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Escatologia Reformada

Escatologia Reformadapor Autor Desconhecido

SUMRIO

INTRODUO CAPTULO I - ESCATOLOGIAS CONTEMPORNEAS 1.Escatologia Consistente 2.Escatologia Realizada

CAPTULO II - AMILENISMO AGOSTINIANO 1.Descrio e Origem 2.Apoio do Novo Testamento 3.As Duas Ressurreies 4.Profecias do Antigo Testamento

CAPTULO III - AMILENISMO CLSSICO 1.Descrio 2.Interpretao de Apocalipse

CAPTULO IV - PS-MILENISMO 1.Descrio 2.Origem3.Apoio do Novo Testamento

CAPTULO V - PR-MILENISMO HISTRICO 1.Descrio 2.Interpretao de Glatas 6:16

CAPTULO VI - PR-MILENISMO DISPENSACIONALISTA 1.Origem 2.Descrio 3.As Duas Ressurreies 3.1.A Ressurreio para a Vida 3.2.A Ressurreio para a Condenao3.3.O Tempo das Ressurreies 3.4.OA palavra escatologia formada de duas palavras gregas: (eschatos = ltimo, fim) e lgos = palavra, discusso, instruo, ensino, assunto, tema). Portanto escatologia o estudo do fim ou o estudo das ltimas coisas, ou ainda o estudo dos ltimos dias. Programa da Ressurreio4.Profecias do Antigo Testamento INTRODUO

Vrias passagens das Escrituras empregam a palavra eschatos juntamente com hmera (hemra = dia). Assim temos escath hmera (eschat hemra = ltimo dia), usado em Jo.6:39 e 7:37. A primeira ocorrncia se refere ao ltimo dia da ressurreio, um dia escatolgico, enquanto que a segunda apenas faz aluso ao ltimo dia da festa de casamento. Temos escatai hmerai (eschatais hemerais = ltimos dias) em At.2:17; II Tm.3:1; Tg.5:3; e eschatou tn hemern = ltimos dias) em Hb.1:2. Todas estas passagens aludem ao perodo de tempo entre a 1 e a 2 vindas de Jesus. Os ltimos dias iniciaram-se com a 1 vinda de Jesus que veio na "plenitude do tempo"(Gl.4:4), pois o tempo anterior da dispensao da lei j estava cumprido (Mc.1:15; Lc.16:16). Estamos vivendo os ltimos dias. Esse perodo de tempo que a Bblia chama de ltimos dias, recebe ainda outras designaes, tais como: "tempo aceitvel... dia da salvao"(Is.49:8) ou "ano aceitvel do Senhor"(Is.61:2a); "dispensao da plenitude dos tempos"(Ef.1:10) ou "dispensao da graa"(Ef.3:2)1 ou "dispensao do mistrio"(Ef.3:9); "tempo da oportunidade", "tempo sobremodo oportuno", "dia da salvao"(IICo.6:2), "tempos oportunos" (IITm.2:6), "tempos devidos" (Tt.1:3); "hoje" (Hb.3:7,15;4:7,8); "fins dos sculos" (ICo.10:11); "ltima hora"(IJo.2:18). Durante este perodo a Igreja tem a incumbncia de proclamar o evangelho antes que venha o "grande e terrvel dia do Senhor"(Ml.4:5), que por fim aos ltimos dias, para inaugurar o "dia da vingana do nosso Deus"(Is.61:2b). A Bblia categrica em afirmar a existncia de trs dias (considerados como perodos) nos quais se deve fazer distino quanto ao programa de Deus para cada um deles. O dia do homem o dia da salvao, dia de oportunidade. O dia do Senhor e o dia de Cristo2 dia do arrebatamento da Igreja e de tribulao para Israel, e de castigo para os gentios (conforme o pr-milenismo). O dia de Deus o dia quando "os cus incendiados sero desfeitos e os elementos abrasados se derretero"(IIPe.3:12). Inicia-se no dia do juzo final, e talvez (conforme o amilenismo ou ps-milenismo), o dia do fim (ICo.15:24), quando "Deus ser tudo em todos"(ICo.15:28). O estudo da escatologia deve levar o crente a proclamar o dia do homem(a salvao), o dia do Senhor (a volta de Cristo)e o dia de Deus(aps o juzo).Veja Jo.16:8; Hb.6:2. Se queremos conhecer as profeciais apenas para satisfazer nossa curiosidade, ento estaremos nos aplicando aos estudo das Escrituras de uma forma que no agrada a Deus. Deve ser nosso objetivo discernir os tempos para que nossos espritos se entreguem mais nobre tarefa da qual fomos incumbidos: o anncio da morte do Senhor, sua ressurreio e seu retorno esta terra: "anunciais a morte do Senhor at que Ele venha"(ICo.11;26). Estudando escatologia, veremos que muitas profecias se cumpriram, demonstrao clara e evidente de que as demais profeciais ho de se cumprir, e portanto devemos proclam-las com ardente fervor. Ouamos, pois, a advertncia do apstolo: "E digo isto a vs outros que conheceis o tempo, que j hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvao est agora mais perto do que quando no princpio cremos. Vai alta a noite e vem chegando o dia..."(Rm.13:11,12). Anunciemos o evangelho enquanto dia (Jo.9:4), antes que venha o "dia de escuridade e densas trevas"(Jl.2:2). Alm deste, podemos citar vrios outros motivos porque devemos estudar profecias:

1) Sua importncia nas Escrituras estabelecida pelo fato de que 25% da Bblia composta de profecias. Convm mencionar que todas elas, com uma nica excesso, so literais. 2) H a promessa da iluminao do Esprito Santo no estudo das profecias (Jo.16:13). 3) A profecia serve de consolo para os crentes (IITs.1:4-10; Hb.10:32-39). 4) As profecias causam influncia nos descrentes (Is.44:28; IICr.36:22,23; Ed.1:1,2). 5) Devemos estudar as profecias para combater as falsas interpretaes dada pelas seitas. 6) As profecias nos do claras orientaes para os ltimos dias. 7) As profecias nos incitam uma vida de pureza (I Jo.3:1-3). 8) Oferece equilbrio doutrinrio na vida do estudante de profecias. mister lembrar que o estudo da escatologia no nos levar a desvendar todos os mistrios, pocas e tempos estabelecidos por Deus. Deus nos dar compreenso apenas s coisas que nos foram reveladas (Dt.29:29), mas as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, e no nos "compete conhecer tempos ou pocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade"(At.1:7). CAPTULO I ESCATOLOGIAS CONTEMPORNEAS A doutrina ortodoxa da Igreja, embora com nuances de variaes, sempre dominou sobre as demais tendncias teolgicas. Em todos os sculos sempre houveram segmentos religiosos inclinados a uma corrente mais liberal. Mas sempre a ortodoxia dominou sobre esses movimentos que geralmente eram mais externos do que internos. No sculo XIX, entretanto, o liberalismo teolgico invadiu o interior da Igreja, ressurgindo com uma fora mais expressiva, atingindo as bases, fazendo com que surgissem novas abordagens teolgicas. A ortodoxia sofreu todo tipo de ataques, vindo de todas as partes, da cincia natural s cincias humanas. No campo da filosofia, por exemplo, podemos mencionar Schleiermacher que "props um cristianismo como sendo meramente uma questo de sentimentos,"1 negando a questo tica. Foi nesse tempo de distrbios teolgicos, somado s novidades na rea cientfica, como a teoria das espcies de Darwin, que fez com que a Igreja adotasse novos rumos, a fim de responder aos desafios da poca. Foi nesse perodo que surgiram a Escatologia Consistente de Schweitzer e a Escatologia Realizada de Dodd. 1. ESCATOLOGIA CONSISTENTE: Alguns defendiam que a essncia do cristianismo era de carter tico. O estabelecimento do reino de Deus no se daria de forma cataclstica (como a 2 vinda de Cristo), mas seria introduzido progressivamente atravs dos esfros dos cristos. Entre os defensores dessa corrente encontramos Albercht Ritschl.2 Johannes Weiss props um meio termo "juntando um conceito verdadeiramente escatolgico ou futurista com a idia do reino como uma realidade tica presente".3 Weiss defendia que Jesus era totalmente escatolgico, apocalptico e futurista. Mas o pensador de maior expresso dessa tendncia teolgica foi Albert Schweitzer (1875-1965), porque Schweitzer ampliou a proposta de Weiss, aplicando a sua teologia consistente todo o Novo Testamento, e no somente aos ensinos de Jesus. "Segundo a Escatologia Consistente de Scheweitzer, Jesus, crendo ser o Messias de Israel, descobriu que a consumao no chegou quando Ele a esperava (cf. Mt.10:23) e aceitou de bom grado a morte, a fim de que a sua parusia4 com o Filho do Homem pudesse ser forosamente realizada. Visto que a roda da histria no atenderia ao toque de sua mo, girando para completar sua ltima volta, Ele se lanou sobre ela e foi quebrado por ela, apenas para dominar a histria decisivamente por meio do seu fracasso, mais do que poderia ter feito se tivesse realizado sua ambio mal interpretada. A mensagem dele, conforme sustentava Schweitzer, era totalmente escatolgica no sentido exemplificado pelo apocalipcismo contemporneo mais grosseiro. Seus ensinos ticos eram planejados para o perodo entre o incio do seu ministrio e a sua manifestao em glria. Mais tarde, quando se percebeu que a morte dele destrura as condies escatolgicas, ao invs de introduz-las, a proclamao do reino foi substituda pelo ensino da igreja".5 Podemos concluir, por outras palavras, que a Escatologia Consistente defende a idia de que Jesus no consumou suas predies escatolgicas. Nenhum dos fatos "previstos" por Jesus se cumpriram, mas os fatos foram forjados e adaptados s circunstncias histricas. Jesus previa o bvio, planejando sistematicamente suas aes, mas nem sempre o bvio acontecia, portanto Jesus teve que adaptar suas previses escatolgicas. Por isso essa escatologia recebeu o nome de consistente, porque devia ser consistente (de acordo) com os fatos. 2. ESCATOLOGIA REALIZADA: Enquanto a Escatologia Consistente considerava que os eventos antecipados por Jesus nunca ocorreram, a Escatologia Realizada, ao contrrio, afirmava que os eventos j haviam ocorrido, j tinham sido realizados. O defensor dessa tendncia foi Charles H. Dodd (1884-1973). Para Dodd "a nova era j est aqui; Deus estabeleceu o reino. O conceito mitolgico do dia do Senhor foi transferido a um evento histrico especfico que j ocorreu, ou, na realidade, a uma srie de tais eventos - o ministrio, a morte e a ressurreio de Jesus Cristo. A escatologia foi cumprida ou 'realizada'. Aquilo que era futuro nos tempos das profecias do Antigo Testamento tornou-se presente. Ao invs de procurar duas vindas de Cristo, devemos entender que h apenas uma; devemos interpretar estas 'predies' luz das suas declaraes de que o Reino de Deus est aqui - est prximo. Jesus no estava falando de como seria, mas de como era".6 H quatro maneiras de interpretar a escatologia bblica: "A interpretao idealista (ou simblica) tira o elemento temporal da apocalptica.