Monografia Elaine Pedagogia 2010

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Pedagogia 2010

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  • 1. 10INTRODUO O presente trabalho monogrfico realizado na Escola Cndido Flix Martins, tevecomo objetivo identificar os significados que os alunos da 8 srie atribuem prtica daleitura, e, consequentemente, confrontar estes significados s experincias que tiveram outem em seu cotidiano. Desta forma, atravs das anlises realizadas, refletimos que a prtica da leitura nodeve se limitar apenas ao espao escolar, e muito menos como uma obrigao imposta pelospais ou professores. O hbito de ler pode possibilitar a aquisio do conhecimento sobre si esobre o mundo que nos rodeia, mas, somente se esta ao for verdadeiramente cultivadacomo um ato socialmente necessrio e prazeroso. Assim, buscamos analisar os significadosque a leitura tem para estes alunos, bem como o que os levaram a construir estessignificados, a influncia da famlia, o acesso a ambientes de letramento, as conseqnciasde uma alfabetizao mecnica. Este trabalho apresentado em 4 (quatro) Captulos: No captulo I, problematizamos demonstrando que a leitura constitui palcointeressante para estudo devido necessidade significativa da sociedade de formarindivduos crticos e conscientes de seus direitos. Refletimos tambm sobre o papel doeducador e, consequentemente, da escola no processo de aquisio de interesses e hbitospermanentes de leitura. Aps toda a discusso em torno da importncia do ato de ler,apresentamos o objetivo desta pesquisa e a relevncia. No capitulo II, apresentamos a Reviso Bibliogrfica que permitiu o aprofundamentoterico de questes a respeito da importncia da leitura enquanto fonte de informao,prazer e desenvolvimento crtico; o papel da escola na formao de leitores e a influncia dafamlia na aquisio do hbito de ler; buscamos tambm com base na reflexo de algunstericos a compreenso de como a criana pode construir um significado positivo para o atode ler, alm da concepo do que ser um aluno-leitor.

