Serie Meliponicultura n4

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    oSRIE MELIPONICULTURA - N 04oSRIE MELIPONICULTURA - N 04

    Mel de abelhas sem ferro:contribuio para a caracterizaofsico-qumica

    Mel de abelhas sem ferro:contribuio para a caracterizaofsico-qumica

    Carlos Alfredo Lopes de CarvalhoBruno de Almeida Souza

    Geni da Silva SodrLuis Carlos Marchini

    Rogrio Marcos de Oliveira Alves

    Carlos Alfredo Lopes de CarvalhoBruno de Almeida Souza

    Geni da Silva SodrLuis Carlos Marchini

    Rogrio Marcos de Oliveira Alves

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    oSRIE MELIPONICULTURA - N 04

    Mel de abelhas sem ferro:contribuio para a caracterizao

    fsico-qumica

    Carlos Alfredo Lopes de CarvalhoBruno de Almeida Souza

    Geni da Silva SodrLus Carlos MarchiniRogrio Marcos de Oliveira Alves

    PROMOO:

    Insecta- Ncleo de Estudo dos InsetosGrupo de Pesquisa Insecta

    Centro de Cincias Agrrias e Ambientais / UFBA

    APOIO:Escola Agrotcnica Federal de Catu

    Programa de Ps-Graduao em Cincias Agrrias - UFBAGoverno do Estado da Bahia

    Secretaria de Agricultura, Irrigao e Reforma AgrriaDiretoria de Desenvolvimento da Pecuria

    Coordenao de Modernizao da Pecuria

    a1 edioCruz das Almas - Bahia

    2005

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    CAPA:Detalhe do pote de mel da abelha tubiba (Scaptotrigonasp.) (frente)e uruu (Melipona scutellaris) (verso)Foto: C. A. L. de Carvalho

    Copyright 2005 by Carlos Alfredo L. de Carvalho, Bruno de A. Souza, Genida S. Sodr, Lus Carlos Marchini e Rogrio Marcos de Oliveira Alves

    a1 edio 2005

    Ficha Catalogrfica

    C331

    Carvalho, Carlos Alfredo L. deMel de abelhas sem ferro: contribuio para a

    caracterizao fsico-qumica / Carlos Alfredo L. de Carvalho,Bruno de A. Souza, Geni da S. Sodr, Lus Carlos Marchini,Rogrio M. de Oliveira Alves. - Cruz das Almas: UniversidadeFederal da Bahia/SEAGRI-BA: Carlos Alfredo L. de Carvalho,2005.

    32 p. : il. (Srie Meliponicultura; 4)Bibliografia1. Meliponicultura - manejo. 2. Meliponicultura - mel. 3.

    Meliponicultura - Brasil. I Souza, Bruno de A. II. Sodr, Geni daSilva III. Marchini, Lus Carlos IV. Alves, Rogrio M. de O.

    Impresso no Brasil - Printed in Brazil

    2005

    CDD 20 ed.63814

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    Autores

    CARLOS ALFREDO LOPES DE CARVALHO

    Centro de Cincias Agrrias e Ambientais - UFBA, Cruz das Almas-BA,44380-000Fone/Fax: (75) 3621 2002; E-mail: [email protected]

    BRUNO DE ALMEIDA SOUZAPrograma de Ps-Graduao em Entomologia, Escola Superior de Agricul-tura Luiz de Queiroz - USP, C. Postal: 09, Piracicaba-SP,

    Fone: (19) 3429 4166, Ramal 220; E-mail: [email protected]

    GENI DA SILVA SODRGrupo de Pesquisa Insecta - Centro de Cincias Agrrias e Ambientais -UFBA, Cruz das Almas-BA, 44380-000Fone/Fax: (75) 3621 2002; E-mail: [email protected]

    LUS CARLOS MARCHINIEscola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - USP, C. Postal: 09, Piraci-caba-SP,Fone: (19) 3429 4166, Ramal 220; E-mail: [email protected]

    ROGRIO MARCOS DE OLIVEIRA ALVESEscola Agrotcnica Federal de Catu, Rua Baro de Camaari, n. 118, Cen-tro, Catu-BA

    Fone: (71) 3641 1043; E-mail: [email protected]

    Distribuio:

    INSECTA - Ncleo de Estudo dos InsetosLaboratrio de Entomologia,

    Centro de Cincias Agrrias e Ambientais-UFBA,CEP: 44380-000, Cruz das Almas-BA.

    Tele/Fax: (75) 3621-2002www.insecta.ufba.br

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    CONTEDO

    Prefcio

    1. O consumo de mel das abelhas sem ferro ...........................................01

    2. Parmetros fsico-qumicos utilizados nas anlises de mel ...................02

    3. Padres fsico-qumicos da Legislao Brasileira que regulamenta o controle de qualidade do produto mel.............................14

    4. Mtodos de coleta de mel......................................................................15

    5. Resultados das anlises fsico-qumicas de amostras de mel de espcies de abelhas sem ferro .......................................................16

    6. Discusso.............................................................................................22

    7. Consideraes finais ............................................................................23

    8. Referncias bibliogrficas ....................................................................25

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    PREFCIO

    O mel um produto alimentcio produzido pelas abelhas, de compo-sio varivel a depender de diversos fatores, como composio do nctar,condies climticas, manejo do apicultor e, principalmente, a espcie deabelha que o produz.

    Infelizmente quando se fala em abelhas produtoras de mel a espciemais conhecida a exticaApis mellifera, apesar do Brasil possuir umadiversificada fauna de abelhas eussociais, conhecidas por meliponneos ouabelhas indgenas sem ferro (ASF).

    Essas abelhas so produtoras de mel cujo relato de consumo datadesde perodos pr-colombianos no continente Americano, ao qual so atri-budas propriedades medicinais. Atualmente, o interesse sobre estas esp-cies foi intensificado aps a regulamentao de sua criao pela Resoluo346 do CONAMA e de movimentos de conservao de polinizadores, comoa Iniciativa Brasileira de Polinizadores.

    Apesar desta importncia, apenas recentemente os estudos visandoa caracterizao do mel das ASFs tem sido incrementado, de forma a deter-minar sua identidade e controlar possveis fraudes. Esses estudos soimportantes para a elaborao de uma legislao com vista ao controle dequalidade do mel de meliponneos.

    No Brasil a legislao que trata sobre o produto mel baseada empadres norte-americanos para classificao do mel deA. mellifera(Brasil,2000), que atendem parcialmente s caractersticas do produto das abe-lhas sem ferro.

    Com o objetivo de divulgar os conhecimentos relacionados com a cri-ao das abelhas sem ferro, o Grupo de Pesquisa Insecta do Centro deCincias Agrrias e Ambientais/UFBA, em parceria com outras Instituiesde Ensino e Pesquisa, est lanando o quarto nmero da Srie Meliponi-cultura - Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracteriza-o fsico-qumica, fornecendo subsdios para a discusso e elaboraode um futuro e necessrio padro de qualidade do mel dos meliponneos.

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    1. O CONSUMO DE MEL DAS ABELHAS SEM FERRO

    O mel considerado um fludo viscoso, aromtico e doce, elaboradopelas abelhas a partir do nctar das flores e/ou exsudaes sacarnicas departes vivas das plantas, podendo ainda ser proveniente das excrees deinsetos sugadores que se alimentam de partes vivas das plantas. Estesprodutos, depois de coletados, transformados e combinados comsubstncias especficas prprias, so armazenados e amadurecidos nosfavos para a alimentao das abelhas (Mendes & Coelho, 1983; Brasil,2000). Devido sua domesticao antiga e por ser originria dos principais

    pases consumidores, a abelha Apis melliferaL. considerada como aprincipal espcie produtora do mel utilizado para consumo humano, apesarde existir uma grande diversidade de abelhas que produzem mel de boaqualidade, como as abelhas sem ferro das tribos Meliponini e Trigonini, ealgumas espcies de vespas sociais (e.g.: Brachygasterspp.).

