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Universidade Federal do Rio de Janeiro Centro de Cincias Jurdicas e Econmicas Faculdade Nacional de Direito Disciplina: Introduo Teoria Geral do Processo Professor: J.E. Carreira Alvim Perodo: 3 Perodo Reviso para prova n: 2 em 05/11/2010

REVISO - Q & A - CAPTULOS 7 A 12 DO LIVRO DO CA1. Captulo 07 Problemtica Do Processo1. Cite as principais teorias sobre a natureza jurdica do processo? Resposta: A doutrina divide-se em dois grupos: PRIVATISTAS E PUBLICISTAS. 2. Discorra sobre a Teoria Privatistas? Resposta: Incluem-se nesta, as teorias do contrato, cuja inspirao foi um texto do Ulpiano (Sicut stipulatione contrahitur ita iudicio contrahi) e a do quase contrato inspirada num fragmento romano De Peculio (in iudicio quasi contrahimus). Estas teorias so contratualistas porque o processo resultaria de um contrato ou algo semelhante a um contrato, e, pois, de um acordo de vontades. 3. Comente sobre a teoria do Processo como contrato? Resposta: Os autores que defendiam esta teoria identificavam o processo com o contrato, quer dizer, a relao que interliga autor e ru no processo em tudo idntica que une as partes contratantes. No contrato, existe um acordo de vontades, um titular do interesse subordinante e outro titular do interesse subordinado. O primeiro tem o direito de exigir do segundo que satisfaa uma prestao que lhe assegurada por lei. No processo, as partes estariam ligadas pelo mesmo nexo que liga as partes no contrato. O primeiro tem o direito de exigir do segundo que satisfaa uma prestao que lhe assegurada por lei. No processo, as partes estariam ligadas pelo mesmo nexo que liga as partes no contrato. Ulpiano inspirou esta teoria e declarou: em juzo se contrai obrigaes, da mesma forma que nas estipulaes. Este contrato judicirio originava-se da chamada litiscontestatio, quando ficava perfeito e acabado. 4. Como a princpio definia-se a litiscontestatio, segundo Hlio Tornaghi? Resposta: o ato pelo qual as pessoas que assistiram ao desenvolvimento do processo, na fase in iure, testemunhavam (cum testari) a transformao do conflito, vago e indeterminado, em lide. Neste momento fixava-se a res, a escolha do juiz e a obrigao que as partes voluntariamente assumiam de submeter-se deciso que viesse a ser proferida. 5. Como se definia litiscontestatio, no segundo perodo de evoluo do processo romano, denominado formulrio, ou per formulas? Resposta: A litiscontestatio significava a trplice operao pela qual o pretor entregava ao autor a frmula e este a passava ao ru, que a aceitava. Assim as partes assumiam perante o pretor, a deciso que viesse a ser proferida pelo iudex. A partir da litiscontestatio, o autor renunciava prestao que afirmava devida pelo ru, em troca do direito condenao deste. O ru, por sua vez, ficava liberado da prestao devida ao autor,

Compilao por Rosi Coutinho Lobato Marques - Organizao por Danilo Caio Marcucci Marques Pgina 1 de 31

Universidade Federal do Rio de Janeiro Centro de Cincias Jurdicas e Econmicas Faculdade Nacional de Direito Disciplina: Introduo Teoria Geral do Processo Professor: J.E. Carreira Alvim Perodo: 3 Perodo Reviso para prova n: 2 em 05/11/2010em troca da submisso quilo que fosse decidido pelo juiz. A partir deste momento, desaparecia qualquer relao de direito material entre as partes, pois os seus direitos e obrigaes seriam aqueles que a sentena declarasse (sententia facit ius inter partes). 6. Discorra sobre o processo como quase contrato? Resposta: O texto de inspirao desta teoria foi um fragmento romano De Peculio: in iudicium quasi contrahimus. Os seus autores viam na litiscontestatio um ato bilateral em si mesmo, pelo qual se atribuam direitos a uns e obrigaes a outros, e vice-versa. Mas na litiscontestatio, o consentimento no era inteiramente livre, pois se o ru se recusasse a comparecer perante o pretor, o autor poderia, usando o in ius vocatio, conduzi-lo fora. A litiscontestatio no apresentava o carter de um contrato, porque este supe a liberdade de algum de verificar a convenincia ou no de se sujeitar ao cumprimento de determinada obrigao. 7. Discorra sobre o processo como servio pblico? Resposta: uma teoria publicista. Gaston Jze vislumbra esta teoria a preferida dos cultores do Direito Constitucional e do Direito Administrativo. Afirmava que o processo um servio pblico. Para esta teoria no existe qualquer relao jurdica no processo, sendo a jurisdio um mero servio pblico e as normas processuais simples prescries para se conseguir o mximo de resultado com o mnimo de dispndio. 8. Fale sobre o processo como instituio? Resposta: Teoria com concepo de carter ibero-americana ou hispnica. Couture, a princpio, aderiu a ela, abandonando-a mais tarde. O adepto desta teoria foi Guasp que foi buscar fora da cincia do direito a explicao para a natureza jurdica do processo. Ele adotou o conceito de instituio, criado e consolidado no mbito das cincias sociais, mas tambm, j transposto para o campo da cincia do direito privado, e, portanto, j consolidado pelos civilistas. Assim que se afirma que o casamento uma instituio. Guasp entendia no somente o resultado de uma combinao de atos tendentes a um fim, como tambm um complexo de atividades relacionadas entre si pelo vnculo de uma ideia comum objetiva, a qual adere, seja ou no essa a sua finalidade especfica, as diversas vontades particulares dos sujeitos dos quais provm a referida atividade. A instituio compe-se de dois elementos fundamentais que so: a ideia objetiva, situada fora da vontade dos sujeitos, e acima dela; e o conjunto das vontades que se vinculam a essa ideia para lograr a sua realizao. Este doutrinador extraiu as seguintes concluses: 1) o processo uma realidade jurdica de tendncia permanente; 2) o processo tem carter objetivo (sua existncia se determina, no pela atuao das vontades das quais resulta a atividade que o compem, seno pela relevncia da ideia objetiva superior a essas vontades; 3) o processo no posiciona os sujeitos que nele intervm num plano de igualdade ou de coordenao, seno num plano de desigualdade ou subordinao; 4) o processo no modificvel no seu contedo pelas vontades dos sujeitos processuais, seno dentro de certos e reduzidos limites, no podendo, de modo algum, alterar a ideia fundamental do mesmo; 5) o processo adaptvel realidade de cada momento, sem que o respeito a situaes subjetivas anteriores tenha a mesma fora que tem na relao do tipo contratual.

