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Professor Srgio Mattos Teoria Geral do Processo Aula 01

AULA 01Direito processual geral e sua relao com o Direito Material.Prova final de substituio: 5 de julho.IntroduoViso eminentemente terica do Direito do Processo. Contudo, processo, enquanto cincia (e como a cincia em geral serve para solucionar problemas prticos) no h como fugir do que est posto na legislao nem do que dito nos Tribunais (da jurisprudncia). Cada um dos tribunais tem seu site e um acesso s decises da Corte. A grande parte dos precedentes que sero comentados pelo professor do STJ.Conflito de Interesses: todos temos necessidades, pretenses e querncias (nossos bens) que quando no so satisfeitos geram conflitos de interesses. Mais especificamente, o conflito de interesses surge quando a pretenso relativamente a dado bem no satisfeita, mas esta insatisfao pode se dar de duas formas:a) Resistncia de Outrem: porque algum oferece resistncia pretenso;b) Quando a ordem jurdica veda a satisfao voluntria da pretenso, dizendo que ela s pode ser satisfeita por meio de um processo. Exemplo: processo penal. O Estado probe a satisfao da pretenso voluntria na rea punitiva, penal, isso porque um criminoso, mesmo que queira voluntariamente se submeter pena, deve passar por um processo. O motivo para tanto que o processo assegura uma srie de garantias como o direito ao contraditrio, ampla defesa...Cdigo de processo civil: divrcio consensual pode ser feito em Tabelionato por escritura pblica. Essa pretenso pode ser satisfeita fora do campo processual e da jurisdio. ART 1124-A, CPC.Cada pretenso insatisfeita diz respeito a bens. Estes, no caso, so bens em sentido amplssimo, o que significa que estamos falando de imveis, veculos, ipad, computador, da honra de algum, da intimidade, do nome, de informaes, de dados cadastrais, de segredos de empresas, de participaes societrias, de aes, de valores mobilirios...Superao de conflitos: o direito regula a distribuio ou a atribuio de bens entre as pessoas (prefcio tratado do Pontes de Miranda).Bens da Vida: funo social do direito seria regular a distribuio dos bens da vida. Esta expresso surgiu com Giuseppe Chiovenda (1872 1937).Meios para superar conflitos de interesses: em primeiro lugar temos a auto tutela/auto defesa que a justia de mo prpria. Autotutela definida como crime no ordenamento jurdico brasileiro (ART 345 CP). ART 1210 &1, CC. Art 1283 cc: galhos estiverem invadindo seu terreno, podem ser cortados, sem necessidade de pedir justia.Outra forma de resolver conflitos de interesses a Autocomposio. Um dos contendores abre mo de seu interesse e de sua pretenso ou de parte dela, ou cada um dos contendores faz concesses recprocas. Assim, resolve-se o problema por meio de transao. ART 840 CC. Ou seja, os contendores podem TRANSIGIR cada um abre mo de uma parcela do seu interesse. A autocomposio extrajudicial.ART 269 inc. 2, 3 e 5 do CPC: deixa bem claro que a autocomposio pode se verificar tambm no mbito do processo. A mesma transao do CC, mas no ramo processual.Exemplo: Entidade resolveu cobrar de uma empresa dada contribuio. Na audincia, feita a contestao, e colocado que a empresa no se enquadra no conceito de contribuinte, mostrando os resultados ao autor, este renuncia ao seu interesse entendendo no valer a pena levar a diante.Resoluo de mrito: deciso sobre o pedido do autor.Conciliao: meio alternativo para alcanar a composio da lide.ART 125, inciso 4 CPC.Mediao e Conciliao: Nos dois casos h um terceiro, na conciliao o prprio terceiro prope solues controvrsia, na mediao, ao contrrio, as prprias partes que buscam a soluo.A auto composio tambm se verifica no campo penal. ART 98 inc. 1 da CRFB contempla a possibilidade de auto composio penal, ou seja, de auto transao penal. Isto est regulado na lei dos Juizados especiais que a lei 9.099/95 no artigo 76.O meio mais importante para superao dos conflitos de interesse a JURISDIO: a funo de resolver conflitos deve ser atribuda a um rgo capaz e o Estado ideal, pois tem fora para impor suas prprias decises. Na medida em que o Estado proibiu a autotutela e de que h um interesse geral da sociedade na pacificao social, o Estado chamou para si esta tarefa por meio de uma de suas funes, a FUNO JURISDICIONAL, que tpica do poder Judicirio e, portanto confiada aos rgos deste.O Estado realiza seus fins por meio de trs funes: legislao, administrao e jurisdio.DIREITO PROCESSUAL: ramo do direito, conjunto de normas que se ocupa da jurisdio.O processo j se difundiu para outros campos, fora do campo jurisdicional (processo arbitral, no mbito de uma cooperativa, de partidos polticos...), portanto a expresso DIREITO JURISDICIONAL redutora. Quando ns aludimos a esse conceito de que o direito processual rege a jurisdio, podemos dizer que temos ento o direito processual jurisdicional.Conjunto de normas que regula o exerccio da jurisdio pelo judicirio da ao pelo demandante e da defesa pelo demandado e do instrumento para o exerccio