    Na histria da humanidade o mel foi uma das primeiras fontes deacar para o homem (Buarque de Holanda, 1957). Isso demonstradopelo uso do mel e plen das abelhas nativas sem ferro - os meliponneos -

    nos perodos pr-hispnicos e o papel que desempenharam na dieta dascomunidades indgenas americanas (Medina & Gonzalez, 1995).

    As abelhas sem ferro so habitantes dos trpicos, sendo que naAmrica Latina, existem aproximadamente 300 espcies, a maioria delasprodutoras de mis de grande aceitao principalmente nas regiesprodutoras.

    O maior conhecimento sobre as abelhas sem ferro diz respeito aosMayas e Nahoa no Mxico, que mantm o costume dos antecessores demisturar o mel da abelha Melipona beecheiicom bebidas oferecidas a seusDeuses durante as cerimnias religiosas, alm de sua utilizao emmisturas como remdio (Biesmeijer, 1997).

    No Brasil, at o sculo XIX, o mel utilizado na alimentao pelosndios e brancos, assim como a cera utilizada na confeco de velas pelos

    jesutas, eram provenientes das abelhas sem ferro (Buarque de Holanda,1957; Cortopassi-Laurino, 2002). Camargo & Posey (1990) relatam que os

    ndios Kaiap detinham o conhecimento sobre as flores fornecedoras denctar de qualidade, que era coletado pelas abelhas sem ferro,responsveis pela produo do mel de boa consistncia e sabor.

    Embora produzam mel em menor quantidade, os meliponneos soimportantes por fornecer um produto que se diferencia do mel de A.mellifera, principalmente na doura inigualvel, sabor diferenciado,seguramente mais aromtico e que possui consumidor-alvo distinto, com o

    Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

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    diferencial de alcanar altos preos no mercado (Ihering, 1932; Kerr, 1996;Levy Junior, 1997; Nogueira-Neto, 1997; Marchini et al., 1998).

    O interesse crescente pelo mel dos meliponneos tem gerado umesforo no sentido de determinar as caractersticas fsico-qumicas dosdiferentes mis produzidos pelas espcies que ocorrem no Brasil(Pamplona, 1989; Marchini et al., 1998; Azeredo et al., 2000; Denadai et al.,2002; Evangelista-Rodrigues et al., 2003).

    2. PARMETROS FSICO-QUMICOS UTILIZADOS NAS ANLISES DEMEL

    A composio do mel depende, principalmente, das fontes vegetaisdas quais ele derivado, mas tambm do tempo, solo, espcie da abelha,estado fisiolgico da colnia, estado de maturao do mel, condiesmeteorolgicas na poca da colheita, dentre outros fatores (Crane, 1983;Pamplona, 1994).

    Os trabalhos de anlises fsico-qumicas de mis so realizados como objetivo de comparar os resultados obtidos com padres ditados por

    rgos oficiais internacionais ou com os estabelecidos pelo prprio pas,deixando claro no s uma preocupao com a qualidade do mel produzidointernamente, como tambm, tornando possvel a fiscalizao de misimportados com relao s suas alteraes.

    No entanto, apesar da importncia dos mis das abelhas sem ferro,representada pelo seu consumo antigo e cada vez mais crescente, apenasrecentemente os estudos que visam fornecer subsdios para sua

    caracterizao fsico-qumica tm sido incrementados. Desta forma, aLegislao brasileira que regulamenta a padronizao do mel para fins decomercializao s atende s caractersticas do mel de A. mellifera, nocontemplando o mel das abelhas nativas do pas (Azeredo et al., 2000).Esta Legislao, baseada em padres internacionais, dificulta em muitoscasos, a insero do mel destas espcies nativas.

    De maneira geral, o mel produzido pelas espcies de meliponneosapresenta diferenas em alguns parmetros fsico-qumicos quando

    comparados ao mel produzido porA. mellifera, principalmente com relao sua umidade, que bastante elevada, tornando-o menos denso que o meldas abelhas africanizadas. Sua cor varia do quase transparente ao mbar,e o gosto e nveis de acares dependem do paladar, da espcie, da poca,da regio e, principalmente, da florada (Bezerra & Souza, 2002).

    Alm dos acares em soluo, o mel tambm contm cidosorgnicos, enzimas, vitaminas, flavonides, minerais e uma extensa

    Carvalho et al.02

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    variedade de compostos orgnicos, que contribuem para sua cor, odor esabor (Vilhena & Almeida-Muradian, 1999).

    Entre os parmetros utilizados para a caracterizao fsico-qumicado mel, apenas nove so citados na Legislao Brasileira que regulamentaa identidade e requisitos mnimos de qualidade do mel destinado aoconsumo humano direto (Brasil, 2000). Outros parmetros podem serutilizados no sentido de fornecer informaes que possam colaborar noconhecimento deste produto. Os mais conhecidos so discutidos a seguir:

    2.1 Acares

    O mel rico em acares, sendo encontrados: glicose, frutose,sacarose, maltose, isomaltotetraose, maltulose, isomaltulose, nigerose,turanose, cojibiose, neotrehalose, gentiobiose, laminaribiose, leucrose,melesitose, rafinose, isopanose, isomaltetraose, G--glicosilsacarose,6arabogalactomanose, erlose, dextrantriose, maltotriose, isomaltopentose,centose, 1-cestose, panose, isomaltotriose e 3--isomaltosilglicose(Crane, 1983).

    Os acares redutores (glicose e frutose) so as fraesdominantes, representando em torno de 85,00 a 95,00% dos carboidratospresentes no mel, os quais tm a capacidade de reduzir ons de cobre emsoluo alcalina. A glicose, por ter pouca solubilidade, determina atendncia da cristalizao do mel, e a frutose, por ter alta higroscopicidade,possibilita a sua doura. A proporo mdia de frutose no mel deApis de39,30%, enquanto que a de glicose de 32,90%, sendo que mel com altastaxas de frutose podem permanecer lquido por longos perodos ou nunca

    cristalizar (White Jnior, 1979; Seemann & Neira, 1988; Horn et al., 1996).Na maioria dos mis deApispredomina a frutose, embora em alguns

    casos, a quantidade de glicose maior, como nos mis da flor de Brassicanapus, Taraxacum officinale e Trichostema lanceolatum (White Jnior,1979; Seemann & Neira, 1988).

    Os demais acares do mel so representados por dissacardeos etrissacardeos (White Jnior, 1979). Dentre os dissacardeos, a sacaroserepresenta em mdia 2,00 a 3,00% dos carboidratos para os mis deApisequando superior a este valor, geralmente indica um mel verde ouadulterado. Caracteriza-se ainda por ser um acar no redutor, passvelde hidrlise atravs de cidos diludos ou enzimas (invertase), resultandonos monossacardeos frutose e glicose (Vidal & Fragosi, 1984).

    Analisando amostras de mis de meliponneos da Venezuela,Bogdanov et al. (1996) constataram os seguintes valores mdios de

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    acares totais para Melipona compressipes = 76,30%; M. trinitatis =76,30%; M. favosa =74,70% e Frieseomelitta sp. = 76,00%. Enquanto Vit etal. (1998), tambm na Venezuela, constataram para os acares redutores,valores variando de 53,70 a 73,10 % para a tribo Meliponini e 51,20 a70,40% para a tribo Trigonini. Com relao a sacarose, os valores variaramde 0,60 a 5,60% (Meliponini) e 0,30 a 6,10% (Trigonini).

    Rodrigues et al. (1998) trabalhando com amostras de mis deTetragonisca angustulaconstataram para acares redutores valor mdiode 58,19% e para a sacarose valor mdio de 1,17%. Denadai et al. (2002)analisando amostras de mis da mesma espcie obtiveram, para osacares redutores e sacarose, os valores mdios de 58,00% e 2,35%,

    respectivamente.Na Bahia, Souza et al. (2004a) trabalhando com a espcie M. asilvaiencontraram para acares totais, acares redutores e sacarose osvalores variando de 67,72 a 84,99%, 66,00 a 76,20% e 1,13 a 8,35%,respectivamente. Alves (2004), tambm no Estado da Bahia, analisandoamostras de mis de M. mandacaiaobteve valores mdios de 74,82% paraacares redutores e de 2,91% para sacarose. Mel de meliponneos podemcristalizar no pote dentro da colnia, como foi observado em M. mandacaia

    na Bahia (Figura 1).

