/2015/33-9974.pdfhttp://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD521.pdfhttp://www.iosco.org/library/pubdocs/pdf/IOSCOPD520.pdf

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RADAR

SIGLAS

ABNT: Associao Brasileira de Normas Tcnicas

BCBS: Basel Committee on Banking Supervision

CFTC: Commodity Futures Trading Commission

(United States)

COE: Certificado de Operaes Estruturadas

CPMI: Committee on Payments and Market

Infrastructures

CVM: Comisso de Valores Mobilirios

DIE: Documento de Informaes Essenciais

EBA: European Banking Association

EIOPA: European Insurance and Occupational

Pensions Authority

EMIR: European Market Infrastructure Regulation

ESAs: European Supervisory Authorities

ESMA: European Securities and Markets Authority

ETF: Exchange Traded Funds

EUA: Estados Unidos da Amrica

FCA: Farm Credit Administration (United States)

FDIC: Financial Deposit Insurance Corporation (United

States)

FHFA: Federal Housing Finance Agency (United States)

FINRA: Financial Industry Regulatory Authority

FRB: Federal Reserve Board (United States)

FSB: Financial Stability Board

G-20: Grupo dos 20

G-SIB: Global Systemically Important Bank

GLEIF: Global Legal Entity Identifier Foundation

IOSCO: International Organization of Securities

Commissions

ISO: International Organization for Standardization

KID: Key Information Document

LEI: Legal Entity Identifier

LOU: Local Operating Unit

MREL: Minimum Requirement for own Funds and

Eligible Liabilities

OCC: Office of the Comptroller of the Currency

ROC: Regulatory Oversight Committee

SEC: Securities Exchange Commission (United States)

TLAC: Total Loss-Absorbing Capacity

VaR: Value-at-Risk

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RADAR

AGENDA INTERNACIONAL

4 trimestre/2015

1 trimestre/2016

CONFIRA AQUI AS NOTAS SOBRE A PARTICIPAO DA ANBIMA NESSES EVENTOS

Brasil recebe conferncia da Associao Internacional de Fundos

http://portal.anbima.com.br/a-anbima/noticias/Pages/2015/09/Brasil-recebe-conferEncia-da-Associacao-

Internacional-de-Fundos.aspx

29 Conferncia Anual da IIFA

http://www.iifabrazil.com/

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RADAR

SUPERINTENDNCIA GERAL

Jos Carlos Doherty

GERNCIA DE ESTUDOS REGULATRIOS

Patrcia Fesch Menandro, Bernardo Kruel, Gabriel Porto, Julie Ansidei, Gabriela Goulart e Bruno Grimaldi

DIAGRAMAO

Jos Carlos Oliveira

PRESIDENTE: Denise Pauli Pavarina

VICE-PRESIDENTES: Carlos Eduardo Andreoni Ambrsio, Flavio Augusto Aguiar de Souza, Jos Olympio da

Veiga Pereira, Mrcio Hamilton Ferreira, Pedro Lorenzini, Robert J. van Dijk, Srgio Cutolo dos Santos e

Valdecyr Gomes.

DIRETORES: Alenir de Oliveira Romanello, Altamir Batista Mateus da Silva, Carlos Augusto Salamonde,

Carolina Lacerda, Celso Scaramuzza, Jair Ribeiro da Silva Neto, Luciane Ribeiro, Luiz Sorge, Luiz

Fernando Figueiredo, Otvio Romagnolli Mendes, Richard Ziliotto, Saa Markus, Sylvio Arajo Fleury e

Vital Meira de Menezes Junior.

COMIT EXECUTIVO: Jos Carlos Doherty (Superintendente Geral), Ana Claudia Leoni (Educao), Andr

Mello (Controladoria, Tecnologia e Servios), Guilherme Benaderet (Superviso de Mercados), Patrcia

Herculano (Representao Institucional), Valria Aras (Representao Tcnica), Marcelo Billi

(Comunicao) e Soraya Alves (Jurdico).

RIO DE JANEIRO: Avenida Repblica do Chile, 230

13 andar CEP 20031-170 + 21 3814 3800

SO PAULO: Av. das Naes Unidas, 8501 21 andar

CEP 05425-070 + 11 3471 4200

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