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Universidade Federal do Rio de Janeiro Centro de Cincias Jurdicas e Econmicas Faculdade Nacional de Direito Disciplina: Introduo Teoria Geral do Processo Professor: J.E. Carreira Alvim Perodo: 3 Perodo Reviso para prova n: 2 em 05/11/20109. O que so mores? Resposta: So padres de comportamento com carter obrigatrio, resultante da presso exercida pelo prprio grupo social sobre cada um de seus membros, atravs daquelas modalidades (repdio, vaia etc). Exemplo de mores: o cuidado que temos com os idosos, doentes e crianas. Esses padres de comportamento pelos quais a sociedade se revela um pouco exigente, advindo do seu descumprimento, no sanes especficas, mas uma reprovao pelo comportamento contrrio a eles, j que so importantes para a sobrevivncia do grupo. 10. O que so instituies? Resposta: So formas padronizadas de comportamento relativamente a determinadas necessidades. So modos de agir, sentir e pensar do homem em sociedade, e que so to importantes que qualquer procedimento contrrio a eles resulta numa sano especfica. O exemplo o trabalho. No incio das sociedades, era visto como um folkways, isto , trabalhava quem quisesse, quem no quisesse no trabalhava. Depois, o trabalho passou a mores; o cidado que no trabalhava, que no adotava aquele modo comum de comportamento que o meio social reputava importante, sentia a repulsa do grupo. Hoje, o trabalho uma instituio,, porque a sociedade o considera fundamental para o seu progresso econmico, social etc. Temos, inclusive normas que tutelam o trabalho e at uma justia especializada para resolver controvrsias resultantes de contratos de trabalho. Alm disto, o cidado que no trabalha, se no possui meios para manter a sua subsistncia, sofre uma sano especfica, aplicada por um rgo do meio social: pratica o delito de vadiagem (nota est desatualizado o livro nesta parte, vadiagem j no considerado mais delito faz tempo). 11. Discorra sobre processo como situao jurdica (Rechtslage)? Resposta: Esta teoria foi concebida por James Goldschmidt, na obra O Processo como situao jurdica: Uma crtica do pensamento processual, publicada em Berlim, no ano de 1925, por no concordar com a teoria da relao jurdica processual formulada por Bllow e seguida, com diferentes enfoques, por Hellwig e Kohler. Para ele a relao jurdica s nasce quando satisfeitos determinados pressupostos, denominados pressupostos processuais. Ele no nega a existncia da relao jurdica processual, observando apenas, que ela insuficiente para atender s exigncias da cincia do direito processual. Aos litigantes como tais, no assiste, no geral, nenhuma obrigao de natureza processual; e a obrigao de julgar que se atribui ao juiz (e que no deve confundir com o dever do Estado de outorgar proteo jurdica ao autor), , enquanto dever de administrar justia, uma manifestao da relao jurdica do cidado com o Estado. Os pressupostos processuais no so, na realidade, pressupostos do processo, seno pressupostos ou requisitos prvios de sentena de fundo (mrito) e que so resolvidos no processo. A situao jurdica se diferencia da relao jurdica no s por seu contedo, mas tambm por depender, no da existncia, mas da evidncia e especialmente da prova de seus pressupostos. O conceito de situao jurdica se deve a Kohler, que v nela uma relao jurdica imperfeita; ou seja, uma etapa do nascimento ou desenvolvimento de um direito subjetivo. Por exemplo, a situao dos contratantes, depois da oferta e antes da aceitao. Embora Kohler ap