    Figura 1 - Aspecto do mel cristalizado no pote de Melipona mandacaia.

    Carvalho et al.04

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    2.2 Umidade

    A umidade no mel sem dvida uma das caractersticas mais impor-

    tantes, por influenciar na sua viscosidade, peso especfico, maturidade, cris-talizao e sabor (Seemann & Neira, 1988). Este constituinte do mel podeser alterado aps a sua retirada da colmia, em funo das condies dearmazenamento depois da extrao.

    A gua presente no mel o segundo constituinte em quantidade,podendo variar para o mel deApis,antes da completa desidratao, entre15,00 e 21,00% do contedo total, dependendo do clima, origem floral e con-dies de coleta. Normalmente, o mel maduro tem menos de 18,60% de

    umidade (Horn et al., 1996), tendo uma grande relao com deteriorao, jque quando encontrada acima de um limite mximo (20%) o mel estar suje-ito fermentao (Fras & Hardisson, 1992).

    Certos microrganismos osmoflicos (tolerantes ao acar) quandopresentes no mel multiplicam-se com o aumento da umidade, favorecendoo seu processo de fermentao. Estes microrganismos esto presentesnos corpos das abelhas, no nctar, no solo, nas reas de extrao e arma-zenamento do mel (White Jnior, 1978).

    Pamplona (1989) trabalhando com amostras de mis brasileiros deApise meliponneos constatou para a umidade valores mximos de 24,00%(Apis mellifera); 40,20% (Tetragonisca angustula angustula); 45,00%(Melipona quadrifasciata); 20,00% (Scaptotrigona postica) e 27,00%(Plebeia droryana). Essa autora obteve valores bem mais altos para osmis de meliponneos que para os de Apis, com exceo da espcie S.

    postica.

    O trabalho desenvolvido por Cortopassi-Laurino & Gelli (1991) comdiferentes amostras de mis de meliponneos, concluiu que umidade apre-sentou valores variando de 18,00 a 36,00%.

    Marchini et al. (1998) estudando mis da espcie M. scutellarisencontraram valor mdio de 28,40% para a umidade; Silva et al. (2002) tra-balhando com a mesma espcie constataram valor mdio de 25,26%.Enquanto que Cortopassi-Laurino & Montenegro (2000) observaram quenos meses secos, os mis desta espcie tinham um maior teor de umidade

    (27,00 a 29,70%) quando comparado com os meses mais midos, ondeesta umidade variava de 25,00 a 26,30%.

    Para M. compressipes, Souza & Bazlen (1998) obtiveram valormdio de 25,00%, enquanto que em amostras de mis de T. angustulaosvalores mdios variaram de 23,70% (Denadai et al., 2002) a >26% (Rodri-gues et al., 1998).

    Em trabalho desenvolvido por Vit et al. (1998) com amostras de mis

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    das tribos Meliponini e Trigonini produzidos na Venezuela, os valores deumidade variaram de 22,90 a 31,50% (Meliponini) e 17,90 a 29,50%(Trigonini).

    Almeida (2002) em amostras de mis do cerrado paulista constatoupara P. droryana, T. angustula, Cephalotrigona capitataeM. quadrifasciatavalores mdios de umidade de 31,00%, 25,50%, 27,00% e 34,00%, respec-tivamente.

    Souza et al. (2004a) em mis de M. asilvaiconstataram porcentagemde umidade variando de 26,80 a 32,00%.

    Trabalhando com amostras de mis de espcies de Melipona(M.compressipes manaosensis, M. rufiventris paraensis e M. seminigra

    merrillae) da regio amaznica, Souza et al. (2004b) encontraram, para aumidade, valores entre de 23,90 a 34,60%.

    2.3 Atividade diastsica

    A diastase (-amilase) uma das enzimas presentes no mel, forma-da principalmente pelas glndulas hipofaringeanas das abelhas, sendoencontrada tambm, em baixa proporo, nos gros de plen (Pamplona,1989). Sua funo digerir a molcula de amido, estando, possivelmente,envolvida na digesto do plen. Segundo Vansell & Freeborn (1926) existeuma perfeita correlao entre a quantidade de plen no mel e a atividade dadiastase.

    Sua relevncia principal para o mel que essa enzima apresentamaior sensibilidade ao calor que a enzima invertase (responsvel pelatransformao da sacarose em glicose e frutose), sendo recomendada

    para avaliar a qualidade do mel. Sua atividade serve de indicativo do graude conservao e superaquecimento do mel, o que comprometeria seria-mente o produto (Soloveve, 1971).

    White Jnior (1994) questionou o uso da atividade diastsica comoindicadora de qualidade do mel devido grande variao na quantidadedesta enzima em mis recm-colhidos e no aquecidos. Desta forma, esteautor sugere a excluso desta anlise de qualidade do mel por ser um testeredundante, enganoso e varivel. Segundo White Jnior (1992), os mis

    produzidos em regies quentes e secas apresentam menor atividade deenzimas do que os de regies quentes e midas.

    De acordo com Crane (1983), nveis enzimticos mais baixos soencontrados em mis provenientes de rpidos fluxos de nctar, devido aoacmulo deste material a ser processado no interior da colnia. Entretanto,em situaes de fluxo de nctar menos ricos, estes nveis enzimticos sogeralmente mais elevados, pois as abelhas tm tempo para processar

    Carvalho et al.06

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    intensamente este material. Tambm observa-se que o nctar com um con-tedo alto de acar necessita de menos manipulao pelas abelhas paraserem convertidos em mel, apresentando assim uma tendncia a nveismais baixos de invertase e diastase.

    Amostras de mis de meliponneos provenientes da Venezuela, ana-lisados por Vit & Pulcini (1996) apresentaram os seguintes valores para a ati-vidade diastsica (escala de Gothe): T. angustula angustula,16,50 a 35,60;Melipona favosa favosa, 2,60 a 3,50; Nannotrigona sp., 8,70; M.compressipes compressipes, 2,60 a 3,00;M. lateralis kangarumensis,2,60a 3,00; M. paraensis, 2,60 a 3,00; Frieseomelitta sp., 6,60 a 13,70; M.eburnean,3,40; M. crinita,3,00 e Scaptotrigonasp., 2,60.

    Rodrigues et al. (1998) constataram valor mdio de 17,90 (escala deGothe) para a atividade diastsica de amostras de mis de T. angustula.Comparando amostras de mis das tribos Meliponini e Trigonini, Vit

    et al. (1998) evidenciaram valores para a atividade diastsica variando de2,60 a 3,50 na escala de Gothe (Meliponini) e 2,60 a 35,60 na escala deGothe (Trigonini).

    2.4 Hidroximetilfurfural

    O hidroximetilfurfural, comumente chamado de HMF, talvez seja oconstituinte secundrio do mel mais discutido. Sua formao est relacio-nada a reao de certos acares com cidos, principalmente pela decom-posio da frutose (White Jnior, 1976).

    Normalmente, uma pequena quantidade de HMF encontrada nosmis deApisrecm-coletados (Horn et al., 1996). Sua presena um indi-

    cador de qualidade do mel. Quando presente em nveis elevados indicauma queda no valor nutritivo do mel pela destruio, por meio de aqueci-mento, de algumas vitaminas e enzimas que so termolbeis (Verssi-mo,1988).

    Seemann & Neira (1988) e Salinas et al. (1991) mencionam que estecomposto um constituinte que, alm do superaquecimento, pode indicar aidade dos mis, podendo seu contedo aumentar com o tempo de armaze-namento, adio de acar invertido, alm de tambm ser afetado pela aci-

    dez, pH, gua e minerais presentes no mel.Nos pases subtropicais os mis podem ter naturalmente um alto con-

    tedo de HMF sem que o mesmo tenha sido superaquecido ou adulterado,em funo das altas temperaturas da regio (White Jnior, 1992).

