Monografia Robson Pedagogia 2011

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Pedagogia 2011

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  • 1. 10INTRODUOO trabalho de pesquisa desenvolvido busca identificar as compreenses que osprofessores da Escola Maria do Carmo de Arajo Maia, tm sobre prticapedaggica e educao contextualizada no semi-rido.Este estudo se justifica por percebermos que os currculos organizados edistribudos pelo sistema educacional para as escolas da regio, apresentam umaimagem negativa e estigmatizada do Semi-rido brasileiro e do sertanejo, que namaioria das vezes, retratado como o retirante faminto fugindo da seca.Sendo que o semi-rido tambm possibilidade e que possui um potencial a serdesenvolvido; nos sentimos inquietados em querer saber, se os professores emsuas prticas pedaggicas tm contextualizado os contedos de acordo com arealidade local, ajudando os alunos a compreender e conviver com a regio ondemoram; sendo relevante tambm discutir as compreenses que os mesmospossuem acerca do semi-rido brasileiro.Acreditamos que a educao deveria ser desenvolvida de acordo com o contexto emque se encontram os alunos, que estes possam se ver retratados de forma dignanas pginas dos livros didticos e que o professor possa ser a chave fundamentalpara causar rupturas e reflexes no atual quadro da educao brasileira,especialmente a do semi-rido.Nesse sentido, esperamos que os apontamentos feitos aqui contribuam emreflexes significativas para que o professor do Semi-rido reveja a sua prticapedaggica no sentido de educar para transformar; e para aqueles que tiveremacesso a este trabalho, que possam obter um novo olhar sobre o SAB, aprendendoa valorizar e interagir de forma sustentvel com o ambiente em que vivem.Para construir nossas reflexes de forma estruturada, o trabalho foi dividido emquatro captulos. No captulo I, problematizamos o contexto sobre os esteretipos criados edisseminados a cerca do SAB, destacando a contextualizao como fonte primordialpara promover uma educao de qualidade.