da ao do direito e da defesa.Processo o instrumento por meio do qual se realiza a jurisdio (pelo juiz), a ao (pelo demandante, pelo autor) e a defesa (pelo demandado, pelo ru).Ponto 2: Direito Processual Direito MaterialDireito Material: conjunto de normas que rege relaes jurdicas referentes a bens da vida. Atuao Concreta do direito material. O valor que est imbricado nessa atuao a justia.Relao de instrumentalidade: O direito processual tem relao com o material, pois um instrumento servio do direito material. O instrumento para a atuao concreta do direito material o processo. Campo dos fins ou escopos do processo: pacificao social, superao dos conflitos de interesse com justia. a atuao concreta do direito material para dois fins: pacificao social e realizao da justia.Direito Processual Direito Instrumental. O Direito Processual no tem nada de adjetivo ao Direito Material.Direito Processual: as pessoas costumam achar que direito processual direito formal, uma vez que no se confunde com o material, porm ele no pode ser considerado DIREITO FORMAL no sentido de que o direito material em determinada medida tambm formal uma vez que visa regulao das formas pelas quais se realiza os atos jurdicos materiais. Compra e venda: ato jurdico material. A sua forma disciplinada pelo direito material. Petio inicial: ato jurdico processual, sua forma disciplinada pelo direito processual.Direito Pblico Direito Privado: existem vrios critrios e o mais utilizado o subjetivo. Os atos praticados pelo Estado so direito pblico, mas os atos praticados exclusivamente pelos particulares integram o direito privado.Direito Processual Direito Pblico nessa perspectiva. O direito processual tem ampla ligao com o Direito constitucional, tanto que se fala DIREITO PROCESSUAL CONSTITUCIONAL = DIREIO CONSTITUCIONAL APLICADO.Obras de direito processual constitucional (procurar as do plano de ensino).O que ? Ponto de vista do qual se pode examinar o processo de acordo suas relaes com a Constituio (viso metodolgica).DIREITO PROCESSUAL CONSTITUCIONALa) Campo da tutela constitucional dos Princpios da Organizao do Judicirio;b) Campo da Jurisdio Constitucional;b.1) Controle de constitucionalidade;b.2) Controle das liberdade, dos remdios constitucionais processuais (mandado de segurana, habeas data, habeas corpus, mandado de injuno e outros mecanismos previstos na Constituio para proteo dos direitos fundamentais);ART 102 inciso 1 AART 5 inciso 68,69c) Compreende a tutela constitucional do processo, ou seja, dos direitos e garantias fundamentais processuais.ART. 95 DA CRFB: prev garantias e vedaes aos juzes dizendo o que no podem fazer com vistas a garantir a independncia e a parcialidade que faz parte da tutela constitucional dos princpios da organizao judiciria.Se a Constituio una, uno tambm o direito processual. A, os juristas invocam o artigo 22 da CF que diz que a Constituio no qualifica, simplesmente fala em direito processual. A partir da, os autores dizem que se nem a Constituio distingue os ramos do direito processual, no h porque cientificamente ns os distinguirmos.Ponto 3: Teoria Geral do Processo: Limites e Possibilidades..TGP: Viso metodolgica unitria do direito processualFRANCESCO CARNELUTTI (1879 1965): jurista que preconizou um tratamento unitrio e integral do processo civil e do processo penal. Sua proposio de que era possvel construir uma viso de teoria geral do processo se ancorava no conceito de LIDE.LIDE: litgio, conflito intersubjetivo de interesses qualificado por uma pretenso resistida.PROCESSO: tanto o civil quanto o penal visam justa composio da lide. Se, em ambos, h uma lide e uma mesma finalidade, no h porque realizarmos estudos separados do direito processual civil e do direito processual penal. Tudo isso est diretamente associado jurisdio.Onde h lide, e onde se pretende a justa composio dela, h jurisdio e atividade jurisdicional.A Jurisdio como atividade judiciria existe por causa do conflito e para solucion-lo (Galeno Lacerda).A lide no mbito jurisdicional se verificaria entre a pretenso punitiva do Estado e o direito liberdade do acusado.ART 128 O juiz decidir a lide nos limites em que foi proposta.Contudo, a existncia das lides no explica totalmente a funo jurisdicional visto que elas podem ser resolvidas inclusive por auto composio fora do mbito jurisdicional e, para alm do campo da auto composio, existem os meios alternativos como a arbitragem.A jurisdio tambm se exerce em casos em que no h lide nem conflito. Paradigmtico, nesse sentido, o do controle de constitucionalidade onde se busca a pura proteo do direito objetivo, do ordenamento jurdico.Em meados de 1956, Carnelutti mudou sua posio inicial concluindo, em 1960, que tamanha era a diversidade entre processo civil e penal que no haveria mais como se cogitar em uma teoria geral do processo.NO BRASIL: em nosso pas, temos que citar o professor da USP, Luis Eullio Bueno Vidisal, que elaborou o prefcio do livro TGP de 1974 quando disse que a unificao em uma s disc