    Diversos trabalhos tm mostrado valores variados de HMF paraespcies de meliponneos. Assim, para amostras de mis de

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    -1Cephalotrigona capitatafoi observado valor mdio de 3,38 mg.kg (Almei-

    -1da, 2002); em mis de M. asilvai, variou entre 0,52 a 7,93 mg.kg (Souza etal., 2004a); nas amostras de mel de M. compressipes, o valor encontrado

    -1foi igual a 30,50 mg.kg (Souza & Bazlen, 1998); em mis de M.-1

    quadrifasciata, 1,03 mg.kg (Almeida, 2002); no mel de M. scutellaris, o-1 -1valor foi de 0,38 mg.kg (Marchini et al., 1998) e 18,92 mg.kg (Silva et al.,

    -12002); em mis de Plebeia droryana, 7,64 mg.kg (Almeida, 2002); e T.-1 -1

    angustula, 4,99 mg.kg (Rodrigues et al., 1998) e 8,12 mg.kg (Almeida,2002).

    Na Venezuela, Vit et al. (1998) trabalhando com amostras de misdas tribos Meliponini e Trigonini constataram valores de HMF variando de

    -1 -10,40 a 31,60 mg.kg (Meliponini) e 4,20 a 20,40 mg.kg (Trigonini).

    2.5 Protena

    Apesar do pouco conhecimento sobre as caractersticas do materialprotico presente no mel, a sua ocorrncia utilizada na deteco de adul-terao do produto comercial (Crane, 1975).

    Dentre os aminocidos encontrados no mel, a prolina o que estpresente em maior quantidade, representando cerca de 50,00 a 85,00% dototal para mel deApis(White Jnior & Rudyj, 1978). Estes aminocidos soprodutos da quebra da protena e existem em quantidades mnimas emmis normais, estando sua origem mais relacionada s abelhas do que splantas (Crane, 1983).

    Para amostras de mis de Tetragonisca angustula, provenientes deCampo Grande/MS, Denadai et al. (2002) constataram valor mdio de

    0,90% para a protena. Em amostras de Melipona (M. compressipesmanaosensis, M. rufiventris paraensis, M. seminigra merrillae) da regioamaznica, Souza et al. (2004b) encontraram valores variando de 0,20 a0,80%.

    2.6 Cinzas

    O teor de cinzas expressa os minerais presentes no mel, o qual bas-tante utilizado na verificao da qualidade do produto. Os sais mineraisencontrados no mel podem ser modificados por fatores relativos s abe-lhas, ao apicultor, clima, solo e origem botnica (Lasceve & Gonnet, 1974;Bogdanov et al., 1997; Carvalho et al., 2000). Assim, o mel de origem floraltem menos cinzas que o mel de origem no floral, como o de honeydew(Bogdanov, 1999).

    Carvalho et al.08

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    O mel contm a maioria dos elementos qumicos essenciais para oorganismo, desta forma a sua incluso na dieta diria ajudaria a eliminar asua deficincia. Inmeros elementos qumicos j foram identificados nomel, como: K, Na, Ca, Mg, Mn, Ti, Co, Mo, Fe, Cu, Li, Ni, Pb, Sn, Zn, Os, Ba,Ga, Bi, Ag, Au, Ge, Sr, Be e Va (White Jnior, 1979). Apesar de estarem pre-sentes em pequenas porcentagens no mel, os minerais so consideradosimportantes do ponto de vista alimentcio por serem encontrados na formadiretamente assimilvel (Frias & Hardisson, 1992).

    Estes minerais ainda possuem influncia sobre a colorao do mel,estando presentes em maior concentrao nos mis escuros em compara-o com os mis claros (Ortiz-Valbuena, 1988).

    Em trabalho desenvolvido por Pamplona (1989), comparando amos-tras de mis deA. melliferae de meliponneos, constatou que o valor de mine-rais de duas a trs vezes maior nas amostras de mis de meliponneos.

    Na Venezuela, Vit et al. (1998) constataram valores de cinzas varian-do de 0,02 a 0,40% nas amostras de mis das abelhas da tribo Meliponini, ede 0,29 a 0,52% para amostras de mis da tribo Trigonini.

    Para amostras de mis de M. scutellaris, Silva et al. (2002) constata-ram valores mdios de 0,01% para cinzas; enquanto Souza et al. (2004b)

    encontraram valores de cinzas variando de 0,03 a 0,40% em amostras demis de espcies de Melipona (M. compressipes manaosensis, M.rufiventris paraensis eM. seminigra merrillae) da regio amaznica.

    Em mis de Tetragonisca angustulade Campo Grande/MS, Denadaiet al. (2002) encontraram valores mdios de 0,45%.

    2.7 pH

    O pH determinado no mel refere-se aos ons hidrognio presentesnuma soluo e pode influenciar na formao de outros componentes,como na velocidade de produo do hidroximetilfurfural (Vidal & Fragosi,1984).

    Em geral, todos os mis apresentam pH baixo, sendo formados porcidos orgnicos, alguns volteis e outros inorgnicos (e.g.: fosfrico e clo-rdrico) (Simal & Huidobro, 1984).

    Esta caracterstica do mel pode ser influenciada pela sua origem,sendo geralmente inferior a 4,00 para mel de origem floral e superior a 4,50para os mis de melato (Fras & Hardisson, 1992). Pode ainda ser influenci-ado pela concentrao de diferentes cidos, do clcio, sdio, potssio eoutros constituintes das cinzas (Seemann & Neira, 1988). Os mis brasilei-ros deApistm o valor de pH variando de 3,20 a 4,60, enquanto os de meli-

    09Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

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    ponneos variam de 3,20 a 4,80 (Cortopassi-Laurino & Gelli, 1991).Marchini et al. (1998) obtiveram valor mdio de 3,15 para o pH de

    amostras de mis de M. scutellaris. Para a mesma espcie, Silva et al.(2002) observaram o valor mdio de 4,66.

    Para M. compressipes, o valor mdio obtido por Souza & Bazlen(1998) foi de 4,06, enquanto Souza et al. (2004a) trabalhando com a esp-cie M. asilvai constataram valor mdio de 3,27, com variao de 3,14 a 3,40.

    Em amostras de mis de diferentes espcies de meliponneos, Aze-redo et al. (2000) encontraram valor mdio de 3,50. J Almeida (2002), estu-dando amostras de mis do cerrado paulista de quatro espcies de melipo-nneos (Plebeia droryana, T. angustula, Cephalotrigona capitata e M.

    quadrifasciata) constatou valores para o pH variando de 3,62 a 4,52.Denadai et al. (2002) trabalhando com amostras de mis de T.

    angustulaobtiveram o valor mdio de 3,80.

    2.8 Acidez

    O mel contm cidos que contribuem para sua estabilidade frente ao

    desenvolvimento de microrganismos. Dentre os cidos encontrados nosmis, o mais comum o glucnico que formado pela ao da enzima gli-cose-oxidase produzida pelas glndulas hipofaringeanas das abelhas(Horn et al., 1996; Seemann & Neira, 1988). Todos os outros cidos (acti-co, benzico, butrico, ctrico, fenilactico, frmico, isovalrico, lctico,malico, oxlico, propinico, piroglutnico, succnico e valrico) esto pre-sentes em quantidades menores (Crane, 1983).

    A acidez do mel tem sua origem na variao dos cidos orgnicos

    causada pelas diferentes fontes de nctares, pela ao da enzima glicose-oxidase que origina o cido glucnico, pela ao das bactrias durante amaturao do mel e pelas quantidades de minerais presentes no mel (Hornet al, 1996).

    Estes cidos esto dissolvidos em soluo aquosa no mel e produ-zem ons de hidrognio que promovem a sua acidez ativa permitindo,assim, indicar as condies de armazenamento e o processo de fermenta-o (Cornejo, 1988).