2. 11No captulo II, faz-se a apresentao e discusso dos conceitos-chave: conhecendoo semi-rido, compreenses,prtica pedaggica no SABe educaocontextualizada para qu? Sendo subsidiada por diversos autores dentre os quais:Lins (2007), Mattos (2004), Martins (2001), (2006), Malvezzi (2007), Fortunato eNeto (2006), Reis (2004), entre outros.No Captulo III, apresentamos os procedimentos metodolgicos utilizados paraobteno dos dados. O estudo foi desenvolvido atravs de pesquisa qualitativa,utilizamos um questionrio fechado e a entrevista semi-estruturada comoinstrumentos de coletas de dados, tais instrumentos foram relevantes para construiras anlises apresentadas.No captulo IV apresentamos a anlise e interpretao dos resultados, articulados deacordo com as compreenses dos sujeitos da pesquisa, embasados em tericosque garantem a cientificidade do trabalho acadmico.Nas consideraes finais, concentramos nossas reflexes a respeito das prticaspedaggicas desenvolvidas pelos sujeitos da pesquisa, ressaltando que essencialuma prtica contextualizada para romper com o mtodo homogeneizanteimpregnado em nossas escolas. 3. 12CAPTULO I PROBLEMATIZANDO O OBJETO DE ESTUDOO semi-rido brasileiro ao longo de sua histria sofreu e ainda sofre preconceitos.Construiu-se uma imagem negativa sobre mesmo, desenhada a partir de umimaginrio social de penria, indigncia e dependncia. Associa-se o semi-rido coma seca, cho rachado, regio de calamidades e catstrofes, lugar de pessoasfamintas e ruim de se viver, onde a natureza torna-se responsvel pelos diversosproblemas vivenciados por essa populao.Como salienta Matos (2004): O imaginrio coletivo do semi-rido brasileiro construiu um sistema de representao uma viso de mundo majoritria, que descreve o clima como adverso, a natureza hostil e improdutiva capaz de requintados atos de crueldade para o mundo dos homens, responsabilizando assim, a natureza, a longo de vrios sculos pelas dificuldades e pelas mazelas da sociedade ali residente. Existe um agrupamento de definies a valores em tomo essa idia de natureza que condenou a um destino coletivo de pobreza, misria e privaes a populao que vive no semi-rido (p. 25).Essa idia transmitida pela mdia e os diversos meios de comunicao, deixando osemi-rido merc de inmeros rtulos e crticas, distorcendo a sua realidade vistapor muitos como invivel.Estando esse discurso vinculado lgica assistencialista de polticas pblicas decombate seca, ou seja, para enfrentar as dificuldades naturais do clima quente eseco, os governos investem em aes que desrespeitam a capacidade do povo coma distribuio de cestas bsicas e gua atravs de carros-pipas, no realizandoprogramas e projetos capazes de desconstruir as bases das dependncias poltica eeconmica sobre as quais vive o povo do semi-rido. Por que o problema da seca um fator natural que no pode ser combatido e sim compreendido e conduzido parao processo de convivncia. Por isso segundo BRAGA (2004, apud PIMENTEL,2000): 4. 13 A lgica de combate seca sempre percebida quando nos aproximamos das idias e aes governamentais, uma vez que elas so elaboradas dentro da lgica que invade e mutila o territrio para garantir sua ocupao. Essa noo institucionalizou uma viso equivocada, ideologicamente elaborada pelas elites oligrquicas e pelo Estado, de que o problema do semi-rido a seca, e este territrio passa a ser visto como uma Odissia de Desvalidos. Por isso que importante compreender em que se fundamenta a lgica de combate seca. (p.48)No campo da educao, incluindo a escola, perpassada essa ideologia atravs doseu currculo e da prtica educativa reforando essas representaes do semi-ridocomo um lugar invivel, com precrias condies de vida, fortificando o preconceitoe os esteretipos em torno deste ambiente e de seus moradores. Mas essa escolaapesar dos obstculos e restries que enfrenta como local de reproduo,transmisso do saber, incontestavelmente um dos mais importantes locais daconstruo do conhecimento.A Educao para a convivncia com o semi-rido ,antes de qualquer coisa, a defesa de uma contextualizao da educao, do ensino,das metodologias, dos processos (RESAB, 2004 P.32).Falar sobre Educao contextualizada importante, principalmente, num momentoem que ocorre a discusso da convivncia no semi-rido, que se expande e passa aser objeto de discusso e investigao em diversos fruns, redes, espalhado-se portoda a regio semi-rida, e chamando a ateno de educadores e instituiesnacionais. A contextualizao que se pretende no aquela que sempre feitapelos mesmos intelectuais ligados narrativa hegemnica e sua indstria editorial(RESAB, 2004 P.34)Martins (2004) coloca ainda que: O contexto , portanto, uma forma de habitat; um meio e define uma ecologia. Evidentemente, em se tratando de mundo humano este meio, este habitat e a ecologia a implicada, dizem respeito cultura, linguagem, s formas de comunicao humanas e ao regime de signos que rege esta comunicao e no apenas s coisas fsicas e palpveis (p. 35).O desafio de implementar uma poltica de formao de professores que atendesse anecessidade da regio semi-rida perdurou durante algumas dcadas. Com a 5. 14promulgao da LDB, 5698/71, o governo brasileiro ampliou os processos deformao de professores para as sries iniciais, com a criao de novos cursos deformao docente em vrios municpios do semi-rido.Sobre isso, Bszezinski (1999) ressalta que: Esses cursos apresentam muitas limitaes quanto a sua qualidade, devido a falta de professores habilitados para lecionar, principalmente as disciplinas pedaggicas, e tambm divido a ausncia dos equipamentos necessrios (biblioteca, laboratrio, etc.) para o desenvolvimento de atividades prticas e de pesquisa que possibilitassem uma slida formao daqueles docentes (p. 65).Somente no final dos anos 80, comeou-se a tomar medidas concretas no sentidode reduzir o nmero dos professores leigos que atuavam, principalmente, naschamadas escolas de 1 grau das pequenas cidades da regio semi-rida.Com o intuito de resolver esses problemas, o MEC (Ministrio da Educao) crioudiversos programas de formao de professores para serem executadas nas regiesmenos desenvolvidas do pas (principalmente as regies do semi-rido brasileiro)onde havia um grande nmero de professores leigos atuando nas escolas pblicas.A relao formao de educadores e o conhecimento da realidade emergemportanto, como crucial e imprescindvel, para que os sujeitos da ao educativasejam tambm sujeitos da construo e, sobretudo da transformao da realidade.Nesse sentido surge a RESAB ( Rede de Educao do Semi-rido Brasileiro) quepreocupada em romper com essa realidade injusta, destaca-se como instituiopioneira em projetos que contemplam uma educao contextualizada de convivnciapara o semi-rido.A RESAB um espao de articulao poltica regional da sociedade organizada,congregando educadores/ as e instituies governamentais e no governamentaisque atuam na rea de educao no Semi-rido brasileiro. 6. 15Esta instituio pensa a educao alm da escola, tendo como desafio propor umaeducao contextualizada, concebendo como tema indispensvel o semi-rido,atravs de demonstrao de convivncia com a regio e suas similaridades.Como afirma Martins (2004): Contextualizao um problema de descolonizao. uma questo de romper com uma forma de nomeao operada de fora que sequer d tempo suficiente para que os sujeitos possam organizar uma autodefinio e uma autoqualificao. Antes disso, porm, eles j esto nomeados, qualificados, representados numa caricatura na qual sequer podem se reconhecer [...] ser sempre tecer o momento de uma rede que concentre o esforo em s erguer as questes locais e outras tantas questes pertinentes no por serem elas locais ou marginais, mas por serem elas pertinentes e por representarem a devoluo da voz aos que tiveram usurpada, roubada negada historicamente (p. 32-34).A educao contextualizada valoriza a histria, as vivncias e a cultura local do povodo semi-rido, abordando as suas caractersticas peculiares, especificidades ediferenas, aes viveis, para a permanncia das pessoas na regio e no o seuabandono. Assim a escola ensina a conviver com o semi-rido, trabalhado