2. 11 No captulo III, descrevemos como ocorreu o desenvolvimento da investigao, oscaminhos metodolgicos da pesquisa, ressaltando sua natureza. Detalhamos e justificamos aescolha dos sujeitos, do cenrio de pesquisa, bem como dos instrumentos utilizados nacoleta de dados que foram a observao participante, o questionrio fechado e a entrevistasemi-estruturada. No capitulo IV apresentamos a anlise e interpretao dos dados coletados. Osresultados obtidos so agrupados em categorias e expostos embasados na teoriaanteriormente discutida. Os mesmos apontam que, a maioria dos sujeitos pesquisadosdemonstram uma conscincia crtica sobre o ato de ler e reconhecem a importncia daleitura para seu crescimento pessoal e social. Apresentamos tambm a constatao daimportncia da famlia e da escola na construo de significados e hbitos de leitura. Em nossas consideraes finais fazemos uma reflexo sobre o ensino da leitura,como deve acontecer o trabalho na escola para que de fato se construa significados de leituraque ajudem ao aluno a se apropriar do ato de ler de forma crtica e prazerosa. E ressaltamos,ainda, a importncia da famlia neste processo. 3. 12 CAPITULO I 1. DELIMITANDO O PROBLEMA Com a atual rapidez do progresso fruto dessa revoluo tecnolgica pela qual omundo passa, a vida das pessoas no que se refere famlia, trabalho, lazer, oportunidades departicipao social e cultural, tem sofrido grandes alteraes, e, consequentemente, asexigncias educacionais da sociedade passam a ser crescentes, emergindo tambm umanecessria discusso sobre a qualidade de ensino das instituies escolares, e os meios deatender a essas novas exigncias (Barbosa, 1994). Nesta tica, uma das ferramentas imprescindveis para esta sociedade em continuamudana, seriam prticas de leituras que estimulassem os indivduos a uma permanentereflexo sobre a realidade social em que esto inseridos, e que possibilitasse odesenvolvimento de cidados autnomos e atuantes, mas para isso de suma importncia opapel da comunidade escolar. Porm, ser que a escola tem propiciado aos alunos o desenvolvimento de hbitospermanentes de leitura? Para Cagliari (2002): de tudo que a escola pode oferecer de bomaos alunos a leitura, sem dvida, o melhor, a grande herana da Educao. oprolongamento da escola na vida, j que a maioria das pessoas, no seu dia-a-dia, l muitomais do que escreve (p.84). Entretanto, a queixa mais comumente ouvida entre professores, sem dvida: osmeus alunos no gostam de ler e de escrever. Mas, por que esta realidade? A resposta deacordo com Kleiman (2001) talvez esteja no fato de que cada vez menos a leitura tem lugarno cotidiano do brasileiro, poucos so os pais que incentivam seus filhos a ler, precria aformao de um amplo nmero de profissionais da escrita que no possuem o hbito daleitura, tendo, entretanto, que ensinar a ler e a gostar de ler. Silva (1991), em uma discussosobre a leitura no contexto escolar, afirma que os professores precisam se situar nacondio de leitores, pois, sem o testemunho vivo de convivncia com os textos ao nvel dadocncia, no existe como alimentar a leitura junto aos alunos (p.49). 4. 13 Partindo desta premissa, entende-se que as prticas de leitura escolar contribuem deforma significativa para desenvolver o hbito de ler. Alm disso, a formao do leitor, nose d por meio do acaso, mas depende, sobretudo, das condies de acesso aos produtos e/ouprocessos de leitura que estes indivduos encontram no s na escola, mas dentro de todo oseu meio social. Assim, no possvel transformar a atual situao de leitura, ou resolver asqueixas dos professores sem descobrirmos as verdadeiras causas do desgosto pela leitura.Diante deste pressuposto, relevante considerar que o processo de ensino da leitura,ou o sucesso deste, envolve no apenas a questo de um curso ou de um professor, mas detoda a escola, do projeto curricular, das condies propcias oferecidas, tanto pelacomunidade quanto pela escola. Assim, torna-se de fundamental importncia que os projetoseducacionais, sejam eles o da instituio, ou de ensino, temtico ou mobilizador, tratem daleitura de forma a contextualizar seus protagonistas. Afinal, decidir como as crianas seaproximaro da leitura, que tipologias textuais elas iro ler, em que momento a leitura serestimulada nas salas de aulas, qual funo caber as bibliotecas, que procedimentos seroincentivados para o domnio da linguagem e de outros componentes curriculares, queprocedimento metodolgico ser utilizado para que o trabalho com a leitura tenha xito, deque maneira ser feita a avaliao do ato de ler, qual o seu papel no processo deaprendizagem do cdigo da linguagem escrita... Tudo isso exige que sejam assumidasposturas que transcendem as de um professor em particular, ou seja, preciso umaarticulao de todos, a direo da escola, o corpo docente, enfim, e que seja levado em contaas opinies, o contexto do aluno, pois:Embora seja necessrio que os professores possam analisar sua prtica a partir dedeterminados parmetros e articul-la levando-os em conta, isto no suficientepara garantir que a ao educativa que os alunos recebem em torno destescontedos considere os traos de coerncia e continuidade que entre outras coisascaracterizam um ensino de qualidade. A leitura deve ser abordada como umaquesto de equipe nas diferentes etapas, graus de ensino e nas escolas (SOL,1998, p. 173). H, portanto, a necessidade de uma unio, atravs da qual todos os professores, paise pedagogos se convenam seriamente da importncia da leitura e dos livros para a vidaindividual, social e cultural, contribuindo em sua melhoria. Uma vez que, freqentevermos as escolas se limitando a ensinar a escrita e a leitura aos alunos para, uma vez (mal)alfabetizados, inculcarem a gramtica, a morfologia e a sintaxe, sem uma preocupao emgerar condies para que estes sujeitos faam o uso social destas habilidades, logo, como 5. 14achar finalidade nestas atividades? Cagliari (2002) refletindo sobre leitura e escola,questiona se a comunidade escolar nunca fez uma reflexo sobre o que pensa uma criana aocomparar o tipo de leitura que faz em casa ou em outros espaos com a leitura que ela obrigada a fazer na escola. A propsito, se o processo de aquisio de interesses e hbitos permanentes deleitura uma ao constante, que comea com a ajuda da famlia, ou seja, no lar, torna-semais ordenado na escola e deveria continuar pela vida, atravs das experincias culturaisdestes alunos como nos lembra Bamberger (2005), por que o ler se torna algo chato edesagradvel? Qual a perspectiva de leitura que a escola, a famlia e a sociedade esto lhesproporcionando? Refletindo sobre esta questo, percebemos que em um pas como o nosso, onde todosprecisam e esperam muito da educao, no s a escola, mas a prpria comunidadeinfluencia na orientao de letramento de seus jovens, e disso que a sociedade precisacidados letrados, pois o indivduo letrado aquele que possui a capacidade de fazer o usosocial da palavra, como afirma Paulo Freire (2000) ele sabe ler o mundo. Silva (1991) ao analisar a postura e o encaminhamento da leitura escolar afirma que:O ensino proposto na maioria das escolas brasileiras de 1 e 2 graus aindaconcebe a leitura como fim em si mesmo, levando os estudantes memorizao erepetio das ideias dos textos e/ou ao estudo enfadonho da armadura gramaticalde enunciados. Com isso, a triangulao leitor-texto-realidade no se estabelece,ou seja, as idias veiculadas pela escrita no so aprofundadas e discutidas em suarelao direta com a experincia social dos leitores. Esse processo rotineiro ealienante, pisado e repisado ao longo das sries escolares, vai distorcendo anatureza internacional da leitura e, o que pior, deforma gradativamente aconscincia dos prprios estudantes. Da talvez a razo de a leitura setransformar, paulatinamente, numa verdadeira chatice ou num processotraumtico para o aluno (p.86). Logo, no que se refere ao papel do educador neste contexto, entende-se que para esteformar leitores capazes de utilizar a leitura para interagir cotidianamente em sociedade imprescindvel, inicialmente, sentir o desejo e o prazer por ler, ter conscincia daspossibilidades de democratiza