    De acordo com Fras & Hardisson (1992), quando o mel aquecidoem excesso forma-se o hidroximetilfurfural por decomposio de certos a-cares os quais, por sua vez, se decompem nos cidos levulnicos e frmi-co, contribuindo ambos para valores maiores de acidez.

    Cortopassi-Laurino & Gelli (1991) analisando amostras de mis deespcies de meliponneos constataram valores variando de 30,00 a 90,00

    Carvalho et al.10

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    -1meq.kg para a acidez.Dentro de um mesmo gnero so observadas grandes variaes nos

    valores de acidez. Assim, para M. compressipes, Souza & Bazlen (1998)-1

    obtiveram acidez mdia de 40,75 meq.kg ; enquanto para M. asilvai, os-1valores va-riaram de 21,50 a 80,50 meq.kg (Souza et al., 2004a). A mesmavariao observada em uma mesma espcie, como observado para M.scutellarispor Marchini et al. (1998) que obtiveram valor mdio de 8,88

    -1meq.kg , enquanto Silva et al. (2002) constataram valor mdio de 28,33-1meq.kg .

    Amostras de mis das tribos Meliponini e Trigonini, provenientes daVenezuela, apresentaram valores de acidez variando de 9,20 a 69,60

    -1 -1meq.kg e de 20,00 a 94,00 meq.kg , respectivamente (Vit et al., 1998).Azeredo et al. (2000) trabalhando com amostras de mis de melipo-

    -1nneos obtiveram, para a acidez, valor mdio de 27,15 meq.kg . Almeida(2002), tambm trabalhando com amostras de mis de meliponneos, obte-

    -1ve valores variando de 16,50 a 52,00 meq.kg .Denadai et al. (2002), trabalhando com amostras de mis de T.

    -1angustulaobservaram acidez mdia de 112,80 meq.kg .

    2.9 ndice de formol

    O ndice de formol importante no mel por representar, predominan-temente, os compostos aminados, permitindo assim, avaliar o seu conte-do em peptdeos, protenas e aminocidos. Trata-se, pois, de um indicativoda presena de nitrognio no mel (Simal & Huidobro, 1984).

    Este caractere um importante componente indicador de adultera-o sendo utilizado para a comprovao da autenticidade do mel. Quando ovalor obtido muito baixo pode indicar a presena de produtos artificiais.Em contrapartida, quando excessivamente alto, mostra que as abelhasforam alimentadas com hidrolisado de protena (Huidobro & Simal, 1984;Fras & Hardisson, 1992).

    Desta forma, Marchini et al. (1998) constataram para M. scutellaris-1valor mdio de 7,36 mL.kg . Em mis de M. asilvaicoletados na Bahia, os

    -1

    valores para o ndice de formol variaram de 3,50 a 10,00 mL.kg (Souza etal., 2004a).Almeida (2002) em amostras de mis do cerrado paulista constatou

    para P. droryana, T. angustula, C. capitataeM. quadrifasciatavalores mdi--1 -1 -1 -1os de 21,50 mL.kg ; 12,00 mL.kg ; 4,50 mL.kg e 4,00 mL.kg , respectiva-

    mente.

    11Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

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    2.10 Condutividade eltrica

    A condutividade eltrica do mel tem sido utilizada para indicao da

    sua adulterao e como mtodo suplementar de determinao da sua ori-gem, isto , se formado de nctar (com alguma diferenciao de acordocom a espcie de planta) ou de melato (Aganin, 1971; Crane, 1983).

    Este parmetro tem correlao com o contedo de cinzas, pH, aci-dez, sais minerais, alm de protena e outras substncias presentes no mel(Stefanini, 1984; Crane, 1975 e Bogdanov, 1999).

    A determinao da condutividade eltrica pode ser um mtodo rpi-do para estabelecer se o mel ou no adequado para estoques de inverno

    das abelhas, pois alguns dos constituintes que aumentam a condutividadeeltrica, tambm fazem com que o mel se torne inadequado para as abe-lhas durante o tempo frio (Crane, 1983).

    Bogdanov et al. (1996), trabalhando com amostras de mis da Vene-zuela constataram valores mdios de condutividade eltrica de

    -1 -1320,00S.cm para Melipona compressipese M. trinitatis; 440,00S.cm-1para M. favosae 1040,00S.cm paraFrieseomelitta sp.

    Para M. scutellaris, o valor mdio obtido por Marchini et al. (1998) foi-1da ordem de 338,92S.cm . Souza & Bazlen (1998) encontraram para M.-1

    compressipes valor mdio de 876,50S.cm , enquanto Souza et al.(2004a) trabalhando com a espcie M. asilvaiobtiveram valores variando

    -1de 287,50 a 525,00S.cm .

    2.11 Viscosidade

    O conhecimento das propriedades reolgicas do mel necessriopara o controle de qualidade e o conhecimento de sua estrutura, como tam-bm para a avaliao sensorial deste produto (Campos, 1998). A viscosida-de e as outras propriedades fsico-qumicas do mel dependem de muitosfatores, incluindo a composio e a temperatura, sendo que um dos fatoresde maior importncia para a viscosidade o contedo de gua. Geralmenteesta viscosidade decresce com o aumento do contedo de gua (Abu-

    Jdayil et al., 2002).Quando um lquido newtoniano flui, est sujeito a frico interna,caracterizada pela viscosidade do lquido. A viscosidade depende grande-mente do seu contedo de gua e est assim ligada sua densidade relati-va, de forma que quanto menos gua, mais alta ser a densidade e a visco-sidade. Observa-se ainda que, o mel pode fluir trs vezes mais rapidamentecom a elevao de 7C na temperatura (Crane, 1983; Abu-Jdayil et al.,

    Carvalho et al.12

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    2002).Alguns mis possuem propriedade de fluxo anormais (no newtonia-

    nos). Os mis provenientes de floradas de Calluna vulgaris,Fagopyrumesculentum, Trifolium repense Leptospermum scoparium na Nova Zeln-dia e Carvia callosana ndia so bem conhecidos, por sua consistnciaparecida com gel. Normalmente eles fluem de forma suficiente em umextrator centrfugo. Esta propriedade conhecida como tixotropia devidaao contedo relativamente alto de protena no mel (Munroe, 1943; Crane,1983).

    Souza et al. (2004a) trabalhando com amostras de mis de M.asilvaiconstataram valores de 36,00 a 168,00 mPa.s. para a viscosidade.

    2.12 Cor

    A cor do mel um fator determinante no mercado mundial. H umatendncia dos mis claros serem os preferidos pelos consumidores, conse-qentemente, tm um maior valor comercial que os escuros. O sabor e oaroma dos mis, como de qualquer outro gnero alimentcio, so muitomais difceis de serem avaliados quantitativamente que a cor. Existe umarelao imperfeita entre a cor e o sabor, pois acredita-se que os mis comsabor agradvel so sempre claros, enquanto que os mis escuros tm, nor-malmente, um sabor forte (Wootton et al., 1976; Crane, 1983; Gonzles etal., 1999).

    Durante o armazenamento pode ocorrer o escurecimento do mel e,paralelamente, mudanas em suas propriedades organolpticas, influen-ciando na sua qualidade e aromas originais (Aubert & Gonnet, 1983).

    De acordo com Milum (1948), o escurecimento do mel durante a esto-cagem depende da cor inicial deste produto. Este escurecimento tem rela-o com a origem botnica, o processamento, o armazenamento, os fato-res climticos durante o fluxo do nctar e a temperatura na qual o mel ama-durece na colmia (Smith, 1967; Seemann & Neira, 1988). Alguns compo-nentes do mel tambm so determinantes para o escurecimento deste pro-duto como: proporo de frutose/glicose, o contedo de nitrognio e ami-nocidos livres, as substncias polifenlicas como sais de ferro, o contedo

    de minerais e a instabilidade da frutose em soluo cida (Lynn et al., 1936;Schade et al., 1958; Bath & Singh, 1999).

    O mel parece ser mais claro depois de ter sido cristalizado, devido,principalmente, transparncia do mel lquido e opacidade do mel cristali-zado. A cor de qualquer amostra de mel cristalizado ir depender do tama-nho do cristal, de forma que os mais finos fornecem uma aparncia maisclara ao produto (Crane, 1983).

    13Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

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    Marchini et al. (1998) trabalhando com amostras de M. scutellarisdoEstado da Bahia constataram que 100,00% apresentaram cor branca.Semelhantemente, Souza et al. (2004a) trabalhando com mis de M. asilvaitambm produzidos na Bahia registraram 81,20% das amostras de colora-o branca.

    A cor mbar claro foi considerada a predominante por Azeredo et al.(2000), em amostras de mis de M. scutellaris, M. compressipes e T.angustula.Para amostras de mis do cerrado paulista, Almeida (2002)determinou cores mbar claro para as amostras produzidas por P.droryana, branco para T. angustulae C. capitata, e mbar extra claro paraM. quadrifasciata.

    3. PADRES FSICO-QUMICOS DA LEGISLAO BRASILEIRA QUEREGULAMENTA O CONTROLE DE QUALIDADE DO PRODUTO MEL

    O controle de qualidade do mel regulamentado pela Instruo Nor-mativa 11, de 20 de outubro/2000 (Brasil, 2000). Esta regulamentao,baseada em legislaes europias para mis deApis mellifera, estabelecea identidade e requisitos mnimos de qualidade que o mel destinado ao con-sumo humano direto deve apresentar (Tabela 1).

    TABELA 1.Parmetros fsico-qumicos estabelecidos pela Legislao Bra-sileira,Legislao Mercosul e do CODEX ALIMENTARIUS parao mel floral.

    Parmetros Brasil (2000) Mercosul (1999) Codex Alimentarius (1990)

    Umidade (%) Mximo de 20,00 Mximo de 20,00 Mximo 20,00

    HMF (mg.kg-1) Mximo de 60,00 Mximo de 60,00Mximo de 80,00 em

    regies tropicais

    Atividadediastsica (Gothe)

    Mnimo de 8,00 * Mnimo de 8,00 Mnimo de 8,00

    Acaresredutores (%)

    Mnimo de 65,00 Mnimo de 65,00 Mnimo 60,00

    Sacarose (%) Mximo de 6,00 Mximo de 6,00 Mximo 5,00Cinzas (%) Mximo 0,60 Mximo 0,60 -

    -1Condutividade eltrica (Scm ) - - Mximo 800,00

    Acidez (meq.kg-1) Mxima de 50,00 Mxima de 50,00 Mximo 50,00

    Corde quase incolora pardo-escuro

    de quase incolor apardo-escuro

    incolor a pardo-escuro

    * tolera-se 3,00 se o HMF for menor que 15,00 mg.kg-1.

    Carvalho et al.14

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    4. MTODOS DE COLETA DE MEL

    O mel deve ser coletado das colnias quando estas estiverem popu-

    losas, o que ocorre durante e logo aps as floradas. Caso todo o mel da col-nia seja coletado ao final da florao, o meliponicultor deve ficar atento paraa necessidade de ministrar alimentao artificial s suas colnias manten-do-as populosas durante o perodo de entressafra.

    Durante a coleta do mel todo o cuidado possvel com a higiene deveser tomado, uma vez que o mel dos meliponneos possui um alto teor de umi-dade o que propicia a ocorrncia de processos fermentativos desencadea-dos por microrganismos que possam vir a contaminar este produto.

    Para reduzir estes riscos, o meliponicultor somente deve coletar omel dos potes fechados, que considerado como mel maduro, evitando acoleta nos potes abertos, que normalmente apresentam maior teor degua.

    A coleta propriamente dita deve ser feita com seringas descartveis,preferencialmente esterilizadas (Figura 2). Na sua extremidade pode seradaptada uma mangueira de pequeno dimetro ou a capa plstica de cabocondutor de energia eltrica nmero 10 (fio 10).

    O procedimento mais recomendado para coleta do mel, principal-mente para grandes criadores, atravs do uso de uma bomba de sucoporttil (Figura 3). Desta forma o mel succionado do interior dos potes earmazenado diretamente em um recipiente previamente limpo, com o mni-mo de contato com o operador.

    Figura 2- Coleta de mel de abelhas sem ferro por meio de seringa descar-tvel.

    15Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

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    Aps a coleta o mel dever ser armazenado em recipiente higieniza-do e conservado sob refrigerao. Esses procedimentos evitam a rpida fer-mentao do produto.

    O mtodo mais tradicional de coleta do mel, comumente utilizado acampo, consiste na perfurao, ou destruio, dos potes de mel de formaque este escorra pelo assoalho da caixa. Apesar do uso difundido, estemtodo pouco recomendado devido grande possibilidade de contami-nao do mel quando entra em contato com impurezas presentes no inte-rior da caixa, de forma a acelerar o processo de fermentao.

    5. RESULTADOS DAS ANLISES FSICO-QUMICAS DE AMOSTRASDE MEL DE ESPCIES DE ABELHAS SEM FERRO

    Os resultados das anlises de amostras de mel de meliponneosdeste estudo e uma compilao dos resultados obtidos por diversos auto-res so sumarizados na Tabela 2. Alm da localidade de origem das amos-tras, so informados diferentes parmetros fsico-qumicos, como: aca-

    res totais (%), acares redutores (%), sacarose (%), umidade (%), ativida--1de diastsica (escala Gothe), HMF (mg.kg ), protena (%), cinzas (%), pH,-1 -1ndice de formol (mL.kg ), condutividade eltrica (S.cm ), viscosidade

    -1(mPa.s), acidez (meq.kg ) e cor.Atravs do confronto dos dados apresentados na Tabela 2 com os

    valores estabelecidos pelo Regulamento Tcnico de Identidade e Qualida-de do Produto Mel, fcil observar que os resultados apresentados para

    Figura 3- Aspecto geral de um modelo de bomba de suco utilizado emconsultrios odontolgicos e adaptado para coletar mel de abe-lhas sem ferro (A); detalhe da utilizao na bomba na coleta demel de uruu (Melipona scutellaris).

    A B

    Carvalho et al.16

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    as espcies de meliponneos encontram-se fora dos padres estabelecidospela Legislao Brasileira que trata do assunto em, pelo menos, um par-metro fsico-qumico.

    Apesar desta regulamentao definir o mel como sendo o produtoalimentcio produzido pelas abelhas melferas, fica evidente que o mel dosmeliponneos, no se enquadram nestas especificaes, quanto ao par-metro umidade.

    17Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

    Figura 4. Aspecto do ninho e dos potes de mel de jata (Tetragoniscaangustula)

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    Carvalho et al.18

    Tabela2.Parmetr

    osfsico-qumicosde

    amostrasdemisde

    meliponneos(Ccap-

    Cephalotrigonacapitata;Fries-

    Frieseomelittaspp.;Masi-Meliponaasilvai;Mcom-M

    eliponacompressipe

    s;Mcri-Meliponacrin

    ita;Mebu-

    Melipona

    eburnean;Mfav-Meliponafavosa;Mlat-Meliponalateralis;Mman-Meliponamandaca

    ia;Mmon-

    Melipona

    mondury;Mpar-Meliponaparaense;Mqua

    -Meliponaquadrifasciata;Mruf-Melipona

    rufiventris;

    Mscu-Meliponascutellaris;Ms

    em-

    Meliponaseminigra;Mtri-Meliponatr

    initatis;Pdro-Plebeia

    droryana;

    Ppoe-Plebeiapoecilochroa;Pleb-Plebeiasp.;Scap-Scaptotrigonaspp.;Snig-Scaptotrigona

    nigrohirta;

    Spos-Sc

    aptotrigonapostica;T

    ang-Tetragoniscaangustula;Tecl-Tetragonaquadrangula;Tgu

    y-Trigona

    ref.guyan

    ae).

    Espcies

    Ccap

    Fries

    Masi

    Mcri

    Mcom

    Brasil/

    SoPaulo

    Venezuela

    Venezuela

    Venezuela

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    Paraiba

    Brasil/

    Tocantins

    Brasil/

    Bahia

    -

    76,00

    -

    42,50

    - - - - -

    72,90

    -

    - - -75,2

    0

    -55,0

    5

    - - -76,3

    0

    -

    - - -0,20

    -

    11,93

    - - -0,10

    -

    27,00

    - - -

    29,45

    16,72

    19,00

    27,65

    - - -

    - -

    6,60-

    13,70

    - - - - -3,00

    -

    2,60-

    3,00

    3,38

    - - - - - - - - - -

    - - - - -2,84

    - - - - -

    0

    ,52

    - - - - - - - - - -

    3,62

    - - - - - - - - - -

    4,50

    - - - - - - - - - -

    - - -

    1070,0

    0

    - - - - -

    320,00

    -

    - - - - - - - - - - -

    31,50

    - - - - - - - - - -

    branco

    - - - - - - - - - -

    Almeida,2002

    Vitetal.,1998

    Vit&Pulcini,1996

    Bogdanovetal.,

    1996

    *1

    Silvaetal.,2004

    *2

    Brasil/

    Bahia

    66,00-

    76,20

    67,72

    -

    84,9

    9

    1,13-

    8,35

    26,80-

    32,00

    -

    0,52-

    7,93

    -

    -

    3,27

    3,50-

    10,00

    287,50

    -

    525,00

    36,00-

    168,00

    21,50-

    80,50

    Branco

    gua-

    mbar

    extra

    claro

    Souzaetal.,

    2004a

    *1

    Vit&Pulcini,1996

    Bogdanovetal.,

    1996

    Vit&Pulcini,1996

    -

    Pas/

    Estado

    Aca

    res

    Totais

    (%)

    Acares

    redutores

    (%)

    Sacarose

    Umidade

    (%)

    Atividade

    diastsica

    (escala

    deGothe)

    HMF

    -1

    (mg.kg)

    Protena

    (%)

    Cinzas

    (%)

    pH

    ndicede

    Formol-1

    (mL.kg)

    Condu

    ti-

    vidade

    eltric

    a-1

    (S.cm

    )

    Viscosi-

    dade-1

    (mS.cm

    )

    Acidez-1

    (meq.kg)

    Cor

    Fonte

    Parmetros

  • 5/21/2018 Serie Meliponicultura n4

    25/40

    19

    Mcom

    Mebu

    Mfav

    Mlat

    Mman

    Mmon

    Mqua

    Mpar

    Mruf

    Brasil/

    Piau

    Brasil/

    Amazonas

    Brasil/

    Maranho

    Brasil/

    Tocantins

    Venezuela

    Venezuela

    Venezuela

    Venezuela

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    SoPaulo

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    Tocantins

    Brasil/

    Amazonas

    - -

    65,28

    - - -

    71,70

    - -

    74,82

    - - - - - - - -

    - - - - - -74,7

    0

    - - - - - - - - - - -

    - -3,46

    - - -0,10

    - -2,91

    - - - - - - - -

    25,00

    25,30-

    32,30

    24,60

    28,00

    27,60

    - - - -

    28,78

    -

    28.10

    45,00

    34,00

    29,45

    -

    24,00

    23,9

    - - - - -3,40

    -

    2,60-

    3,50

    2,60-

    3,00

    -

    27,35

    - - - -

    2,60-

    3,00

    - -

    30,50

    -1,23

    -

    27,00

    - - - -5,79

    - - -1,03

    - - - -

    -

    0,20-

    0,80

    0,28

    -0,35

    - - - - - - - - - - - -0,40

    -

    0,20-

    0

    ,40

    0

    ,22

    -

    0

    ,01

    - - - - - - - -

    0

    ,54

    - - -

    0

    ,20

    4,06

    -3,46

    -3,50

    - - - -3,27

    - - -4,52

    - - - -

    - - - - - - - - -5,18

    - - -4,00

    - - - -

    876,50

    - - -

    515,48

    -

    440,00

    - -

    352,25

    - - - - - - - -

    - - - - - - - - -

    59,60

    - - - - - - - -

    46,50

    - - -

    27,15

    - - - -

    43,48

    - - -

    16,50

    - - - -

    - - - -

    mbar

    claro - - - -

    Branco

    mbar

    claro - - -

    mbar

    extra

    claro - - - -

    Souza&Bazlen,

    1998

    Souzaetal.,

    2004b

    Villlas-Bas&

    Malaspina,2004

    *3

    Vit&Pulcini,

    1996

    Bogdanovetal.,

    1996

    V

    it&Pulcini,1996

    V

    it&Pulcini,1996

    Alves,2004

    *1

    *4

    Pamplona,1989

    Almeida,2002

    *5

    *Vit&Pulcini,

    1996

    *2

    Souzaetal.,

    2004b

    Azeredoetal.,

    2000

    *Dadosoriginais:1-PiloArca

    do-BA;2-Sampaio-TO;3-Imperatr

    iz-MA;4-Itabuna-BA;5-Araci-BA;

    6-CruzdasAlmas-BA;7-AmliaR

    odrigues-BA;8-Salvador-BA;9-SantaTerezinha-BA;

    10-Valena-BA;11-Andara-B

    A.

    Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

  • 5/21/2018 Serie Meliponicultura n4

    26/40

    Carvalho et al.20

    Mscu

    Msem

    Mtri

    Pdro

    Brasil/

    Paraba

    Brasil/

    Amazonas

    Brasil/

    Maranho

    Brasil/

    Tocantins

    Venezuela

    Brasil/

    SoPaulo

    - - -

    65,36

    - - -

    73,70

    - -

    - - - - - - -76,3

    0

    - -

    - - -2,97

    - - - - - -

    25,00-

    29,70

    25,26

    25,30

    26,00

    27,00

    26,00

    26,00

    -

    27,00

    31,00

    - - - - - - - - - -

    -

    18,92

    18,92

    0,84

    - - - - -7,64

    - - -0,35

    0,40

    - - - - -

    -

    0

    ,17

    0

    ,01

    0

    ,15

    0

    ,30

    - - - -

    1

    ,18

    -4,66

    4,66

    3,53

    - - - - -3,83

    - - - - - - - - -

    21,50

    - - - - - - -

    320,00

    - -

    - - - - - - - - - -

    -

    28,33

    28,33

    - - - - - -

    52,00

    - - - - - - - - -

    mbar

    claro

    Cortopassi-Laurino

    &

    Montenegro,2000

    Silvaetal.,2002

    Silvaetal.,2002

    Souzaetal.,

    (2004b)

    Souzaetal.,

    2004b

    *3

    *2

    Bogdanovetal.,

    1996

    Pamplona,1989

    Almeida,2002

    Marchinietal.,

    1998

    Brasil/

    Bahia

    -

    71,6

    0

    -

    28,40

    -

    0,38

    0,51

    0

    ,01

    3,15

    7,36

    338,92

    -

    8,88

    Branco

    -

    -

    -

    27,00

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    *6

    -

    -

    -

    27,47

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    *7

    Espcies

    Pas/

    Estado

    Aca

    res

    Totais

    (%)

    Acares

    redutores

    (%)

    Sacarose

    Umidade

    (%)

    Atividade

    diastsica

    (escala

    deGothe)

    HMF

    -1

    (mg.kg)

    Protena

    (%)

    Cinzas

    (%)

    pH

    ndicede

    Formol -1

    (mL.kg)

    Condu

    ti-

    vidade

    eltric

    a-1

    (S.cm

    )

    Viscosi-

    dade-1

    (mS.cm

    )

    Acidez-1

    (meq.kg)

    Cor

    Fonte

    Parmetros

    Tabela2.Parmetr

    osfsico-qumicosde

    amostrasdemisde

    meliponneos(Ccap-

    Cephalotrigonacapitata;Fries-

    Frieseomelittaspp.;Masi-Meliponaasilvai;Mcom-M

    eliponacompressipe

    s;Mcri-Meliponacrin

    ita;Mebu-

    Melipona

    eburnean;Mfav-Meliponafavosa;Mlat-Meliponalateralis;Mman-Meliponamandaca

    ia;Mmon-

    Melipona

    mondury;Mpar-Meliponaparaense;Mqua

    -Meliponaquadrifasciata;Mruf-Melipona

    rufiventris;

    Mscu-Meliponascutellaris;Ms

    em-

    Meliponaseminigra;Mtri-Meliponatr

    initatis;Pdro-Plebeia

    droryana;

    Ppoe-Plebeiapoecilochroa;Pleb-Plebeiasp.;Scap-Scaptotrigonaspp.;Snig-Scaptotrigona

    nigrohirta;

    Spos-Sc

    aptotrigonapostica;T

    ang-Tetragoniscaangustula;Tecl-Tetragonaquadrangula;Tgu

    y-Trigona

    ref.guyan

    ae)(Continuao).

  • 5/21/2018 Serie Meliponicultura n4

    27/40

    21Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

    Tecl

    Tguy

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    Tocantins

    Brasil/

    Bahia

    57,00

    - -

    - - -

    - - -

    25,80

    28,00

    30,40

    18,00

    - -

    - - -

    - - -

    - - -

    - - -

    - - -

    - - -

    - - -

    - - -

    - - -

    *6

    *2

    *8

    *Dadosoriginais:1-PiloArca

    do-BA;2-Sampaio-TO;3-Imperatr

    iz-MA;4-Itabuna-BA;5-Araci-BA;

    6-CruzdasAlmas-BA;7-AmliaR

    odrigues-BA;8-Salvador-BA;9-SantaTerezinha-BA;

    10-Valena-BA;11-Andara-B

    A.

    Rodriguesetal.,

    1998

    Brasil/

    SoPaulo

    58,70

    -

    -

    >26,00

    17,90

    4,99

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    40,20

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    Pamplona,1989

    Tang

    -

    -

    -

    25,50

    -

    8,12

    -

    0

    ,32

    3,69

    12,00

    -

    -

    26,00

    branco

    Almeida,2002

    Brasil/

    Mato

    Grosso

    58,00

    74,4

    1

    2,35

    23,70

    -

    -

    0,90

    0

    ,45

    3,80

    -

    -

    -

    112,80

    -

    Denadaietal.,

    2002

    16,50-

    35,60

    Vit&Pulcini,

    1996

    Venezuela

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    -

    Ppoe

    Pleb

    Scap

    Sing

    Spos

    Venezuela

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    Tocantins

    Brasil/

    Bahia

    Brasil/

    SoPaulo

    Brasil/

    Bahia

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    32,03

    38,94

    -

    27,00

    26,80

    27,00

    26,00

    - -2,60

    - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    - - - - - - -

    *8

    *9

    V

    it&Pulcini,1996

    *2

    *10

    Pamplona,1989

    *11

  • 5/21/2018 Serie Meliponicultura n4

    28/40

    6. DISCUSSO

    Alguns fatores influenciam a qualidade do mel, entre os quais desta-

    cam-se a espcie de abelha, a fonte de alimento e as condies edficas eclimticas da regio onde foi produzido. Dessa forma, a necessidade deuma caracterizao e, posterior, definio de padres fsico-qumicos soobjetos de pesquisa que resultam em subsdios para melhorar a qualidadedo mel produzido e dar garantias do produto ao consumidor.

    O Brasil dispem de uma grande diversidade de espcies de abelhasnativas (meliponneos), que tm apresentado potencial para a produo de

    mel, principalmente por estarem adaptadas s condies climticas e flo-rsticas. O mel dessas abelhas apresenta uma demanda crescente de mer-cado com preos mais elevados que o mel deApis.

    Contudo, a diversidade de espcies e o amplo espectro de fontes flo-rais, resultam em dificuldades para a definio de padres de qualidade domel dessas abelhas.

    Em funo da grande variao observada nos valores obtidos paraos diferentes parmetros fsico-qumicos nos mis de meliponneos e de

    Apis, constata-se a necessidade da definio de um padro de qualidadede mel especfico para os miliponneos, principalmente para as espciescom maior potencial de produo e com tradio de consumo nas diferen-tes regies do Brasil.

    Dessa forma, as pesquisas sobre as caractersticas do mel de esp-cies do gnero Meliponadevem ser intensificadas, principalmente quelascujo produto j encontrado em feiras livres e estabelecimentos comerciaisem diferentes regies do Brasil, como M. scutellaris, M. compressipes, M.fasciculata, M. subnitida, M. manaosensis, M. lateralis, M. rufiventrise M.quadrifasciata.

    Outro grupo com potencial de explorao comercial e cujo mel mere-ce um esforo de pesquisa o formado por espcies de Scaptotrigona.Entre as espcies, destacam-se S. tubiba, S. posticae S. xanthotricha (Fi-gura 5).

    Algumas espcies podero ter maior ou menor interesse, como a T.

    angustuladevido a sua ampla distribuio no Brasil e a tradio de uso domel como produto medicinal. Tetragonaspp., tambm possui algum inte-resse na regio amaznica.

    As demais espcies, na sua maioria, apresentam pouca produode mel (e.g.: Nannotrigonaspp., Frieseomelittaspp.) ou dificuldades atuaispara a manipulao do ninho e, consequentemente, da explorao racionalpara a produo de mel (e.g.: Partamonaspp.; Trigonaspp.).

    Carvalho et al.22

  • 5/21/2018 Serie Meliponicultura n4

    29/40

    Apesar dos resultados preliminares obtidos por vrios autores suge-rirem que a umidade o parmetro de maior diferena entre o mel deApisede meliponneos, outros parmetros precisam ser mais bem investigados,uma vez que existem poucas informaes disponveis na literatura. Entreeles podem ser destacado a diastase, a condutividade eltrica e a composi-o de acares.

    Figura 5- Aspecto dos potes de mel fechado e aberto da abelha tubiba(Scaptotrigona xanthotricha)

    Os mis dos meliponneos por terem valores altos de umidade estosempre propcios a fermentao, sendo necessrias condies rgidas dehigiene durante a coleta e acondicionamento adequado do mel.

    Com relao atividade diastsica, os poucos resultados observa-dos revelam valores abaixo do estabelecido como mnimo na escala de Got-he, indicando a necessidade de maior investigao.

    7. CONSIDERAES FINAIS

    O nmero de resultados sobre as caractersticas do mel dos melipo-

    nneos no Brasil, em especial do mel das espcies potencialmente produto-ras, ainda escasso, considerando a sua importncia econmica com oincremento atual do consumo. necessrio se intensificar os esforos paraque se possa criar um padro coerente para este produto.

    Por outro lado, a diversidade de espcies sugere, preliminarmente, anecessidade de se dividir o grupo dos meliponneos em trs, como propostopor Vit et al. (1998; 2004). Esses grupos poderiam ser formados por esp-

    23Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

  • 5/21/2018 Serie Meliponicultura n4

    30/40

    cies de Melipona, Scaptotrigonae Trigona.A utilizao desses grupos permitiria uma anlise mais criteriosa das

    propriedades fsico-qumica, possibilitando valorizar determinados par-metros na caracterizao do mel. Qualquer outra formao ou concluso, aluz do conhecimento atual, uma precipitao que poder incorrer em equ-vocos e prejudicar a padronizao desse produto.

    Diversas Instituies de pesquisa e ensino, entre as quais, o Centrode Cincias Agrrias e Ambientais da Universidade Federal da Bahia emparceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP, vmdesenvolvendo trabalhos para caracterizao do mel de meliponneos,assim como um estudo para verificar qual a melhor forma de armazena-

    mento.

    Carvalho et al.24

  • 5/21/2018 Serie Meliponicultura n4

    31/40

    8. BIBLIOGRAFIAS

    [1] ABU-JDAYIL, B.; GHZAWI, A. A. M.; AL-MALAH, K. I. M. et al. Heat

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    103f. Dissertao (Mestrado) - Escola Superior de Agricultura Luizde Queiroz, Universidade de So Paulo.

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    25Mel de abelhas sem ferro: contribuio para a caracterizao...

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